quarta-feira, julho 03, 2013
sábado, junho 29, 2013
A experiência da tradição em Portugal (4)
Nem tudo está mal no Catolicismo português, graças a Deus: comprova-o este “Sábado Extraordinário”, ou como o “Summorum Pontificum” foi aplicado numa vila algures na Beira Litoral.
O seminário abandonado de Santa Teresinha, em Pombeiro, Felgueiras, diocese do Porto
Supunha que estruturas assim, abandonadas deste modo,
existissem somente em regiões como o Québec ou a Irlanda. Ao que parece, também
as temos num Portugal onde o Catolicismo se eclipsa mais a cada dia que passa…
Causa impressão ver estas imagens. Ao contemplá-las, quase
que podemos escutar as prelecções dos mestres; entrever a ansiedade das alturas que precedem os exames; ouvir as conversas e os risos dos momentos de
descontracção; e sentir, acima de tudo, a elevação espiritual das celebrações
litúrgicas segundo o rito tradicional. Cinquenta anos foram os suficientes para
transformar este edifício numa ruína, autêntica metáfora materializada da
Igreja institucional.

Depois disto tudo, não podemos deixar de pensar: o que
faria deste mesmo edifício a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X ou até
qualquer um dos institutos tradicionalistas da “Ecclesia Dei”?..
Fotos: blogue “Ruin’arte”.
Uma igreja transformada em livraria em Óbidos
Imaginava que situações destas ocorressem apenas em países
como a Holanda ou os Estados Unidos. Pelos vistos, também as há num Portugal
cada vez mais descristianizado e descaracterizado. E menos mau que, no caso, o
projecto concebido - uma livraria - até parece ser respeitável e de qualidade. A
coisa poderia ser muito pior, porventura tivesse originado um bar duvidoso ou
uma discoteca manhosa…
Das semelhanças (ou falta delas) entre o Padre Leonardo Castellani e o Papa Francisco
Modéstia à parte, creio que fui eu o primeiro a abordar este assunto na blogosfera e logo a 18 de Março último, isto é, decorridos escassos
cinco dias desde a eleição papal. Ficam agora, abaixo, as ligações para mais
três artigos dedicados ao tema, todos com diferentes abordagens do mesmo.
Pessoalmente, creio que ainda é cedo para fazer um juízo definitivo sobre a
hipótese alvitrada, mas essa consideração deixo-a à livre apreciação dos meus leitores.
***
sexta-feira, junho 14, 2013
Uma agradabilíssima surpresa pelo Santo António
Francisco José Fernández de la Cigoña, no seu sempre estimável “La Cigueña de la Torre”, faz eco - e que eco! - ao artigo “Um pedido ao novo Patriarca de Lisboa” publicado neste espaço. Por me ter dado tão agradável surpresa, aqui fica, desde já, o meu sentido agradecimento ao ilustre bloguista católico.
domingo, maio 26, 2013
Um pedido ao novo Patriarca de Lisboa
Que D. Manuel Clemente tenha generosidade bastante para pôr
cobro à situação bizarra de Lisboa ser a única capital da Europa Ocidental onde não se celebra com regularidade, ao abrigo do Motu Proprio “Summorum Pontificum”, a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano. Não é compreensível a
subsistência desta factualidade para os católicos portugueses e ainda menos num
destino turístico de primeira importância mundial, visitado todos os anos por
milhões de turistas, em boa parte também católicos (muitos deles em trânsito de e para Fátima) que ressentem amargamente a ausência da Missa Tradicional na
capital de um país que gosta de se apresentar com pergaminhos históricos cristãos.
De uma vez por todas, haja quem tenha a coragem de
compreender que a celebração da Missa Tradicional não é uma extravagância, nem
os fiéis destas são um bando de excêntricos; pelo contrário, o acesso à Missa
Tradicional é um direito que a Igreja reconhece a todos os fiéis, podendo estes
requerer com toda a legitimidade a celebração daquela e devendo as autoridades
eclesiásticas deferir, tanto quanto seja possível, tais pedidos, o que até
agora não tem sucedido em Lisboa.
É bom não esquecer que através da Missa Tradicional muitos
fiéis, pessoas normalíssimas, aprofundam grandemente não só a piedade e a reverência litúrgicas mas
também a sua própria religiosidade católica.
sábado, maio 25, 2013
Uma estranha atitude do Reitor do Santuário de Fátima
É no mínimo estranho que o Reitor do maior santuário
católico de Portugal - o Santuário de Fátima -, pelo segundo ano consecutivo,
tenha impedido um grupo de fiéis católicos de recolher assinaturas no interior
das instalações daquele com vista à convocação de um novo referendo
eleitoral que permita rever os efeitos desastrosos
da lei do aborto actualmente vigente em terras lusas. Esta é mais uma ocorrência deplorável, noticiada a nível internacional, bem exemplificativa do estado de necessidade em que a Igreja portuguesa continua mergulhada.
Que pensará desta atitude o Papa Francisco, ele que ainda
recentemente se juntou de modo espontâneo, com o papamóvel e tudo, a uma
manifestação em defesa da vida (no vídeo, a partir de 1:53)?..
terça-feira, maio 21, 2013
O voto católico não pode ser um voto cativo
O voto católico não pode ser um voto cativo no PSD e no
CDS-PP. É fundamental insistir neste facto, em especial depois da
inqualificável conivência das direcções daqueles partidos na aprovação parlamentar
da co-adopção de crianças por pares homossexuais: ao concederem liberdade de
voto aos membros dos respectivos grupos parlamentares, numa matéria tão
sensível e em notória traição à base eleitoral que os elegeu, permitiram que a
minoria proponente se transformasse em maioria, graças ao apoio activo de
dezasseis deputados do PSD e à abstenção de mais seis deputados (três também do
PSD e três do CDS-PP).
Ora, é inadmissível a atitude das direcções do PSD e do
CDS-PP nesta questão. É-o porque estes partidos nunca propuseram, durante a
última campanha eleitoral, apoiar uma medida do género da agora aprovada, e é-o
porque tal acaba por suceder por força do voto de deputados - na sua maior
parte, segundas e terceiras linhas desconhecidas do eleitorado - que jamais
deram a cara em defesa da co-adopção por pares homossexuais perante os
eleitores, e que chegaram ao Parlamento somente à custa das habituais
negociações de bastidores na formação das listas eleitorais e às concessões que
nestas costumam ser feitas aos membros das “jotas”, das “concelhias” e das “distritais”,
num processo bem característico do mais sórdido da política nacional.
E assim, desta maneira, possibilitou-se que deputados não
mandatados para o efeito - ademais de muitos deles, como já disse antes, serem
notoriamente imaturos, inexperientes, ignorantes e meros seguidores de modas
ideológicas - aprovassem uma medida de cariz revolucionário que afecta com
gravidade o futuro do bem comum da sociedade portuguesa e a estrutura
axiológica em que esta se estriba.
Repito: é inadmissível a atitude das direcções partidárias
que permitiram que isto sucedesse. Chegados a este ponto, aos católicos
conscientes não lhes resta outra alternativa, no actual quadro de regime, que
não seja a de privarem definitivamente o PSD e o CDS-PP dos seus votos, bem
como qualquer outro partido defensor da ditadura do relativismo. Por mim, é o
que farei já nas próximas eleições. Em Portugal, as alternativas político-partidárias não podem, de modo algum, cingir-se a uma escolha fáctica entre Estaline e Mao Tse-Tung.
Para terminar, a este mesmo respeito, sugiro ainda a leitura dos meus artigos
anteriormente publicados neste espaço:
domingo, maio 19, 2013
Recordar o ensinamento da verdade em tempos de mentira universal
Porque a verdade não é determinada através votações parlamentares
participadas por deputados, em parte não despicienda, imaturos, inexperientes e
no limiar da iliteracia funcional. Da Nota intitulada “Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, da
Congregação para a Doutrina da Fé, aprovada em 28/03/2003 pelo Papa João Paulo
II, subscrita e publicada em 03/06/2003 pelo então Cardeal Ratzinger (futuro Papa Bento
XVI) (destaques meus):
O ensinamento da Igreja sobre o matrimónio e sobre a
complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela recta razão e
reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimónio não é
uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua
natureza, propriedades essenciais e finalidades. Nenhuma ideologia pode
cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimónio entre duas
pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é
própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam
mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.
A verdade natural sobre o matrimónio foi confirmada pela
Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo,
expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria
natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao
matrimónio, de que fala o Livro do Génesis.
Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «homem
e mulher» (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e
complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte
da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível,
o pessoal, onde corpo e espírito se unem.
Depois, o matrimónio é instituído pelo Criador como forma de
vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da
faculdade sexual. «Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á
à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne» (Gn 2, 24).
Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma
participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a
mulher com as palavras: «Sede fecundos e multiplicai-vos» (Gn 1, 28). No plano
do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto,
à própria natureza da instituição do matrimónio.
Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi
elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimónio
cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este
significado cristão do matrimónio, longe de diminuir o valor profundamente
humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o
(cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9).
Não existe nenhum
fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as
uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família. O
matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste
com a lei moral natural. Os actos homossexuais, de facto, «fecham o acto sexual
ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afectiva e
sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar».
(…)
Em presença do
reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas
ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever
opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de
cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas
e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da
aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de
consciência.
(…)
A
função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral. A lei civil,
todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a
força de obrigar a consciência. Qualquer lei feita pelos homens tem razão de
lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida
pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis
de toda a pessoa. As legislações que favorecem as uniões homossexuais são
contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo
garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os
valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu
dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o
matrimónio.
Poderá perguntar-se como pode ser
contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular,
mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente
parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém
reflectir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento
homossexual como fenómeno privado, e o mesmo comportamento como relação social
legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do
ordenamento jurídico. O segundo fenómeno, não só é mais grave, mas assume uma
relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na
inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis
civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para
o bem ou para o mal. «Desempenham uma função muito importante, e por vezes
determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume». As formas de
vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida
social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a
compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões
homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores
morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.
(…)
Nas uniões homossexuais estão totalmente
ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimónio e da família,
que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões.
Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e
a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua
disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além
de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana, não alteraria
minimamente essa sua inadequação.
Nas uniões homossexuais está totalmente
ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das
relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e
promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimónio e se mantêm abertas à
transmissão da vida.
Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos
ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior
dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade.
Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na
realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se
aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não
favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática
seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio
reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da
criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança,
que é a parte mais fraca e indefesa.
(…)
Em defesa da legalização das uniões
homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação
de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um
reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias
à justiça. Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimónio a formas de
vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é
uma sua exigência.
Nem tão pouco se pode razoavelmente
invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão
poder realizar livremente actividades do seu interesse, e que essas actividades
que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra
muito diferente é que actividades que não representam um significativo e
positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam
receber do Estado um reconhecimento legal específico e qualificado. As uniões
homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções
pelas quais o matrimónio e a família merecem um reconhecimento específico e
qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões
são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a
sua efectiva incidência sobre o tecido social.
(…)
Se todos os
fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais,
os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade
que lhes é própria. Na presença de projectos de lei favoráveis às uniões
homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.
No caso que se
proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projecto de lei
favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar
católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e
votar contra esse projecto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto
legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral.
No caso de o
parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões
homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis,
e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um acto devido de testemunho da
verdade.
(…)
A Igreja ensina que o respeito para com as
pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do
comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O
bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união
matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer
legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria,
não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num
modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que
fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de
defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.
segunda-feira, maio 13, 2013
domingo, maio 12, 2013
Um navio regressando ao seu porto
A leitura da história de perseverança exemplar do Padre Paul Lourdelet, sacerdote diocesano francês que, nos quase
setenta anos decorridos desde a sua ordenação, jamais celebrou outra Missa que
não a de rito latino-gregoriano, trouxe-me à memória o belíssimo texto do grande escritor
católico argentino Hugo Wast, extraído do seu livro “Navega hacia alta mar”,
que abaixo transcrevo.
***
Todo sacerdote joven me parece un buque que parte por primera vez hacia
alta mar.
Todo sacerdote viejo me parece un buque que va llegando al puerto.
Me he cruzado en el mar, en uno de los siete mares del mundo, con dos
buques, uno viejo y otro nuevo.
No sé por qué razones siempre que veo un buque viejo me pongo a
imaginar las aventuras, los peligros, las tormentas que ha pasado; y delante de
uno nuevo, todo lo que le aguarda.
Me he cruzado con dos, el uno viejo y el otro nuevo.
El viejo iba llegando al puerto, con su casco despintado, sus velas en
jirones, sus masteleros en astillas, pero con su proa tajante y su timón
obediente y firme, de modo que se mantenía en la buena ruta.
El otro recién botado al agua, navegaba hacia alta mar, relumbrante,
con su arboladura nueva, sus cuerdas blancas, sus velas sonoras y al viento,
que le daba en el costado. El agua hervía en espuma, bajo su quilla que abría
un profundo surco en las olas.
Todo le sonreía, el sol, el cielo, la brisa, que cantaba en sus
obenques, las ligeras nubes que le daban sombra, los delfines que danzaban a su
alrededor y las gaviotas que se posaban en sus jarcias. Y él avanzaba libre y
ufano, hacia los misterios del primero de los siete mares, seguro de sus lonas,
de sus maderas y de sus forros de cobre y de su timón nuevo.
Y yo rogué por él, que antes de llegar al puerto tenía que humillar la
soberbia en el Atlántico, cerrar los ojos y oídos a los espejismos y a los
cantos de las sirenas en el Mediterráneo; dominar la ira en el Rojo;
sobreponerse a la gula en el Índico; desafiar los tifones de la envidia en el
Mar de la China; despreciar las mordeduras de la avaricia en el Pacífico;
luchar contra el frío del alma en el Ártico; y vencer la pereza en el Mar de
Sargazos, que más que un mar es la plaga de todos los mares.
Cuando veo un sacerdote viejo, deslucido en su traje y en su palabra,
distraído como quien tiene el corazón en otra parte, sordo a los rumores de la
tierra y atento a las voces que le hablan en sueños como a Samuel, pienso que
invita a cantar un Te Deum, porque es un navío que ha pasado ya las tormentas
de los siete mares.
Cuando veo uno joven, que emprende su periplo, impaciente de surcar los
océanos, con demasiada confianza en la altura de sus mástiles y en lo pulido de
sus cascos y en la gallardía de sus lonas; que mira poco el cielo para orientar
su rumbo y mucho las máquinas que fabrican los hombres, tengo miedo por él.
Y más si es artista; y mucho más si es elocuente; y muchísimo más si es
ingenuo y ama el ruido, y cree que le falta tiempo y puede dejar hoy esta
rúbrica, mañana este rezo, después esta meditación, ser impuntual en la hora de
su Misa; ser distraído en su breviario.
¡Ay! ¡Cuántos mares y cuántos escollos delante de su proa y qué lejos
el puerto!
Llegará, sin duda, si deja de mirar la brújula de los hombres y levanta
el corazón hasta la Estrella de la Mañana.
Llamamos
así a la Virgen, pero es también una de las más preciosas advocaciones de
Jesús, que dice de Sí Mismo en el último capítulo del Apocalipsis: “Yo Soy
Jesús, la espléndida y luminosa Estrella de la Mañana”.
Museu Machado de Castro, em Coimbra
Estive há poucas semanas no Museu Machado de Castro, em Coimbra, reaberto ao público depois de obras de restauro que
demoraram largos anos. Trata-se de uma visita que recomendo vivamente a todos
os que a possam fazer, sendo as magníficas colecções de escultura, pintura e
alfaias litúrgicas do Museu merecedoras de demorada contemplação, tanto pelo
seu valor artístico intrínseco, como pelo facto de as mesmas serem uma prova
iniludível de que a tradição é o factor que une todos os autênticos crentes católicos
não só no espaço mas também no tempo.
Foto: sacra de altar do século XVII exposta no Museu.
segunda-feira, abril 29, 2013
Judas a quem caem as máscaras
Depois do Arcebispo Piero Marini, agora também o Cardeal Schönborn e o Padre Federico Lombardi vieram defender o reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais. Não causa qualquer estranheza que as personagens em causa sustentem tal posição: confirma-se tão-só serem mais dois Judas a quem a máscara caiu de vez, em especial, Schönborn.
Doravante, começa-se a compreender melhor o motivo mais profundo da abdicação do Papa Bento XVI: cercado por gente de tão funesto calibre, a sua margem de manobra era nula. E percebe-se igualmente melhor o que o Papa então reinante pretendia dizer quando afirmava que os piores inimigos da Igreja estão no interior desta e que muitos dos seus membros cometem pecados contra a unidade da mesma Igreja.
De resto, não se alvitra a razão que leva bispos e presbíteros católicos a manifestarem-se a favor do reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais, já que estas:
a) são contrárias à ordem natural e ao bem comum do todo social;
b) têm o seu centro de existência baseado num comportamento que constitui um pecado grave contra a lei moral;
pelo que em caso algum é lícito a um crente católico, qualquer que seja o seu estado de vida, apoiar o poder civil vigente no reconhecimento de tais uniões e, ainda menos, pretender beneficiar dos efeitos práticos que delas possam decorrer.
Perante estes sucessivos pronunciamentos em favor do reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais feitos por importantes membros da hierarquia eclesiástica, factualidade que indicia notoriamente uma acção tramada e concertada, dir-se-á, utilizando uma metáfora de cariz futebolístico, que a bola está agora no campo do Papa Francisco. A este incumbirá pôr termo a esta onda que começa preocupantemente a agigantar-se. Será o primeiro grande desafio do seu pontificado e a primeira grande prova à afirmação da sua efectiva ortodoxia.
No entretanto, agradeçamos incessantemente a Deus a graça de nestes tempos tenebrosos nos haver concedido os sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, pois para estes o conselho evangélico do “Sim, sim! Não, não!” não oferece quaisquer dúvidas. Comprova-o o vídeo infra, bem demonstrativo da coragem destes pastores católicos que acompanham as suas ovelhas e não as desamparam no bom combate pela verdade.
sexta-feira, abril 26, 2013
Para reflectir
Quem está realmente em plena comunhão com a Igreja Católica?
Os sacerdotes e religiosos da FSSPX que dão testemunho da verdade, nas ruas de Paris, em defesa da instituição natural do casamento, o que valeu a um deles - irmão religioso - ser selvaticamente agredido pelos esbirros policiais às ordens do jacobino Hollande (ver esta peça impressionante, sobretudo a partir do minuto 4:19)? Ou o Arcebispo Piero Marini que, ademais de atacar com notória cobardia e evidente despeito a pessoa do Papa Bento XVI, em entrevista concedida ao jornal costa-riquenho “La Nación”, à revelia do magistério tradicional da Igreja, defendeu publicamente o reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais?
Por mim, não tenho quaisquer dúvidas de que em plena comunhão com a Igreja Católica está quem faz o que a Igreja sempre fez e ensina o que a Igreja sempre ensinou. E esse, aqui, não é o caso do Arcebispo Piero Marini, muito longe disso…
quinta-feira, abril 25, 2013
Alguns aforismos de Nicolás Gómez Dávila sobre a democracia
Excelentes para desenfastiar do dia de hoje.
***
- La democracia es una religión antropoteísta. Su
principio es una opción de carácter religioso, un acto por el cual asume al hombre
como Dios. Su doctrina es una teología del Hombre-Dios, su práctica es la
realización del principio en comportamientos, en instituciones y en obras.
- La popularidad de un gobernante, en una democracia,
es proporcional a su vulgaridad.
- La democracia ignora la diferencia entre
verdades y errores; solo distingue entre opiniones populares y opiniones
impopulares.
-Hay que repetirlo y repetirlo: la esencia de
la democracia es la creencia en la soberanía de la voluntad humana.
- El capitalismo es deformación monstruosa de
la propiedad privada por la democracia liberal.
- Mientras no lo tomen en serio, el que dice la
verdad puede vivir un tiempo en democracia. Después, la cicuta.
- Errar es humano, mentir democrático.
- La democracia sería una inocentada si no
fuese el disfraz de una blasfemia.
- Mientras más graves sean los problemas, mayor
es el número de ineptos que la democracia llama a resolverlos.
- La democracia, en tiempo de paz, no tiene
partidario más ferviente que el estúpido, ni en tiempo de revolución
colaborador más activo que el demente.
- La democracia sólo tolera dos partidos: el
vocero de las ideas estúpidas, el protector de las codicias sórdidas.
- El mesías anunciado por los profetas de la
democracia decomonónica resultó meramente el aborto del anticristo.
- “Patriota”, en las democracias, es aquel que
vive del Estado; “egoísta” aquel de quien el Estado vive.
- Un hervidero de gusanos en el cadáver de una
sociedad es síntoma de salud, según el demócrata.
- Si el comunismo denuncia la estafa burguesa,
y el capitalismo al engaño comunista, ambos son mutantes históricos del principio
democrático, ambos ansían una sociedad donde el hombre se halle, en fin, señor
de su destino.
- Para la democracia individualista
y liberal, la volición del hombre es libre de obligaciones internas, pero sin
derecho de apelar a instancias superiores contra las normas populares, contra
la ley formalmente promulgada, o contra el precio impersonalmente establecido.
El demócrata individualista no puede declarar que una norma es falsa, sino que
anhela otra; ni que una ley no es justa, sino que quiere otra; ni que un precio
es absurdo, sino que otro le conviene.
- La veneración de la riqueza es
fenómeno democrático. El dinero es el único valor universal que el demócrata
puro acata.
- Los mandatarios burgueses del
sufragio prohíjan el estado laico, para que ninguna intromisión axiológica
perturbe sus combinaciones. Quien tolera que un reparo religioso inquiere la
prosperidad de un negocio, que un argumento ético suprima un adelanto técnico,
que un motivo estético modifique un proyecto político, hiere la sensibilidad
burguesa y traiciona la empresa democrática.
Nicolás Gómez Dávila, in “Sentencias
Doctas de un Pensador Antimoderno o de un Auténtico Reaccionario”, Santa Fe de
Bogotá, 2001, compiladas pelo Dr. Alejandro Ordóñez Maldonado, páginas 17 a 20.
segunda-feira, abril 22, 2013
Obra Completa do Padre António Vieira
O início da publicação da obra completa do Padre António Vieira constitui uma magnífica notícia para todos os
cultores da língua portuguesa, onde quer que eles se encontrem. Porém, aproveite-se
a ocasião para sublinhar que os escritos do insigne jesuíta não existem para
ser apreciados apenas de um ponto de vista estético, formalístico ou, quando
muito, à luz de uma releitura que transforma o seu autor num protomodernista,
num falso ecumenista e num internacionalista revolucionário.
Ao invés, como já aqui escrevi em tempos, se Vieira é um incontestável mestre da língua portuguesa, na sua obra - em especial, nos “Sermões” - ele é antes de mais, e acima de tudo, um imperador da autêntica doutrina tradicional católica! Vieira é um dos nossos! Um tradicionalista! Portanto, fruamo-lo e formemo-nos na leitura da sua obra!
Pistas para abordar o pontificado do Papa Francisco
Neste espaço, somos certamente
papistas, mas não somos papólatras e ainda menos papófobos. Em todo o caso,
não temos quaisquer obsessões - num sentido positivo ou negativo - com a pessoa do Papa. Por
isso, com a devida vénia ao blogue “InfoCaótica”, transcrevemos o texto abaixo,
notável por toda a prudência verdadeiramente católica que nele perpassa.
***
I. Francisco es el
Papa. Se debe proceder ante él como ante todos los Vicarios de Cristo.
II. Pedir a Dios que
no incidan en el pontificado de Francisco los aspectos más negativos de Jorge
Bergoglio. Que sea el Papa que necesita la Iglesia, a pesar de la madera que
hay detrás.
III. Reconocer todo
cuanto de bueno, bello y verdadero sostenga y obre desde su Sede, sin
papolatrías, ni adulaciones.
IV. No confundir
gestos y opiniones con magisterio eclesial o actos de gobierno.
V. Distinguir la vera
realidad (Francisco) de las campañas multimediáticas sobre el nuevo Pontificado
(espíritu de Francisco). Atender no a lo que digan los medios sobre Francisco,
sino lo que diga y obre el Papa.
VI. Recordar que la
resistencia a los errores, confusiones y felonías de los Pastores, es
obediencia a una Autoridad superior.
VII. Estar atento a
las enseñanzas del Apocalipsis para crecer en la perspectiva escatológica. No a
la multitud de aparicionismos, videntes o revelaciones privadas, de dudoso
origen, que más conducen a la demencia que a la salud.
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