sábado, maio 25, 2013

Uma estranha atitude do Reitor do Santuário de Fátima


É no mínimo estranho que o Reitor do maior santuário católico de Portugal - o Santuário de Fátima -, pelo segundo ano consecutivo, tenha impedido um grupo de fiéis católicos de recolher assinaturas no interior das instalações daquele com vista à convocação de um novo referendo eleitoral que permita rever os efeitos desastrosos da lei do aborto actualmente vigente em terras lusas. Esta é mais uma ocorrência deplorável, noticiada a nível internacional, bem exemplificativa do estado de necessidade em que a Igreja portuguesa continua mergulhada.
Que pensará desta atitude o Papa Francisco, ele que ainda recentemente se juntou de modo espontâneo, com o papamóvel e tudo, a uma manifestação em defesa da vida (no vídeo, a partir de 1:53)?..   

terça-feira, maio 21, 2013

O voto católico não pode ser um voto cativo

O voto católico não pode ser um voto cativo no PSD e no CDS-PP. É fundamental insistir neste facto, em especial depois da inqualificável conivência das direcções daqueles partidos na aprovação parlamentar da co-adopção de crianças por pares homossexuais: ao concederem liberdade de voto aos membros dos respectivos grupos parlamentares, numa matéria tão sensível e em notória traição à base eleitoral que os elegeu, permitiram que a minoria proponente se transformasse em maioria, graças ao apoio activo de dezasseis deputados do PSD e à abstenção de mais seis deputados (três também do PSD e três do CDS-PP).
Ora, é inadmissível a atitude das direcções do PSD e do CDS-PP nesta questão. É-o porque estes partidos nunca propuseram, durante a última campanha eleitoral, apoiar uma medida do género da agora aprovada, e é-o porque tal acaba por suceder por força do voto de deputados - na sua maior parte, segundas e terceiras linhas desconhecidas do eleitorado - que jamais deram a cara em defesa da co-adopção por pares homossexuais perante os eleitores, e que chegaram ao Parlamento somente à custa das habituais negociações de bastidores na formação das listas eleitorais e às concessões que nestas costumam ser feitas aos membros das “jotas”, das “concelhias” e das “distritais”, num processo bem característico do mais sórdido da política nacional.
E assim, desta maneira, possibilitou-se que deputados não mandatados para o efeito - ademais de muitos deles, como já disse antes, serem notoriamente imaturos, inexperientes, ignorantes e meros seguidores de modas ideológicas - aprovassem uma medida de cariz revolucionário que afecta com gravidade o futuro do bem comum da sociedade portuguesa e a estrutura axiológica em que esta se estriba.
Repito: é inadmissível a atitude das direcções partidárias que permitiram que isto sucedesse. Chegados a este ponto, aos católicos conscientes não lhes resta outra alternativa, no actual quadro de regime, que não seja a de privarem definitivamente o PSD e o CDS-PP dos seus votos, bem como qualquer outro partido defensor da ditadura do relativismo. Por mim, é o que farei já nas próximas eleições. Em Portugal, as alternativas político-partidárias não podem, de modo algum, cingir-se a uma escolha fáctica entre Estaline e Mao Tse-Tung.
Para terminar, a este mesmo respeito, sugiro ainda a leitura dos meus artigos anteriormente publicados neste espaço:

domingo, maio 19, 2013

Veni Sancte Spiritus

Recordar o ensinamento da verdade em tempos de mentira universal


Porque a verdade não é determinada através votações parlamentares participadas por deputados, em parte não despicienda, imaturos, inexperientes e no limiar da iliteracia funcional. Da Nota intitulada “Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, da Congregação para a Doutrina da Fé, aprovada em 28/03/2003 pelo Papa João Paulo II, subscrita e publicada em 03/06/2003 pelo então Cardeal Ratzinger (futuro Papa Bento XVI) (destaques meus):
 
O ensinamento da Igreja sobre o matrimónio e sobre a complementaridade dos sexos propõe uma verdade, evidenciada pela recta razão e reconhecida como tal por todas as grandes culturas do mundo. O matrimónio não é uma união qualquer entre pessoas humanas. Foi fundado pelo Criador, com uma sua natureza, propriedades essenciais e finalidades. Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas.
 
A verdade natural sobre o matrimónio foi confirmada pela Revelação contida nas narrações bíblicas da criação e que são, ao mesmo tempo, expressão da sabedoria humana originária, em que se faz ouvir a voz da própria natureza. São três os dados fundamentais do plano criador relativamente ao matrimónio, de que fala o Livro do Génesis.
 
Em primeiro lugar, o homem, imagem de Deus, foi criado «homem e mulher» (Gn 1, 27). O homem e a mulher são iguais enquanto pessoas e complementares enquanto homem e mulher. A sexualidade, por um lado, faz parte da esfera biológica e, por outro, é elevada na criatura humana a um novo nível, o pessoal, onde corpo e espírito se unem.
 
Depois, o matrimónio é instituído pelo Criador como forma de vida em que se realiza aquela comunhão de pessoas que requer o exercício da faculdade sexual. «Por isso, o homem deixará o seu pai e a sua mãe e unir-se-á à sua mulher e os dois tornar-se-ão uma só carne» (Gn 2, 24).
 
Por fim, Deus quis dar à união do homem e da mulher uma participação especial na sua obra criadora. Por isso, abençoou o homem e a mulher com as palavras: «Sede fecundos e multiplicai-vos» (Gn 1, 28). No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimónio.
 
Além disso, a união matrimonial entre o homem e a mulher foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento. A Igreja ensina que o matrimónio cristão é sinal eficaz da aliança de Cristo e da Igreja (cf. Ef 5, 32). Este significado cristão do matrimónio, longe de diminuir o valor profundamente humano da união matrimonial entre o homem e a mulher, confirma-o e fortalece-o (cf. Mt 19, 3-12; Mc 10, 6-9).
 
Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimónio e a família. O matrimónio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os actos homossexuais, de facto, «fecham o acto sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afectiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar».
 
(…)
 
Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimónio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objecção de consciência.
 
(…)
 
A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral. A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência. Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa. As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem comum, como é o matrimónio.
 
Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém reflectir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenómeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. O segundo fenómeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume». As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.
 
(…)
 
Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimónio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana, não alteraria minimamente essa sua inadequação.
 
Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimónio e se mantêm abertas à transmissão da vida.
 
Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.
 
(…)
 
Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça. Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimónio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.
 
Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente actividades do seu interesse, e que essas actividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que actividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal específico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimónio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efectiva incidência sobre o tecido social.
 
(…)
 
Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projectos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.
 
No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projecto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projecto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral.
 
No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um acto devido de testemunho da verdade.
 
(…)
 
A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimónio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade actual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do património comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade.

domingo, maio 12, 2013

Um navio regressando ao seu porto


A leitura da história de perseverança exemplar do Padre Paul Lourdelet, sacerdote diocesano francês que, nos quase setenta anos decorridos desde a sua ordenação, jamais celebrou outra Missa que não a de rito latino-gregoriano, trouxe-me à memória o belíssimo texto do grande escritor católico argentino Hugo Wast, extraído do seu livro “Navega hacia alta mar”, que abaixo transcrevo.
***
Todo sacerdote joven me parece un buque que parte por primera vez hacia alta mar.
Todo sacerdote viejo me parece un buque que va llegando al puerto.
Me he cruzado en el mar, en uno de los siete mares del mundo, con dos buques, uno viejo y otro nuevo.
No sé por qué razones siempre que veo un buque viejo me pongo a imaginar las aventuras, los peligros, las tormentas que ha pasado; y delante de uno nuevo, todo lo que le aguarda.
Me he cruzado con dos, el uno viejo y el otro nuevo.
El viejo iba llegando al puerto, con su casco despintado, sus velas en jirones, sus masteleros en astillas, pero con su proa tajante y su timón obediente y firme, de modo que se mantenía en la buena ruta.
El otro recién botado al agua, navegaba hacia alta mar, relumbrante, con su arboladura nueva, sus cuerdas blancas, sus velas sonoras y al viento, que le daba en el costado. El agua hervía en espuma, bajo su quilla que abría un profundo surco en las olas.
Todo le sonreía, el sol, el cielo, la brisa, que cantaba en sus obenques, las ligeras nubes que le daban sombra, los delfines que danzaban a su alrededor y las gaviotas que se posaban en sus jarcias. Y él avanzaba libre y ufano, hacia los misterios del primero de los siete mares, seguro de sus lonas, de sus maderas y de sus forros de cobre y de su timón nuevo.
Y yo rogué por él, que antes de llegar al puerto tenía que humillar la soberbia en el Atlántico, cerrar los ojos y oídos a los espejismos y a los cantos de las sirenas en el Mediterráneo; dominar la ira en el Rojo; sobreponerse a la gula en el Índico; desafiar los tifones de la envidia en el Mar de la China; despreciar las mordeduras de la avaricia en el Pacífico; luchar contra el frío del alma en el Ártico; y vencer la pereza en el Mar de Sargazos, que más que un mar es la plaga de todos los mares.
Cuando veo un sacerdote viejo, deslucido en su traje y en su palabra, distraído como quien tiene el corazón en otra parte, sordo a los rumores de la tierra y atento a las voces que le hablan en sueños como a Samuel, pienso que invita a cantar un Te Deum, porque es un navío que ha pasado ya las tormentas de los siete mares.
Cuando veo uno joven, que emprende su periplo, impaciente de surcar los océanos, con demasiada confianza en la altura de sus mástiles y en lo pulido de sus cascos y en la gallardía de sus lonas; que mira poco el cielo para orientar su rumbo y mucho las máquinas que fabrican los hombres, tengo miedo por él.
Y más si es artista; y mucho más si es elocuente; y muchísimo más si es ingenuo y ama el ruido, y cree que le falta tiempo y puede dejar hoy esta rúbrica, mañana este rezo, después esta meditación, ser impuntual en la hora de su Misa; ser distraído en su breviario.
¡Ay! ¡Cuántos mares y cuántos escollos delante de su proa y qué lejos el puerto!
Llegará, sin duda, si deja de mirar la brújula de los hombres y levanta el corazón hasta la Estrella de la Mañana.
Llamamos así a la Virgen, pero es también una de las más preciosas advocaciones de Jesús, que dice de Sí Mismo en el último capítulo del Apocalipsis: “Yo Soy Jesús, la espléndida y luminosa Estrella de la Mañana”.

Museu Machado de Castro, em Coimbra

 
Estive há poucas semanas no Museu Machado de Castro, em Coimbra, reaberto ao público depois de obras de restauro que demoraram largos anos. Trata-se de uma visita que recomendo vivamente a todos os que a possam fazer, sendo as magníficas colecções de escultura, pintura e alfaias litúrgicas do Museu merecedoras de demorada contemplação, tanto pelo seu valor artístico intrínseco, como pelo facto de as mesmas serem uma prova iniludível de que a tradição é o factor que une todos os autênticos crentes católicos não só no espaço mas também no tempo.
Foto: sacra de altar do século XVII exposta no Museu.

segunda-feira, abril 29, 2013

Judas a quem caem as máscaras

Depois do Arcebispo Piero Marini, agora também o Cardeal Schönborn e o Padre Federico Lombardi vieram defender o reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais. Não causa qualquer estranheza que as personagens em causa sustentem tal posição: confirma-se tão-só serem mais dois Judas a quem a máscara caiu de vez, em especial, Schönborn.

Doravante, começa-se a compreender melhor o motivo mais profundo da abdicação do Papa Bento XVI: cercado por gente de tão funesto calibre, a sua margem de manobra era nula. E percebe-se igualmente melhor o que o Papa então reinante pretendia dizer quando afirmava que os piores inimigos da Igreja estão no interior desta e que muitos dos seus membros cometem pecados contra a unidade da mesma Igreja.
De resto, não se alvitra a razão que leva bispos e presbíteros católicos a manifestarem-se a favor do reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais, já que estas:

a) são contrárias à ordem natural e ao bem comum do todo social;
b) têm o seu centro de existência baseado num comportamento que constitui um pecado grave contra a lei moral;

pelo que em caso algum é lícito a um crente católico, qualquer que seja o seu estado de vida, apoiar o poder civil vigente no reconhecimento de tais uniões e, ainda menos, pretender beneficiar dos efeitos práticos que delas possam decorrer.
Perante estes sucessivos pronunciamentos em favor do reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais feitos por importantes membros da hierarquia eclesiástica, factualidade que indicia notoriamente uma acção tramada e concertada, dir-se-á, utilizando uma metáfora de cariz futebolístico, que a bola está agora no campo do Papa Francisco. A este incumbirá pôr termo a esta onda que começa preocupantemente a agigantar-se. Será o primeiro grande desafio do seu pontificado e a primeira grande prova à afirmação da sua efectiva ortodoxia.

No entretanto, agradeçamos incessantemente a Deus a graça de nestes tempos tenebrosos nos haver concedido os sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, pois para estes o conselho evangélico do “Sim, sim! Não, não!” não oferece quaisquer dúvidas. Comprova-o o vídeo infra, bem demonstrativo da coragem destes pastores católicos que acompanham as suas ovelhas e não as desamparam no bom combate pela verdade.

sexta-feira, abril 26, 2013

Para reflectir


Quem está realmente em plena comunhão com a Igreja Católica?

Os sacerdotes e religiosos da FSSPX que dão testemunho da verdade, nas ruas de Paris, em defesa da instituição natural do casamento, o que valeu a um deles - irmão religioso - ser selvaticamente agredido pelos esbirros policiais às ordens do jacobino Hollande (ver esta peça impressionante, sobretudo a partir do minuto 4:19)? Ou o Arcebispo Piero Marini que, ademais de atacar com notória cobardia e evidente despeito a pessoa do Papa Bento XVI, em entrevista concedida ao jornal costa-riquenho “La Nación”, à revelia do magistério tradicional da Igreja, defendeu publicamente o reconhecimento jurídico das uniões de homossexuais?
Por mim, não tenho quaisquer dúvidas de que em plena comunhão com a Igreja Católica está quem faz o que a Igreja sempre fez e ensina o que a Igreja sempre ensinou. E esse, aqui, não é o caso do Arcebispo Piero Marini, muito longe disso…

quinta-feira, abril 25, 2013

Alguns aforismos de Nicolás Gómez Dávila sobre a democracia

 
Excelentes para desenfastiar do dia de hoje.
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- La democracia es una religión antropoteísta. Su principio es una opción de carácter religioso, un acto por el cual asume al hombre como Dios. Su doctrina es una teología del Hombre-Dios, su práctica es la realización del principio en comportamientos, en instituciones y en obras.
- La popularidad de un gobernante, en una democracia, es proporcional a su vulgaridad.
- La democracia ignora la diferencia entre verdades y errores; solo distingue entre opiniones populares y opiniones impopulares.
-Hay que repetirlo y repetirlo: la esencia de la democracia es la creencia en la soberanía de la voluntad humana.
- El capitalismo es deformación monstruosa de la propiedad privada por la democracia liberal.
- Mientras no lo tomen en serio, el que dice la verdad puede vivir un tiempo en democracia. Después, la cicuta.
- Errar es humano, mentir democrático.
- La democracia sería una inocentada si no fuese el disfraz de una blasfemia.
- Mientras más graves sean los problemas, mayor es el número de ineptos que la democracia llama a resolverlos.
- La democracia, en tiempo de paz, no tiene partidario más ferviente que el estúpido, ni en tiempo de revolución colaborador más activo que el demente.
- La democracia sólo tolera dos partidos: el vocero de las ideas estúpidas, el protector de las codicias sórdidas.
- El mesías anunciado por los profetas de la democracia decomonónica resultó meramente el aborto del anticristo.
- “Patriota”, en las democracias, es aquel que vive del Estado; “egoísta” aquel de quien el Estado vive.
- Un hervidero de gusanos en el cadáver de una sociedad es síntoma de salud, según el demócrata.
- Si el comunismo denuncia la estafa burguesa, y el capitalismo al engaño comunista, ambos son mutantes históricos del principio democrático, ambos ansían una sociedad donde el hombre se halle, en fin, señor de su destino.
- Para la democracia individualista y liberal, la volición del hombre es libre de obligaciones internas, pero sin derecho de apelar a instancias superiores contra las normas populares, contra la ley formalmente promulgada, o contra el precio impersonalmente establecido. El demócrata individualista no puede declarar que una norma es falsa, sino que anhela otra; ni que una ley no es justa, sino que quiere otra; ni que un precio es absurdo, sino que otro le conviene.
- La veneración de la riqueza es fenómeno democrático. El dinero es el único valor universal que el demócrata puro acata.
- Los mandatarios burgueses del sufragio prohíjan el estado laico, para que ninguna intromisión axiológica perturbe sus combinaciones. Quien tolera que un reparo religioso inquiere la prosperidad de un negocio, que un argumento ético suprima un adelanto técnico, que un motivo estético modifique un proyecto político, hiere la sensibilidad burguesa y traiciona la empresa democrática.
Nicolás Gómez Dávila, in “Sentencias Doctas de un Pensador Antimoderno o de un Auténtico Reaccionario”, Santa Fe de Bogotá, 2001, compiladas pelo Dr. Alejandro Ordóñez Maldonado, páginas 17 a 20.

segunda-feira, abril 22, 2013

Obra Completa do Padre António Vieira



O início da publicação da obra completa do Padre António Vieira constitui uma magnífica notícia para todos os cultores da língua portuguesa, onde quer que eles se encontrem. Porém, aproveite-se a ocasião para sublinhar que os escritos do insigne jesuíta não existem para ser apreciados apenas de um ponto de vista estético, formalístico ou, quando muito, à luz de uma releitura que transforma o seu autor num protomodernista, num falso ecumenista e num internacionalista revolucionário.

Ao invés, como já aqui escrevi em tempos, se Vieira é um incontestável mestre da língua portuguesa, na sua obra - em especial, nos “Sermões” - ele é antes de mais, e acima de tudo, um imperador da autêntica doutrina tradicional católica! Vieira é um dos nossos! Um tradicionalista! Portanto, fruamo-lo e formemo-nos na leitura da sua obra!

Pistas para abordar o pontificado do Papa Francisco


Neste espaço, somos certamente papistas, mas não somos papólatras e ainda menos papófobos. Em todo o caso, não temos quaisquer obsessões - num sentido positivo ou negativo - com a pessoa do Papa. Por isso, com a devida vénia ao blogue “InfoCaótica”, transcrevemos o texto abaixo, notável por toda a prudência verdadeiramente católica que nele perpassa.
***
I. Francisco es el Papa. Se debe proceder ante él como ante todos los Vicarios de Cristo.
II. Pedir a Dios que no incidan en el pontificado de Francisco los aspectos más negativos de Jorge Bergoglio. Que sea el Papa que necesita la Iglesia, a pesar de la madera que hay detrás.
III. Reconocer todo cuanto de bueno, bello y verdadero sostenga y obre desde su Sede, sin papolatrías, ni adulaciones.
IV. No confundir gestos y opiniones con magisterio eclesial o actos de gobierno.
V. Distinguir la vera realidad (Francisco) de las campañas multimediáticas sobre el nuevo Pontificado (espíritu de Francisco). Atender no a lo que digan los medios sobre Francisco, sino lo que diga y obre el Papa.
VI. Recordar que la resistencia a los errores, confusiones y felonías de los Pastores, es obediencia a una Autoridad superior.
VII. Estar atento a las enseñanzas del Apocalipsis para crecer en la perspectiva escatológica. No a la multitud de aparicionismos, videntes o revelaciones privadas, de dudoso origen, que más conducen a la demencia que a la salud.

Reeditados "Os Disparates do Mundo", de G. K. Chesterton


Por boa iniciativa da “Aletheia”, a obra “Os Disparates do Mundo”, de G. K. Chesterton, encontra-se de novo à disposição dos leitores portugueses. Trata-se de um livro muito querido neste espaço, autêntico “vade mecum” contra a ditadura do relativismo e a tirania do niilismo contemporâneos, hoje ainda mais actual do que na época em que foi publicado pela primeira vez (1910) na defesa que faz dos valores civilizacionais simples, mas fundamentais, de uma sociedade autenticamente cristã. Leitura recomendadíssima.

domingo, março 31, 2013

A Ressurreição de Cristo meditada pelo Padre Leonardo Castellani


“Y al tercer día resucitó de entre los muertos”: no quiere decir que Cristo Nuestro Señor haya estado tres días en el sepulcro, sino que muerto el Viernes revivió y salió del sepulcro el Domingo temprano; estuvo en el sepulcro más de 30 y menos de 40 horas.

La Resurrección de Nuestro Señor es un suceso histórico, el suceso sostenido por mayor peso del testimonio histórico que ningún otro en el mundo.
Los cuatro Evangelistas narran los hechos del Domingo de Pascua en forma enteramente impersonal, lo mismo que el resto de la vida de Cristo; no hay exclamaciones, comentarios, afectos, asombros ni gritos de triunfo. Los Evangelios son cuatro crónicas enteramente excepcionales: el cronista anota una serie de hechos en forma enteramente enjuta y escueta. Aquí los hechos son las apariciones de Cristo redivivo; al cual vieron, oyeran y tocaron los que habían de dar testimonio.
Este testimonio se puede resumir brevemente en las siguientes cabezas:
1º Hay cuatro documentos diferentes, escritos en diferentes tiempos y sin connivencia mutua, cuyos autores no tenían el menor interés en fabricar una enorme e increíble impostura; al contrario, arriesgaban la vida contando lo que contaron.
2º Los Fariseos y Pilatos no hicieron nada; y tenían que haber hecho cosas, de ser una impostura; sería una impostura facilísima de reventar: bastaba exponer el cadáver, y juzgar y sentenciar a los impostores. Al contrario, hicieron trampas y violencias para hacerlos callar.
3º En la mañana de Pentecostés, los antes amilanados Apóstoles salieron audazmente a predicar a la multitud que Jesús era el Mesías y había resucitado. En la multitud había muchos testigos presenciales de los hechos de Cristo, incluso de su pasión y muerte. La multitud creyó a los Apóstoles.
4º En el espacio de una vida de hombre, en todo el vasto Imperio Romano existían grupos de hombres que creían en la Resurrección de Cristo, y se exponían por creerlo y confesarlo a los peores castigos.
5º Tres siglos más tarde todo el Imperio Romano, es decir, todo el mundo civilizado creía en la Resurrección de Cristo; y la religión cristiana era la Religión oficial de Roma; para llegar a eso, millares y aun millones de mártires; y entre ellos los 12 primeros Testigos, habían dado la vida en medio de tormentos atroces. “Creo a testigos que se dejan matar” - decía Pascal en el siglo XVII.
Había incrédulos en el Imperio Romano, por supuesto: siempre los habrá. Contra ellos hacía san Agustín su famoso argumento de “los Tres Increíbles”.
“INCREIBLE es que un hombre haya resucitado de entre los muertos; INCREIBLE es que todo el mundo haya creído ese increíble; INCREIBLE es que 12 hombres rústicos y sencillos y plebeyos, sin armas, sin letras y sin fama, hayan convencido al mundo, y en él a los sabios y filósofos, de aquel primer INCREIBLE.
“El primer INCREIBLE no lo queréis creer; el segundo increíble no tenéis más remedio que verlo; de donde tenéis que admitir el 3er. INCREIBLE. Pero ese tercer increíble es un portento tan asombroso como la Ressurrección de un muerto”.
Así decía san Agustín; y esto es lo que el Concilio Vaticano  llama “el milagro moral” de la Iglesia.
Padre Leonardo Castellani, in “El Rosal de Nuestra Señora”, Buenos Aires, Ediciones Nuevas Estructuras, 1964 - páginas 103 a 105.

sexta-feira, março 29, 2013

A Paixão de Cristo meditada pelo Padre Leonardo Castellani


 
El viaje de Jesus hacia el Calvario
Alrededor de las doce del día fue Nuestro Señor crucificado; y murió alrededor de las tres de la tarde.
Cuando le anunciaron la muerte, Pilatos se extrañó de lo pronto; mejor podría haberse extrañado que no hubiese muerto antes.
Tres veces cayó bajo la Cruz, según la Tradición, en el empinado camino que, desde hace veinte siglos, llamamos la Vía Dolorosa; la Tradición también nos ha transmitido el episodio de la compasiva mujer Berenice, que llamamos la Verónica; y los Evangelios nos narran el breve diálogo con un grupo de mujeres solimitanas, llorando ellas y amonestando El; y la ayuda forzada del hombre de Cirene, Simón,  a quien obligaron a llevar por un trecho la cruz. Tan rendido aparecía Cristo que los verdugos temieron muriese en el camino: el infierno quería su plan, quería su presa: los judíos querían un Crucificado no un muerto de cansancio. Muchos azotes y golpes recibió sin duda al detenerse o al caer, antes de llegar a la cima de aquella loma.
Allí lo desnudan y lo clavan con cuatro garfios en una cruz de cuatro brazos; había también cruces en forma de T y en forma de X; pero sabemos que esta era una cruz “inmíssa”; porque sobre la cabeza de Jesús había un letrero ordenado por Pilatos que decía en arameo en griego y en latín: “El Rey de los Judíos”.
La cruz era un suplicio atroz: ya el traspasar con clavos la delicada estructura huesosa de las manos y de los pies, es algo diabólico; pero poner después el cuerpo suspendido y tirando por su peso desas cuatro heridas, es algo indecible. La cruz era un suplicio satánico.
Satanás existe. La crueldad llevada a esos extremos no está en la condición natural del hombre. Hay en la historia del hombre muchas cosas que non son humanas (y que por cierto parece andan resucitando en nuestros días), que parecen indicar una inteligencia fría como el hielo y terriblemente enemiga de la natura humana. Esos suplicios atroces, la cruz, el empalamiento, el reventar los ojos o cortar las manos, habían sido inventados en el Oriente, en medio del culto de los ídolos, que era el culto de los demonios; no digamos nada de los sacrificios al dios fenicio Baal - Molock, en que se arrojaban niños vivos en un boquerón de bronce candente; con razón el pueblo de Israel tenía horror a los pueblos convecinos. Los Romanos al comienzo fueron un pueblo sobrio, sensato y sano; y eso los llevó a la grandeza; pero ya en tiempo de Cristo habían comenzado los sangrientos juegos del anfiteatro y habían tomado de los persas el suplicio de la cruz, prohibiendo empero se aplicara a ningún ciudadano romano. Más tarde cayeron más bajo, en las 10 persecuciones a los cristianos, que duraron tres siglos y fueron realmente satánicas. Después se quebró y pereció el Imperio de Julio César.
“Eso nos es Humano”, decimos nosotros; y decimos más de lo que sabemos. No es bestial tampoco; es superhumano y superbestial.
“Soy gusano y no hombre”.
“Los que pasaban se burlaban de mí, y me hacían visajes: ha creído en Dios y Dios lo abandona; si Dios lo ama, que lo salve”.
“Traspasaron mis manos y mis pies y se pueden contar todos mis huesos”.
Los profetas se habían quejado ya por Cristo; pero Cristo debía hablar también, y habló como quien era. Colgado atrozmente de cuatro heridas, febriciente y agotado, el extraordinario moribundo dijo siete palabras divinas, que fueron su testamento. Las tres primeras fueron para los demás, para dar todo lo que le quedaba; las otras fueron acerca de sí mismo, para acabar su misión en la tierra, lo cual también era dar. Perdonó a todos, a sus verdugos, al Buen Ladrón en la cruz; y entregó a su misma Madre al discípulo Amado, y en él a todos nosotros: dio la redención al mundo, el paraíso inmediato a un pecador, su Madre Santísima a toda la Humanidad; y después tuvo sed.
“Padre, perdónalos, no saben lo que hacen”.
“Hoy mismo estarás conmigo en el Paraíso”.
“Mujer, he ahí a tu hijo. Esa es tu madre”.
Después dijo “Tengo sed”: la fiebre lo consumía. Le dieron con una esponja en una caña vinagre mezclado con mirra, sustancia amarga, que antes de la Crucifixión Jesús no quiso tomar, porque embotaba los sentidos de los reos; y aquí no hizo más que probar; para que se cumpliera lo dicho por el profeta David: “Me dieron hiel de comer; y en mi sed me abrevaron con vinagre”.
El sol se había oscurecido en medio del día, probable mente después de la tercera palabra, y las tinieblas cubrieron la tierra durante tres horas, imagen de la desolación del alma de Cristo y la de su Madre.
No podía haber eclipse en ese día y hora, pues era luna llena, el 15 de Nisán, y la luna estaba por tanto frente al sol y no interpuesta entre el sol y la tierra; de modo que, según la leyenda cristiana, un sabio Senador de Atenas, que fue más tarde san Dionisio Aeropagita, exclamó al ver ese eclipse imposible: “O un Dios padece, o la máquina del mundo perece”.
En medio de la oscuridad, Cristo exclamó de nuevo: “Todo se ha cumplido” o “Está hecho” con una sola palabra griega “Teleéstathai”; y después dijo en arameo, la lengua común: “Eli, éli, lachma sabachtáni” de las cuales se burló un burlón de los que allí estaban burlándose villanamente sin cesar de los dolores ajenos: “A Elías llama éste, vamos ver se viene Elías a salvarlo”; más él y todos los demás entendieron perfectamente: “Mi Dios, mi Dios ¿por qué me abandonaste? que es el comienzo del Psalmo 21; y es como un resumen lírico de toda la vida y la pasión de Cristo.
Esta palabra expresa la tremenda desolación del alma de Cristo, comparable al mismo infierno; pero no es una palabra de desesperación y derrota, como dicen algunos impíos actuales; al contrario, el Psalmo 21 de David, que es una sorprendente profecía de la Pasión de Cristo, termina con un grito de consuelo y esperanza. Cristo probablemente recitó en voz baja todo el Psalmo, diciendo en voz alta solamente el primero hemistiquio, el cual conecta esta sexta palabra con la anterior: “Hecho está”; donde dijo que su misión redentora estaba hecha y todas las profecías perfectamente cumplidas.
“Mi Dios mi Dios ¿por qué me abandonaste?”
“Lejos de Ti mi grito y mi plegaria…”
El Psalmo en sus dos terceras partes describe la situación deste Crucificado, asombrosamente identificado; por las burlas blasfemas de los judíos (“confió en Dios, que Dios lo libre”) la sed que le quema las fauces (“seca está como teja mi garganta”) sus vestidos repartidos por los soldados (“echaron a las suertes mis vestidos”) y sobre todo la frase inconfundible: “Traspasaron mis manos y mis pies”; mezclado todo esto con frases de casi frenética esperanza; una mezcla de horror y de consuelo.
“pero yo soy gusano no soy hombre…
burla del pueblo escarnio de la plebe
estoy entre animales, toros bravos
entorno; y el léon de fieras fauces.
Libra Señor mi vida de la espada
mi túnica de las garras de los perros…”
En medio destas quejas suena al mismo tiempo como en un contrapunto la esperanza, como un violín de doble cordaje:
“En ti esperaron nuestros padres
Esperaron y los libraste
Llamaron y quedaron salvos
No quedaron avergonzados.
En tus manos desque nací
Desde el Seno Materno estoy en Ti
Anunciaré tu nombre a mis hermanos
En las reuniones te engrandeceré
Te he de alabar en la nutrida iglesia
Ante los tuyos mis votos daré…”
En el último tercio desta patética oración, se anuncian los frutos: la creación de la Iglesia, la conversión de las Gentes y el “pueblo nuevo” que ha de nacer; y termina el poema de David, diciendo:
“Estas cosas es Dios quien las ha hecho”.
Al terminar de repasar este resumen de su vida, con voz alta y muy fuerte clamó Cristo:  “Padre, en tus manos encomiendo mi espíritu”; y reclinando la cabeza, entregó el espíritu. No es un desesperado este hombre: el Centurión romano, que lo vio todo, exclamó “Realmente este hombre era Hijo de Dios”.
Se acabó la Redención del hombre. La luz volvió. Y el sol iluminó al lado de la Cruz a una mujer de pie, la Madre de Dios; a otra mujer prostrada a sus pies, María Magdalena, símbolo de la humanidad pecadora; y a pocos pasos el apóstol san Juan, símbolo de la humanidad inocente.
A cierta distancia de allí, aterradas y llorosas, estaban las Santas Mujeres y José de Arimatea.
Padre Leonardo Castellani, in “El Rosal de Nuestra Señora”, Buenos Aires, Ediciones Nuevas Estructuras, 1964 - páginas 83 a 89.