segunda-feira, março 18, 2013

Razões de moderada esperança

Agora que a confusão emocional dos últimos dias abrandou e a poeira começa a assentar, ainda não vi nenhum espaço, dos poucos que estariam em condições de o fazer, abordar este ponto: sendo jesuíta e argentino, o Papa Francisco há-de saber bem quem foi o Padre Leonardo Castellani e conhecer melhor a fabulosa obra literária deste. Será provável até que os dois se hajam cruzado pessoalmente por mais de uma vez num muitos dos eléctricos ou autocarros de Buenos Aires. Ora, um conhecedor da obra de Castellani, sentado no Trono de São Pedro, sob o influxo do Espírito Santo, poderá agir no mínimo de modo interessante e no máximo de forma explosiva em defesa da ortodoxia católica, ainda que esse conhecedor tenha respondido anteriormente pelo nome de Cardeal Jorge Mário Bergoglio…
 
Convirá sublinhar, no que concerne à obra de Castellani, que um dos seus temas centrais é o combate ao farisaísmo no interior da Igreja, entendido este como um burocratismo religioso, um eclesiocratismo desapiedado e desalmado que obnubila o sentido da fé e subverte a função religiosa, transformando-a numa mera, fria, calculista e até rentável actividade profissional, em parte não despicienda responsável pela apostasia das sociedades contemporâneas.
 
A este respeito, curiosamente ou não, coincidência ou não, as primeiras intervenções públicas do Papa Francisco parecem ir no sentido de dar combate a um certo espírito farisaico que quase eliminou o sentido mais profundo do religioso no Catolicismo institucional, que se arraigou profundamente no seio do aparelho dirigente da Igreja e que perturbou tanto quanto pôde, em defesa dos seus mesquinhos interesses, o pontificado do Papa Bento XVI. Neste contexto, percebem-se as advertências bem justificadas de Francisco de que a Igreja não pode ser uma ONG de cariz filantrópico ou humanitário, sendo antes a sua missão anunciar a Cristo. E compreendem-se também melhor as referências a uma Igreja pobre (que não uma Igreja minimalista, miserável ou paupérrima), que suponho poderem interpretar-se no sentido de que a Igreja não pode nunca deixar acomodar-se ao mundo à maneira dos fariseus; pelo contrário, a Igreja não deve ter medo de se de expor, de proclamar em público Cristo e as verdades de fé e moral por Ele reveladas contra os disparates do mesmo mundo.
 
Por tudo isto, até ver, creio existirem razões de moderada esperança. Continuemos a rezar pelo Papa Francisco.
***
- El fariseísmo viene a ser como… los fariseos son “religiosos professionales”… como el profesionalismo de la religión - dije -, recordando una frase de Gustavo Thibon.
- Ése es solamente el primer grado del fariseísmo, en todo caso - reflexionó el viejo -. A ver si podemos describirlo por sus grados:
El primero: La religión se vuelve meramente exterior…
El segundo: La religión se vuelve profesión, métier, gagne-pain.
El tercero: La religión se vuelve instrumento de ganancia, de honores, poder o dinero.
- ¡Es como una esclerotización del religioso, un endurecimiento o decaimiento progresivo! - saltó el teólogo.
- Y después una falsificación, hipocresía, dureza hasta la crueldad… - dije yo.
- Jesucristo en el EVANGELIO condenó a los fariseos- machacó fray Florecita - y con eso basta.
El judío se había quedado como absorto. Después prosiguió con una voz hueca y ronca…
- Yo temblo de decir lo que oso apenas pensar… Mi corazón tiembla delante de Dios como una hoja de árbol al pensar en el misterio del fariseísmo. Yo no puedo indignarme como el Divino Maestro; yo, miserable gusano, le tengo miedo - y de hecho se estremeció bruscamente todo su cuerpo, y dos lágrimas asomaron a sus ojos.
- Los otros grados - prosiguió - ya son diabólicos. El corazón del fariseo primero se vuelve corcho, después piedra, después se vacía por dentro, después lo ocupa el demonio. “Y el demonio entró en él”, dice Juan de Judas.
El cuarto: la religión se vuelve pasivamente dura; insensible, desencarnada.
El quinto: la religión se vuelve hipocresía: “el santo” hipócrita empieza a despreciar y aborrecer a los que tienen religión verdadera.
El sexto: el corazón de piedra se vuelve cruel, activamente duro.
El séptimo: el falso creyente persigue de muerte a los veros creyentes, con saña ciega, con fanatismo implacable… y no se clama ni siquiera ante la cruz ni después de la cruz… “Este impostor dijo que al tercer día iría resucitar”; de modo que, oh Excelso Procurador de Judea… Guardias al sepulcro.
Leonardo Castellani, in “Los Papeles de Benjamín Benavides”, Madrid, Homo Legens, 2012, páginas 278 e 279.

quinta-feira, março 14, 2013

Papa Francisco

De um ponto de vista católico tradicional, que é aquele de que me reclamo, mentiria se dissesse que a eleição do Cardeal Bergoglio como Papa Francisco era a que esperava e desejava ou que a mesma me deixou contente; não era, nem deixou e não passo um pano, como se nada fosse, sobre aquilo que aqui escrevi após a abdicação de Bento XVI.

Confesso que deste novo pontificado não aguardo nada de especialmente positivo; o passado do recém-eleito Papa como bispo portenho faz-me temer e recear o pior. As minhas expectativas são nulas, o que afinal até é capaz de ser uma vantagem comparativa na forma de encarar Francisco I: a actuação deste será insusceptível de me causar desilusões (o que poderia ocorrer se diversa fosse a pessoa que tivesse ascendido ao Trono de São Pedro); por outro lado, qualquer bem que daquela mesma actuação decorra será sempre um proveito a favor do novo Bispo de Roma.

Sem prejuízo, Francisco I é doravante merecedor em pleno de obediência legítima e, por agora, deve gozar do benefício da dúvida por parte de todos os católicos que se reclamam da tradição. Nesta convicção, rezo portanto pelo novo Papa, para que o Espírito Santo o ilumine e Nossa Senhora por ele interceda nas pesadas tarefas que proximamente o aguardam.

quarta-feira, março 13, 2013

Não lhes bastaram cinquenta anos ?!

Ontem, ao princípio da tarde, o restaurante onde almocei tinha a televisão sintonizada na RTP. Por mero acaso, ao espreitar para o ecrã, verifiquei que estava sendo transmitida de Roma uma peça noticiosa sobre o Conclave em curso: sem grande matéria para desenvolver (neste campo bem específico, é muitíssimo preferível acompanhar a cobertura noticiosa do Conclave com quem realmente percebe do assunto, isto é, com os nossos amigos do “Rorate Caeli” e do “Fratres in Unum”), a jornalista responsável entrevistava em reportagem um grupo de religiosos portugueses residentes na capital do Catolicismo. Um deles, não percebi bem se jesuíta ou candidato a jesuíta - pobre Companhia de Jesus! -, trajado com uma camisola à Evo Morales (nada tenho contra estas camisolas… nos leigos), perguntado acerca do que espera do novo Papa, respondeu com o ar falsamente angelical, entre o alvar e o alarve, tão característico dos progressistas - Que aplique o Concílio Vaticano II!

Pensei para comigo - Esta malta é insaciável! Não lhes bastaram cinquenta anos de experiências?! Ainda querem mais?! - Como é óbvio, no jargão peculiar que utilizam, aplicar o Vaticano II significa simplesmente subverter de cima a baixo a Igreja - que odeiam - e erradicar por completo a tradição católica. Hermenêutica da ruptura em estado quimicamente puro, portanto!

E voltei a reflectir, ainda sopesando as palavras do jesuíta ou candidato a tal - Que espero eu do novo Papa? Bom, que aplique os restantes vinte Concílios Ecuménicos da Igreja, em especial, os Concílios de Trento e Vaticano I!

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

O caso D. Carlos Azevedo

Acerca do caso envolvendo D. Carlos Azevedo - que já ganhou relevância internacional -, concordo com o Padre Nuno Serras Pereira: até prova em contrário, a prudência manda presumir inocência. Trata-se de um caso clássico de palavra do acusador contra a do acusado, no qual a prova é sempre muito difícil de ser feita e em que, dependendo das simpatias ou antipatias pessoais que os envolvidos nos mereçam, a tendência natural é crer na palavra de um ou de outro.

Por mim, após haver lido a reportagem da “Visão”, que quanto a factos concretos é efectivamente muito pobre, fico até convencido de que a sua publicação - numa revista de notória inspiração mundialista e jacobina, sublinhe-se - só foi possível por o seu autor, revelando a ignorância característica dos jornalistas em matéria religiosa, ter partido da suposição errónea de que D. Carlos Azevedo seria um bispo conservador.

Ora, D. Carlos Azevedo não é um bispo conservador, muito pelo contrário é um progressista e bem radical, como se pode comprovar pela leitura destes três artigos (I, II e III) publicados neste espaço. Assim, é notório que o tiro acaba por sair pela culatra à “Visão”, que com tal reportagem terá eliminado definitivamente as hipóteses que ainda restariam ao mesmo D. Carlos Azevedo de vir a ser o futuro Patriarca de Lisboa (cargo para o qual, pela sua postura doutrinária heterodoxa, é manifesto não servir, independentemente de ser ou não homossexual e culpado ou não de assédio sexual). 

terça-feira, fevereiro 12, 2013

A abdicação de Bento XVI analisada por Michael Voris

A abdicação do Papa Bento XVI

Saio do torpor a que me remeti, fruto de um misto de cansaço decorrente de uma actividade profissional exigente e de desânimo derivado do estado de coisas do mundo que me rodeia, para escrever um breve comentário sobre a anunciada abdicação de Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Trata-se de uma notícia que me causou, num primeiro momento, profundo espanto. Subsequentemente, deixou-me triste, muito triste, tristíssimo, com uma intensa vontade de chorar. Confesso-o. Racionalizando, é verdade que pela ordem natural das coisas, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou outra, este dia - o do fim do pontificado do Papa Ratzinger - acabaria sempre por chegar. Mas a sua concretização dói. Bastante.

Com Bento XVI, pela primeira em quarenta anos, a Igreja institucional deixou de ser para os católicos tradicionais, se não motivo de escândalo, pelo menos causa de perplexidade, para passar a ser também razão de legítimo orgulho. Momentos como o discurso de Natal à cúria romana, datado de 22 de Dezembro de 2005, sobre a hermenêutica da continuidade, ou a promulgação do Motu Proprio “Summorum Pontificum” ficarão como pontos altos de um pontificado que, com todas as falhas que se lhe possam apontar, inverteu uma tendência de degeneração progressista que se verificava desde os anos 60. Por isto, nesta hora, não hesito em dizer: muito obrigado, Santidade!

Quanto ao mais, o futuro próximo do Papado não se me afigura especialmente brilhante. No conclave que se anuncia participarão vários cardeais eleitores absolutamente imprestáveis, impróprios para consumo e com prazo de validade há muito esgotado: Daneels (emérito de Malines), Mahoney (emérito de Los Angeles), Bergoglio (Buenos Aires), Policarpo (Lisboa), Lehmann (Mainz) ou Meisner (Colónia). Sem pretender especular, e na certeza de que quem entra Papa num conclave sai de lá cardeal, Schönborn (Viena) será o candidato natural do progressismo. As esperanças da Catolicidade recairão sobre os ombros de Burke (Tribunal da Assinatura Apostólica) e Ranjith (Colombo), que poderão ser secundados por Scola (Milão) ou Cañizares (Congregação do Culto Divino e da Disciplina dos Sacramentos).

Repito, humanamente falando, o panorama não é brilhante; porém, a Igreja Católica é uma instituição de origem divina, com auxílios e garantias divinas. Nessa certeza, só nos resta rezar e pedir a intercessão de Nossa Senhora para que o próximo conclave, iluminado pelo Espírito Santo, tenha a capacidade de eleger um Papa que seja um autêntico defensor da ortodoxia da fé e moral católicas, venha ele de onde vier.

Enfim, para terminar, um motivo de não pequena esperança: Bento XVI continua entre nós e vai andar por aí…

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Uma notável intervenção papal

A Mensagem de Bento XVI para a celebração do Dia Mundial da Paz de 2013 constitui, em minha opinião, uma notável intervenção papal acerca dos tempos que correm, com elementos merecedores de profunda reflexão por parte de todos os católicos. Revejo-me genericamente no teor desta mensagem, mau-grado nela subsistir a confusão pós-conciliar recorrente entre as noções de tolerância religiosa e de liberdade religiosa, e de eu preferir o conceito de Estado Social Cristão ao de Estado de Direito Democrático. Sem prejuízo, insisto, trata-se de uma grande intervenção que pode ser lida na íntegra aqui. De seguida, abaixo, respigo alguns dos seus pontos mais marcantes, sendo os destaques de minha autoria. À atenção de muitos denominados católicos portugueses - alguns até intervindo nessa condição no espaço público - que continuam a tomar por católico o que de católico nada tem e vice-versa, sufragando nessa prática os executantes de políticas profundamente anticristãs.

***

Condição preliminar para a paz é o desmantelamento da ditadura do relativismo e da apologia duma moral totalmente autónoma, que impede o reconhecimento de quão imprescindível seja a lei moral natural inscrita por Deus na consciência de cada homem. A paz é construção em termos racionais e morais da convivência, fundando-a sobre um alicerce cuja medida não é criada pelo homem, mas por Deus. Como lembra o Salmo 29, “o Senhor dá força ao seu povo; o Senhor abençoará o seu povo com a paz”.

(…)

Caminho para a consecução do bem comum e da paz é, antes de mais nada, o respeito pela vida humana, considerada na multiplicidade dos seus aspectos, a começar da concepção, passando pelo seu desenvolvimento até ao fim natural. Assim, os verdadeiros obreiros da paz são aqueles que amam, defendem e promovem a vida humana em todas as suas dimensões: pessoal, comunitária e transcendente. A vida em plenitude é o ápice da paz. Quem deseja a paz não pode tolerar atentados e crimes contra a vida.

Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana, chegando a defender, por exemplo, a liberalização do aborto, talvez não se dêem conta de que assim estão a propor a prossecução duma paz ilusória. A fuga das responsabilidades, que deprecia a pessoa humana, e mais ainda o assassinato de um ser humano indefeso e inocente nunca poderão gerar felicidade nem a paz. Na verdade, como se pode pensar em realizar a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem estar tutelado o direito à vida dos mais frágeis, a começar pelos nascituros? Qualquer lesão à vida, de modo especial na sua origem, provoca inevitavelmente danos irreparáveis ao desenvolvimento, à paz, ao ambiente. Tão-pouco é justo codificar ardilosamente falsos direitos ou opções que, baseados numa visão redutiva e relativista do ser humano e com o hábil recurso a expressões ambíguas tendentes a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida.

Também a estrutura natural do matrimónio, como união entre um homem e uma mulher, deve ser reconhecida e promovida contra as tentativas de a tornar, juridicamente, equivalente a formas radicalmente diversas de união que, na realidade, a prejudicam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter peculiar e a sua insubstituível função social.

Estes princípios não são verdades de fé, nem uma mera derivação do direito à liberdade religiosa; mas estão inscritos na própria natureza humana – sendo reconhecíveis pela razão – e consequentemente comuns a toda a humanidade. Por conseguinte, a acção da Igreja para os promover não tem carácter confessional, mas dirige-se a todas as pessoas, independentemente da sua filiação religiosa. Tal acção é ainda mais necessária quando estes princípios são negados ou mal entendidos, porque isso constitui uma ofensa contra a verdade da pessoa humana, uma ferida grave infligida à justiça e à paz.

Por isso, uma importante colaboração para a paz é dada também pelos ordenamentos jurídicos e a administração da justiça quando reconhecem o direito ao uso do princípio da objecção de consciência face a leis e medidas governamentais que atentem contra a dignidade humana, como o aborto e a eutanásia.

(…)

Entre os direitos humanos basilares mesmo para a vida pacífica dos povos, conta-se o direito dos indivíduos e comunidades à liberdade religiosa. Neste momento histórico, torna-se cada vez mais importante que este direito seja promovido não só negativamente, como liberdade de – por exemplo, de obrigações e coacções quanto à liberdade de escolher a própria religião –, mas também positivamente, nas suas várias articulações, como liberdade para: por exemplo, para testemunhar a própria religião, anunciar e comunicar a sua doutrina; para realizar actividades educativas, de beneficência e de assistência que permitem aplicar os preceitos religiosos; para existir e actuar como organismos sociais, estruturados de acordo com os princípios doutrinais e as finalidades institucionais que lhe são próprias. Infelizmente vão-se multiplicando, mesmo em países de antiga tradição cristã, os episódios de intolerância religiosa, especialmente contra o cristianismo e aqueles que se limitam a usar os sinais identificadores da própria religião.

O obreiro da paz deve ter presente também que as ideologias do liberalismo radical e da tecnocracia insinuam, numa percentagem cada vez maior da opinião pública, a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais. Ora, há que considerar que estes direitos e deveres são fundamentais para a plena realização de outros, a começar pelos direitos civis e políticos.

E, entre os direitos e deveres sociais actualmente mais ameaçados, conta-se o direito ao trabalho. Isto é devido ao facto, que se verifica cada vez mais, de o trabalho e o justo reconhecimento do estatuto jurídico dos trabalhadores não serem adequadamente valorizados, porque o crescimento económico dependeria sobretudo da liberdade total dos mercados. Assim o trabalho é considerado uma variável dependente dos mecanismos económicos e financeiros. A propósito disto, volto a afirmar que não só a dignidade do homem mas também razões económicas, sociais e políticas exigem que se continue “a perseguir como prioritário o objectivo do acesso ao trabalho para todos, ou da sua manutenção”. Para se realizar este ambicioso objectivo, é condição preliminar uma renovada apreciação do trabalho, fundada em princípios éticos e valores espirituais, que revigore a sua concepção como bem fundamental para a pessoa, a família, a sociedade. A um tal bem corresponde um dever e um direito, que exigem novas e ousadas políticas de trabalho para todos.

terça-feira, janeiro 01, 2013

O Hobbit


Vi ontem à tarde, véspera de Ano Novo. Três horas bem passadas, de boa disposição e grande espectáculo. Vale mesmo a pena.

domingo, dezembro 23, 2012

Gregoriano de Advento



Pelas Monjas Beneditinas de Maria Rainha dos Anjos.

Infelicíssima decisão


Antes de mais, duas ressalvas sobre Paulo VI:

1ª) Foi um Papa legítimo da Igreja Católica;

2ª) Na certeza de que a misericórdia divina é infinita, desejo com toda a sinceridade que se tenha salvado para a vida eterna.

Dito isto, a recente decisão de Roma concluir o processo de beatificação do Papa Paulo VI é infelicíssima: o recém Venerável foi o rosto visível máximo e o principal responsável pela maior crise de identidade que a Igreja Católica alguma vez atravessou, crise cujos efeitos devastadores se continuam a fazer sentir até aos dias de hoje. O simples facto de ter sido Paulo VI o Papa que tentou banir para sempre a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano, conseguindo marginalizá-la com maligno sucesso na Igreja do Ocidente, é algo que por si só o tornaria indigno de uma beatificação (pesem embora, por exemplo, outros actos do seu pontificado como a “Humanae Vitae” ou o “Credo do Povo de Deus”).

A suceder essa beatificação, como fiel católico não terei outra alternativa que não seja a de acatá-la, mas o novo Beato não será objecto da minha devoção privada. A isso, em consciência, não sou obrigado. Ou, então, talvez lhe peticione para interceder pela Missa Tradicional de rito latino-gregoriano, para que esta volte a ser celebrada de modo efectivamente livre no mundo inteiro e em especial no meu país - Portugal. Quem sabe, quem sabe… Afinal, desejar isto já não é querer ser Papa no lugar do Papa…

A ler também - Paolo Mesto Un Santo?, no “Orbis Catholicus”.


sexta-feira, dezembro 21, 2012

A influência do Catolicismo na obra de Tolkien



A propósito da estreia do filme “O Hobbit”, o jornalista canadiano Michael Coren entrevista o Professor Joseph Pearce acerca da influência do Catolicismo na obra literária de Tolkien.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Sensacional Primeiro-Ministro Húngaro

 
Alguém imagina que qualquer uma das figurinhas patéticas que compõem a actual classe política portuguesa - gente menor e medíocre, no seu todo -, alguma vez pudesse discursar da forma e com o nível com que o fez recentemente o Primeiro-Ministro da Hungria? A resposta possível é apenas uma: claro que não! E que esta seja a triste realidade nacional do momento presente, é facto bem sintomático do estado de horrível degeneração, mais do que de mera decadência, a que Portugal chegou no seu todo…

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Europe must return to Christianity before economic regeneration is possible, Prime Minister Viktor Orban of Hungary said at a conference last week. According to Orban, the growing economic crisis in Europe is one that originates in the spiritual, not the economic order. To solve this crisis, he proposed a renewal of culture and politics based on Christian values to save Europe from economic, moral and social collapse.

“An economic improvement is only possible for Europe and Hungary if souls and hearts rise, too,” Orban said at the XIV Congress of Catholics and Public Life on “Hope and the Christian response to the crisis.”

Behind every successful economy, Orban said, there is “some kind of spiritual driving force.”

“A Europe governed according to Christian values would regenerate.”

“The European crisis,” he said, “has not come by chance but by the carelessness and neglect of their responsibilities by leaders who have questioned precisely those Christian roots. That is the driving force that allowed European cohesion, family, work and credit. These values were the old continental economic power, thanks mainly to the development which in those days was done in accordance with [those] principles.”

Info Catolica, a Spanish language news site, quoted Orban saying that even the credit crisis has been driven by the abandonment of Christian principles. The Christian Church before the Reformation, he said, always opposed usury (the charging of exorbitant rates of interest on loans) - a practice that has led to massive, insoluble debt both at the national and individual, personal levels of families.

In a Christian Europe the excesses that have created the economic crisis would not have been possible, he said. “A Christian Europe would have noticed that every euro is worked for. A Christian Europe would not have allowed entire countries sink into slavery to credit.”

Orban, himself a Protestant, said it was the Protestant Reformation that first ushered in the age of usury and unfettered greed in which credit has been stripped of its moral dimension. Referring to the harsh “austerity measures” imposed by the EU on Greece and Italy, that have resulted in widespread unemployment and economic hardship, he said that political leaders have abandoned the “human aspects” of economics in efforts to contain the massive national debts accumulated by socialist governments over the last century.

Os bispos portugueses e o declínio da natalidade

Os bispos portugueses manifestaram recentemente a sua preocupação com o acentuado declínio da natalidade ocorrido nos últimos anos em Portugal. Parece-me louvável esse sentir perante este fenómeno, tal como julgo serem de elogiar as medidas sugeridas pelo episcopado nacional para combatê-lo. Porém, as mesmas medidas, ainda que necessárias, por si sós não são suficientes para inverter a tendência verificada.

De facto, a este respeito, seria de toda a utilidade que os nossos bispos recordassem e defendessem publicamente o magistério constante da Igreja Católica condenando a regulação artificial dos nascimentos - magistério perfeitamente explicitado nas importantíssimas encíclicas “Casti Conubii”, do Papa Pio XI, e “Humanae Vitae”, do Papa Paulo VI -, bem como seria de toda a utilidade que não temessem enfrentar e afrontar os disparates do mundo responsáveis pela situação a que chegámos quanto à queda dos nascimentos em terras lusitanas. Em consequência, seria de elogiar que não hesitassem em criticar de viva voz a ideologia feminista radical marxista do género e os seus derivados corporizados no ódio à maternidade (D. Jorge Ortiga, diga-se em abono da verdade, parece pretender - ainda que timidamente - contrariar este ódio), no anticoncepcionismo abortifaciente que transformou as mulheres portugueses em viciadas em pílulas, e no aborcionismo homicida puro e duro, para tal fim usando, sempre que possível e quando a tal se preste a maturidade dos fiéis ouvintes, a pregação dos púlpitos, mas também a administração do sacramento da Penitência nos confessionários e a leccionação dos cursos de preparação matrimonial (estes últimos, no presente, orientados muitas vezes de forma lastimável por leigos ignorantes e hostis aos magistério).

Seria bom que tudo isto assim fosse. Contudo, neste campo, as coisas não estão a suceder da forma desejada, como de resto em muitos outros. Tenhamos esperança que se modifiquem, exista vontade para isso no episcopado português.