quinta-feira, maio 24, 2012

quarta-feira, maio 23, 2012

A experiência da Tradição segundo Monsenhor Marcel Lefebvre


Providencialmente, enquanto folheava o livro “Não! Entrevistas de José Hanu com Monsenhor Lefebvre”, tradução portuguesa, publicada em Lisboa, pelas Edições Roger Delraux, no ano de 1978, do original francês datado de 1977, deparei nas suas páginas 249 a 252 com o trecho infra publicado (os destaques são meus), o qual expressa na perfeição o que Monsenhor Lefebvre entendia como sendo a “experiência da Tradição” e em simultâneo a atitude que o santo e grande arcebispo tinha face à Igreja institucional.

Com a fundação da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, Monsenhor Lefebvre jamais pretendeu estabelecer uma super-Igreja paralela e/ou alternativa, mas antes criar um meio de socorrer, auxiliar e servir a Igreja institucional, num período de tremenda perturbação desta última (o pós-Vaticano II), mediante a reafirmação e a difusão da perene Tradição Católica assente na Missa Tradicional de rito latino-gregoriano e no magistério eclesial constante.

Assim, Monsenhor Lefebvre nunca fez depender a concretização da “experiência da Tradição” do prévio fim do Missa de rito paulino, do termo dos erros trazidos pelo Vaticano II como a liberdade religiosa, o ecumenismo ou a colegialidade, ou ainda da cessação de certos comportamentos públicos antitradicionais dos próprios Papas (em 1988, negociou infrutiferamente a regularização canónica da FSSPX, já depois do primeiro encontro inter-religioso de Assis, ocorrido em 1986 sob a égide de João Paulo II). Ao invés, a consecução da “experiência da Tradição”, pelo bem e graças que traria à Igreja institucional, é que conduziria ao progressivo erodir de tais erros e, no médio/longo prazo, à desaparição dos mesmos.

Deste modo, pelo exposto, é deplorável que na actualidade haja no campo tradicionalista quem ainda não tenha percebido o que está em jogo na questão da regularização canónica da FSSPX, preferindo optar pela defesa de posições aberrantes de cariz neo-sedevacantista ou cripto-sedevacantista, que Monsenhor Lefebvre seria o primeiro a repudiar sem quaisquer hesitações.

***

“Santo Padre, aceitai a experiência da Tradição”

José Hanu - Algumas pessoas pretenderam descrever a vossa entrevista com o Papa… A acreditarmos nelas, foi “tempestuosa e patética”…

Monsenhor Lefebvre - Dizem-se tantas coisas!

JH - Nós não vamos, Monsenhor, tentar destrinçar a incrível meada das múltiplas intervenções, por vezes rocambolescas, que vos levaram até Paulo VI… De resto, talvez nem vós mesmo sejais capaz de esclarecer isso!

ML - O essencial foi essa audiência ter tido lugar…

JH - No entanto, enviastes ou não, antes de serdes recebido, uma carta ao Santo Padre, digamos que arrependida? Houve quem publicasse textos que o levam a pensar…

ML - De facto, redigi algumas linhas de que não guardei cópia; indiquei simplesmente, e sobretudo, a Sua Santidade que se eu era para ele causa de sofrimentos, o lamentava imensamente. Era, continua a ser a expressão da verdade…

Mas não assumi compromisso algum.

JH - Tínheis preparado essa entrevista?

ML - Certamente! Tenho sob os olhos as notas que tinha escrito num papel.

Queria chamar a atenção do Santo Padre para vários pontos.

Por exemplo, queria dizer-lhe:

“Santo Padre, os actos da Santa Sé depois do Concílio, e realizados em nome do Concílio, põem-nos um dilema cruciante. Com efeito, estes actos apoiam-se numa doutrina que se afasta cada vez mais do magistério solenemente afirmado por todos os predecessores de Vossa Santidade.

“Encontramo-nos, pois, divididos entre a fidelidade ao magistério de sempre e a fidelidade à Santa Sé e à Vossa pessoa.”

Queria dizer-lhe igualmente:

“A atitude adoptada pela Santa Sé em relação ao mundo, isto é, aos não-católicos, aos não-cristão, aos ateus, e mesmo aos inimigos declarados da Igreja como os mações e os comunistas, é oposta à que a Igreja sempre teve, quanto à protecção da sua Fé e da vida da Graça.

“Esta atitude de falso ecumenismo e de falso diálogo destrói a Fé católica, arruína o espírito missionário.

“É este espírito novo que está na origem da reforma litúrgica, de todas as outras reformas, como a da Bíblia e a do ensino catequético.

“Esta atitude, se a adoptarmos, obriga-nos a afastar-nos do magistério dos vossos predecessores.”

Queria desenvolver o seguinte ponto:

“As relações da Santa Sé com o episcopado estão doravante fundadas em princípios que impedem o exercício do poder do Sumo Pontífice. A anarquia que daqui resulta é tal, que o Papa e os Bispos já não conseguem exercer a sua autoridade pessoal de direito divino.

“A lei do número introduziu-se no governo da Igreja, contrariamente à doutrina sempre ensinada.

“Este afastamento, entre a doutrina de sempre e os actos actuais da Santa Sé apoiados no Concílio, lançou a Igreja numa tal confusão, que numerosos fiéis no mundo inteiro estão saturados das novidades e das mudanças realizadas, particularmente no que se refere ao Sacerdócio e à Liturgia.

“Estes fiéis, mais numerosos do que se julga, e muitos clérigos e Bispos que não ousam afirmar publicamente, suplicam de joelhos a Vossa Santidade que os autorize, no meio de todas as experiências actuais, a fazer também a experiência do que se fez durante séculos.”

Tinha previsto concluir da seguinte maneira:

“Não rejeiteis, Santo Padre, estas boas vontades decididas a servir a Deus, a Igreja e o Sucessor de Pedro.

“A hora é muito grave.

“Se Vossa Santidade nos obriga a uma escolha crucial entre Ela e os seus predecessores, obrigar-nos-á a escolher os seus predecessores em quem está a Igreja viva de sempre pelo magistério e pela Tradição apostólica, porque nós não queremos tornar-nos nem heréticos nem cismáticos, mas permanecer fiéis à Igreja católica Romana de sempre.”

Eis o que eu tinha preparado. Eis o que eu queria dizer ao Papa!

A cólera de Paulo VI

JH - Mas não decorreu a audiência como tínheis imaginado?

ML - Pouco…

Logo que me encontrei na presença de Sua Santidade, ajoelhei-me, e levantei-me para descobrir um rosto atormentado e febril. O olhar, a atitude geral, eram pouco encorajadores…

Assim, em vez de dizer logo o que tinha previsto, julguei necessário deixar rebentar a trovoada:

“Santo Padre, escuto-vos!”

As reprovações que Paulo VI imediatamente me dirigiu encheram-me de consternação: mostraram, à evidência, quanto o Papa tinha sido prevenido contra mim, quanto tinham pretendido virar contra ele as minhas críticas ao Vaticano II, em acusações à sua própria acção:

“Vós condenais-me! - dizia ele, por exemplo. - Afirmais que eu sou ao mesmo tempo modernista e tradicionalista! Ergueis os fiéis contra o Papa!”

Eu esperava que, logo que passasse este primeiro impulso, me pudesse exprimir longamente e como desejava…

Quando ele observou: “Não dizeis nada? Falai!”, comecei a desenvolver os pontos que acabo de lhe referir, insistindo no facto de não ser o chefe dos tradicionalistas, mas um católico entre outros, perturbado, dilacerado…

Infelizmente, e eu bem o sentia, se o Santo Padre me escutava, o seu espírito não estava pronto a abrir-se aos meus argumentos… Quando cheguei a falar-lhe dos meus seminaristas de Êcone, interrompeu-me bruscamente:

“Não preparais bons padres: mandai-los assinar um juramento contra o Papa!”

Era inacreditável! Quem lhe teria dito tal coisa? Quando nós ensinamos em Êcone, e segundo a Tradição, o enorme respeito ao Sucessor de Pedro!

Estava aterrado… Ele disse-me:

“Que devo fazer, se me condenais? Devo demitir-me? É isso que quereis? Quereis ocupar o meu lugar?”

Como não devia ele sofrer, de facto, para me fazer tais perguntas!

Eu sofria com ele, pela Igreja. Juntei as minhas forças para lhe dizer:

“Oh! Santo Padre! Não faleis assim!”

“Peço-vos: tendes a solução dos problemas nas Vossas mãos. Basta que digais uma só palavra aos Bispos, de modo que dêem aos tradicionalistas o acesso aos lugares do culto…

“Pensai na desordem na Igreja hoje. Temos actualmente vinte e três orações eucarísticas…”

Paulo VI ergueu os braços aos Céu:

“Mas muitas mais! - exclamou. - Muitas mais!”

Eu recomecei:

“Então, se é assim, Santo Padre, por que não devolver os lugares de culto à Missa de São Pio V? Por que não fazer a experiência da Tradição com a formação de padres?”

Paulo VI abanou a cabeça para me dizer:

“Não vos posso dar uma resposta. Tenho de consultar a Cúria… Verei, reflectirei… É tempo de nos separarmos… Mas antes, rezemos juntos…”

E rezámos o Pai Nosso, o Veni Sancte Spiritus, e uma Ave Maria… Depois, Sua Santidade acompanhou-me até à porta do seu gabinete…

Infelizmente estava certo disso - o nosso combate ia continuar.

A verdade começa institucionalmente a vir ao de cima

Card. Brandmüller: "Nostra Aetate" and "Dignitatis Humanae" non-binding.

terça-feira, maio 22, 2012

Lo siento



Por un lado el tema del “pluralismo” litúrgico introducido por el Novus Ordo y lo que estamos empezando a ver en Gran Bretaña aquí y allá, y en España según me cuentan también son a Sacerdotes celebrando el Novus Ordo con aditamentos de la Misa de siempre. Eso sí, sin tocar Canon, Ofertorio o Consagración; sin hacer una traducción correcta al vernacular del pro multis; sin corregir nada de lo nuclear. Mirar hacia el Sagrario, algún latinajo y poco más. Esto, señores Sacerdotes que tal cosa hacéis, no es Tradición. Es un pastiche. Está bien mirar al Sagrario en vez de al pueblo, y recuperar el Altar y dejar las mesas, mesitas, mesillas y mesetas. Está bien decir Misa con ropas litúrgicas como Dios manda y no ser un hortera u oficiar como Alter Christus hecho un mamarracho. Pero esto no es pegar en la diana. Lo siento.
¿Hay testosterona como para, por lo menos, hacer la Consagración en el Latín original del Misal del Pablo VI? Si la respuesta es positiva, entonces ya estamos en la buena ruta. Si la respuesta es negativa … lo siento.
El problema, uno más, del Novus Ordo es que su eclesiología es radicalmente errónea. Digo radicalmente en cuanto de raíz. Los secuaces del Vaticano II –o muchos secuaces, por bien decir, ya que todos no tenían esta mala leche- quisieron encarnar sus experimentos eclesio(i)lógicos en una neomisa y así, poco a poco, al modo del trágala, inficionar al pueblo llano, que en general ya por aquel entonces tenía mucha más Fe que los susodichos eclesiásticos. Lo siento.
Ahí están los frutos de quienes gestaron tal engendro. Y por ellos les conoceréis. Lo siento.
Pero no sólo habría que protestar a los Sacerdotes que dicen el Novus Ordo. También, por el razonamiento anterior, hay que quejarse a algunos Sacerdotes tradicionales que, a sabiendas, relajan algunas rúbricas. Traer a la Misa Tridentina elementos del Novus Ordo no es más que desvirtuarla y hacerla participar de esta eclesiología espuria que se generó en el Vaticano II, por poco que sea. Lo único que nos faltaba es contaminar la Misa tradicional de algo desvirtuado, como es el Novus Ordo, y hacerla participar –por poco que sea- de una eclesiología corrupta. Lo siento.
Otro asunto es el loable intento inicial que tuvo el Papa, poco acometido lamentablemente, de desprotestantizar el Novus Ordo. Personalmente lo apoyo por el mero hecho de que la mayor parte del pueblo católico ya no conoce otra cosa que el Novus Ordo. De igual modo que fue criminal quitarles a las gentes que vivían en 1965 sus liturgias y sus devociones, sería igualmente criminal quitarles abruptamente a los católicos de hoy día que, insisto, no han conocido otra cosa, su Novus Ordo. Una crisis que lleva ya operando 50 años (de manera abierta, pues llevaba 500 años incubándose) no se va a resolver de un plumazo en un solo año. Yo también desearía que la Misa sempiterna volviera a ser la única expresión litúrgica pero, salvo milagro, humanamente no acontecerá en el corto o medio plazo. Lo siento.
Como señala John Lamont, tuvieron que inventar una neoliturgia porque la Liturgia sempiterna tenía los conceptos eclesiológicos muy claros, clarísimos, y radicados sin solución de continuidad no digo ya en la Última Cena y el Sacrificio del Calvario, sino totalmente prefigurados en el judaísmo de siempre, como demostrara sin apelación posible el Padre James L. Meagher en su libro How Christ Said the First Mass, publicado por TAN, y siendo también la Misa de siempre un cumplimiento pleno de las profecías veterotestamentarias. La Revelación tiene tres fases (Adán, Moisés y Cristo, y plena y finiquitada con el Mesías). Esa solidez, esa coherencia, esa carencia de solución de continuidad, esa eclesiología, etc., implícitas o explícitas, en la Misa de siempre es lo que me dice que, a largo plazo, el Novus Ordo no existirá. ¿Y quién sabe si aún antes de lo que uno, humanamente, pudiera imaginar? Para Dios no hay nada imposible. Esto, no lo siento. Es más, me agrada mucho y me consuela no poco.
¡Ni las puertas del Infierno prevalecerán sobre la Iglesia!
Una vez más, ¡enhorabuena, Rorate Coeli!
Y, para variar, otra vez más la enhorabuena a La Honda de David. Tanto por su cabal discurso sobre las implicaciones del Código y del posible acuerdo, como por su profunda y esjatológica laudación a los Sacerdotes de la FSSPX. A la cual me uno de todo corazón porque, sin ellos, este pobre pecador a quien leen en este momento estaría irremisiblemente abocado al Infierno.
Recen por él, por favor.

Rafael Castela Santos

domingo, maio 20, 2012

Algunas reflexiones-lecturas de última hora



En primer lugar el contundente artículo de Chris Ferrara de Fatima Perspectives señalando, una vez más, el doble rasero, el doble estándar, con el que se mide la Fraternidad Sacerdotal de San Pío X (FSSPX). Dejando de lado el terrible hecho de que a montones de cismáticos y herejes que se disfrazan de católicos nadie les dice nada, ni les confronta con nada, ni les cae ninguna sanción canónica (ni siquiera de amenaza de la misma) … lo cierto es que Chris Ferrara plantea una solución: igual que el Cluny (con apoyo directo papal) renovó la Iglesia en un momento crítico, quizás ahora esos otros “monasterios” de la FSSPX, con apoyo papal, bien podrían renovar a esta Esposa de Cristo que, admitámoslo, presenta un deplorable estado. Suscribo esta propuesta.
Por otro el jugoso, jugosísimo, comentario de Rorate Coeli sobre el último momento de las conversaciones entre Roma y la FSSPX. Lo que hay implícitamente se sugiere en este comentario es tremendo. En román paladino, vaya, viene a decir que si el Santo Padre acepta el preámbulo sugerido por Monseñor Fellay, de alguna manera el Papa estaría dando carta blanca a que el Vaticano II dejase de ser el “Superdogma” (en algunos puntos, por bien decir, es un antidogma) que muchos malditos burócratas vaticanos propugnan, y que de facto pretende eliminar todo Depósito de la Fe anterior y eterno. Sería, abiertamente, reconocer que uno puede ser perfectamente católico sin tener que hacer referencia –prácticamente en exclusiva- a este Concilio Pastoral, y no dogmático. Como si todos los demás Concilios de la Iglesia no contasen. Como si todo el Magisterio Extraordinario del pasado tampoco contase. En una palabra, como si la Tradición no contase. Insisto: el Papa acepta ese preámbulo sobrepasando el obstáculo de tanto burócrata vaticano con piel de Obispo y de Cardenal y le daría un calado doctrinal a un acuerdo canónico del que quizás no éramos conscientes.
La prueba es clara: no tiene ningún sentido que Fellay haga compromisos con el principio de la Tradición y que endose un preámbulo que sea anti-tradicional. El quid de la cuestión estriba en si el Papa va a cortocircuitar a tanto orco in pectore, balrog casposo y mediopensionista, nazgûl de medio pelo y aspirante a Saurón (si bien no suelen pasar de vulgares trolls, incluido algún trozzol de baja estofa) que pulula por el Vaticano; Vaticano por lo demás que ellos suelen considerar Kirith Ungol y alguno incluso hasta expresamente Mordor. Recordemos, una vez más, que las opiniones de la Congregación para la Doctrina de la Fe o de Ecclesia Dei no son vinculantes para el Papa. Razón tenía Monseñor Fellay al decir que si esto se acabase firmando era gracias al Santo Padre, y a él solo.
Harían bien en considerar este punto tantos feroces, buena parte de ellos mentecatos a más no poder, opositores a Monseñor Fellay. Y harían bien con considerarlo porque el tan denostadísimo (por ellos, claro) acuerdo sería, así, un acuerdo no sólo canónico y abierto a seguir discusiones doctrinales en un futuro, sino mucho más: un acuerdo doctrinal. Y harían bien, también, en considerar que Monseñor habría defendido la Tradición hasta conseguir que el Santo Padre le dé a la Tradición carta blanca. Y que el Santo Padre, que ha tenido el coraje de decir que la Misa Tridentina nunca ha sido abrogada (aunque el nefasto Pontificado de Juan Pablo II le pusiera todo tipo de obstáculos y más), amén de publicar sendos Decretos dando libertad plena a la Liturgia de siempre, sería, como bien apuntó Monseñor Fellay, el único responsable de esta carta blanca de la Tradición. Esto sellaría así lo que los católicos bien sabemos: Ubi Petrus, est Ecclesia.
Finalmente La Honda de David. Una vez más. En este mundo de locos de la blogosfera, donde se dicen tantísimas estupideces y tantos cerebros cloacales encuentran su solaz preferido, es refrescante leer La Honda de David. En primer lugar me alegro que su autor haya vuelto a coger la pluma porque, amén de prolífico, es profundo. No se pierdan, por favor, todos y cada uno de los comentarios que van entre las fechas de 17 de Abril de este año y el 18 de Mayo. No son muchas (7 en total), ni son excesivamente largas. Pocos, como La Honda de David, han dado en el clavo de las implicaciones esjatológicas de las conversaciones entre Roma y la FSSPX.
Sigo pensando que la resolución, o el comienzo de resolución, de los problemas de la Iglesia pasan por dos nodos tan imprescindibles como requeridos por el Cielo: la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón, como expresamente pidió la Santísima Virgen en Fátima, y todavía no realizada, y la reintegración de pleno derecho de la Tradición en la Iglesia, lo que se puede realizar de manera óptima con una Prelatura Personal, con una carta blanca doctrinal como la que implícitamente sugiere Rorate Coeli. Porque los pilares fundamentales de salvación en estos momentos son, precisamente, la Santísima Virgen y la Tradición, ya que esta última es el mejor y más potente baluarte de la Eucaristía y de Jesús Sacramentado. Muchas veces, admitámoslo, el único seguro.
Lo contrario, no respetar la Tradición y no realizar la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón, no es un sueño, sino la peor pesadilla posible. ¡No permita, Santo Padre, por amor de Dios, de la Santísima Virgen y de la Sagrada Eucaristía, que esta pesadilla se haga realidad!

Rafael Castela Santos

quinta-feira, maio 17, 2012

Dia de Ascensão


Caso notável é, e sobre toda a admiração admirável, que naquele monte, e naquela hora, em que se representou a tragédia da mais lastimosa despedida, se não visse uma lágrima, e que o amor celebrasse as exéquias, à última vista de todo seu bem, com os olhos abertos e enxutos. Não há palavra que mais lastime e magoe o coração na despedida dos que se amam que um nunca mais. Se a despedida é para se tornarem a ver, o apartamento é sofrível; mas apartar-se de mim quem amo mais que a mim, para nunca mais o ver, este não ver mais é a maior dor dos olhos, e a que os desfecha e desfaz em rios de lágrimas. Quando S. Paulo se despediu dos efésios, declarando-lhes que aquela seria a última vez que se veriam, diz o texto sagrado que entre todos se levantou um pranto desfeito: Magnus autem fletus factus est omnium - e que a principal causa da sua dor era porque nunca mais o haviam de ver: Dolentes maxime in verbo, quod dixerat, quoniam amplius faciem ejus non essent visuri. Pois, se esta consideração, ou desengano, de que não haviam de ver mais a S. Paulo, era a causa da maior dor de seus discípulos, e de que todos chorassem em pranto desfeito, sem haver nem um só que pudesse reprimir as lágrimas naquela última despedida, como nesta de Cristo se não viu uma só lágrima em todos os seus discípulos, que o amavam sem comparação tanto mais que a S. Paulo os seus? A razão é a que se tira do mesmo texto: Cumque intuerentur in caelum euntem illum. Não se viu nos discípulos de Cristo uma lágrima, senão todos com os olhos enxutos, porque olhavam para ele e para o céu, aonde subia e não para si, nem para a terra, onde os deixava. A nuvem lho tirou dos olhos, mas aos mesmos olhos, que nela, como em carro triunfal, o viam subir ao céu, para se assentar à destra do Padre no trono da sua glória, esse mesmo céu, esse mesmo trono, e essa mesma glória, lhes suspendia em lágrimas, para que, trocadas em júbilos de alegria, não chorassem o que perdiam, mas só se lembrassem e festejassem o que ele ia lograr. Daqui se segue e vê claramente, que, quando os anjos vieram consolar os apóstolos, não acertaram com os motivos da verdadeira consolação que só podiam ter naquele caso. Que disseram os anjos aos apóstolos? Estranharam-lhes estar olhando para o céu: Quid statis aspicientes in caelum? E isto que lhes estranharam é o que lhes haviam de persuadir, porque, se o verem que se ia Cristo os podia entristecer, só o olharem para onde ia os podia alegrar.

Assim o confirmou expressamente o mesmo Cristo, que só o seu entendimento podia emendar e ensinar o dos anjos. Tendo anunciado o Senhor depois da última ceia aos discípulos que se havia de partir deste mundo, e vendo-os tão tristes com aquela não esperada nova, como ela merecia, estranhou-lhes a tristeza com estas palavras: Vado ad eum qui misit me, et nemo ex vobis interrogat me: Quo vadis? Sed quia haec locutus sum vobis, tristitia implevit cor vestrum: Por que vos disse, discípulos meus, que me hei-de ir, vejo-vos tristes, não só no rosto, senão no coração, e nenhum de vós me pergunta para onde vou: Et nemo ex vobis interrogat me: Quo vadis? Oh! divinas palavras: Nemo ex vobis: nenhum de vós - diz - porque entre os discípulos uns eram mais entendidos, outros mais rudes, e nem os rudes, nem os entendidos alcançavam a verdadeira razão com que se haviam de consolar e alegrar naquela despedida, porque todos reparavam em quem se ia, e nenhum considerava para onde ia. Se vos entristece o vadam: porque me vou, perguntai-me quo vadis: para onde vou, e logo vos alegrareis. Esta foi a lição do último Mestre quando anunciou aos discípulos a sua ausência, e, porque eles a observaram no dia da partida, por isso hoje se não viram no Olivete lágrimas, nem uma só lágrima: Cum que intuerentur in caelum euntem illum. O euntem illum lhes podia provocar as lágrimas, porque se ia; mas, como olhavam juntamente para onde ia: Cum que intuerentur in caelum- o para onde lhes suspendeu as lágrimas, de maneira que nem uma só se chorou onde eles ficavam.

A razão desta filosofia, tirada das entranhas do verdadeiro e fino amor, só podia ser do mesmo Mestre divino, e assim foi. Estranhando-lhes o Senhor aos discípulos a tristeza que acabamos de dizer e eles não acabavam de arrancar do coração, disse-lhes assim: Si diligeretis me, gauderetis utique, quia vado ad Patrem. Ah! discípulos meus, que vejo que me não amais! Se vós me amáreis, vós vos alegraríeis muito, porque vou para meu Padre. Antes de chegarmos ao Padre reparemos no quia vado. Se Cristo vira aos discípulos alegres em sua despedida, e lhes dissera: Bem parece que me não amais, pois vos alegrais quando me parto - esta é a consequência que dos olhos enxutos em semelhantes ocasiões costuma colher o juízo humano, ainda sem outros sinais de alegria. Mas, vendo os discípulos tristes, dizer-lhes o Senhor: Bem se vê que me não amais, pois vos entristeceis quando me vou? Sim, porque só consideravam quem se ia, e não para onde: quem se ia - quia vado, e não para onde - ad Patrem. Cristo, Senhor nosso, posto que enquanto Deus era igual ao Padre, enquanto homem era menor, como ele mesmo disse: Quia Pater major me est. E como o Senhor enquanto homem se ia assentar à destra do Padre, entristecerem-se os discípulos com a sua ausência, considerando a perda e orfandade em que ficavam, era efeito do amor-próprio com que se amavam a si; porém, alegrarem-se na mesma ausência, considerando a nova glória e majestade de seu Mestre e Senhor, era afecto de amor verdadeiro e fino, com que o amavam a ele. Por isso a tristeza e lágrimas que chorassem naquela ocasião eram ofensa do amor, e a alegria e lágrimas que não chorassem, fineza.

Padre António Vieira, in “Sermão da Ascensão de Cristo Senhor Nosso”, pregado em Lisboa, na Paroquial de São Julião, com o Santíssimo exposto.



domingo, maio 13, 2012

A Glória de Maria, Mãe de Deus


Vê-se Maria, quando vê a Deus, infinitamente vencida da imensidade de sua glória; mas como é glória, não de outrem, senão de seu Filho: Sua progenies, o ver-se vencida dele é a sua vitória e a sua palma: Cum palmam præripit ipsi. Nas outras contendas a palma é do vencedor, mas quando contende o filho com o pai ou com a mãe, a palma é do pai ou da mãe vencida; porque a sua maior glória é ter um filho que a vença nela.

Este dia da Senhora da Glória chama-se também da Senhora da Palma; porque, como é tradição dos que assistiram a seu glorioso trânsito, o anjo embaixador de seu Filho, que lhe trouxe a alegre nova, lhe meteu juntamente na mão uma palma, com a qual, como vencedora da Morte e do Mundo, entre as aclamações e vivas de toda a corte beata, entrasse triunfante no Céu. Subi, Senhora, subi, subi ao trono da glória que vos está aparelhado sobre todas as jerarquias, que lá vos espera outra palma infinitamente mais gloriosa. E que palma? Não aquela com que venceis em glória a todos os espíritos bem-aventurados, senão aquela com que na mesma glória sois vencida de vosso filho: Cum palmam præripit ipse sua progenies. Grande glória da Senhora é, como lhe canta a Igreja, ver-se exaltada no Céu sobre todos os coros e jerarquias dos espíritos angélicos; grande glória que os principados e potestades que os querubins e serafins lhe ficam muito abaixo, e que no lugar, na dignidade, na honra, na glória excede incomparavelmente a todos; porém o ver que neste mesmo excesso de glória é excedida infinitamente de seu Filho; isso é o de que naquele mar imenso de glória mais se gloria, isto é o de que naquele verdadeiro paraíso dos deleites eternos mais a deleita: Maiorque voluptas hinc oritur, quam si reliquos præverteret omnes.

(…)

Te volentem, gaudentemque vincit. Venceu-nos vosso Filho na glória, Virgem Mãe, mas muito por vossa vontade e por vosso gosto; porque esse mesmo excesso de glória por ser sua, é o que mais quereis e de que mais vos gozais: Genere ex te, honore supra te. A sua honra, a sua grandeza, a sua majestade, a sua glória imensa e infinita, é muito sobre vós, porque ele é Deus, e vós criatura: Honore supra te; mas a geração desse mesmo Deus, que é tanto sobre vós, é de vós: Genere ex te. E que se segue de aqui? Segue-se que tendes o que não podíeis ter, e que toda a glória sua, começa também a ser vossa: Etiam tuum esse coepit, quod in te esse non potuit. Vós não podíeis ser Deus, mas como Deus pode fazer que fôsseis sua Mãe, tudo o que não podíeis ter em vós, tendes nele. Ele é maior que vós, e vós menor: Minor est: mas tudo o que tem de maior, (que é tudo) não só o tem para si senão também para vós: Non tantum sibi, sed tibi, ultra te.

Oh quem pudera declarar dignamente a união destes termos, ultra te et tibi! Enquanto a glória de Deus é infinita e imensa, estende-se muito além de vós: Ultra te; mas em quanto é glória de vosso Filho, toda se contrai e reflecte a vós: Tibi. Para os raios do sol fazerem reflexão, é necessário que tenham limite onde parem; mas a glória da Divindade de vosso Filho, que não tem nem pode ter limite, por isso se limitou à Humanidade que recebeu de vós, para reflectir sobre vós, nascendo de vós: Ea compensatione, ut nasceretur. E chama-se este nascer de vós compensação ou recompensa com que Deus vos compensou toda a grandeza e glória, que tem mais que vós; porque, nascendo de vós, é vosso verdadeiro Filho; e sendo toda essa glória de vosso Filho, também é vossa, e vossa naquela parte onde a tendes por melhor: Optimam partem elegit.

(…)

Dois tronos há no Céu mais sublimes que todos: o de Deus e o de sua Mãe; o de Deus infinitamente mais alto que o de sua Mãe, e o de sua Mãe infinitamente mais alto que o de todas as criaturas. Mas a maior glória. de Maria, não consiste em que o seu trono exceda o de todas as jerarquias criadas, senão em ter um Filho cujo trono exceda infinitamemte o. Este é o parabém que no Céu lhe estão dando hoje e lhe darão por toda a, eternidade todos os espíritos bem-aventurados, sem haver em todos os coros de homens e anjos quem diga nem possa. dizer outra cousa, senão: Thronus ejus super thronum tuum. Vence Maria no Céu a. todas as Virgens, na glória que se deve à pureza.; a todos os confessores, na que se deve à humildade; a todos os mártires, na que se deve à paciência; todos os apóstolos, patriarcas e profetas, na que se deve à Fé, à Religião, ao zelo e culto da honra de Deus. Mas assim os confessores como as virgens, assim os mártires como os apóstolos, assim os patriarcas como os profetas, deixadas todas essas prerrogativas em que gloriosamente se vêem vencidos, os louvores e euges eternos com que exaltam a Gloriosíssima Mãe, é ser inferior o seu trono ao de seu Filho: Thronus ejus super thronum tuum. Vence Maria a todos os, anjos e arcanjos, a todos os principados e potestades, a todos os querubins e serafins, na virtude, no poder, na ciência, no amor, na graça, na glória. Mas todos estes espíritos angélicos, passando em silêncio os outros dons sobrenaturais que tocam a cada urna das jerarquias, em que veneram e reconhecem a soberana superioridade com que a Senhora, como rainha de todas, incomparavelmente as excede; todos, como tão discretos e entendidos o que só dizem e sabem dizer; o que sobre tudo admiram e apregoam, é: Thronus ejus super thronum tuum. Assim que, homens e anjos, unidos no mesmo conceito e enlevados no mesmo pensamento, o que cantam, o que louvam, o que celebram, prostrados diante do trono da segunda Majestade da Glória, e os vivas que lhe dão concordemente, é ser Mãe de um Filho que, excedendo ela a todos em tão sublime grau na mesma glória, ele a vence e excede infinitamente. E isto é o que, divididos em dois coros de inumeráveis vozes e unidos em urna só voz, aplaudem, aclamam, festejam, e tudo o mais calam, conformando-se nesta eleição com a parte da mesma glória que a Senhora elegeu por melhor: Optimam partem elegit.

Padre António Vieira, in “Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus”, pregado na Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Lisboa, no ano de 1644

sábado, maio 12, 2012

Defendiendo a Monseñor Williamson



En muchísimos sitios, serios por lo demás muchos de ellos, se culpa a Monseñor Williamson de haber filtrado esa carta. La cigüeña de la torre, uno de las bitácoras más leídas sobre temas eclesiásticas en lengua española, rápidamente se hizo eco y Pacopepe, con su visceralismo a veces un tanto superficial, le echa la culpa a Monseñor Williamson. Digo esto con todo el cariño, porque Pacopepe, con quien me he encontrado en varias comidas y acontecimientos, es una persona deliciosa de trato y amable a más no poder, aunque a veces tenga los fusibles cortos. Otro tanto se puede leer en Le Figaro, donde Jean-Marie Guénois es de la misma opinión. Espero que Pacopepe no se haya dejado llevar de cierto seguidismo porque suele manejar información de primera.
Pues discrepo de la mayor. No creo que haya sido Monseñor Williamson. A Casa de Sarto tenía estas cartas más de 48 antes de que fueran publicadas en el internet. Por supuesto que de nosotros no saldría nada referente a todo esto. Pero déjenme hacer una pequeña pesquisa “policial” con Vds que verán que, razonablemente, pone muchos peros a esa autoría que Guénois o Pacopepe Fernández de la Cigoña atribuyen a Williamson.
Resulta que, como dije, las cartas originales fueron filtradas a cathinfo, pero lo que allí pueden ver Vds ahora no es lo que sacaron en primer lugar. El pdf de la carta de los tres Obispos era un pdf que era generado de un documento, pero no del documento final, sino de un borrador previo (algo muy relevante, ¿quién tiene los borradores?). De ahí que algunas de las mejores y más serias bitácoras tradicionalistas, como Rorate Coeli, no hayan querido publicarlo para evitar entrizarse los dedos. El pdf de Monseñor Fellay, el P Pfluger y el P Nély, sin embargo, es claramente un documento escaneado (se ven hasta los pliegues de cómo ha sido doblado y el tamaño en pdf es mucho mayor, por ser escaneado, y no obtenido de un documento en MS Word o algún otro procesador de textos). 
Más aún, en los comentarios muy iniciales a cathinfo se puso uno, retirado, que decía: “Father, you have left traces …”. Efectivamente, se veía que los pdfs inicialmente filtrados eran personalizados. Y había detalles en la personalización de estos pdfs que eran comprometedores y apuntaban la autoría del mismo.

Más aún, había un error gramatical de concordancia en el francés impropio de quien habla el francés como 1ª lengua (caso de Monseñor Tissier de Mallerais) o prácticamente perfecto, como es el caso de Monseñor Williamson.

Más aún, la fecha estaba indicada con numerales romanos para el mes, algo que no sucede en francés, ni en inglés, ni en alemán … pero sí se hace frecuentemente en español. Este dato es, para mí, clave.

Insisto, no buceen Vds. Esos documentos inicialmente filtrados fueron rápidamente retirados.

Otrosí digo, ni Tissier ni Williamson son dechados de la informática. Tampoco lo es Monseñor de Galarreta, ciertamente. El primero la odia hasta el punto que hace informes, de un orden y profundidad por lo demás soberbios, de 40 páginas manuscritos antes que agarrar un ordenador. Quien sea, y como sea, ha tenido que actuar a través de persona interpuesta. 
Diré algo más. Y lo diré desde la mayor y más profunda de las discrepancias con Monseñor Williamson en más de un tema y en más de dos. No participo con él de su visión sobre el tema judío para nada. Creo que le hizo un flaquísimo favor a la Iglesia, y que fue causa de varias humillaciones del Santo Padre en Israel. Monseñor Williamson podrá haberse comportado como un auténtico insensato, o un malinformado, en varias ocasiones –o incluso en muchas ocasiones- pero es un Obispo que va de frente, con hombría, con saber estar, con gentileza y con caballerosidad. No todos pueden decir lo mismo. Me cuesta mucho creer que sea Williamson quien lo haya filtrado. Muchísimo. Como algo he tratado a Monseñor Williamson me atreveré a decir lo evidente: que haber filtrado este documento estaría muy en contra de su psicología habitual. El comportamiento pasado suele arrojar muchas luces sobre el comportamiento futuro.
¿Habrá, por tanto, venido de España o Argentina la filtración, o del mundo hispánico? No lo sé, pero la evidencia indirecta así lo sugiere. Y fuertemente. Se podrían probar más cosas y dar más datos, pero no lo haré. Yo tampoco quiero entrizarme los dedos. Pero que cada cual juzgue la evidencia indirecta. Se coge más pronto a un mentiroso que a un cojo. Y cuando este mentiroso es, además, sedicioso, avieso y cobarde, antes o después cantará. O recantará. Unas veces el amo, otras el perro fiel.
Y esto con independencia de que el Sacerdote que hace el último pase pudiera estar hasta en territorio anglosajón, como la evidencia indirecta así parece apuntar. Pero este pobre cura es un mero tonto útil que hace de amplificador. A lo peor se lleva todos los palos él, pero la estupidez también tiene un precio.
La Providencia tiene extraños mecanismos de manejarse. Resulta que el sedicioso filtrador ha conseguido lo opuesto de su pretensión, es decir, que ahora Roma es aún más favorable ahora a una regularización de la FSSPX. De entrada la respuesta de Fellay y sus dos Asistentes Generales sólo puede ser tildada de impoluta. Y, además, el Superior General (su condición episcopal aquí ni quita ni pone Rey) y sus Asistentes, elegidos en un Capítulo General por la FSSPX, se decantan a favor del acuerdo mientras que tres Obispos sin cargo alguno (y sin otro rol principal más que los de administrar los Sacramentos de la Confirmación y el Orden) se oponen. La pregunta es obvia: ¿Quién eligió al Superior General? La FSSPX en su conjunto, ¿verdad? Pues está todo dicho.
Personalmente a mí no me gusta todo esto. Hubiera deseado que, si los cuatro Obispos de la FSSPX tienen que hablar entre sí, que hablen. Hubiera deseado que esto no se hubiera filtrado, porque creo que Monseñor Fellay debe permanecer fuerte y exigir a Roma que el apostolado de la FSSPX sea respetado y salvaguardado, y mostrar abiertamente la respuesta de Monseñor Fellay en el epílogo de una discusión canónica y a las puertas de una decisión sobre ese particular socava su posición. Y creo que estas filtraciones no hacen sino dañar el bien común de la Iglesia y de la Hermandad de San Pío X. Por eso abomino grandemente, de quienes lo han hecho. Me alegro, no obstante, de la visión noble y de altas miras que inspira al Superior General de la Hermandad y a sus Asistentes Generales. Pero me duele la manera cómo la conocí y cómo fue conocida por el gran público.
Pero Dios escribe recto con renglones torcidos. Ahora, parece, es el caso de un Dios que escribe recto de filtraciones torcidas.
Y otra cosa, y esto no va para Vds., queridos lectores, sino para el Altísimo. ¡Señor Dios: que sepas que tu sentido del humor sigue sin gustarme!

Rafael Castela Santos

sexta-feira, maio 11, 2012

A experiência da tradição em Portugal (3)


Ainda a tempo: informa o blogue da “Una Voce Portugal” que amanhã, Sábado, dia 12 de Maio, será celebrada pelas 9h45m, na Igreja da Rainha Santa, em Coimbra, uma Missa tradicional de rito latino-gregoriano. Está de parabéns a diocese conimbricense! Não poderei estar presente, mas aconselho vivamente os leitores amigos deste espaço residentes na zona a não perderem por nada tal evento!


segunda-feira, maio 07, 2012

Uma excelente introdução ao distributismo

O livro “Beyond Capitalism & Socialism: A New Statement of an Old Ideal”, obra colectiva organizada por Tobias J. Lanz constitui uma excelente introdução ao distributismo, sendo leitura ideal para todos os que pretendam conhecer essa doutrina e travar um primeiro contacto com os fins prosseguidos pela mesma.

Trabalho dividido em três partes principais, na primeira delas define-se o distributismo por contraposição ao capitalismo liberal e ao socialismo. Enquanto nestes dois últimos sistemas a propriedade dos meios de produção ou é concentrada por uma restrita e influente classe plutocrática (capitalismo liberal), ou é dominada na sua totalidade pelo Estado (socialismo), e em qualquer dos casos sempre com grave prejuízo da liberdade da esmagadora maioria dos membros da sociedade, forçados ao servilismo ora face à plutocracia, ora face à nomenclatura estatista, o distributismo propõe alternativamente:
- difusão tão ampla quanto possível das propriedade privada dos meios de produção;
- como decorrência do ponto supra, a disseminação das pequenas e médias empresas, bem como das cooperativas, com a passagem do maior número de pessoas do estatuto de empregados dependentes para o de proprietários livres e responsáveis pelo seu destino;
- e, como corolário dos dois anteriores pontos, a aproximação entre produtores e consumidores, com a eliminação de intermediários e a realização da vida económica a um nível eminentemente local (“small is beautiful”).
Numa segunda parte, “Beyond Capitalism & Socialism” apresenta os principais mentores doutrinários do distributismo, resumindo os pontos mais salientes do pensamento de figuras bem conhecidas como Chesterton ou Hilaire Belloc, e outras menos conhecidas como o Padre Vincent MacNabb, um dominicano inglês de cepa obviamente tomista, ou o Padre Heinrich Pesch, um jesuíta alemão cujo pensamento económico influenciou directamente a redacção da encíclica “Quadragesimo Anno”, do Papa Pio XI.
Finalmente, na terceira e última parte, o livro aborda os moldes em que o distributismo poderá ser aplicado nas sociedades contemporâneas e a forma pela qual estas se poderão tornar mais distributistas e menos capitalistas/socialistas.
A este propósito, convém sublinhar que o distributismo não é uma ideologia revolucionária, desenvolvendo antes a sua actuação com estrito respeito pela lei moral ou natural e tendo sempre em vista a prossecução do bem comum do todo social. Assim, o distributismo não pretende enveredar pela perigosa via da engenharia social, mas ao invés criar uma ordem económica alternativa assente na autêntica propriedade privada e no genuíno mercado livre, por contraposição ao servilismo inerente à economia de interesses egoístas do capitalismo plutocrático ou à economia centralizada do socialismo burocrático estatista.
Para concluir, dir-se-á tão-só mais o seguinte: pelo exposto, “Beyond Capitalism & Socialism” é uma leitura obviamente recomendada.

sexta-feira, maio 04, 2012

A situação aberrante do aborto em Portugal

É sumamente bizarro que o actual governo português da direita catita (a émula da esquerda caviar niilista), que tributa selvaticamente os rendimentos do trabalho, que reduz arbitrariamente salários e que corta implacavelmente benefícios sociais como o acesso aos legítimos cuidados de saúde, mantenha paradoxalmente intocada e absolutamente gratuita (no Serviço Nacional de Saúde) esta situação, mais do que chocante, aberrante - a da prática reiterada do aborto em Portugal.

Ora, tal manutenção é bem sintomática de uma atitude intencionalmente relativista e conscientemente ofensiva para com a doutrina católica, razão elementar por que os católicos, conforme já salientei em momento anterior, nada podem ter a ver com os que permitem este estado de coisas e muito menos premiá-los com um futuro apoio eleitoral. Já chega de considerar quem não merece consideração alguma!

quinta-feira, abril 26, 2012

Profundos y acertados


Pocas bitácoras hay que sean tan profundas como La Honda de David. Su autor no se prodiga mucho (¡y ya lo sentimos, porque más nos gustaría leerle!), pero prácticamente cada una de sus intervenciones es profunda como pocas en este mundo a menudo tan superficial y lleno de lugares comunes de la blogosfera. Viniendo, tengo entendido, de alguien con formación jurídica y no teológica, las entradas de La Honda de David suelen ser contundentes, concisas, y ajustadas, como uno esperaría de un profesional del Derecho; y meritorias por el esfuerzo de reflexión y rumia ponderada de las Sagradas Escrituras, como uno esperaría de un buen cristiano.
Algo, esto último, que todos debiéramos hacer. Y más aún en los tiempos que corren … y más todavía sobre el Apokalypsis, el Libro más rabiosamente actual de todos cuantos la Sagrada Biblia contiene.
Pues bien, sirvan como ejemplo estos dos últimos posts de La Honda de David. El primero sobre el cese de estado de necesidad en relación a la Fraternidad Sacerdotal de San Pío X (FSSPX). Y el segundo, más profundo si cabe, sobre la misión esjatológica de la FSSPX.
Ambos no sólo profundos sino, creo de verdad, muy acertados. No dejen de leerlos, por favor.

Rafael Castela Santos

quarta-feira, abril 25, 2012

Las preguntas de un teólogo

Fuente: http://chiesa.espresso.repubblica.it/articolo/1350219?sp=y

En un comunicado del 16 de marzo de 2012, la Santa Sede ha anunciado que el obispo Bernard Fellay, superior general de la Fraternidad Sacerdotal San Pio X, FSSPX, ha sido informado de que la respuesta de la Fraternidad al preámbulo doctrinal presentado por la congregación para la doctrina de la fe ha sido juzgada "no suficiente para superar los problemas doctrinales que están a la base de la fractura entre la Santa Sede y dicha Fraternidad". El comunicado no aclara si este juicio ha sido emitido por la CDF y aprobado por el papa, o si es el juicio del papa mismo. Este juicio es el último, hasta ahora, de un proceso de discusión sobre las cuestiones de doctrina entre la CDF y la FSSPX. La naturaleza y la seriedad de este juicio plantean importantes interrogantes para un teólogo católico. El deber de este artículo es responder a dichos interrogantes.
La reserva de los coloquios doctrinales en curso dificulta expresar un comentario sobre el juicio. La razón de esta reserva es difícil de comprender, pues los argumentos de la discusión no se refieren a los detalles prácticos de una enumeración de un orden canónico – que se habría beneficiado claramente de la discreción – sino materias de fe y de doctrina, que conciernen no sólo a las partes implicadas sino a todos los fieles católicos. Sin embargo, ya se ha hablado bastante en público sobre la posición de la FSSPX para permitir una valoración de la situación. Hay dos cosas que hay que considerar aquí: la fractura entre la Santa Sede y la FSSPX producida por los problemas doctrinales en discusión, y la naturaleza de estos mismos problemas doctrinales.
En una replica a un estudio de Fernando Ocáriz sobre la autoridad doctrinal del Concilio Vaticano II, el padre Jean-Michel Gleize de la FSSPX ha enumerado los elementos de este Concilio que la FSSPX considera inaceptables:
"Sobre al menos cuatro puntos las enseñanzas del Concilio Vaticano II están de tal manera en contradicción lógica con las declaraciones del precedente magisterio tradicional, que es imposible interpretarlos en la línea de las otras enseñanzas ya contenidas en los precedentes documentos del magisterio de la Iglesia. El Vaticano II ha roto, por lo tanto, la unidad del magisterio, en la medida en que ha roto con la unidad de su objeto.
"Los cuatro puntos son los siguientes.
"La doctrina de la libertad religiosa, tal como se expresa en el n. 2 de la declaración 'Dignitatis humanae', contradice las enseñanzas de Gregorio XVI en la 'Mirari vos' y de Pio IX en la 'Quanta cura', así como las de León XIII en la 'Immortale Dei' y las de Pio XI en la 'Quas primas'.

"La doctrina de la Iglesia, tal como se expresa en el n. 8 de la constitución 'Lumen gentium', contradice las enseñanzas de Pio XII en la 'Mystici corporis' y en la 'Humani generis'.

"La doctrina sobre el ecumenismo, tal como se expresa en el n. 8 de la 'Lumen gentium' y en el n. 3 del decreto 'Unitatis redintegratio', contradice las enseñanzas de Pio IX en las proposiciones 16 y 17 del 'Syllabus', las de León XIII en la 'Satis cognitum' y las de Pio XI en la 'Mortalium animos'.

"La doctrina de la colegialidad, tal como se expresa en el n. 22 de la constitución 'Lumen gentium', incluso el n. 3 de la 'Nota praevia', contradice las enseñanzas del Concilio Vaticano I sobre la unicidad del sujeto del supremo poder en la Iglesia, y la constitución 'Pater aeternus'".

El Padre Gleize ha tomado parte en la discusión doctrinal entre la FSSPX y las autoridades romanas, así como ha hecho también Ocáriz. Podemos asumir de forma razonable las afirmaciones citadas como una descripción de los puntos doctrinales sobre los cuales la FSSPX no quiere transigir y que han sido considerados por la Santa Sede como inevitable origen de la fractura.

¿El Vaticano II como la razón de la fractura?
El primer interrogante con el cual tropieza un teólogo en relación a la posición de la FSSPX concierne la cuestión de la autoridad del Concilio Vaticano II. El artículo de Ocáriz al cual ha replicado el padre Gleize, publicado en el número del 2 de diciembre de 2011 de "L'Osservatore Romano", parece sostener que un rechazo de la autoridad del Vaticano II sea la base de la fractura verificada por la Santa Sede. Pero para quien esté al corriente tanto de la posición teológica de la FSSPX como del clima de opinión teológica en la Iglesia católica, esta tesis es difícil de entender. Los puntos mencionados por el padre Gleize son sólo cuatro de la voluminosa enseñanza del Vaticano II. La FSSPX no rechaza el Vaticano II en su globalidad: al contrario, el obispo Fellay ha afirmado que la Fraternidad acepta el 95 per ciento de sus enseñanzas. Ello significa que la FSSPX es más fiel a las enseñanzas del Vaticano II que buena parte del clero y de la jerarquía de la Iglesia católica.
Consideremos las siguientes aserciones de este Concilio:

"Dei Verbum" 11
"La santa Madre Iglesia, según la fe apostólica, tiene por santos y canónicos los libros enteros del Antiguo y Nuevo Testamento con todas sus partes, porque, escritos bajo la inspiración del Espíritu Santo, tienen a Dios como autor y como tales se le han entregado a la misma Iglesia. Pero en la redacción de los libros sagrados, Dios eligió a hombres, que utilizó usando de sus propias facultades y medios, de forma que obrando El en ellos y por ellos, escribieron, como verdaderos autores, todo y sólo lo que Él quería".

"Dei Verbum" 19:
"Los cuatro referidos Evangelios, cuya historicidad afirma sin vacilar, comunican fielmente lo que Jesús Hijo de Dios, viviendo entre los hombres, hizo y enseñó realmente para la salvación de ellos, hasta el día que fue levantado al cielo".

"Lumen gentium" 3:
"La obra de nuestra redención se efectúa cuantas veces se celebra en el altar el sacrificio de la cruz, por medio del cual Cristo, que es nuestra Pascua, ha sido inmolado".

"Lumen gentium" 8:
"La sociedad provista de sus órganos jerárquicos y el Cuerpo místico de Cristo, la asamblea visible y la comunidad espiritual, la Iglesia terrestre y la Iglesia enriquecida con los bienes celestiales, no deben ser consideradas como dos cosas distintas, sino que más bien forman una realidad compleja que está integrada de un elemento humano y otro divino".

"Lumen gentium" 10:
"El sacerdocio común de los fieles y el sacerdocio ministerial o jerárquico, aunque diferentes esencialmente y no sólo en grado, se ordenan, sin embargo, el uno al otro, pues ambos participan a su manera del único sacerdocio de Cristo. El sacerdocio ministerial, por la potestad sagrada de que goza, forma y dirige el pueblo sacerdotal, confecciona el sacrificio eucarístico en la persona de Cristo y lo ofrece en nombre de todo el pueblo a Dios. Los fieles, en cambio, en virtud de su sacerdocio regio, concurren a la ofrenda de la Eucaristía y lo ejercen en la recepción de los sacramentos, en la oración y acción de gracias, mediante el testimonio de una vida santa, en la abnegación y caridad operante".

"Lumen gentium" 14:
"El Concilio enseña, fundado en la Sagrada Escritura y en la Tradición, que esta Iglesia peregrinante es necesaria para la salvación. El único Mediador y camino de salvación es Cristo, quien se hace presente a todos nosotros en su Cuerpo, que es la Iglesia. El mismo, al inculcar con palabras explícitas la necesidad de la fe y el bautismo (cf. Mc 16,16; Jn 3,5), confirmó al mismo tiempo la necesidad de la Iglesia, en la que los hombres entran por el bautismo como por una puerta".

"Gaudium et spes" 48:
"Por su índole natural, la institución del matrimonio y el amor conyugal están ordenados por sí mismos a la procreación y a la educación de la prole, con las que se ciñen como con su corona propia".

"Gaudium et spes" 51:
"La vida desde su concepción ha de ser salvaguardada con el máximo cuidado; el aborto y el infanticidio son crímenes abominables".

La gran mayoría de los teólogos en las instituciones católicas de Europa, Norteamérica, Asia y Australia tiende a rechazar todas o la mayor parte de estas enseñanzas. Estos teólogos son seguidos en estas áreas por la mayor parte de las órdenes religiosas y por una parte consistente de los obispos. Sería difícil, por ejemplo, encontrar un jesuita que enseña teología en cualquier institución jesuita que acepte uno sólo de estos textos. Los textos citados son sólo una selección de las enseñanzas del Vaticano II que son rechazadas por estos grupos; y podrían haber aumentado mucho en número.
Y bien, dichas enseñanzas forman parte justamente de ese 95 por ciento del Vaticano II que la FSSPX acepta. Y a diferencia del 5 por ciento de ese Concilio rechazado por la FSSPX, las enseñanzas referidas más arriba son centrales para la fe y la moral católica e incluyen algunas de las enseñanzas fundamentales de Cristo mismo.
El primer interrogante que el comunicado de la Santa Sede plantea para un teólogo es: ¿por qué el rechazo por parte de la FSSPX de una pequeña parte de las enseñanzas del Vaticano II origina una fractura entre la Fraternidad y la Santa Sede, mientras el rechazo de enseñanzas del Vaticano II más numerosas e importantes por parte de otros grupos de la Iglesia deja a estos grupos tranquilos en su lugar y en posesión de una plena condición canónica? El rechazo de la autoridad del Vaticano II por parte de la FSSPX no puede ser la respuesta a este interrogante. En realidad la FSSPX muestra mayor respeto por la autoridad del Vaticano II que la mayor parte de las órdenes religiosas en la Iglesia.
Es interesante observar que los textos del Vaticano II rechazados por la FSSPX son aceptados por esos grupos dentro de la Iglesia que rechazan otras enseñanzas de este Concilio. Uno podría por lo tanto suponer que son justamente estos textos específicos – sobre la libertad religiosa, la Iglesia, el ecumenismo, la colegialidad – los que causan el problema. La fractura entre la Santa Sede y la FSSPX nace porque la Fraternidad rechaza estos elementos particulares del Vaticano II, no por una intención de la Santa Sede de defender el Vaticano II en bloque. Mientras la fractura no surge con grupos diferentes de la Fraternidad, los cuales rechazan mucho más del Vaticano II al aceptar, estos grupos, estos elementos particulares. Pero si éste es el caso, el primer interrogante se replantea, simplemente, con mayor fuerza.

¿Problemas con la doctrina católica?
Si la fractura entre la Santa Sede y la FSSPX no naciese del rechazo de la autoridad del Concilio Vaticano II por parte de la Fraternidad, podría darse el caso que la fractura surgiese de la posición doctrinal de la misma FSSPX. Después de todo, hay dos aspectos de la posición de la FSSPX sobre el Vaticano II. El primer aspecto es la tesis según la cual algunas afirmaciones del Vaticano II son falsas y no deben ser aceptadas; este es el aspecto que rechaza la autoridad del Concilio. El otro aspecto es la descripción positiva de la doctrina que debería ser aceptada en lugar de las presuntas falsas afirmaciones. Este segundo aspecto es el más importante de la discusión entre la FSSPX y las autoridades romanas. Después de todo, la finalidad de la existencia de las enseñanzas magisteriales es comunicar la verdadera doctrina a los católicos, y su autoridad sobre los católicos deriva de esta finalidad. Este aspecto de la posición de la FSSPX consiste en afirmaciones sobre las doctrinas que los católicos deberían creer, afirmaciones que en sí mismas no dicen nada sobre los contenidos o la autoridad del Vaticano II. Debemos, por lo tanto, considerar si estas afirmaciones pueden dar origen a una fractura entre la Santa Sede y la FSSPX.
Al juzgar la posición doctrinal de la FSSPX debe tenerse en cuenta que hay una diferencia esencial entre la posición de la FSSPX sobre el Vaticano II y la posición de esos sectores dentro de la Iglesia que rechazan las enseñanzas arriba citadas tanto de "Dei Verbum", como de "Lumen gentium" y "Gaudium et spes". Estos sectores simplemente sostienen que ciertas doctrinas de la Iglesia católica no son verdaderas: ellos rechazan la enseñanza católica y punto. En cambio, la FSSPX no sostiene que la enseñanza de la Iglesia católica es falsa: sostiene que algunas de las afirmaciones del Vaticano II contradicen las enseñanzas magisteriales que tienen mayor autoridad y, por lo tanto, aceptar las doctrinas de la Iglesia católica exige aceptar estas enseñanzas más autorizadas, rechazando la pequeña porción de errores presentes en el Vaticano II. Ella sostiene que la enseñanza real de la Iglesia católica debe encontrarse en afirmaciones precedentes y más autorizadas.
En positivo, por lo tanto, la posición doctrinal de la FSSPX consiste en sostener las enseñanzas de una parte de los pronunciamientos magisteriales. El padre Glaize enumera los más importantes de los pronunciamientos en cuestión: la encíclica de Gregorio XVI "Mirari vos", la encíclica de Pio IX "Quanta cura" con el relativo "Syllabus", las encíclicas de León XIII "Immortale Dei" y "Satis cognitum", las encíclicas de Pio XI "Quas primas" y "Mortalium animos", las encíclicas de Pio XII "Mystici corporis" y "Humani generis", y la constitución del Concilio Vaticano I "Pastor aeternus". Todos estos son pronunciamientos magisteriales de gran autoridad y, en algún caso, incluyen definiciones dogmáticas infalibles, lo que no ocurre con el Concilio Vaticano II.
Ello plantea el segundo interrogante respecto a la posición de la Santa Sede acerca de la FSSPX, que induce a un teólogo a preguntarse: ¿como puede haber objeciones a la FSSPX cuando ésta sostiene la verdad de pronunciamientos magisteriales de gran autoridad?
Es un interrogante que tiene en sí mismo la respuesta: no puede haber símiles objeciones. Si la posición de la FSSPX sobre la doctrina puede ser juzgada objetable, debe sostenerse que su posición no coincide con lo que realmente enseñan los pronunciamientos magisteriales y, por lo tanto, la FSSPX falsifica el significado de tales pronunciamientos. Esta tesis no es fácil de sostener, pues cuando esos pronunciamientos precedentes fueron promulgados, dieron origen a un considerable cuerpo de estudios teológicos cuyo fin era su interpretación. El significado que la FSSPX les asigna deriva de este conjunto de estudios y corresponde a cómo esos pronunciamientos fueron entendidos en el tiempo en que se produjeron.
Ello hace que el tercer interrogante que surge en un teólogo sea aún más preciso y urgente: ¿qué enseñan en realidad esos pronunciamientos, si no es lo que la FSSPX dice que enseñan?
La respuesta que muchos dan es que los significados efectivos de esos pronunciamientos son dados por, o al menos están en armonía con, los textos del Concilio Vaticano II que la FSSPX rechaza. Podemos admitir esta respuesta como verdadera, pero ello no ayudará a responder a la pregunta. Los textos del Vaticano II no ofrecen muchas explicaciones sobre el significado de esos pronunciamientos precedentes. Por ejemplo, la "Dignitatis humanae" dice simplemente que su enseñanza "deja íntegra la doctrina tradicional católica acerca del deber moral de los hombres y de las sociedades para con la verdadera religión y la única Iglesia de Cristo". Con ello no ofrece ninguna explicación del contenido de esta doctrina.
La insuficiencia de esta respuesta conduce al cuarto interrogante, que es el siguiente: ¿cuál es la enseñanza autorizada de la Iglesia católica sobre los puntos disputados entre la FSSPX y la Santa Sede?
No hay ninguna duda que las discusiones doctrinales entre ambas partes implican un examen de la cuestión, pero la reserva de dichas discusiones deja al resto de la Iglesia en la oscuridad sobre esta materia. Sin una respuesta al cuarto interrogante, no hay posibilidad de respuesta a esta quinta pregunta: ¿por qué las posiciones doctrinales de la FSSPX dan origen a una fractura entre la Fraternidad y la Santa Sede?
Pero esta quinta pregunta, aunque significativa, no tiene la importancia de la cuarta. La naturaleza de la enseñanza de la Iglesia católica sobre la libertad religiosa, el ecumenismo, la Iglesia y la colegialidad es de gran importancia para todos los católicos. Las preguntas suscitadas por las discusiones entre la Santa Sede y la FSSPX conciernen a toda la Iglesia, no sólo a las partes empeñadas en la discusión.

P. John R. T. Lamont (Profesor del Seminario de Sydney)


Mis comentarios:
1) Efectivamente: ¿Quién cree más en el Vaticano II? ¿La FSSPX o muchos de los pseudoteólogos, y sus Obispos "gruppies", que infectan la Santa Madre Iglesia? La FSSPX, sin duda.
2) Efectivamente: ¿Proceden hoy día las mejores críticas sobre el Vaticano II de la FSXPX? No, los comentarios más pertinentes, entre los que se encuentran algunos de los más duros, proceden de Sacerdotes que no son de la FSSPX.
3) Efectivamente: ¿Es el Padre Lamont de la FSSPX? ¡Ciertamente no!
4) Efectivamente: ¿Hay ciertas contradicciones entre el Vaticano II y el Magisterio de siempre de la Iglesia? Sí, ¿acaso hay alguna duda al respecto?.
5) Efectivamente: ¿Cómo se pueden resolver esas contradicciones? Sólo de una manera: dándole preeminencia al Magisterio de siempre, única manera intelectualmente decente de hacerlo (aparte de la única correcta que evitaría incurrir en contradicciones insalvables).
6) Efectivamente: ¿Es lo mismo el Depósito de la Fe que la Doctrina? No, en rigor no lo es. Y la Iglesia, modernamente, tiende más a socavar la Doctrina que le Depósito de la Fe. De hecho este último es mayormente salvaguardado.
7) Efectivamente: ¿Existe un estado de necesidad que justifique que la FSSPX no dé los pasos necesarios para una regularización? No, no lo existe a día de hoy.

Rafael Castela Santos

sábado, abril 21, 2012

Um Pontificado Restaurador


O balanço de sete anos de pontificado do Papa Bento XVI: Deus permita que este continue a reinar gloriosamente por muitos anos mais, sempre com o auxílio e a intercessão de Nossa Senhora!

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Un papado restaurador

SIETE años han transcurrido ya desde que Benedicto XVI ocupase la silla de Pedro; y el aniversario nos sirve de excusa para destacar aquí lo que a todas luces constituye el signo más distintivo y esperanzador de su papado, que no es otro sino la restauración doctrinal de la Iglesia, malherida tras las inercias, malos usos y flagrantes abusos acaecidos en época postconciliar. Quizá la acción más divulgada por la prensa de este designio restaurador haya sido el empeño del pontífice en afrontar sinceramente el escándalo de la pederastia en el clero, fenómeno no por marginal menos indigno y muy expresivo del azote del secularismo, que durante décadas ha campado por sus fueros en el seno de la Iglesia. Pero Benedicto XVI no se ha limitado a combatir las consecuencias de esta calamidad (según la receta propia de nuestra época, que pone farisaicamente cadalsos a las consecuencias, a la vez que entroniza las causas), sino que ha indagado las raíces del problema, descubriendo que su sanación verdadera sólo será posible si se combaten los errores doctrinales de fondo que han infectado a ministros y fieles; errores con los que se había transigido o contemporizado de forma un tanto irresponsable en pasadas décadas.

Muestras de este designio restaurador las tenemos por doquier; a algunas no les prestan atención ni los propios curas, que se resisten, por ejemplo, a poner reclinatorios en la comunión. Pero tal vez la muestra más llamativa (e incomprendida por muchos, aun en el seno de la propia Iglesia) sean los esfuerzos de acogida que Benedicto XVI está mostrando con la fraternidad sacerdotal de San Pío X, fundada por Marcel Lefebvre. En julio de 2007, Benedicto XVI promulgaba la carta apostólica «Summorum Pontificum», emitida en forma de motu proprio, en la que daba una mayor facilidad para la celebración de la misa tridentina. Posteriormente, en enero de 2009, Benedicto XVI levantaba en un decreto pontificio la excomunión a los cuatro obispos ordenados de forma irregular por Lefebvre; y en septiembre de 2011 Levada, prefecto de la Congregación para la Doctrina de la Fe, entregaba a Fellay, superior de la Fraternidad, un «Preámbulo Doctrinal» que, en caso de ser aceptado, pondría fin a la ruptura. Desde entonces, se han sucedido los contactos, que según los últimos indicios podrían resolverse con la plena regularización canónica de la Fraternidad.

A simple vista, puede parecer un episodio menor; pero tal vez se trate del gran acontecimiento de este papado. A pesar de las intemperancias mostradas por algunos miembros de la Fraternidad, a pesar de las resistencias y desconfianzas de muchos prelados, a pesar de la animadversión furiosa que ciertos sectores eclesiásticos progresistas (y también, por cierto, conservadores, en paradójica alianza) exhiben ante los «lefebvrianos», el Papa no ha cejado en su voluntad explícita de propiciar la reconciliación definitiva con este grupo tradicionalista. Benedicto XVI es un testigo privilegiado del «proceso de decadencia y autodestrucción» (empleamos expresiones suyas) que «fuerzas latentes agresivas, polémicas, centrífugas» desataron en el seno de la Iglesia, en las décadas posteriores al Concilio Vaticano II. En su esfuerzo por propiciar la regularización canónica de la Fraternidad de San Pío X que, en caso de consumarse, le acarreará incomprensiones por doquier y una feroz campaña mediática de desacreditación vislumbramos el propósito regenerador de un Papa que no se conforma con atajar las consecuencias funestas de un proceso degenerativo, sino que aspira a una auténtica regeneración del tejido enfermo. Gaudeamus igitur.


sexta-feira, abril 20, 2012

Francisco Costa, escritor católico português


Em Portugal, o romance católico é tido como coisa francesa, própria de escritores à maneira de Georges Bernanos ou François Mauriac, ainda que eu pessoalmente - como modelos de escritores católicos - prefira os argentinos Hugo Wast e Leonardo Castellani, os ingleses Robert Hugh Benson e J.R.R. Tolkien, o italiano Giovanni Papini e o brasileiro Gustavo Corção. Porém, cumpre realçar, também o nosso país, na sua literatura do século XX, possui um notável romancista católico, ainda que este seja hoje em dia um desconhecido para a maioria do público comum e a sua obra se encontre, de modo imerecidíssimo, quase totalmente esquecida: refiro-me à pessoa do sintrense Francisco Costa, que viveu entre 1900 e 1988 e cujo esforço criativo literário teve o seu epicentro entre o começo das décadas de 1940 e 1970.

Católico integral e monárquico legitimista, e por isso mesmo dotado de intensa sensibilidade social e profundo amor ao próximo, Costa é autor de uma obra que merece ser resgatada do olvido com toda a urgência, ao menos pelos defensores da Tradição, já que nela a inspiração católica vibra intensa e plenamente.

Em trabalhos como “A Garça e a Serpente”, “Primavera Cinzenta”, “A Revolta do Sangue” e “Cárcere Invisível”, autênticas obras-primas presentemente ao alcance do leitor que se digne procurá-las apenas em alfarrabistas e numa ou outra biblioteca pública, Costa transmite de forma magistral o drama de uma existência humana privada de Deus e por isso quase sempre enveredada pelos trilhos escuros do pecado, mas que nem por esse facto deixa de procurar - ainda que nem sempre frutiferamente… - um caminho alternativo de luz que apenas a graça da conversão (ou reversão) à religião de Cristo permite percorrer por inteiro.

Católico integral e monárquico legitimista conforme já salientei, mas também simpatizante da pessoa de Oliveira Salazar, fustigador implacável dos vícios, da futilidade e da mesquinhez desprovida de tacto social de muitos dos membros das classes ditas superiores, bem como de todo o tipo de arrivistas sem escrúpulos (um quarto de século quase decorrido desde a sua morte, o que Costa escreveria acerca da actual sociedade portuguesa, se a contemplasse!...), ademais de acérrimo crítico da ideologia marxista-leninista, custou-lhe tal postura de homem verdadeiramente livre e descomprometido o ostracismo a que a sua obra está hoje votada.

Ora, também por esta razão, redescubramo-la agora e leiamo-la com a justiça que lhe é devida, desfrutando em simultâneo do intenso prazer espiritual que a mesma propicia a quem dela se abeira.

Deo quae a Deo!

domingo, abril 08, 2012

Domingo de Páscoa


Que parecidas são as obras de Cristo, ainda as que menos se parecem! As tristes e as alegres: as dolorosas e as gloriosas: as de sua morte, e as de sua Ressurreição, todas causam os mesmos efeitos. Pasmadas deixámos as Marias, olhando para o Sepulcro de Cristo, quando se fechou, e pasmadas por deixarem ali morto a seu Senhor: Erat autem ibi Maria Magdalena, et altera Maria, sedentes contra Sepulchrum. Pasmadas acho outra vez as mesmas Marias no mesmo Sepulcro: e pasmadas de o acharem ressuscitado: Nolite expavescere: Jesum quaeritis: surrexit. De maneira que Cristo morto faz pasmar com a sua morte: e Cristo ressuscitado faz pasmar com a sua Ressurreição, sendo a Ressurreição e a morte duas coisas tão encontradas. Entraram as Marias no Sepulcro, viram um anjo vestido de neve de luz, que lhes deu novas do Senhor, a quem buscavam morto; e ficaram tão assombradas e pasmadas do que ouviam e viam, que por muito tempo não tornaram em si de assombro e de temor, por mais que o Anjo as animava a que não temessem: Nolite expavescere. A hora em que isto sucedeu também tem contradições no Evangelho. Diz o Evangelista, que quando as Marias vieram ao Sepulcro, era muito de madrugada, mas já depois do sol nascido: Valdè manè, orto jam Sole. Se era muito de madrugada, como era já nascido o sol? E se era já nascido o sol, como era muito de madrugada? Tudo era. Era muito de madrugada; porque ainda não era nascido este sol natural, que nos alumia: Valdè manè: e era já o sol nascido; porque já o verdadeiro sol Cristo era ressuscitado: Orto jam Sole.

Nas obras da natureza e nas obras da graça tem grandes semelhanças a Ressurreição de Cristo: mas nenhuma tão semelhante como a do sol. Põe-se o sol no seu Ocaso, deixa o nosso hemisfério escuro, enquanto desce, e vai alumiar os Antípodas; torna outra vez a nascer claro, resplandecente, e coroado de raios; enxugando as lágrimas da aurora: restituindo a cor e a formosura aos campos: despertando as músicas das aves: dourando os céus, e alegrando a terra. Tal o divino sol Cristo no dia de sua Ressurreição. Anoitecera no Ocidente do seu Sepulcro amortalhado em nuvens, deixando todo o mundo às escuras na tristeza de sua Paixão: desceu a visitar a alumiar os lugares do Limbo, onde os Santos Padres, como desconsolados Antípodas, havia tantos anos estavam esperando a chegada daquele dia: e voltou outra vez à hora determinada, fazendo Oriente do seu mesmo Ocaso: amanhecendo claro e formosíssimo, vestido e coroado de resplandores de glória. Enxugou primeiramente as lágrimas daquela aurora divina à Virgem Santíssima: restituiu a cor, e a formosura à sua Igreja, mudando os lutos de que estava coberta pela sua morte, em cores, e galas de festa: trocou as lamentações em músicas alegres, e os seus sentidos em aleluias: dourou os céus como mostraram os anjos, que hoje apareceram vestidos de branco e oiro: e finalmente alegrou a terra, dando a todos os homens mui alegres páscoas.

(…)

Pois que havemos de fazer no dia da Ressurreição de Cristo? Entristecer-nos? Tremer? Temer? Encerrar-nos? Sepultar-nos? Meter-nos vivos na sepultura, donde Cristo saiu? A esta pergunta não se pode responder do púlpito; do confessionário sim. Se estais em estado de pecado mortal, temei e tremei, e cause-vos grande tristeza a ressurreição; mas se estais em graça de Deus, e tendes propósitos firmes de a conservar, alegrai-vos, ponde a vossa alma e o vosso coração muito de festa, e não temais. Assim o disse o anjo às Marias: Nolite expavescere. Notai. Quando o anjo desceu do céu, e revolveu a pedra da sepultura, ficaram assombrados todos os guardas do Sepulcro, e o anjo não lhes disse: Nolite expavescere; e às Marias sim. E por que diz às Marias, que não o temam; e por que não diz o mesmo aos soldados? Porque as Marias iam buscar a Cristo ao Sepulcro para o servir: os soldados iam guardar o Sepulcro para o perseguir, e para o afrontar. E aqueles que perseguem e que ofendem a Cristo, esses é bem que temam na Ressurreição; porém, aqueles que o amam, e que o servem, esses não têm que temer: Nolite expavescere. Tema Pilatos, que o condenou: tema Herodes, que o afrontou: tema Judas, que o vendeu: tema Caifás, que o blasfemou: e temam todos o que o perseguiram e o crucificaram, quando sabem que ele ressuscitou, e que eles também hão-de ressuscitar. Porém a Madalena e as outras Marias: a Madalena e as outras Marias, que o buscam e que o servem, que se não podem apartar dele, essas não têm que temer: Nolite expavescere. Não é esta razão menos que a do anjo: Nolite expavescere; Jesum quaeritis Nazarenum. Se vós buscais a Jesus Nazareno, não temais. A energia destas palavras ainda está mais clara em São Mateus, que neste passo é comentador de São Marcos: Nolite timere vos; scio enim quod Jesum, qui crucifixus est, quaeritis. Não temais vós: (notai muito a palavra vós) vós que buscais a Jesus, não temais; porém aqueles que não o buscam: aqueles que não o amam: aqueles que o ofendem, esses temam a sua Ressurreição. A Ressurreição para eles será morte e tormento eterno, assim como para vós será eterna vida, e eterna glória. Os maus porque hão-de ressuscitar mal, têm razão de temer, mas os bons, que hão-de ressuscitar bem, não têm para temer razão alguma.

E que grande alegria, e que grande consolação é para um verdadeiro cristão na festa da Ressurreição de Cristo considerar que também ele há-de algum dia ressuscitar! Que grande seria a alegria de Madalena, quando visse o seu irmão Lázaro ressuscitado! A nossa alma é a nossa Madalena: o nosso corpo é o nosso Lázaro. Que alegria será a de uma alma considerar agora e ver depois este seu corpo, este seu companheiro ressuscitado! Ainda esta comparação não explica. Que alegria seria a da Virgem Senhora, quando hoje visse ressuscitado em tanta formosura e glória a seu benditíssimo Filho! Esta comparação é a própria. A Madalena viu seu irmão ressuscitado, mas ressuscitado para tornar a morrer. A Senhora viu ressuscitado a seu Filho, mas para não morrer jamais: Mors illi ultra non domina itur. A Madalena viu a seu irmão ressuscitado, mas em corpo passível, como o que dantes tinha. A Senhora viu ressuscitado a seu Filho em corpo imortal, e impassível, e ornado com todos os quatro dotes gloriosos.

Padre António Vieira, no “Sermão da Ressurreição de Cristo”, pregado na Matriz da cidade de Belém do Pará, no ano de 1658