segunda-feira, março 12, 2012

Regustando la Misa de ayer y sus oraciones

De la Misa del 3er Domingo de Cuaresma.

Introito
Oculi mei semper ad Dominum, quia ipse evellet de laqueo pedes meos: respice in me, et miserere mei, quoniam unicus et pauper sum ego. Ad te, Domine, levavi animam meam: Deus meus, in te confido, non erubescam. Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

(Mis ojos miran siempre al Señor, porque Él librará del lazo mis pies: mírame, oh Dios, y apiádate de mí, porque me veo sólo y pobre. A Ti, Señor, levanté mi alma: Dios mío, en Ti confío, no sea confundido. Gloria al Padre y al Hijo y al Espíritu Santo. Como era en un principio, ahora y siempre por los siglos de los siglos. Amén.)

Colecta
Quaesumus, omnipotens Deus, vota humilium respice: atque ad defensionem nostram, dexteram tuae maiestatis extende. Per Dominun nostrum Jesum Christum Filium suum, qui cum eo vivit et regnat in unitate Spiritus Sancti Deus, per omnia saecula saeculorum. Amen.

(Rogámoste, oh Dios omnipotente, mires los deseos de los humildes y extiendas la diestra de tu Majestad para defendernos. Por Nuestro Señor Jesucristo, que contigo vive y reina en la unidad del Espíritu Santo, por todo los siglos de los siglos. Amén.)

sábado, março 10, 2012

Terceiro Domingo da Quaresma


O pior estado desta vida, e o mais infeliz, de todos, é o pecado. Mas se neste extremo de mal pode haver ainda outro mal maior, é o de pecado, e mudo. O mais desventurado homem de que Cristo nos quis deixar um temeroso exemplo, foi aquele da parábola das bodas, a quem o rei, atado de pés e mãos, mandou lançar para sempre no cárcere das trevas. O rei era Deus, o cárcere o infemo, e o homem foi o mais desventurado de todos os homens, porque no dia e no lugar em que todos se salvaram, só ele se condenou. E em que esteve a sua desgraça? Só em pecar? Não, porque muitos depois de pecar se salvaram. Pois em que esteve? Em emudecer depois de pecar. Estranhou-lhe o rei o descomedimento de se assentar à sua mesa, e em tal dia, com vestido indecente, e ele em vez de solicitar o perdão da sua culpa confessando-a, confirmou a sua condenação emudecendo: At ille obinutuit: E ele, diz o evangelista, emudeceu. Aqui esteve o remate da desgraça. Mais mofino em emudecer que em pecar, porque cometido o pecado tinha ainda o remédio da confissão, mas emudecida a confissão, nenhum remédio lhe ficava ao pecado. Pecar é enfermar mortalmente; pecar é emudecer, é cair na enfermidade, é renunciar o remédio. Pecar é fazer naufrágio o navegante; pecar e emudecer, é ir-se com o peso ao fundo, e não lançar mão da tábua em que se pode salvar. Pecar é apagarem-se as lâmpadas às virgens néscias; pecar e emudecer é apagar-se-lhes as lâmpadas e fechar-se-lhes as portas. O pecado tem muitas portas para entrar e uma só para sair, que é a confissão. Pecar é abrir as portas ao demónio para que entre à alma; pecar e emudecer, é abrir-lhe as portas para que entre, e cerrar-lhe a porta para que não possa sair. Isto é o que em alegoria comum temos hoje no Evangelho. Um homem endemoninhado e mudo. Endemoninhado, porque abriu o homem as portas ao pecado; mudo, porque fechou o demónio a porta à confissão.

E que fez Cristo neste caso? Maior caso ainda! Erat ejiciens daemonium. Não diz o evangelista que lançou Cristo o demónio fora, senão que o estava lançando. Achava Cristo repugnância, achava força, achava resistência, porque não há coisa que resista a Deus neste mundo senão um pecador mudo. Tantas vozes de Deus aos ouvidos, e o pecador mudo? Tantos raios e tantas luzes aos olhos, e o pecador mudo? Tantas razões ao entendimento, tantos motivos à vontade, tantos exemplos e tão desastrados e tão repetidos à memória, e o pecador mudo? Que fez aí fim Cristo? Aplicou a virtude de seu poder eficaz, bateu à porta; porque não bastou bater à porta, insistiu, apertou, venceu, saiu rendido o demónio, e falou o mudo: Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus. Este foi o fim da batalha, glorioso para Cristo, venturoso para o homem, afrontoso para o demónio, maravilhoso para os circunstantes, e só para o nosso intento parece que menos próprio e menos airoso. Diz que primeiro saiu o demónio, e depois falou o mudo: Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus. E nesta circunstância, parece que se encontra a ordem do milagre com a essência do mistério. Na confissão, primeiro fala o mudo, e depois sai o demónio; primeiro se confessa o pecador, e depois se absolve o pecado. Logo, se neste milagre se representa o mistério da confissão, primeiro havia de falar o mudo, e depois havia de sair o demónio. Antes não, e por isso mesmo, porque aqui não só se representa a confissão, senão a confissão perfeita, e a confissão perfeita não é aquela em que primeiro se confessa o pecado, e depois se perdoa, senão aquela em que primeiro se perdoa, e depois se confessa.

Resolveu-se o pródigo a tomar para casa do pai e confessar sua culpa, e como bom penitente dispôs e ordenou primeiro a sua confissão: Ibo ad patrem meum, et dicam ei: Pater peccavi in coelum, et coram te. Feita esta primeira diligência, pôs-se a caminho, e estando ainda muito longe: Cum adhuc longe esset, eis que subitamente se acha entre os braços do pai, apertando-o estreitamente neles, e chegando-o ao rosto com as maiores carícias: Accurrens cecidit super collum ejus, et osculatius est eum. Então se lançou o pródigo a seus pés e fez a sua confissão como a trazia prevenida: Et dixit ei filius: Pate; peccavi in coelum et coram te. Pois agora, filho pródigo? Não era isso o que vós tínheis ensaiado. Enfim temos a comédia turbada. O pai saiu cedo, o filho falou tarde. Perderam as figuras as deixas, erraram a história, trocaram o mistério. Esta história do pródigo não é a comédia ou o acto sacramental da confissão? Sim. Logo, primeiro havia o pródigo de lançar-se aos pés do pai e fazer o papel da sua confissão, como a trazia estudada, e depois havia o pai de lançar-lhe os braços, e restitui-lo à sua graça. Pois por que se troca toda a ordem, e primeiro lhe lança os braços o pai, e depois se confessa o filho? Porque representavam ambos não só o acto sacramental da confissão, senão da confissão perfeitíssima. Na confissão menos perfeita, primeiro se confessa o pecado, e depois se recebe a graça; na confissão perfeitíssima primeiro se recebe a graça, e depois se confessa o pecado. A confissão menos perfeita começa pelos pés de Deus, e acaba pelos braços; a confissão perfeitíssima começa pelos braços e acaba pelos pés, como aconteceu ao pródigo. A razão é clara, porque a confissão perfeitíssima é aquela em que o pecador vai aos pés de Deus verdadeiramente contrito e arrependido de seus pecados. Vai verdadeiramente contrito e arrependido? Logo já vai em graça, já vai perdoado, já vai absolto. E esta é a confissão que hoje temos no milagre do Evangelho. Confissão em que primeiro se recebe a graça e depois se confessa o pecado; confissão em que primeiro sai o demónio, e depois fala o mudo: Cum ejecisset daemonium, locutus est mutus.

Padre António Vieira, in “Sermão da Terceira Dominga da Quaresma”, pregado na Capela Real, em Lisboa, no ano de 1655

quarta-feira, março 07, 2012

Uma Emissora pouco Católica...

ou a Igreja portuguesa em contínuo estado de necessidade.

Vale a pena ler o artigo objecto da ligação de fio a pavio, pois contém uma magnífica exposição, na mais pura tradição tomista, sobre a incompatibilidade das leis humanas iníquas com a lei moral natural.

De los polvos de la injusticia social vienen los lodos de las guerras

Está claro que Miles y un servidor sentimos debilidad por algunos autores. Leonardo Castellani entre los ya clásicos, aunque sean contemporáneos. Y, entre los vivos, Juan Manuel de Prada. No sólo Juan Manuel de Prada, escritor consagrado y uno de los Premios Planeta –uno de los galardones literarios más prestigiosos del mundo hispánico-, ha sido un gran divulgador del Padre Castellani, sino que –al igual que yo- sí cree que el distributismo (como solución económica) es posible. Es más, Juan Manuel, con cuya amistad me honro, piensa que el distributismo sería una buena avenida de solución a la crisis que nos aflige.
El problema de esta crisis económica es metaeconómico. No sólo en sus raíces, sino en sus consecuencias. En sus raíces –aparte de la manipulación y la artificialidad de la misma en buena causa- están unos graves problemas políticos de génesis espiritual. Y entre sus consecuencias está la gravísima injusticia social que genera.
En el siglo XIX la Desamortización supuso la expropiación de muchísimos bienes eclesiásticos y de los Ayuntamientos en España. Aquellas propiedades eran el sustento de muchos pobres que, de esta manera, no caían en la miseria. La Desamortización creó una clase de nuevos ricos que expoliaron y machacaron a las clases populares. De aquella situación económica horrorosa se generó una injusticia social que culminó en la Cruzada de 1936, vulgo Guerra Civil. Dígase lo que se diga, lo mejor de Franco fue la elevación a la clase media de enormes capas de sectores populares, restaurando así mucho de aquella perdida justicia social. Quién sabe si la gravísima injusticia social de hoy día, donde nunca hubo tan pocos que poseyeran tanto, no devendrá aún en cosas peores.
De eso habla Juan Manuel de Prada en un artículo reciente cuya fuente original encontramos aquí. Artículo que él titula “Fariseísmo” porque, en el fondo, late el fariseísmo –pecado acérrimo donde los haya- tras la injusticia social –sin olvidarnos que pagar el justo salario al obrero es uno de esos pecados que clama venganza al Cielo-.
Pero infinitamente mejor sus palabras que las mías, que penetran en muchos entresijos espirituales que nos deberían hacer reflexionar profundamente. Con ellas les dejo.

Rafael Castela Santos


“En un artículo clarividente titulado «Sobre tres modos católicos de ver la guerra española», publicado en 1937, Leonardo Castellani —haciendo gala, una vez más, de esa libertad intelectual que procura la fe, cuando es verdadera— empieza ofreciendo una «visión humana» de nuestra Guerra Civil, declarándose partidario de Franco: «La pura y simple humanidad del hombre le impone que, al ver dos riñendo, desee que uno gane, aunque no sea sino por amor de la paz o de las situaciones claras; y que no gane el peor». Pero a Castellani no le basta con esta mera «visión humana»; y lanza a continuación una «visión filosófica» que «considere también lo que hubo antes y lo que vendrá después, sacando consecuencias y enseñanzas». Y aquí Castellani afirma que «esta guerra tiene por lo menos una de sus raíces en la injusticia social»; y añade: «Toda esa sangre de cristianas venas (porque también marxistas españoles tienen sangre —y quizá algunos alma— de bautizados) ha sido reclamada ante Dios por una gran pirámide de pecados previos contra el pobre, de pecados contra el hermano, de pecados contra el débil, de pecados contra el niño, de pecados contra Dios. De pecados desos que dice la Escritura claman al cielo. Y no me parece imposible que en esa mole de pecados que ahora se lava en sangre estuviesen también representados algunos de los que ahora más vociferan. Este señalamiento de los pecados contra la justicia social —pecados que claman al cielo— como una de las raíces de la Guerra Civil me parece admirable, viniendo de alguien que no muestra rebozo alguno en proclamarse partidario de Franco. Pero aún Castellani ahonda más; y nos ofrece una tercera «visión teológica» de la guerra, preguntándose «por qué una parte del admirable pueblo español se puso de golpe a odiar a Dios, es decir los sacerdotes, monjas, templos, cálices, crucifijos, imágenes; las imágenes terrenas de Dios».
No basta, a juicio de Castellani, con decir que «los rusos se lo enseñaron», ni siquiera con añadir que a los rusos se lo enseñó Satán. «¿Quién soltó a Satán?», se pregunta Castellani. Y entre las causas que soltaron a Satán, Castellani menciona una enfermedad de la fe: el fariseísmo, una «esclerotización de lo religioso» o «traspaso de la mística en política», que acaba convirtiéndose en «odiosa y criminosa hipocresía, mezcla de orgullo, ambición, avaricia, mentira, impiedad y dureza, con infinidad de grados medios: aulicismo, curialismo, clericalismo, ritualismo, fachadismo o religión de aparato, ambicioncilla, intriguilla eclesiástica, etcétera». El odio al fariseísmo, nos recuerda Castellani, fue empresa personal que Cristo cargó sobre sus espaldas, a sabiendas de que le costaría la vida, sin desdeñar la invectiva —raza de víboras, sepulcros blanqueados— y la fusta; y tiene que ser empresa que prosiga la Iglesia, «poniendo la misericordia y la justicia por encima de las ceremonias», para mantener vivo el corazón de la religiosidad, para no favorecer ese odio a Dios que en los años de la Guerra Civil alcanzó cúspides de inhumanidad y bestialismo.
En este combate contra el fariseísmo la Iglesia se juega mucho; sobre todo en épocas como la nuestra, en que la injusticia social —pecado que clama al cielo— vuelve a campar por sus fueros. De esta preocupación nos dio ejemplo Juan Pablo II, con obras tan preclaras como la encíclica Laborem exercens, de cuya proclamación acaban de cumplirse treinta años. Sorprende que no se haya aprovechado este aniversario para refrescar las inequívocas enseñanzas de justicia social que en dicha encíclica se contienen; y es que el veneno sutil del fariseísmo sigue haciendo de las suyas.”

Juan Manuel de Prada

O corajoso magistério de um bispo brasileiro

De Dom José Benedito Simão, Bispo de Assis, São Paulo, em defesa da sã doutrina e da vida humana contra os “católicos” de letreiro, embaixadores dos erros do mundo no seio da Igreja. A sua mensagem “Reflexão sobre a Vida” pode ser lida na íntegra aqui. Prouvera que em Portugal existissem também bispos deste quilate!

segunda-feira, março 05, 2012

El doble rasero ... siempre contra la Iglesia

La Hipocresía con el IBI

Fuente original aquí.

"En algunos ayuntamientos de Madrid Izquierda Unida está pidiendo a la iglesia que renuncie al privilegio de su exención del IBI. Y creo que puede ser bueno aclarar a la gente qué es eso. Ya sabes, por si te parece oportuno difundirlo. En estos días se han levantado voces que solicitan que la iglesia deje de estar exenta del pago del IBI, el impuesto de bienes inmuebles, porque es un privilegio y porque en estos tiempos de crisis los ayuntamientos no se pueden permitir el renunciar a lo recaudado por ese concepto.
Quiero con esta entrada aclarar algunas cosas sobre ese supuesto privilegio de la Iglesia Católica, haciendo dos consideraciones.

Primera consideración
La exención del IBI (Impuesto sobre Bienes Inmuebles) no es en absoluto un privilegio especial de la iglesia católica. Por ley, están exentos de IBI:·
- Servicios públicos (Defensa, Seguridad, Educación y Servicios penitenciarios).
- Los inmuebles destinados a usos religiosos por aplicación de Convenios con la Santa Sede, con la Federación de Entidades Religiosas Evangélicas, con la Federación de Comunidades Israelitas y con la Comisión Islámica.
- Pertenecientes a gobiernos extranjeros o que les sea de aplicación la exención por convenios internacionales.
- Los pertenecientes a Cruz Roja.
- Los terrenos ocupados por las líneas de ferrocarriles y los edificios enclavados en los mismos terrenos.
- Colegios concertados.
- Pertenecientes al patrimonio histórico-artístico.
- Entidades sin fines lucrativos
Y no digamos las ventajas fiscales de que gozan partidos políticos y sindicatos: No tienen que declarar lo ingresado por cuotas, las subvenciones, las donaciones, los rendimientos de sus actividades económicas, los rendimientos procedentes de las rentas de su patrimonio.
Pues ya ven: Nadie pide que partidos políticos y sindicatos renuncien a sus enormes ventajas fiscales. Nadie que paguen el IBI las mezquitas o templos budistas. Nadie clama por el pago del IBI de embajadas o colegios, o grandes palacios. Ni exigen que lo pague el ejército o las comisarías, las estaciones de RENFE o las cárceles.
No. Nada de nada, pero que lo pague la Iglesia.

Segunda Consideración
Leo que se pide el pago del IBI por parte de la Iglesia porque en un momento de crisis los ayuntamientos necesitan ese dinero. Pues se me ocurren varias cosas. Pero sólo me voy a detener en una de ellas.
Esta crisis está generando evidentemente una gran pobreza. ¿Qué están haciendo por los pobres las embajadas, los propietarios de los grandes palacios, las mezquitas … ? ¿Qué están haciendo por ellos los ayuntamientos? Porque a Cáritas llegan cada día personas enviadas por sus ayuntamientos para que les echemos una mano, ya que ellos andan justos de presupuesto.
No los envían a los sindicatos ni a los partidos, a las mezquitas o sinagogas, embajadas o legaciones diplomáticas. No. Los envían a las parroquias. En esta parroquia de un servidor llevamos atendidas más de 250 personas sin trabajo, de las que ya han conseguido empleo más de ochenta. Ayudamos con alimentos a treinta familias a las que se llena el carro de la compra dos veces al mes. Y no es nada. Compañeros tengo que atienden a ciento cincuenta familias. Pues ya ven la solución. Que el IBI lo pague la Iglesia para ayudar a salir de la crisis. Justo a la institución que más está haciendo por sacar adelante a esa gente, justo a ésa, que le suban los impuestos.
Y los partidos y sindicatos, tan solidarios ellos, ¿no van a renunciar a alguno de sus privilegios? ¿Nadie va a pedir que paguen el IBI las embajadas de USA, Rusia, Cuba o China? ¿Nadie exigirá impuestos a las mezquitas? ¿Y a Renfe? ¿Y a la duquesa de Alba? Pues no, que pague la Iglesia.
Y mientras, los ayuntamientos enviándonos pobres porque ellos no tienen presupuesto. Ayer nos llegaron otras dos familias derivadas desde la junta municipal. Resulta divertido: ¡Iglesia, paguen ustedes el IBI, que hay que salir de la crisis!"

P. Jorge, Sacerdote de la parroquia “Beata María Ana Mogas” (barrio Tres Olivos, Madrid)

domingo, março 04, 2012

Da aplicação do distributismo nas sociedades contemporâneas

Deixo abaixo mais um importante artigo de Juan Manuel de Prada, onde se analisa a viabilidade da aplicação do distributismo nas sociedades contemporâneas, transcrito com a devida vénia do “Religión en Libertad” e originalmente publicado no semanário católico madrileno “Alfa y Omega”.
[Fonte original aquí]


***

Hilaire Belloc y G.K. Chesterton consideraron siempre que el capitalismo era la gran plaga que impedía la floración de una sociedad auténticamente cristiana, por haber introducido la competencia en las relaciones conyugales, desarraigado al hombre de su tierra y nublado las virtudes de nuestros mayores, convirtiendo a los seres humanos en máquinas al servicio de la producción. «El capitalismo -escribiría Belloc- constituye una calamidad no porque defienda el derecho legal a la propiedad, sino porque representa, por su propia naturaleza, el empleo de ese derecho legal para beneficio de unos pocos privilegiados contra un número mucho mayor de hombres que, aunque libres y ciudadanos en igualdad de condiciones, carecen de toda base económica propia».

En la grandiosa encíclica Rerum novarum (1891), de León XIII, en la que se condenan las condiciones oprobiosas, lindantes con la esclavitud, en las que vivía una muchedumbre infinita de proletarios, hallarían Chesterton y Belloc el aliento para impulsar, en compañía de Arthur Penty y el padre Vincent McNabb, un nueva doctrina económica, alternativa al capitalismo y al socialismo, cuyo fin último es promover el Reinado Social de Cristo.

El distributismo se funda en las instituciones de la familia y la propiedad, pilares básicos de un recto orden de la sociedad humana; no cualquier familia, desde luego, sino la familia católica comprometida en la procreación y fortalecida por vínculos solidarios indestructibles. Tampoco cualquier propiedad, y mucho menos la propiedad concentrada del capitalismo, sino una propiedad equitativamente distribuida que permita a cada familia ser dueña de su hogar y de sus medios de producción. El trabajo, de este modo, deja de ser alienante y se convierte en un fin en sí mismo; y el trabajador, al ser también propietario, recupera el amor por la obra bien hecha, y vuelve a mirar a Dios, al principio de cada jornada, con gratitud y sentido de lo sagrado, santificando de veras sus quehaceres cotidianos.

Por supuesto, la sociedad distributista preconizada por Chesterton y sus amigos se rige por el principio de subsidiariedad y por la virtud teologal de la caridad, que antepone el bien común al lucro personal. Se trataría de lograr que cada familia cuente con los medios necesarios para su subsistencia, bien mediante la producción propia, bien mediante el comercio con otras familias o comunidades de familias, con las que se asociará para realizar obras públicas y garantizar la educación cristiana y el aprendizaje de los oficios para sus hijos.

Los gremios vuelven a ser, en la sociedad distributista, elemento fundamental en la organización del trabajo.

El distributismo no postula una sociedad de individuos iguales, empachados de una libertad que acaba destruyendo los vínculos comunitarios, sino una sociedad verdaderamente fraterna, regida por los principios de dignidad y jerarquía, en la que mucho más que el bienestar importa el bien-ser.

Algunos la juzgarán una sociedad utópica; yo la juzgo perfectamente realizable, en un tiempo como el presente, en que el capitalismo financiero y el llamado cínicamente Estado social de Derecho se tambalean, heridos de muerte. Sólo hacen falta católicos radicales e intrépidos, con poco que perder (el soborno del mundo) y mucho que ganar (la vida eterna).

Juan Manuel de Prada

sábado, março 03, 2012

Segundo Domingo da Quaresma


Suposto, pois - dai-me agora uma breve atenção - suposto pois que tudo o que se tem dito, tudo o que se diz e tudo o que se pode dizer da glória que nos espera no céu é tanto menos, e tão pouco, e tão nada que sem encarecimento se pode chamar mentira, que havemos, ou que podemos fazer para saber verdadeiramente o que é e como é a glória? Não há nem pode haver mais que um só meio, mas esse muito certo e adequado. E qual é? Ir ao céu, e vê-la. Perguntaram uma vez a Cristo dois que queriam ser seus discípulos onde morava: Rabbi, ubi habitas? E o Senhor, que não tinha casa na terra, senão no céu - donde nunca saiu ainda quando veio ao mundo - que respondeu? Venite, et videte: Vinde, e vê-lo-eis. E sem irem e verem não o podiam saber? Não. Excelentemente Alcuíno e Beda: Ideo non dixit ubi habitaret, sed illos ut venirent et viderent invitavit, quia habitatio, idest gloria Christi, videri quidem potest, verbis explicare non potest: Não disse o Senhor onde morava aos que o queriam saber, e somente lhes respondeu que viessem e vissem: Venit et videte, porque a morada de Cristo é a glória, e o que é, e como é a glória, só se pode ver, mas não se pode dizer: Videri potest, explicari non potest. Isto é o que respondeu Cristo, e isto é o que eu digo e o que só podem dizer os pregadores sobre este assunto. Façamos muito por ir ao céu, e lá veremos o que é a glória: Venite, et videte: Vinde, e vê-lo-eis. E quando, por mercê de Deus, formos ao céu, e virmos verdadeiramente o que é a glória, então veremos e conheceremos também quão pouca semelhança tem de verdade quanto cá se diz e se ouve.

Quando a Rainha Sabá viu a corte e Casa Real de Salomão, não só admirada do que se via, mas, como diz o texto sagrado, quase desmaiada de pasmo, rompeu nestas palavras: Non credebam narrantibus mihi, donec ipsa veni et vidi oculis meis, et probavi quod media pars mihi nuntiata non fuerit: major est sapientia tua et opera tua, quam rumor quem audivi. Beati viri tui, et beati servi tui, qui stant coram te semper: Eu, sapientíssimo rei Salomão, quando estava nas minhas terras - diz a rainha - muitas coisas tinha ouvido da vossa sabedoria, da vossa grandeza, da vossa corte e da magnificência da vossa casa, às quais porém não dava crédito, por me parecerem incríveis; mas, depois que vim e as vejo com meus olhos, já tenho conhecido e provado que nem a metade se me tinha dito do que verdadeiramente é. Bem-aventurados os vossos servos, e bem-aventurados os vossos cortesãos, pois têm e gozam a felicidade de estar sempre em vossa presença. Parece que não pudera dizer mais se falara com Deus na glória. E se as grandezas da corte e casa de Salomão as não pode crer nem perceber uma rainha tão sábia, senão depois de vir e ver: donec ipsa veni et vidi - e se tudo o que tinha ouvido na sua terra não chegava a ser a metade do que agora via com seus olhos, que proporção e que semelhança pode ter o pouco ou nada que cá dizemos e ouvimos, com o muito, com o infinito, com o imenso da glória que lá vêem os que a gozam? Por isso o Senhor e Autor dela nos diz: Venite et videte: Vinde e vede.

Mas o mal e a desgraça é que todos querem ver, e há muito poucos que queiram vir. Todos querem ver e gozar a glória, mas há poucos que queiram vir e seguir a Cristo pelo caminho que ele nos veio ensinar para chegarmos a ela. Se o divino Mestre trocara os termos, e assim como disse: Venite et videte, dissera: Videte et venite, se fora possível e conveniente que primeiro se nos desse vista da glória, e depois se nos prometessem os meios de a conseguir, como é certo que não seria necessário que Deus nos chamasse ou rogasse, senão que nós mesmos, arrebatados daquela imensa formosura e felicidade incompreensível, não só com vontade e desejo, mas com ímpeto e violência romperíamos por todas as dificuldades da vida, e pela mesma vida e mil vidas por alcançar tanto bem. Porém, que merecimento seria então o da fé, que prémio o da esperança, e que valor o da caridade, sendo necessária, e não livre? Para maior bem do mesmo bem, e para maior aumento da mesma glória nos pede Deus primeiro os passos e depois nos promete a vista: Venite, et videte.

Padre António Vieira, in “Sermão da Segunda Dominga da Quaresma”, pregado na Capela Real, em Lisboa, no ano de 1651

domingo, fevereiro 26, 2012

Primeiro Domingo da Quaresma


Na primeira e na segunda tentação tentou o demónio a Cristo como a Filho de Deus: na terceira como a puro homem. Por isso na terceira não disse: Se Filius Dei es: como tinha dito na primeira e na segunda. Tentou a Cristo, como se tentara a qualquer homem: esta é a razão e a diferença, porque só esta última tentação nos pertence propriamente a nós. Mas como poderá um homem, como poderá um filho de Adão resistir a uma tentação tão poderosa e tão imensa como esta que o demónio fez a Cristo? A Adão fez-lhe tiro o demónio com uma maçã, derribou-o: a Cristo fez-lhe tiro com o mundo todo. Ostendit ei omnia regna mundi. Mas sendo esta bala atirada a Cristo como a homem, e dando em um peito de carne, foi tão fortemente rebatida, que voltou com maior força contra o mesmo tentador: Vade retro. Um dos casos mais notáveis que sucederam em nossos dias, no famoso cerco de Ostende, foi este: Estava carregada uma peça no exército católico: entra pela boca da mesma peça uma bala do inimigo, concebe fogo a pólvora, sai outra vez a bala com dobrada fúria; e como veio e voltou pelos mesmos pontos, foi-se empregar no mesmo que a tinha atirado. Ó que bizarro e venturoso sucesso! Vade retro! Assim havemos de fazer aos tiros do demónio. Volte outra vez a bala contra o inimigo e vençamos ao tentador com a sua própria tentação. Não cortou David a cabeça ao gigante com a sua própria espada? Judite, sendo mulher não degolou a Holofernes com a sua? Pois assim o havemos nós de fazer; nem necessitamos de outras armas mais, que as mesmas com que o demónio nos tenta.

Mostrou o demónio a Cristo todos os reinos do mundo e suas glórias: disse-lhe que tudo aquilo lhe daria de uma vez, se lhe dobrasse o joelho. Parece que faz estremecer a grandeza desta tentação! Mas o demónio é que havia de tremer dela. Desarmou-se a si, e armou-nos a nós. Tu, demónio, ofereces-me de um lanço todo o mundo, para que caia, para que peque, para que te dê a minha alma, logo a minha alma, por confissão tua, vale mais que todo o mundo. A minha alma vale mais que todo o mundo? Pois não te quero dar o que vale mais pelo que vale menos: Vade retro. Pode-nos o demónio dar ou prometer alguma coisa que não seja menos que o mundo? Claro está que não. Pois aqui se desarmou para sempre: nesta tentação perdeu todas, se nós não temos perdido o juízo. Ouvi a Salviano: Quis ergo furor est viles a nobis animas nostras haberi, quas etiam diabolus putat esse pretiosas. Homens loucos, homens furiosos, homens sem entendimento, nem juízo; é possível que sendo as nossas almas na estimação do mesmo demónio tão preciosas, no vosso conceito e no vosso desprezo hão-de ser tão vis?! O demónio quando me quer roubar, quando me quer perder, quando me quer enganar, não pode deixar de confessar que a minha alma vale mais do que todo o mundo; e eu, sendo essa alma minha, não há-de haver no mundo coisa tão baixa, tão vã e tão vil , pela qual a não dê sem nenhum reparo? Quis furor est? Que loucura, que demência, que furor é este nosso? Muito mais obrigada está a nossa alma ao demónio, muito mais lhe deve que a nós. Ele a honra, nós a afrontamos. Envergonhou-se o demónio no primeiro lanço de oferecer menos por uma alma do que o mundo todo.

Caio César, como refere Séneca, mandou de presente a Demétrio duzentos talentos de prata, que fazem hoje da nossa moeda mais de duzentos mil cruzados. Não creio que haveria na nossa Corte quem não beijasse a mão real e aceitasse com ambas as mãos a mercê. Era porém Demétrio filósofo estóico, como se disséssemos, cristão de aquele tempo: e que respondeu? Si tentare me constituerat, toto illi fui experiundus imperio: Andai, levai os seus talentos ao imperador, e dizei-lhe que se me queria tentar, que havia de ser com todo o seu império: é, e chama-se senhor de todo o mundo? Com todo o mundo me havia de tentar. Não no fez assim o César, porque não conhecia a Demétrio, mas fê-lo assim o demónio, princeps hujus mundi, porque sabe o que vale uma alma. Se vos tentar o demónio com menos que todo o mundo, dai-vos por afrontado; e se vos tentar com todo o mundo, fique vencido. Quid prodest homini, si universum mundum lucretur, animae vero suae detrimentum patiatur? Que aproveita ao homem ganhar todo o mundo, adquirir todo o mundo, senhorear e dominar todo o mundo, se há-de perder a sua alma? Aut quam dabit homo commutationem pro anima sua? Ou que coisa pode haver de tanto peso e de tanto preço, pelo qual se haja de vender a alma, ou se haja de trocar? Este é o caso e a suposição em que estamos, nem mais nem menos. Oferece-nos o demónio o mundo, e pede-nos a alma. Considere e pese bem cada um se lhe está bem este contrato, se lhe está bem esta venda, se lhe está bem esta troca. Mas nós trocamos e vendemos, porque não pesamos.

Padre António Vieira, in “Sermão da Primeira Dominga da Quaresma”, pregado na Capela Real, em Lisboa, no ano de 1655.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Cinzas


Duas coisas prega hoje a Igreja a todos os mortais, ambas grandes, ambas tristes, ambas temerosas, ambas certas. Mas uma de tal maneira certa e evidente, que não é necessário entendimento para crer: outra de tal maneira certa e dificultosa, que nenhum entendimento basta para a alcançar. Uma é presente, outra futura, mas a futura vêem-na os olhos, a presente não a alcança o entendimento. E que duas coisas enigmáticas são estas? Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de converter. Sois pó, é a presente; em pó vos haveis de converter, é a futura. O pó futuro, o pó em que nos havemos de converter, vêem-no os olhos; o pó presente, o pó que somos, nem os olhos o vêem, nem o entendimento o alcança. Que me diga a Igreja que hei-de ser pó: In pulverem reverteris, não é necessário fé nem entendimento para o crer. Naquelas sepulturas, ou abertas ou cerradas, o estão vendo os olhos. Que dizem aquelas letras? Que cobrem aquelas pedras? As letras dizem pó, as pedras cobrem pó, e tudo o que ali há é o nada que havemos de ser: tudo pó. Vamos, para maior exemplo e maior horror, a esses sepulcros recentes do Vaticano. Se perguntardes de quem são pó aquelas cinzas, responder-vos-ão os epitáfios, que só as distinguem: Aquele pó foi Urbano, aquele pó foi Inocêncio, aquele pó foi Alexandre, e este que ainda não está de todo desfeito, foi Clemente. De sorte que para eu crer que hei-de ser pó, não é necessário fé, nem entendimento, basta a vista. Mas que me diga e me pregue hoje a mesma Igreja, regra da fé e da verdade, que não só hei-de ser pó de futuro, senão que já sou pó de presente: Pulvis es? Como o pode alcançar o entendimento, se os olhos estão vendo o contrário? É possível que estes olhos que vêem, estes ouvidos que ouvem, esta língua que fala, estas mãos e estes braços que se movem, estes pés que andam e pisam, tudo isto, já hoje é pó: Pulvis es? Argumento à Igreja com a mesma Igreja: Memento homo. A Igreja diz-me, e supõe que sou homem: logo não sou pó. O homem é uma substância vivente, sensitiva, racional. O pó vive? Não. Pois como é pó o vivente? O pó sente? Não. Pois como é pó o sensitivo? O pó entende e discorre? Não. Pois como é pó o racional? Enfim, se me concedem que sou homem: Memento homo, como me pregam que sou pó: Quia pulvis es? Nenhuma coisa nos podia estar melhor que não ter resposta nem solução esta dúvida. Mas a resposta e a solução dela será a matéria do nosso discurso. Para que eu acerte a declarar esta dificultosa verdade, e todos nós saibamos aproveitar deste tão importante desengano, peçamos àquela Senhora, que só foi excepção deste pó, se digne de nos alcançar graça. Ave Maria.

O homem foi pó e há-de ser pó, logo é pó, pois tudo o que vive não é o que é, é o que foi e o que há-de ser. O exemplo da vara de Arão que se converte em serpente. Deus se definiu a Moisés como aquele que é o que é, porque só ele é o que foi e o que há-de ser. Se alguém puder afirmar o mesmo de si próprio também é digno de ser adorado. Enfim, senhores, não só havemos de ser pó, mas já somos pó: Pulvis es. Todos os embargos que se podiam pôr contra esta sentença universal são os que ouvistes. Porém como ela foi pronunciada definitiva e declaradamente por Deus ao primeiro homem e a todos seus descendestes, nem admite interpretação nem pode ter dúvida. Mas como pode ser? Como pode ser que eu que o digo, vós que o ouvis, e todos os que vivemos sejamos já pó: Pulvis es? A razão é esta. O homem, em qualquer estado que esteja, é certo que foi pó, e há -de tornar a ser pó. Foi pó, e há-de tornar a ser pó? Logo é pó. Porque tudo o que vive nesta vida, não é o que é: é o que foi e o que há-de ser.

Padre António Vieira, in “Sermão de Quarta-Feira de Cinza”, pregado na Igreja de Santo António dos Portugueses, em Roma, no ano de 1672.

terça-feira, fevereiro 21, 2012

De cementerios, autopsias y mesas de quirófano

El otro día leí esta entrada sobre los cementerios en el blog The Catholic Convert, el cual –por cierto- me encanta. A diferencia de Richard Maffeo, el judío converso al catolicismo autor de dicha bitácora, a mí sí me gusta ir a los cementerios. De hecho periódicamente, casi siempre en compañía de un buen amigo que es médico también, frecuentamos algún que otro cementerio. Rezamos por los muertos, reflexionamos en silencio y en voz alta sobre la muerte, tocamos la “vanidad de vanidades” (Eclesiastés 12, 8) que es esta vida al contacto con las tumbas, nos empapamos de la brevedad de la vida, constatamos la brevedad de esta vida al leer las lápidas, nos percatamos de que la muerte puede estar acechando en cualquier esquina, en cualquier sitio, y que bien hace uno en estar permanentemente dispuesto al encuentro con ella …
Otras veces también los visito solo, llevado de ese deseo expreso y también de esa obligación de cumplir con el 4º Mandamiento más allá de esta vida también y de cumplir con la Pietas, la romana y la cristiana. Pero escribir sobre la Pietas hoy nos apartaría del tema de los cementerios, aunque Pietas sea lo que me mueve a visitarlos y devoción a las almas del Purgatorio (¡ay, qué devoción tan olvidada!) lo que me espolea a hacerlo.
Doy gracias a Dios que, como médico, haya tenido la oportunidad de estar en casi medio centenar de autopsias. No son agradables. Ni la vista, ni el olor, ni nada, por más que puedan ser muy interesantes por otras razones. Pero le hacen a uno pensar en lo poco que realmente somos. He visto gente muy joven y gente mayor en la mesa de autopsias. Muertes inexplicadas y muertes violentas. Y muertes naturales también. Entre ellos había gente importante y gente menuda. Altos, bajos y de todo tipo. Hombres y mujeres. Pero, al final, he comprobado la tremenda nada de nuestros propios cuerpos cuando el alma se va de ellos. La muerte a todos nos iguala y a menudo –es difícil poder evitarlo- uno se pregunta qué fue de la vida de aquellas personas cuya autopsia se estaba realizando. Idéntica reflexión a la que uno se hace en el cementerio al pasar por delante de lápidas, tumbas y nichos.
¿Qué queda después de toda una vida? Pues una cosa sola. La virtud. El bien que uno haya hecho. No en vano decía San Juan de la Cruz, con su alma poética, aquello de “[a]l final de la tarde, te examinarán del amor”. Es decir, a la hora de la muerte, sólo el amor cuenta. Lo demás (posesiones materiales, dineros, títulos, honores, distinciones, cargos, etc.) son sólo títulos perecederos. No en vano daba la clave de amor a Dios como máxima suprema el pequeño fraile carmelitano. La cita completa reza así: “A la tarde te examinarán en el amor; aprende a amar como Dios quiere ser amado y deja tu condición” (Avisos y sentencias, nº 57).
Otra de las ventajas espirituales de ser médico es la mesa del quirófano. He visto cuerpos esbeltos, esbeltísimos, seccionados con el bisturí y con el tórax abierto, los intestinos fuera o el cerebro expuesto. Y también he tenido la sensación de que todos éramos terriblemente iguales por dentro y que esa otra versión light de la muerte que es la anestesia y el quirófano también nos igualaba. Es aquí donde más de una y más de dos veces me he visto reflexionando sobre la futilidad de la somatolatría que nos aflige. Este omnipresente culto al cuerpo, este excesivo quehacer en peluquerías y centros de belleza, esta absurdidad de tantísima cirugía estética, esta ascética abrumadora y absurda de los gimnasios … Esos cuerpos eran todos iguales. Abiertos no son somos tan bellos. He visto los efectos devastadores de algunas enfermedades sobre dicho cuerpo y veo a diario el impacto del envejecimiento sobre el mismo. ¿Tanto esfuerzo para un cuerpo perecedero cuando hay un alma eterna? ¿Cuánto tiempo dedicamos, diariamente, al gimnasio del alma?
Por cierto. Richard Maffeo se preguntaba acerca de los epitafios. Yo sí tengo decidido el mío: “Hasta luego”. No es original. No recuerdo dónde lo leí. Pero me parece un muy buen epitafio. Gritarle, espetarle, al paseante ocasional eso y también –esperemos- al visitante regular de mi tumba, que espero sean mi familia y amigos, acerca de la brevedad de esta vida, me parece un buen último servicio que debo hacer en pos de la salud (física, mental y espiritual) de los otros que por allí pasen.
O, alternativamente, este otro más corto aún: “¡Volveré!”. Porque esa es la verdadera esperanza, la de la resurrección de los cuerpos. La de la reintegración del alma en el cuerpo resucitado. Todo lo demás es necedad de necedades.
Pero como mi mala leche y temperamento irascible me tientan a convertir el “¡Volveré!” en un “¡Volveré, cabrones!”, casi mejor me quedo con el “¡Hasta luego!”.

Rafael Castela Santos

domingo, fevereiro 19, 2012

Uma pequena entrevista que gostei de ler

A do novo Cardeal português, Dom Manuel Monteiro de Castro, ao “Correio da Manhã”; lamentável, todavia, o título que este jornal escolheu para encimar tal entrevista e que distorce com óbvia má fé o verdadeiro pensamento do entrevistado.

Quanto à entrevista propriamente dita, apreciei a referência, nada despicienda, à necessidade de se recuperar a utilização dos confessionários nas igrejas como forma de revitalizar a prática do sacramento da penitência, e sobretudo a afirmação que a seguir transcrevo, de uma saborosíssima incorrecção política num país devastado - como poucos na Europa e no mundo - pelas razias das ideologias feminista radical, anticoncepcionista e aborcionista:

[O maior problema de Portugal é] o pouco apoio que o Estado dá à família. A mulher deve poder ficar em casa, ou, se trabalhar fora, num horário reduzido, de maneira que possa aplicar-se naquilo em que a sua função é essencial, que é a educação dos filhos.

Efeitos da descristianização

Casos como o desta notícia têm vindo a multiplicar-se ultimamente com preocupante frequência: são um sintoma notório do estado de degradação moral das sociedades modernas e um efeito inesperado da descristianização que lhes foi imposta, mas desta directamente decorrente.

Banido o Cristianismo, ou ao menos marginalizada ao máximo a sua influência moral no mundo contemporâneo, o paganismo pré-cristão retorna a galope com todas as suas aberrações e taras, reintroduzindo em quase total impunidade os sacrifícios humanos (aborto e eutanásia), a escravatura mais ou menos dissimulada (desde os abusos laborais cada vez mais recorrentes até ao infame tráfico de pessoas para desfrute sexual) e as idolatrias de todo o tipo (na forma mediata da adoração do poder venal, do dinheiro fácil e da sexualidade desregrada; ou na forma imediata dos cultos gnósticos, satânicos e luciferianos).

Sem dúvida que estes efeitos serão inesperados para alguns - para alguns… - dos sequazes da descristianização hodierna, mas também perfeitamente previsíveis para qualquer cristão com um mínimo de consciência e conhecimento histórico. Na verdade, quando o homem não tem qualquer outro limite que não o dos caprichos atingíveis pela sua vontade, nem tem a temer outras sanções que não as impostas pela muitas vezes risível justiça humana, sucessos como os da notícia em apreço passam a acontecer… e com preocupante frequência. Afinal, hoje em dia, quem é que ainda se preocupa com os pecados que bradam aos céus, tais como o não pagar o salário justo ao trabalhador ou o oprimir os pobres?.. Alguns… Poucos… Cada vez menos…

Contra a instrumentalização do trabalho

Aqui fica mais um interessantíssimo artigo de Juan Manuel de Prada, originalmente publicado no "Religión en Libertad", em apoio de um dos pontos mais caros à Doutrina Social da Igreja - o da defesa da dignidade do trabalho contra a sua instrumentalização em mero factor de produção.

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Hace casi un siglo, Chesterton, analizando la obra de Aldous Huxley Un mundo feliz, donde se nos describe una sociedad futura sometida a un feroz proceso de alienación, escribía:

—Pero esta misma obra se está realizando en nuestro mundo. Son gente de otra clase quienes la llevan a cabo, en una conspiración de cobardes. (...) Nunca se dirá lo suficiente que lo que ha destruido a la familia en el mundo moderno ha sido el capitalismo. Sin duda podría haberlo hecho el comunismo, si hubiera tenido una oportunidad fuera de esa tierra salvaje y semimongólica en la que florece actualmente. Pero, en cuanto a lo que nos concierne, lo que ha destruido hogares, alentado divorcios y tratado las viejas virtudes domésticas cada vez con mayor deprecio, han sido la época y el poder del capitalismo. Es el capitalismo el que ha provocado una lucha moral y una competencia comercial entre los sexos; el que ha destruido la influencia de los padres a favor de la del empresario; el que ha sacado a los hombres de sus casas a la busca de trabajo; el que los ha forzado a vivir cerca de sus fábricas o de sus empresas en lugar de hacerlo cerca de sus familias; el que ha alentado por razones comerciales un desfile de publicidad y chillonas novedades que es por naturaleza la muerte de todo lo que nuestras madres y nuestros padres llamaban dignidad y modestia.

Chesterton definía el capitalismo como una «conspiración de cobardes», porque tal proceso de alienación social no lo desarrolla a las bravas, al modo del gélido cientifismo comunista, sino envolviéndolo en coartadas justificativas más o menos merengosas (pero con un parejo desprecio de la dignidad humana). Lo vemos en estos días, en los que se nos trata de convencer de que una reforma laboral que limita las garantías que asisten al trabajador en caso de despido o negociación de sus condiciones laborales... ¡favorece la contratación! Es algo tan ilógico (o cínicamente perverso) como afirmar que el divorcio exprés favorece el matrimonio, o que la retirada de vallas favorece la propiedad; pero el martilleo de la propaganda y la ofuscación ideológica pueden lograr que tales insensateces sean aceptadas como dogmas económicos. Lo que tal reforma laboral favorece es la conversión del trabajador en un instrumento del que se puede prescindir fácilmente, para ser sustituido por otro que esté dispuesto a trabajar —a modo de pieza de recambio más rentable— en condiciones más indignas, a cambio de un salario más miserable. Pero toda afirmación ilógica encierra una perversión cínica: del mismo modo que de un divorcio se pueden sacar dos matrimonios, de un despido también se pueden sacar dos puestos de trabajo (y hasta tres o cuatro); basta con desnaturalizar y rebajar la dignidad de la relación laboral que se ha roto, sustituyéndola por dos (y hasta tres o cuatro) relaciones degradadas, en las que el trabajador es defraudado en su jornal. Y defraudar al trabajador en su jornal es un pecado que clama al cielo; lo recordaba todavía Juan Pablo II en su encíclica Laborem exercens.

Lo que subyace en esta reforma laboral es la conversión del trabajo en un mero «instrumento de producción»; en donde se quiebra el principio medular de la justicia social, que establece que «el trabajo es siempre causa eficiente primaria, mientras el capital, siendo el conjunto de los medios de producción, es sólo un instrumento o causa instrumental» (Laborem exercens, 12). La quiebra del orden social del trabajo, la «conspiración de los cobardes» que avizorase Chesterton hace casi un siglo, prosigue implacable sus estrategias. Y llegará, más pronto que tarde, la venganza del cielo.

Juan Manuel de Prada

terça-feira, fevereiro 14, 2012

¿Para cuándo Fátima?

Estamos triturados por un montón de noticias en nuestro derredor, ahogados en la sobreinformación tremenda con que se nos anestesia. Entre esas noticias merece la pena espigar siquiera el dato tremendo de que cada 5 minutos hay un mártir cristiano en el mundo. 12 a la hora. Casi 300 al día. Cerca de 10.000 por mes. Ahí es nada: el Diocleciano nuestro de cada día. Por no hablar de otras persecuciones anticristianas no letales, pero cruelísimas.
Hoy por hoy es en países árabes donde antes sí se respetaba –aunque no fuera perfecto- a los cristianos, como Irak, Libia o Egipto (¿esta era la defensa de las minorías que predicaban los “cruzados” contra el Eje del Mal?). Pero también en países comunistas, como China, Corea del Norte o Cuba, donde se persigue a los católicos. Nada menos que 350 millones de cristianos están siendo perseguidos.
Se habla con este lenguaje tibio, vomitivo, de la “persecución religiosa”. Pero no hay tal persecución religiosa genéricamente hablando. La persecución es mayoritariamente contra los cristianos. Ni musulmanes ni judíos sufren esta persecución en la magnitud que la sufren los cristianos, por ejemplo. Casos que, si se dan, se airean a medio mundo. Pero de los casi 10.000 cristianos muertos nadie habla. Incluso Roma parece hablar con sordina sobre ellos.
Otro tema que merece la pena analizar es la marcha de las conversaciones entre Roma y la Hermandad de San Pío X. Mucho de lo que dice la prensa es espurio. Quizás aclare y pongan ciertos puntos sobre ciertas íes las recientes declaraciones del antiguo Superior de la SSPX, el Padre Schmidberger. O, también en un ánimo clarificatorio, merezca la pena señalar la tergiversación de ciertas palabras de Monseñor Fellay. Pero esto mismo está todo revuelto.
El mundo va mal, ciertamente. Sea como sea, aquí se nos ha engañado con este tema de las Consagraciones del mundo, o las Consagraciones parciales. No hemos visto que se haya cooperado plenamente con los deseos expresos de la Santísima Virgen en Fátima, cuando pidió la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón por parte del Papa y en compañía de todos los Obispos del mundo. Hay, de hecho, una brutal diferencia entre el mundo actual (post-pseudoconsagraciones) con el Portugal posterior a 1931 que habla por sí sola.
¿Para cuándo la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón, Santo Padre? ¿Para cuándo Su Santidad pudiera hallarse en trance de muerte violenta y cruel …?
Nuestro destino, como católicos, pero también el destino de todos los hombres, está en las manos consagradas y consagrantes de Vuestra Santidad. Y en la de todos los demás Obispos católicos del orbe.
¿Para cuándo Fátima?

Rafael Castela Santos

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

Sobre e contra a usura



Proveniente do excelente blogue católico tradicional brasileiro “Vida Sacerdotal”, aqui fica um excerto da tradução, de autoria de Nina Batista, de um texto fulcral de Hilaire Belloc, “Sobre a usura”, merecedor de leitura integral.

***

(…) os juros sobre um empréstimo podem constituir, sob certas circunstâncias de tempo ou extensão, uma exigência de tributação impossível. Podem representar em determinado contexto um tributo moralmente indevido, que não traduz produção extra de riquezas gerada pelo investimento original. Sob certas condições, os valores exigidos não equivalem mais o fruto do investimento original, não correspondendo, portanto, à remuneração de parte dos lucros, mas sim a um pagamento a ser feito, se possível, a partir de quaisquer outros bens que o devedor possa obter. E esse tributo, além de certo ponto, torna-se mesmo impagável, devido à inexistência na sociedade dos meios suficientes para tanto.

Que circunstâncias são essas? Que condições distinguem a exigência de juros moralmente legítima da ilegítima?

A distinção se dá entre a cobrança moral de parte dos frutos de um empréstimo produtivo e a exigência imoral de juros sobre um empréstimo improdutivo ou juros superiores ao incremento anual em riquezas efetivas geradas por um empréstimo produtivo. Tal exigência “esgota” – “consome” – “exaure” as riquezas do devedor, sendo por isso denominada “Usura”. Uma derivação imprecisa em termos filológicos, mas correta sob o ponto de vista moral, conecta o termo latino “usura” à ideia de destruir, “exaurir”, e não à idéia original do termo “usus,” “uso”.

A Usura, portanto, é a cobrança de juros sobre um empréstimo improdutivo ou de juros superiores ao incremento real gerado por um empréstimo produtivo. É a exigência de algo ao qual o credor não tem direito, como se eu dissesse: “Pague-me dez sacas de trigo ao ano pelo aluguel destes campos”, após os campos terem sido tragados pelo mar ou terem passado a produzir anualmente muito menos do que as dez sacas de trigo.

Devo, com relutância, introduzir aqui um significado coloquial do termo “Usura” que confunde o raciocínio. As pessoas falam de “juros usurários” referindo-se a juros muito elevados. A forma como surgiu essa confusão é elementar. Juros muito elevados são geralmente superiores à riqueza real produzida até mesmo por um empréstimo produtivo, e cobrá-los significa, de fato, cobrar mais do que a produção do empréstimo original; mas não há nada na taxa de juros per se que a torne usurária. É possível cobrar juros de cem por cento sobre um empréstimo e estar em pleno exercício de seus direitos morais.

Por exemplo, uma pequena área de mineração que produzia 15 kg de ouro por ano tem a súbita oportunidade de produzir 200 vezes essa quantidade – 3.000 kg – com a obtenção do capital equivalente a apenas 30 kg para desenvolvimento. O credor desse novo capital não tem a obrigação moral de ceder ao devedor, como presente, os lucros imensamente maiores. É legítimo que reivindique sua parte; ele poderia muito bem exigir metade da nova produção, ou seja, 1.500 kg ao ano, 500 por cento sobre o empréstimo, pois esses juros altos corresponderiam apenas à metade da nova riqueza produzida. A demanda desses 500 por cento não representaria cobrança de tributo sobre riqueza inexistente, nem sobre riqueza que não foi criada pelo capital investido.

Portanto, a rigor a Usura nada tem a ver com a quantidade de juros cobrados, mas sim com o fato de haver ou não um incremento produzido pelo capital investido que seja pelo menos igual ao tributo exigido.

Caso seja necessário avalizar uma posição moral tão evidente, esse aval pode ser encontrado em todos os principais sistemas morais sancionados pelas filosofias religiosas e sociais permanentes adotadas pela humanidade. Aristóteles a proíbe, assim como São Tomás de Aquino. O sistema ético maometano a condena [e, na prática, faz uma condenação ininteligível, ao proibir muitos empréstimos que seriam úteis]. Temos, em particular, a brilhante decisão do Quarto Concílio de Latrão [1215].

Tudo certo até este ponto. Vejamos agora o desenvolvimento muito interessante que se deu nos tempos modernos, desde o rompimento de nosso sistema moral e religioso comum europeu, com a Reforma Protestante. Após esse desastre, a Usura passou a ser gradualmente admitida. Tornou-se prática comum sancionada pela legislação, com pagamento imposto pela magistratura civil. Na Inglaterra, foi sob o reinado de Cecil, no ano de 1571, que os juros, embora limitados a dez por cento, tornaram-se legais, independentemente da utilização do empréstimo. O ano de nascimento do que se pode chamar “Usura Indiscriminada” foi 1609, quando, sob o Calvinismo, o Banco de Amsterdã iniciou sua próspera carreira em estimular a capacidade dos afortunados e arruinar os desafortunados. De forma geral, os governos que se desligaram da unidade representada pela Cristandade introduziram, um após o outro, a Usura legalizada, obtendo vantagem sobre as nações conservadoras que se empenhavam em manter o antigo código moral. Às novas ideias morais, ou melhor, imorais assim introduzidas, devemos o rápido desenvolvimento do sistema bancário nas nações “reformadas”, bem como o controle financeiro que adquiriram e mantiveram por três séculos. Por fim, todos se adequaram ao novo sistema, e hoje a Usura atua lado a lado com o lucro legítimo e, confundida com ele, universalizou-se no que já foi a civilização Cristã. É ponto pacífico que todo empréstimo deve produzir juros, sem questionamento quanto ao seu caráter produtivo ou improdutivo. Todo o aspecto financeiro de nossa civilização ainda se baseia nesse falso conceito.

Seria possível escrever um ensaio muito interessante sobre os mais recentes frutos de tal concepção em nossos tempos. Se porventura viesse a ser escrito, um bom título seria “O fim do reinado da Usura”. Afinal, vem-se tornando muito claro que o vício inerente ao sistema responsável, tempos atrás, pela derrocada da estrutura social do Império Romano começa a fazer ruir também nossas transações financeiras internacionais. Contudo, com a seguinte diferença: eles foram arruinados pela Usura particular e nós, pela pública.

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

A Monarquia de amanhã


A Monarquia de amanhã será a Monarquia de sempre: católica, tradicional, orgânica, antimoderna e portanto ultramoderna. Proclamemos, pois, em uníssono: Nos liberi sumus, Rex noster liber est, manus nostrae nos liberverunt! (Nós somos livres, o nosso Rei é livre, as nossas mãos libertaram-nos!)

Uma sugestão de visita


À "Cigarrilha de Chesterton", um espaço colectivo dedicado à difusão do distributismo e do paleoconservadorismo católico, onde eu e o Rafael temos o gosto de colaborar.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Que Monarquia queremos?


Constato o grande entusiasmo que nos últimos dias tem percorrido parte da blogosfera lusa, a propósito de um manifesto em defesa da restauração da Monarquia promovido por pessoas que individualmente reputo de estimabilíssimas; porém, numa perspectiva metapolítica inspirada pelo Catolicismo tradicional, não compartilho desse entusiasmo.

Em Portugal, a Monarquia ou será cristã e tradicional ou não será. Conforme já referi em momento anterior, trata-se desde o começo de uma questão inquinada o debater se o Chefe de Estado - o Presidente da República… - deve adornar a sua cabeça com um chapéu comum ou com um chapéu mais invulgar conhecido pelo nome de “coroa”. Pelo contrário, a Monarquia só terá razão de ser se, acima da questão da forma de exercício da chefia do Estado, se souber apresentar como verdadeira alternativa ao regime político vigente, constituindo-se em poderoso factor de regeneração nacional e de recuperação da tradição histórica portuguesa, bem como em primacial opositora da revolução cultural anticristã promovida pelo republicanismo no seu sentido mais lato. Só assim a Monarquia fará sentido e só desta maneira será.

Ao invés, para alterar simplesmente a forma de exercício da chefia de Estado, mas manter intocado o republicanismo e a marcha destrutiva da sua revolução cultural anticristã, o melhor mesmo é deixar as coisas tal qual elas estão. Ou alguém será ingénuo o bastante ao ponto de supor que tal revolução é menos virulenta, por exemplo, nas “monarquias” do Reino Unido, Holanda ou Espanha (onde os Presidentes da República usam coroa…) do que nas repúblicas dos Estados Unidos, de França ou Portugal?.. Quero crer que não…