
Ao entrar em casa dela, o anjo disse-lhe: “Salve, ó cheia de graça, o Senhor está contigo”. Lc 1, 26-28
Um espaço de inspiração católica tradicional

Através deste artigo, expresso a minha total solidariedade com o combate dos católicos franceses, e em especial o dos jovens (bravíssimo testemunho público de fé que têm dado nos últimos dias), contra o espectáculo ofensivo e blasfemador da honra de Cristo que por estes dias se representa na capital de França. É que mais é demais: já basta! As liberdades de expressão e criação artística não podem ser álibi justificativo e encobridor do insulto gratuito puro e simples, algo muito diverso da crítica legítima e fundamentada! Chega de cobardes pseudo-intelectuais que não hesitam em encenar representações nas quais granadas e excrementos são atirados contra um retrato de Cristo, mas que jamais teriam coragem de fazer tal a um retrato do Profeta Maomé ou à imagem de uma Estrela de David!
Por tais razões, faço votos para que a manifestação a realizar hoje em Paris, pelas 18.00 horas da tarde (17.00 horas portuguesas), seja um sucesso absoluto e o ponto de partida para que a honra de Cristo não volte a ser manchada por terras gaulesas e, mais latamente, por toda a velha Europa.


Oh quem me dera ter agora neste auditório a todo o mundo! Quem me dera que me ouvira agora Espanha, que me ouvira França, que me ouvira Alemanha, que me ouvira a mesma Roma! Príncipes, Reis, Emperadores, Monarcas do mundo, vedes a ruína dos vossos reinos, vedes as aflições, e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou vedes, ou não o vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados que estais em seu lugar, vedes as calamidades universais, e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes a irreverência dos lugares sagrados, vedes o abuso dos costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta de doutrina sã, vedes a condenação, e perda de tantas almas dentro, e fora da Cristandade? Ou o vedes, ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra, vedes as obrigações que se descarregam sobre o vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas conciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores, e gemidos de todos? Ou o vedes, ou o não vedes? Se o vedes, como não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pais de família, que tendes casa, mulher, filhos, criados, vedes o desconcerto, e descaminho das vossas famílias, vedes a vaidade da mulher, vedes o pouco recolhimento das filhas, vedes a liberdade, e más companhias dos filhos, vedes a soltura, e descomedimento dos criados, vedes como vivem, vedes o que fazem, e o que se atrevem a fazer, fiados muitas vezes na vossa dissimulação, no vosso consentimento, e na sombra do vosso poder? Ou o vedes, ou o não vedes? Se o vedes, como não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Finalmente, homem Cristão, de qualquer estado, e de qualquer condição que sejas: vês a Fé, e o Carácter, que recebeste no Baptismo, vês a obrigação da Lei que professas, vês o estado em que vives há tantos anos, vês os encargos da tua conciência, vês as restituições que deves, vês a ocasião de que não te apartas, vês o perigo da tua alma, e de tua salvação, vês que estás actualmente em pecado mortal, vês que se te toma a morte nesse estado, que te condenas sem remédio; vês que se te condenas, hás-de arder no Inferno, enquanto Deus for Deus, e que hás-de carecer do mesmo Deus por toda a eternidade? Ou vemos tudo isto, Cristãos, ou não o vemos? Se o não vemos, como somos tão cegos? E se o vemos, como o não remediamos? Fazemos conta de o remediar algu hora, quando há-de ser esta hora? Ninguém haverá tão ímpio, tão bárbaro, tão blasfemo, que diga que não. Pois se o havemos de remediar algu hora, quando há-de ser esta hora? Na hora da morte? Na última velhice? Essa é a conta que lhe fizeram todos os que estão no Inferno, e lá estão, e lá estarão para sempre. E será bem que façamos nós também a mesma conta, e que nos vamos após eles? Não, não, não queiramos tanto mal a nossa alma. Pois se algum dia há-de ser, se algum dia havemos de abrir os olhos, se algum dia nos havemos de resolver, porque não será neste dia?
Palavras claríssimas de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão “Eclesia Dei”, proferidas num ainda mais claro italiano. E não apenas sobre as conversações entre Roma e FSSPX (quanto a esta matéria, recomendo vivamente tudo o que o meu amigo Afonso Miguel tem publicado na sua “Tribuna”), mas também acerca da grandeza e importância da Missa tradicional de rito latino-gregoriano. A ouvir de fio a pavio com muita atenção.