quinta-feira, fevereiro 03, 2011

Portugal e Espanha em bancarrota... moral

Mais um escândalo, simplesmente vergonhoso e bem demonstrativo do estado de degeneração moral a que Sócrates e Zapatero conduziram os seus respectivos países: Portugal e Espanha, ao nível da União Europeia, recusaram-se a condenar as perseguições às minorias cristãs nos estados islâmicos.

Até quando teremos de gramar também com estes dois? Até quando?!..

quarta-feira, janeiro 26, 2011

Michael Voris fala acerca do episcopado português



A propósito dos Policarpos, Ortigas, Torgais, Ilídios, Azevedos e quejandos. Ou quase…

O episcopado português novamente na berlinda


Pelas piores razões, como de costume... A ler no "Rorate-Caeli": Until when will Rome let Portuguese Bishops get away with ignoring the motu proprio?

Até quando abusarão eles da nossa pacìência?...

Liberdade de ensinar, de aprender e de escolher

Interessante artigo, de que tomo conhecimento graças ao blogue ”Povo”. Os destaques são meus.

***
O ensino gratuito não existe

O Estado português gasta em média cinco mil euros por ano com cada aluno no ensino público. Significativamente mais do que aquilo que paga por cada aluno nas escolas com contrato de associação. Porquê então acabar com estes contratos? Por razões ideológicas. Aliás, em matéria de ensino, os governos portugueses optam quase invariavelmente pela ideologia, em detrimento da qualidade e da liberdade: para combater a Igreja Católica, a I República encerrou as melhores escolas de Portugal e prendeu e exilou os mais reputados professores da época, os jesuítas. O Estado Novo desconfiava politicamente das escolas privadas e não apenas das estrangeiras, como o Liceu Francês - basta pensar que só no fim dos anos 60 foi autorizada a criação da Universidade Católica em Portugal -, e menos ainda acreditava na qualidade do seu trabalho. De 1974 até agora o investimento no ensino tem sido sinónimo de investimento na rede pública. Não porque esta apresente melhores resultados ou saia mais barata, mas simplesmente porque os governos não abdicam das vantagens políticas do controlo sobre a imensa máquina que se estende a partir da 5 de Outubro.

Claro que, em contrapartida, cada governo já sabe que terá pela frente as guerras dos sindicatos e as idiossincrasias dos professores, mas tudo isso será compensado pela certeza de que, em milhares de salas de aula, milhares de crianças terão como matéria lectiva a última moda ideológica governamental e que haverá sempre espaço para colocar boys nas direcções regionais. Igualmente assegurada está a plateia infanto-juvenil para que a ministra do momento, à semelhança do que tem feito Isabel Alçada, use as visitas as escolas para fazer prelecções sobre as maldades da oposição.

Para aniquilar o ensino privado procura agora reduzir-se o número de pessoas que a ele recorrem, obrigando as famílias que fazem essa opção a pagar duas vezes: uma através dos impostos que mantêm de pé a rede pública onde alegadamente os seus filhos têm vaga e outra através das mensalidades no privado. Mas mesmo que todos os alunos que frequentam o privado tivessem vaga no ensino público, e não é verdade que tenham, o Estado não deve ter o direito de condicionar as famílias a optar pelo público ou pelo privado. Deve sim assegurar à escola escolhida pelas famílias a verba que disponibiliza em média por aluno. No fim ganharemos todos. No público e no privado, pois a qualidade é indissociável da liberdade de escolha. E como é óbvio em nenhum destes locais o ensino é gratuito. Antes pelo contrário em todos eles, públicos e privados, pagamo-lo e bem caro.

O que está em causa neste final de 2010, em que o Governo anuncia o fim dos contratos de associação com várias escolas privadas, é tão-só o seguinte: em Portugal existe escolaridade obrigatória ou obrigatoriedade de frequentar o ensino público? Para início de conversa tudo seria mais claro se as escolas públicas, tal como as privadas, entregassem a cada aluno um talão com o valor da respectiva mensalidade. É que a quimera do gratuito custa-nos muito dinheiro e gasta-nos a paciência.

Helena Matos, Público, 2010-12-09

Um escândalo em tempo de crise económica

Depois de ler este artigo do Orlando, apetece-me apenas fazer duas observações:

1ª) Realmente, começo a perceber para onde vão os impostos que pago e os cortes nos salários de muitos portugueses;

2ª) Quem quiser abortar (pecando grave e mortalmente), que assuma as suas responsabilidades e pague! Não me mande é a factura para casa, porque eu não tenho de pagar os abortos (com os quais não concordo) dos outros!

sábado, janeiro 22, 2011

Declaração de não-voto

Católico, que sou, não voto. Porque nenhum candidato defende a Vida e a Família - valores fundamentais do humanismo cristão e pilares tradicionais da nossa comunidade.

Patriota, que sou, não voto. Porque nenhum candidato dá garantias de defender a Nação Portuguesa contra os ataques materiais e espirituais vindos do exterior e do interior.

Realista, que sou, não voto. Porque este decadente regime republicano não pode continuar a ser legitimado; e, deve ser questionado, a partir de uma abstenção superior à votação.

Lida no espaço superiormente animado pelo João Marchante. Faço-a minha.

domingo, janeiro 02, 2011

O Cavalo de Tróia na Cidade de Deus


Acabei de ler “Trojan Horse in the City of God - The Catholic Crisis Explained”, de Dietrich von Hildebrand. Trata-se de um livro sensacional, no qual o seu autor manifesta em pleno toda a sua categoria de brilhante pensador e notável defensor da fé e moral católicas. Analisando as causas da crise da Igreja pós-conciliar - o livro foi publicado originalmente em 1967, mas mantém plena actualidade -, Hildebrand aponta baterias à subversão provocada no seio da mesma Igreja pela heresia progressista, a qual é por ele escalpelizada sem concessões e reduzida a pó nas suas falácias.

Pessoalmente, creio que merecem destaque, pelo génio com que Hildebrand o faz, a forma como defende a beleza (sob todos os aspectos) da tradição católica, o modo como contrapõe a santidade à filantropia humanitarista e a maneira como denuncia a “quinta coluna” de infiltrados do mundo - os falsos profetas - no interior da Igreja.

Como é óbvio, recomendo incondicionalmente a leitura deste livro, que teve em tempos uma edição em língua portuguesa no Brasil. Quem o puder fazer, que o faça!

Ora, para que os meus leitores possam aquilatar o que digo, transcrevo de seguida o trecho - com destaques meus - em que Hildebrand faz o contraponto entre a santidade e o humanitarismo, o primeiro de três do livro em causa que publicarei neste espaço.

***

For many Catholics who call themselves progressives, purely humanitarian activities and social institutions are more attractive than holiness. They have become blind to the light of Christ. Further, the ideal they have chosen is far removed from the challenge that every saint embodies. Striving for social justice - good and honorable as it is - does not presuppose that we die to ourselves, that we break the spirit of the world, that we renounce Satan and the pomp of this world. But every saint, by the resplendent fact of his holiness, shakes our consciences and calls us to renounce the world and its pomp.

The saints are an uncomfortable challenge to those who do not thirst for holiness. Because this progressive Catholics do not want their complacency disturbed, because they do not wish to be drawn out the ghetto of the “secular city”, they want to eliminate the saints. The saints bring the supernatural uncomfortably near. They confront us with the ethos of holiness and disturb those who interpret the Christian life according to their own fashion.

All those who show no interest in the existence of saints, who try to exclude the saints as much as possible from the life of the Church, only demonstrate that something is wrong with their relation to Christ.
We should not forget that Church’s doctrine of justification insists on the possibility of men being fully transformed in Christ, of their becoming saints. It is here that the deepest differences between the Catholic Church and Luther’s doctrine of “sola fides” is to be found. The possibility of becoming a saint is profoundly connected with the Catholic conception of original sin, with the collaboration with grace to which every baptized person is called, with freedom of will, and many other fundamental elements of the deposit of Catholic faith. If a man is nor concerned about this central point of Catholic doctrine, he exhibits a serious symptom of the loss of genuine faith.

Dietrich von Hildebrand, in “Trojan Horse in the City of God”, Manchester, New Hampshire, Sophia Institute Press, 1993 - páginas 258 e 259.

Reconhecer a heresia à distância


- Ocuparse intensamente de la condición del prójimo, le permite al cristiano disimularse sus dudas sobre la divinidad de Cristo y la existencia de Dios. La caridad puede ser la forma más sutil de apostasía.

- La “Iglesia primitiva” ha sido siempre la desculpa favorita del hereje.

- La reprobación de la Iglesia constantiniana es la marca inequívoca de toda herejía.

- Creer en la divinidad del hombre es la raíz del error, así como confundir a la humanidad con Cristo es la raíz de la herejía.

Nicolás Gómez Dávila

Um voto para o começo do Ano Novo de 2011


São Frei Nuno de Santa Maria, intercedei por Portugal!

Uma reflexão para o começo do Ano Novo de 2011

Com a devida vénia ao Dr. António Caponnetto, a mais brilhante pena do actual pensamento tradicional católico argentino, aqui fica um texto para reflectir no começo deste Ano Novo de 2011:

Cuando los jefes o gobernantes lejos de encarnar y custodiar el orden - que no es un listado de fórmulas sino la perfección de la naturaleza de las cosas - se hacen cómplices o artífices del desorden por ineptitud, infidelidad o cobardía, no queda más camino que desobedecer para rescatar y recomponer el orden alterado. Es el derecho a la desobediencia y a la resistencia. Por eso, "quienes se defienden resistiendo" - lo dice Santo Tomás y citado por Vitoria - "no han de ser tenidos por sediciosos", antes bien, estarán cumpliendo una parte esencial del deber cristiano de la lucha.

Es doctrina segura de la Fe Católica, transmitida hasta hoy sin mengua ni desgaste, que los fieles de una nación cristiana poseen el derecho a desobedecer a los jefes y gobernantes ilegítimos, a desacatar sus propuestas, primero; a rebelarse después gradualmente en forma pasiva y activa, hasta llegar a la resistencia franca, física, obstinada y heroica, cuando la tiranía no deja otra posibilidad más que su muerte para que pueda restituirse la vida de la Nación.

Mas no se trata sólo de un derecho que puede ejercerse o no, según los casos. Bajo determinadas circunstancias - precisamente cuando las fuerzas tiránicas ocupan el poder en contra del bien común completo - la resistencia activa integral es una obligación colectiva de los cristianos, que nadie puede rehusar mientras dure el estado de agresión permanente; es una obligación moral inesquivable, es un imperativo que reclama concreción y respuesta, es una reconquista que no perdona excusas ni tardanzas.

Lo enseñaron los Padres y la mejor Escolástica, los teólogos de nota y los sabios moralistas de todos los siglos. Hay exigencia de plantear batalla en defensa de la Realeza Social de Jesucristo, cuando ella es agredida, befada, escarnecida y traicionada. Exigencia que llega a los civiles capaces, a los guerreros genuinos y a todos los que sientan la necesidad de no permanecer neutrales. Por eso el cardenal Belarmino hablaba de la santa intolerancia, y Urbano VIII absolvió del juramento de fidelidad a los soldados que se lo habían prestado al Conde Hugo, ratificando así el principio de que la fidelidad de las tropas de un país cristiano se debe primero a Dios que a los hombres, y que no tiene por qué prestarse a los gobernantes cuando ellos se comportan como sacrílegos, apóstatas e impíos consumados, así conserven las formas de una legalidad democrática.

Precisamente era Aristóteles el que explicaba, en el libro quinto de "La Política", cómo la democracia puede sobrevenir en despotismo y cuáles son en ese caso los síntomas y las características: la libertad concebida como permisivismo, la justificación de toda conveniencia facciosa invocando la voluntad popular, el apego por los extranjeros y adulones, la injerencia de los plutócratas y una vergonzosa frivolidad y liviandad en la clase política, ganada por la corrupción y el hedonismo. Balmes, por su parte, enunciando las razones que tornan insanablemente injusto a un gobierno, así sea de origen democrático, enseña esquemáticamente: si el poder abusa escandalosamente de sus facultades; si persigue y escarnece a la Religión de Cristo, si corrompe la moral, si ultraja el decoro público, si menoscaba el honor de los ciudadanos, si exige contribuciones ilegales y desmesuradas, si viola el derecho de propriedad, si enajena el patrimonio de la nación, si desmembra a las provincias, si lleva a los pueblos a la ignorancia y a la muerte. Y en estos casos, está claro, el recurso al alzamiento (…) no es sino una derivación lógica y lícita de la facultad cristiana de combatir. Por eso, después de aclarar condiciones y requisitos, concluye Luis de Molina en que "bajo ciertas ocasiones, no sólo es legítimo a los cristianos hacer la guerra, sino que también ello puede ser mejor que lo contrario, y aún puede suceder que sea pecado mortal no guerrear". Es la ley de las reacciones que describía Donoso Cortés, y que exige ante todo la inteligencia política y la fuerza responsable que conduzca los hechos con sabiduría y prudencia, evitando males mayores y teniendo ante sí asegurada una razonable posibilidad de victoria.

Antonio Caponnetto, in "El Deber Cristiano de la Lucha", Buenos Aires, Scholastica, 1992 - páginas 330 - 332.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Pelos seus frutos os conhecereis

Que currículo o do padre belga François Houtart! Progressista, marxista, perito no Vaticano II (onde teve influência determinante na redacção da “Gaudium et Spes”), um dos expoentes máximos do "espírito de ruptura do Concílio" no seu país e agora também, pelos vistos, abusador sexual confesso de um menor

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Da correcta hermenêutica do Vaticano II

(...) De tudo isso resulta que o Concílio Vaticano II (como qualquer outro concílio) tem de ser interpretado (até mesmo o dogma deve sempre ser lido corretamente). Mas para uma interpretação correta são necessárias, basicamente, três coisas: 1) ter em conta a natureza pastoral do concílio e, portanto, um progresso ou regresso doutrinal, quando o novo é entendido como ruptura; 2) ter em conta o teor dos documentos do Concílio: os documentos como um todo são expressão de um magistério solene e ordinário autêntico; infalível apenas em reflexo, quando se recorda uma doutrina já definida ou uma doutrina definitiva sendo conservada, cuja segurança é expressa pelo próprio magistério. O progresso dogmático do Concílio Vaticano II, que pode indicar uma eventual continuidade/descontinuidade, deve ser avaliado à luz da teologia e medido com os instrumentos teológicos, pelo fato de estarmos diante de um magistério ordinário e não definitório. A teologia neste caso atua como serva do Magistério; 3) é necessário, enfim, contextualizar o Vaticano II, lendo também o contexto histórico que o afetava: a crise modernista do início do século XX; o grande desenvolvimento teológico e o novo método usado em teologia, nem sempre, todavia, em conformidade com o sentir da Igreja; a passagem da modernidade à pós-modernidade como crise dos próprios apogeus conquistados pela razão iluminada e pela vontade de se rebelar contra qualquer instituição — a contestação entrou também na Igreja — com a revolução cultural de 68. É necessário ter em consideração, em outras palavras, um mundo que mudou forte e drasticamente, já diferente daquele presente no Concílio e predito na análise da Gaudium et Spes. Daí a necessidade de uma análise crítica que seja construtiva para uma adequada interpretação do fato conciliar. A Igreja não começa com o Concílio, mas com Jesus Cristo. A regra última da avaliação da fé, na verdade, não é o Concílio, mas a Tradição da Igreja. O Concílio traz um progresso na compreensão da fé, é claro, mas não altera a Igreja. Se a Igreja mudou não é em razão do Concílio em si, mas de uma visão errada da “conciliaridade” e, por conseguinte, da própria Tradição da Igreja. [destaques meus] A Igreja convocou e aprovou este Concílio assim como o fez com os outros 20 que lhe precederam.

Isso significa, portanto, que o progresso é inegável, mas todo progresso, no entanto, marca também um certo regresso, em razão das falsidades e erros que se pode ocultar. Trata-se de examinar de modo crítico os pontos onde estas falsidades podem ter se infiltrado, para depois fazer um atento exame hermenêutico do Vaticano II à luz da fé sempre. É isso o que nos propomos fazer com o nosso congresso.

Pe. Serafino M. Lanzetta, FI (Franciscano da Imaculada)

Admiro cada vez mais os Franciscanos da Imaculada



Do verdadeiro espírito franciscano, na linha matriz de São Maximiliano Kolbe e São Pio de Pietrelcina.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Um Santo Natal!


Um Santo e Feliz Natal para todos os leitores e amigos de ”A Casa de Sarto”!

Causa finita est


Por ocasião da publicação do livro-entrevista de Bento XVI, «Luz do Mundo», foram difundidas diversas interpretações não correctas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual. Não raro, o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se se lerem inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projecto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização hoje generalizada da mesma.

Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns saudaram como uma viragem positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a atitude eclesial na luta contra o HIV-SIDA. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. «Luce del mondo», 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.

Como resulta da leitura da página em questão, o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que «se exclui qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação». A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contrário, a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer «mais e melhor» («Luce del mondo», p. 206), ou seja, aqueles que respeitam integralmente o nexo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada acto conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.

Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativamente à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: «Fugi da imoralidade» (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição há-de ser combatida, e os entes assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.

A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da actual difusão do HIV-SIDA em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento comete um também contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública. A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem «a solução autêntica e moral» do problema do HIV-SIDA e afirma também que «concentrar-se só no preservativo significa banalizar a sexualidade», porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, «com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode entretanto representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana». Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: «Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV».

Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado «mal menor». Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a acção que pelo seu objecto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente querida. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.

Em conclusão, na luta contra o HIV-SIDA, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimónio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. «Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade» («Luce del mondo», p. 170).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

O livro "Luz do Mundo" e a hipocrisia dos progressistas

Li sumariamente algumas passagens do livro-entrevista de Bento XVI com o jornalista alemão Peter Seewald, “Luz do Mundo”, que adquiri no último Sábado.

Numa primeira impressão resultante dessa leitura, não pode deixar de me causar espanto que todos os progressistas que embandeiraram em arco com as afirmações que o Santo Padre proferiu em tal entrevista sobre o uso de preservativos - deturpando o sentido das mesmas com habitual desonestidade intelectual que lhes é característica, já que as referidas afirmações mantêm inalterado o magistério oficial da Igreja acerca do assunto -, não hajam tido idêntica reacção de embandeiramento quanto às considerações emitidas pelo Papa, também na dita entrevista, sobre matérias como a liturgia, a Missa Tradicional, a comunhão de joelhos e na boca, a mensagem de Fátima ou os novíssimos.

Por que terá tal sucedido? A resposta é óbvia: uma vez mais, encontramo-nos perante uma manifestação da hipocrisia e do farisaísmo tão tipicamente progressistas. As afirmações públicas do Santo Padre, mesmo quando intervém apenas na qualidade de doutor privado, só lhes interessam se passíveis de contribuir para a demolição do Catolicismo, ainda que para esse efeito tenham de ser convenientemente deturpadas e falsificadas. Cumprida essa condição, tais afirmações são dignas de realce e até susceptíveis de se transformar num pseudo-magistério, que um grotesco ultramontanismo progressista pretende impor como indiscutível aos católicos dignos desse nome. Caso contrário, não!

O progressista em plano inclinado para o abismo...



...em sentido literal.