domingo, janeiro 02, 2011

Um voto para o começo do Ano Novo de 2011


São Frei Nuno de Santa Maria, intercedei por Portugal!

Uma reflexão para o começo do Ano Novo de 2011

Com a devida vénia ao Dr. António Caponnetto, a mais brilhante pena do actual pensamento tradicional católico argentino, aqui fica um texto para reflectir no começo deste Ano Novo de 2011:

Cuando los jefes o gobernantes lejos de encarnar y custodiar el orden - que no es un listado de fórmulas sino la perfección de la naturaleza de las cosas - se hacen cómplices o artífices del desorden por ineptitud, infidelidad o cobardía, no queda más camino que desobedecer para rescatar y recomponer el orden alterado. Es el derecho a la desobediencia y a la resistencia. Por eso, "quienes se defienden resistiendo" - lo dice Santo Tomás y citado por Vitoria - "no han de ser tenidos por sediciosos", antes bien, estarán cumpliendo una parte esencial del deber cristiano de la lucha.

Es doctrina segura de la Fe Católica, transmitida hasta hoy sin mengua ni desgaste, que los fieles de una nación cristiana poseen el derecho a desobedecer a los jefes y gobernantes ilegítimos, a desacatar sus propuestas, primero; a rebelarse después gradualmente en forma pasiva y activa, hasta llegar a la resistencia franca, física, obstinada y heroica, cuando la tiranía no deja otra posibilidad más que su muerte para que pueda restituirse la vida de la Nación.

Mas no se trata sólo de un derecho que puede ejercerse o no, según los casos. Bajo determinadas circunstancias - precisamente cuando las fuerzas tiránicas ocupan el poder en contra del bien común completo - la resistencia activa integral es una obligación colectiva de los cristianos, que nadie puede rehusar mientras dure el estado de agresión permanente; es una obligación moral inesquivable, es un imperativo que reclama concreción y respuesta, es una reconquista que no perdona excusas ni tardanzas.

Lo enseñaron los Padres y la mejor Escolástica, los teólogos de nota y los sabios moralistas de todos los siglos. Hay exigencia de plantear batalla en defensa de la Realeza Social de Jesucristo, cuando ella es agredida, befada, escarnecida y traicionada. Exigencia que llega a los civiles capaces, a los guerreros genuinos y a todos los que sientan la necesidad de no permanecer neutrales. Por eso el cardenal Belarmino hablaba de la santa intolerancia, y Urbano VIII absolvió del juramento de fidelidad a los soldados que se lo habían prestado al Conde Hugo, ratificando así el principio de que la fidelidad de las tropas de un país cristiano se debe primero a Dios que a los hombres, y que no tiene por qué prestarse a los gobernantes cuando ellos se comportan como sacrílegos, apóstatas e impíos consumados, así conserven las formas de una legalidad democrática.

Precisamente era Aristóteles el que explicaba, en el libro quinto de "La Política", cómo la democracia puede sobrevenir en despotismo y cuáles son en ese caso los síntomas y las características: la libertad concebida como permisivismo, la justificación de toda conveniencia facciosa invocando la voluntad popular, el apego por los extranjeros y adulones, la injerencia de los plutócratas y una vergonzosa frivolidad y liviandad en la clase política, ganada por la corrupción y el hedonismo. Balmes, por su parte, enunciando las razones que tornan insanablemente injusto a un gobierno, así sea de origen democrático, enseña esquemáticamente: si el poder abusa escandalosamente de sus facultades; si persigue y escarnece a la Religión de Cristo, si corrompe la moral, si ultraja el decoro público, si menoscaba el honor de los ciudadanos, si exige contribuciones ilegales y desmesuradas, si viola el derecho de propriedad, si enajena el patrimonio de la nación, si desmembra a las provincias, si lleva a los pueblos a la ignorancia y a la muerte. Y en estos casos, está claro, el recurso al alzamiento (…) no es sino una derivación lógica y lícita de la facultad cristiana de combatir. Por eso, después de aclarar condiciones y requisitos, concluye Luis de Molina en que "bajo ciertas ocasiones, no sólo es legítimo a los cristianos hacer la guerra, sino que también ello puede ser mejor que lo contrario, y aún puede suceder que sea pecado mortal no guerrear". Es la ley de las reacciones que describía Donoso Cortés, y que exige ante todo la inteligencia política y la fuerza responsable que conduzca los hechos con sabiduría y prudencia, evitando males mayores y teniendo ante sí asegurada una razonable posibilidad de victoria.

Antonio Caponnetto, in "El Deber Cristiano de la Lucha", Buenos Aires, Scholastica, 1992 - páginas 330 - 332.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Pelos seus frutos os conhecereis

Que currículo o do padre belga François Houtart! Progressista, marxista, perito no Vaticano II (onde teve influência determinante na redacção da “Gaudium et Spes”), um dos expoentes máximos do "espírito de ruptura do Concílio" no seu país e agora também, pelos vistos, abusador sexual confesso de um menor

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Da correcta hermenêutica do Vaticano II

(...) De tudo isso resulta que o Concílio Vaticano II (como qualquer outro concílio) tem de ser interpretado (até mesmo o dogma deve sempre ser lido corretamente). Mas para uma interpretação correta são necessárias, basicamente, três coisas: 1) ter em conta a natureza pastoral do concílio e, portanto, um progresso ou regresso doutrinal, quando o novo é entendido como ruptura; 2) ter em conta o teor dos documentos do Concílio: os documentos como um todo são expressão de um magistério solene e ordinário autêntico; infalível apenas em reflexo, quando se recorda uma doutrina já definida ou uma doutrina definitiva sendo conservada, cuja segurança é expressa pelo próprio magistério. O progresso dogmático do Concílio Vaticano II, que pode indicar uma eventual continuidade/descontinuidade, deve ser avaliado à luz da teologia e medido com os instrumentos teológicos, pelo fato de estarmos diante de um magistério ordinário e não definitório. A teologia neste caso atua como serva do Magistério; 3) é necessário, enfim, contextualizar o Vaticano II, lendo também o contexto histórico que o afetava: a crise modernista do início do século XX; o grande desenvolvimento teológico e o novo método usado em teologia, nem sempre, todavia, em conformidade com o sentir da Igreja; a passagem da modernidade à pós-modernidade como crise dos próprios apogeus conquistados pela razão iluminada e pela vontade de se rebelar contra qualquer instituição — a contestação entrou também na Igreja — com a revolução cultural de 68. É necessário ter em consideração, em outras palavras, um mundo que mudou forte e drasticamente, já diferente daquele presente no Concílio e predito na análise da Gaudium et Spes. Daí a necessidade de uma análise crítica que seja construtiva para uma adequada interpretação do fato conciliar. A Igreja não começa com o Concílio, mas com Jesus Cristo. A regra última da avaliação da fé, na verdade, não é o Concílio, mas a Tradição da Igreja. O Concílio traz um progresso na compreensão da fé, é claro, mas não altera a Igreja. Se a Igreja mudou não é em razão do Concílio em si, mas de uma visão errada da “conciliaridade” e, por conseguinte, da própria Tradição da Igreja. [destaques meus] A Igreja convocou e aprovou este Concílio assim como o fez com os outros 20 que lhe precederam.

Isso significa, portanto, que o progresso é inegável, mas todo progresso, no entanto, marca também um certo regresso, em razão das falsidades e erros que se pode ocultar. Trata-se de examinar de modo crítico os pontos onde estas falsidades podem ter se infiltrado, para depois fazer um atento exame hermenêutico do Vaticano II à luz da fé sempre. É isso o que nos propomos fazer com o nosso congresso.

Pe. Serafino M. Lanzetta, FI (Franciscano da Imaculada)

Admiro cada vez mais os Franciscanos da Imaculada



Do verdadeiro espírito franciscano, na linha matriz de São Maximiliano Kolbe e São Pio de Pietrelcina.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Um Santo Natal!


Um Santo e Feliz Natal para todos os leitores e amigos de ”A Casa de Sarto”!

Causa finita est


Por ocasião da publicação do livro-entrevista de Bento XVI, «Luz do Mundo», foram difundidas diversas interpretações não correctas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual. Não raro, o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se se lerem inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projecto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização hoje generalizada da mesma.

Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns saudaram como uma viragem positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a atitude eclesial na luta contra o HIV-SIDA. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. «Luce del mondo», 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.

Como resulta da leitura da página em questão, o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que «se exclui qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação». A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contrário, a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer «mais e melhor» («Luce del mondo», p. 206), ou seja, aqueles que respeitam integralmente o nexo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada acto conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.

Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativamente à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: «Fugi da imoralidade» (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição há-de ser combatida, e os entes assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.

A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da actual difusão do HIV-SIDA em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento comete um também contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública. A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem «a solução autêntica e moral» do problema do HIV-SIDA e afirma também que «concentrar-se só no preservativo significa banalizar a sexualidade», porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, «com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode entretanto representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana». Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: «Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV».

Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado «mal menor». Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a acção que pelo seu objecto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente querida. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.

Em conclusão, na luta contra o HIV-SIDA, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimónio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. «Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade» («Luce del mondo», p. 170).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

O livro "Luz do Mundo" e a hipocrisia dos progressistas

Li sumariamente algumas passagens do livro-entrevista de Bento XVI com o jornalista alemão Peter Seewald, “Luz do Mundo”, que adquiri no último Sábado.

Numa primeira impressão resultante dessa leitura, não pode deixar de me causar espanto que todos os progressistas que embandeiraram em arco com as afirmações que o Santo Padre proferiu em tal entrevista sobre o uso de preservativos - deturpando o sentido das mesmas com habitual desonestidade intelectual que lhes é característica, já que as referidas afirmações mantêm inalterado o magistério oficial da Igreja acerca do assunto -, não hajam tido idêntica reacção de embandeiramento quanto às considerações emitidas pelo Papa, também na dita entrevista, sobre matérias como a liturgia, a Missa Tradicional, a comunhão de joelhos e na boca, a mensagem de Fátima ou os novíssimos.

Por que terá tal sucedido? A resposta é óbvia: uma vez mais, encontramo-nos perante uma manifestação da hipocrisia e do farisaísmo tão tipicamente progressistas. As afirmações públicas do Santo Padre, mesmo quando intervém apenas na qualidade de doutor privado, só lhes interessam se passíveis de contribuir para a demolição do Catolicismo, ainda que para esse efeito tenham de ser convenientemente deturpadas e falsificadas. Cumprida essa condição, tais afirmações são dignas de realce e até susceptíveis de se transformar num pseudo-magistério, que um grotesco ultramontanismo progressista pretende impor como indiscutível aos católicos dignos desse nome. Caso contrário, não!

O progressista em plano inclinado para o abismo...



...em sentido literal.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

O drama existencial do católico de letreiro, commumente conhecido por progressista

Todo o drama existencial do católico de letreiro, comummente conhecido por progressista, é susceptível de se resumir em poucas linhas: incapaz de conformar a sua desordenada vida pessoal com os ditames da fé e moral católicas, e desprezando todos os meios de graça santificante que o poderiam auxiliar na prossecução de tal fim (a assistência à Santa Missa, a prática da comunhão e da confissão frequentes, e a confiança na eficácia da oração - muito em especial, a do Rosário), intenta ao invés e retorcidamente conciliar os ditames da fé e moral católicas com os caprichos da sua desordenada vida pessoal. Desta maneira, almeja que uma caricatura grotesca e grosseira do Catolicismo - o pervertido pelo relativismo e imanentismo da heresia modernista - lhe dê a boa consciência que no seu íntimo ele sabe não possuir, consubstanciando tal postura uma pretensão abusiva e impossível que os libertinos puros e duros de outrora jamais ousaram sobraçar.

A este propósito, convém não esquecer que o progressista é hipócrita, é fariseu: gosta que no seu meio, na sua paróquia, na sua cidade, o apontem como católico exemplar, modelo a seguir. Aprecia as vaidades do mundo moderno, sente-se bem nos lugares da frente e sabe mostrar-se - sobretudo com os católicos dignos desse nome - um irritante moralista de pacotilha, apontando argueiros nos olhos dos que o rodeiam, mas olvidando-se da trave monstruosa que tapa a sua própria vista. Pela calada, contudo, à maneira do lobo com pele de cordeiro e do sepulcro com paredes caiadas que autenticamente é, numa embriaguez de perfídia e traição, trama com fúria de réprobo a destruição do Catolicismo: escarnecendo de todos os dogmas de fé, e de modo muito significativo dos relacionados com Nossa Senhora, ousa afrontar o Santo Padre e promover a desobediência ao magistério constante da Igreja sobre matérias como o divórcio, a regulação artificial da natalidade, o aborto, a eutanásia, o emparelhamento de homossexuais e a ordenação de mulheres. Tudo debalde, porque as portas do inferno não prevalecerão, sem prejuízo de ser ele o primeiro que as atravessará, se porventura não arrepiar antes do caminho de destruição que se propôs percorrer.

Uma Missa a que gostaria de ter assistido


À Missa celebrada pelo grande Cardeal Bartolucci, no passado dia 8 de Dezembro, por ocasião da Festa da Imaculada Conceição, na Igreja da Santíssima Trindade dos Peregrinos, em Roma. Mais pormenores aqui e aqui.

quinta-feira, novembro 25, 2010

Assino por baixo

O corajoso artigo escrito pelo ilustre sacerdote e representante da melhor tradição do Catolicismo inglês que é o Padre Tim Finigan, intitulado “Pope/condoms IV - “Do you think that’s wise, Sir?”, que é rematado do seguinte modo:

I'm sorry. I love the Holy Father very much; he is a deeply holy man and has done a great deal for the Church. On this particular issue, I disagree with him and I hope that my having sufficient "initial goodwill" is not in question (cf. Pope/condoms I).

Eu não diria melhor.

Sugiro ainda a leitura destes três textos, todos do mais interessante sobre o assunto, e que igualmente não hesitaria em assinar por baixo:

- “A camisinha do “prostituto” e o Papa”, no “Contra Impugnantes”;

- “Un magisterio off the record !!! ???”, no “Ex Orbe”;

- “Much ado about Vatican latest gaffe”, no “Athanasius Contra Mundum”.

Desmontando a desinformação destes últimos dias sobre o Papa e os preservativos

segunda-feira, novembro 22, 2010

Muito barulho por nada

O magistério da Igreja mantém-se obviamente inalterado, o Papa declarou ser evidente que não considera a utilização do preservativo uma solução verdadeira e moral, e o Vaticano em nota oficial já corroborou tal factualidade. Estamos assim, de novo, perante um flagrante delito de desinformação dos órgãos da comunicação social dita de “referência”, os quais, com evidente má fé e tomando os seus desejos pela realidade, fazem alarde histérico de uma súbita mudança no ensinamento moral da Igreja Católica acerca da ilicitude do uso de preservativos, num engano colossal em que são acompanhados por esses infiltrados do mundo no interior da Igreja apelidados de “progressistas”, que vislumbram revoluções onde só há continuidade. No fundo, fazem todos muito barulho por nada…

Sem prejuízo, parece-me oportuno deixar sublinhados dois pontos de carácter mais pessoal sobre esta questão.

Primeiro, percebendo o real sentido que Bento XVI pretendeu dar às suas palavras (concordo com o que se escreve na “A Tribuna”), julgo que as mesmas foram infelizes e imprudentes. Infelizes, porque não é função papal determinar em que termos um prostituto se há-de relacionar sexualmente com os seus clientes e estes com aquele: uma relação sexual nestes moldes é sempre imoral e pecaminosa, independentemente de ser consumada com ou sem a utilização de um preservativo. Imprudentes, porque ambíguas, dando um novo fôlego à contestação dos “progressistas” ao magistério oficial e espalhando a confusão e a dúvida entre todos os católicos dignos desse nome - valerão a pena todos os sacrifícios, trabalhos e canseiras que estes suportam por causa da defesa da fé e moral católicas, e pela conformação quotidiana das suas vidas pessoais com essa mesma fé e moral?... Deploravelmente, nesta ocasião, foi o próprio Vigário de Cristo na Terra que se esqueceu do seguinte conselho evangélico: Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal. (Mt 5, 37)

Segundo, mas não menos importante, ainda que Bento XVI porventura desejasse alterar neste ponto concreto o ensinamento da Igreja - e não o deseja! -, tal intento seria completamente contrário à tradição, não vinculando em consequência qualquer fiel católico. Mesmo que por hipótese se aceitasse o absurdo de que uma opinião privada emitida com esse fito numa entrevista concedida a um jornalista constitui um acto oficial de magistério, este acto, porque contrário ao ensinamento constante da Igreja, não gozaria da presunção de infalibilidade que é própria do magistério ordinário quando conforme à tradição. Como tal, jamais seria susceptível de produzir o efeito almejado, ao contrário do que supõem jornalistas analfabetos e hereges “progressistas” ignorantes, dominados que estão pelos erros evolucionista e imanentista.

domingo, novembro 14, 2010

Novo livro de Monsenhor Nicola Bux

A publicação de um novo livro de Monsenhor Nicola Bux é sempre um acontecimento digno de grande relevo, para mais quando o mesmo se intitula “Como ir à Missa e não perder a fé” (situação que por desgraça quase me ia acontecendo nos tempos remotos em que frequentava com sofrimento o “Novus Ordo”…) e sendo o seu autor figura principal do novo movimento de restauração do sagrado na liturgia católica.

Ora, ainda há pouco mais de dez anos, seria impensável que um livro com tal título pudesse ser editado fora dos então restritos círculos tradicionalistas. Hoje, o seu autor é um consultor da oficialíssima Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos. A isto se pode chamar com propriedade o factor Bento XVI.

Abaixo, transcrevo a tradução espanhola (feita pelo excelente “La Buhardilla de Jerónimo”) da entrevista concedida por Monsenhor Nicola Bux ao sítio “Rinascimento Sacro”, por ocasião do lançamento da edição italiana deste seu último livro. Espera-se que o mesmo seja rapidamente vertido, senão para português, ao menos para espanhol pela “Buey Mudo”.

***

Monseñor, este segundo libro es todavía más explícito que el primero, “La reforma de Benedicto XVI. La liturgia entre innovación y tradición”. ¿Qué ha cambiado desde entonces?

También en este tiempo de escándalos, el Papa insiste en el hecho de que el mal viene desde dentro de la Iglesia. Por eso, continúa siendo el tiempo de aquella grave crisis que el Cardenal Ratzinger indicaba imputable en gran parte al derrumbamiento de la liturgia, a aquel “hazlo por ti mismo” que ya no la hace “sagrada” y que haría perder la fe a cualquiera. No ha cambiado mucho: “litúrgicamente, en nuestros días la Iglesia es un gran enfermo” porque la liturgia habría perdido su sentido, estaría sin reglas, olvidada del derecho de Dios.

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El derecho de Dios… Usted, de hecho, en todo esto propone como eje de la nueva reforma litúrgica el redescubrimiento de un concepto poderoso y fascinante, el ius divinum. ¿Qué significa?

El concepto es muy sencillo. El Cardenal Ratzinger dice en Introducción al espíritu de la liturgia, en el primer capítulo, que la liturgia no existe si Dios no se muestra, es decir, en pocas palabras, si Él no revela Su Rostro. Más aún, en Jesús de Nazareth, en un cierto punto, él dice que la liturgia es la continuación de la Revelación; por lo tanto, si Dios se muestra, indica quién es y qué rostro tiene, dice también cómo quiere ser adorado, cómo quiere que se le rinda culto.

La antítesis es la célebre historia del becerro de oro, es decir, del hombre que se inventa a Dios y se inventa la liturgia: una danza vacía en torno al becerro de oro que somos nosotros mismos. Dios tiene un derecho en el Antiguo Testamento, cuando dijo cómo debía ser celebrada la Pascua, y habló de prescripciones y mandamientos. Así es también en el Nuevo. En otras palabras, la liturgia es inmanipulable.

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La liturgia es inmanipulable para el hombre pero el arte es obra del hombre. Para el arte sagrado, que atraviesa un período de decadencia estructural extremadamente similar, ¿qué se puede decir?

¡El arte es lo mismo! La representación de Dios, tanto para la Iglesia de Oriente como para la Iglesia de Occidente, siempre ha estado sometida a los cánones. Lo mismo vale para la disciplina de la música sacra. El principio es siempre el mismo: no somos nosotros quienes decidimos, en base al prurito que tenemos encima, cómo debe pintarse al Señor, o cómo debe componerse un canto, o qué canto debo hacer en la liturgia. La Iglesia ha establecido los cánones para que pudieran estar en consonancia con el culto divino, para que no se diera una imagen o una idea distorsionada y deformada de Dios. Entre liturgia, arte y música, hay una unidad profunda que no permite afrontarlos separadamente.

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El Santo Padre lo ha nombrado recientemente también consultor para Culto Divino, signo de la atención y de la competencia de su trabajo. Díganos: si tres años atrás Summorum Pontificum revolucionó la “cuestión litúrgica”, volviendo a traer al plano de la discusión elementos “incómodos” y esenciales como la liturgia gregoriana, ¿qué debemos esperar, en el futuro próximo, de este nuevo movimiento litúrgico que está naciendo?

En primer lugar, hablar de “nuevo movimiento” no quiere decir necesariamente que estamos hablando de otro movimiento respecto al conocido con un cierto fruto en el siglo XX. La Iglesia es semper reformanda: a quien no le gusta el término reforma de la reforma, hable también de continuación del movimiento litúrgico pero sepa que se trata siempre “de la renovación en la continuidad del único sujeto-Iglesia, que el Señor nos ha donado”, como dice Benedicto XVI. Con el Motu Proprio han sido puestas las bases del trabajo: confiamos tener pronto nuevos impulsos. Este Papa, manso y resuelto, quiere ir adelante y nosotros estamos con él. Con la misma mansedumbre y con la misma firmeza.

As três leis de uma verdadeira arquitectura eclesiástica católica


As três leis de uma verdadeira arquitectura eclesiástica católica - permanência, verticalidade e iconografia - explicadas num artigo imprescindível de autoria de Michael S. Rose, publicado inicialmente na “New Oxford Review” e traduzido para espanhol no magnífico "Roca del Grifo". A ler, na sequência da recente consagração da belíssima Igreja da Sagrada Família, em Barcelona.

Uno de los principios básicos generalmente aceptados por los arquitectos, al menos durante un milenio, es que el entorno edilicio tiene la capacidad de afectar profundamente a la persona —la forma en que actúa, la manera en que siente y el modo en que ella es—. Los arquitectos eclesiásticos del pasado y del presente entienden que la atmósfera que genera el templo afecta no sólo el culto, sino también la fe. En última instancia, lo que creemos afecta la forma en que vivimos nuestras vidas. Es difícil separar la teología y la eclesiología del entorno de culto, sea una iglesia tradicional o una iglesia moderna. Si un templo católico no refleja la teología y eclesiología católica, si la construcción debilita y desprecia las leyes naturales de la arquitectura eclesiástica, los fieles arriesgan acepar una fe distinta al catolicismo [continuar a leitura aqui].

Do tempo em que a Espanha tinha reis católicos


Lembrei-me muito da pintura supra - a “Adoração da Sagrada Espécie”, da autoria do pintor português Cláudio Coelho - ao longo de toda a última semana. Houve um tempo em que a Espanha tinha reis católicos dignos desse nome, mesmo que fossem monarcas medíocres como o Carlos II acima retratado. Agora, não mais. Todavia, que o funesto episódio, com o qual a sua triste interveniente pretendeu embaraçar deliberadamente o próprio Vigário de Cristo na Terra, sirva ao menos para retirar a seguinte lição: em matéria de defesa da tradição no campo litúrgico, é tempo de se passar das proposições para as imposições.

segunda-feira, novembro 08, 2010

As acções são mais importantes do que as palavras

Embora já tenha algum tempo, e haja até merecido traduções em português e espanhol, não resisto a aconselhar a leitura integral deste importante artigo intitulado “Actions Speak Louder than Words”, de autoria de Brian McCall, originalmente publicado no “The Remnant”, analisando o actual ponto de situação das relações entre o Vaticano e a FSSPX. Vale mesmo a pena fazê-lo!