domingo, março 28, 2010
Conferência sobre o Rito Tradicional Latino-Gregoriano em Fátima - um acontecimento merecedor da mais ampla divulgação
Trata-se de um acontecimento merecedor da mais ampla divulgação e do maior apoio possível de todos os católicos tradicionais portugueses, susceptível de dar à Missa Tradicional no nosso país a visibilidade pública que até agora lhe tem sido injustamente negada.
Os interessados podem obter mais pormenores sobre este evento aqui (em inglês) e aqui (em português).
Impressões de visita a Saint Nicholas du Chardonnet

sexta-feira, março 26, 2010
Ainda mais factos
Bien qu'il soit peu politiquement correct de le dire, il y a un chiffre qui est beaucoup plus important: plus de 80% des pédophiles sont homosexuels, des individus mâles abusant d'autres mâles. Et - pour citer une fois de plus Jenkins - plus de 90% des prêtres catholiques condamnés pour abus sexuel d'enfants et pédophilie sont homosexuels. Si dans l'Église catholique il y a eu effectivement un problème, ce n'était pas le célibat, mais une certaine tolérance de l'homosexualité dans les séminaires, en particulier dans les années 1970, quand ont été ordonnés la grande majorité des prêtres reconnus par la suite coupables d'abus. C'est un problème que Benoît XVI corrige vigoureusement. Plus généralement, le retour à la morale, à la discipline ascétique, à la méditation sur la vraie, grande nature du sacerdoce sont l'antidote ultime aux vraies tragédies de la pédophilie. C'est à cela aussi que devrait servir l'Année Sacerdotale.
Repondo a verdade com factos contra as mentiras da desinformação
Les faits sont un peu différents. Vers 1975, le Père Murphy a été accusé d'abus particulièrement graves et méprisables dans un pensionnat pour des mineurs sourds. Le cas a été signalé sans délai aux autorités civiles, qui n'ont pas trouvé de preuves suffisantes pour poursuivre Don Murphy. L'Eglise, en l'occurrence plus sévère que l'Etat, continua pourtant avec persistance à enquêter sur Don Murphy et puisqu'elle soupçonnait qu'il était coupable, à limiter de différentes façons l'exercice de son ministère, bien que les accusations portées contre lui avaient été abandonnées par la magistrature.
Vingt ans après les événements, en 1995 - dans un climat de fortes polémiques autour des affaires de "prêtres pédophiles" - l'archidiocèse de Milwaukee jugea bon de signaler le cas à la Congrégation pour la Doctrine de la Foi. L'information était liée à des violations de la discipline de la confession, du ressort de la Congrégation, et n'avait rien à voir avec l'enquête civile, qui avait eu lieu et s'était conclue il y a plus de vingt ans. Il convient également de noter que, dans les vingt années antérieures à 1995, il n'y avait pas eu de faits nouveaux ou de nouvelle accusation contre Don Murphy. Les faits débattus étaient encore ceux de 1975. L'archidiocèse signala même à Rome que Don Murphy était mourant. La Congrégation pour la Doctrine de la Foi ne publia certes pas de documents, ni ne fit de déclarations publiques vingt ans après les faits, mais recommanda que l'on continuât à restreindre les activités pastorales de Don Murphy et qu'on lui demande de reconnaître publiquement sa responsabilité. Quatre mois après l'intervention de Rome, Don Murphy mourut.
Ce nouvel exemple de journalisme poubelle confirme comment fonctionnent les «paniques morales». Pour salir la personne du Saint-Père, on remue un épisode d'il y a trente ans, connu et discuté par la presse locale déjà au milieu des années 1970, dont la gestion - pour autant qu'elle relève de ses compétences, et un quart de siècle après les faits - par la Congrégation pour la Doctrine de la Foi a également été canoniquement et moralement irréprochable, et bien plus sévère que celle des autorités de l'Etat américain.
De combien de ces "découvertes" avons-nous encore besoin pour réaliser que l'attaque contre le Pape n'a rien à voir avec la défense des victimes de cas de pédophilie - certes grave, inacceptable et criminel, comme Benoît XVI l'a rappelé avec une sainte sévérité- et vise à discréditer un Pape et une Eglise qui gênet les lobbies pour leur action efficace dans la défense de la vie et la famille?
quinta-feira, março 25, 2010
Os abusos sexuais de menores - um fruto da heresia progressista
De facto, é razão para espanto que os mesmos que defendem o assassinato impune e indiscriminado de seres humanos inocentes e indefesos no próprio seio materno através da prática vil do aborto, rasguem agora vestes em público à maneira dos fariseus, por causa destes abusos, numa atitude que tem tanto de falso como de canalha. Efectivamente, em tese e utilizando a lógica pervertida deles, onde é possível o mais (matar um ser humano inocente e indefeso), também deveria ser possível o menos (abusar sexualmente de um ser humano inocente e indefeso). Porém, esta gente sem escrúpulos, da qual fazem parte os repugnantes católicos de letreiro comummente conhecidos por progressistas, está-se nas tintas para quaisquer raciocínios lógicos, interessando-lhe apenas pegar com oportunismo em tudo o que permita atacar as verdades de fé e moral católica!
Ora, ademais da notória má-fé de quererem implicar todo o clero católico nestes sucessos infames, quando os mesmos foram praticados tão-só por uma pequena minoria, jamais sublinham - porque isso não lhes convém - que aqueles são o fruto directo, não da prática da fé e moral católicas, mas sim do abandono da mesma prática e da sua substituição pelos erros do progressismo. É que com respeito a esta matéria, o que tem vindo ao conhecimento público nos anos mais recentes não demonstra qualquer fracasso da doutrina católica tradicional - nomeadamente da disciplina do celibato sacerdotal -, comprovando antes a chocante falência moral da heresia progressista, de que os abusos sexuais de menores no interior da Igreja são um dos frutos mais vis.
É simples coincidência que os primeiros casos de abusos sexuais ocorridos na Igreja remontem há cerca de sessenta anos, quando a heresia progressista começava a ganhar terreno no interior do mundo católico, debalde os esforços do Papa Pio XII em contrariá-la? Não! É simples coincidência que os casos de abusos sexuais hajam disparado depois do Concílio Vaticano II, o qual, no mínimo, baixou as defesas da Igreja contra a heresia progressista e permitiu que esta se infiltrasse em amplíssimos sectores católicos? Não! Aonde conduziu uma heresia que sustenta que o pecado não ofende a Deus (quando não nega a existência do próprio pecado), que refuta a natureza sacrificial propiciatória e expiatória da Missa, que prega a salvação universal independente dos méritos pessoais, e que considera admissível a tendência homossexual? Os resultados, esses, estão agora à vista de todos…
domingo, março 14, 2010
Defender o rito tradicional latino-gregoriano é defender a vida humana
De facto, urge não esquecer o teor do sábio brocardo latino " Lex Orandi, Lex Credendi, Lex Vivendi", ou seja, a forma como se reza exprime o modo como se crê, e o modo como se crê expressa a maneira como se vive. Assim, enfatizando o rito latino-gregoriano magistralmente as verdades fundamentais de fé e moral católicas, rezar segundo aquele é exprimir a crença em tais verdades (entre as quais, a da defesa da vida humana inocente), em reflexo do próprio estilo de vida religiosa e moral de quem crê. Deste modo, percebe-se por que motivo os hereges progressistas, inimigos denodados das verdades de fé e moral católicas, bem como do magistério extraordinário e ordinário constante da Igreja, são outrossim os principais inimigos do rito latino-gregoriano, hostilizando-o tanto quanto lhes é possível: este, por ser a expressão pública máxima daquelas verdades, é-lhes insuportável.
Sem prejuízo, mesmo nos meios católicos tradicionais, não está totalmente compreendido o valor catequético do rito tradicional e a sua importância para a defesa da vida humana e para o combate antiaborcionista; portanto, deixo à consideração dos meus leitores um interessante artigo escrito por Deborah Morlani, colaboradora do "New Liturgical Movement" que se tem dedicado a aprofundar este assunto, bem como uma entrevista fundamental de Sua Eminência o Cardeal Cañizares, sobre o mesmo tema, concedida ao extraordinário Life Site News.
Lidas tais recomendações, acredito ser lícito perguntar: não se terá devido o grande avanço das legislações aborcionistas nos últimos quarenta anos, em especial nos países outrora católicos, também à marginalização sofrida durante o mesmo período de tempo pelo rito tradicional?...
O massacre da população europeia - o maior e mais silencioso genocídio de todos os tempos
Ora, a criminosa desordem política que tolera, permite e até apoia este estado de coisas, é necessariamente ilegítima, iníqua e ímpia, e merece ser combatida por todos os meios moralmente lícitos e admissíveis. E com respeito à monstruosidade aborcionista, apetece-me citar um trecho certeiro de Juan Manuel de Prada, retirado do seu livro "A Nova Tirania" (Leiam-no! Leiam-no!):
O progressista é o sujeito que conseguiu fazer passar o seu cinismo por filantropia.
(…) No seu empenho por evitar olhar o rosto do outro, o progressista desenvolveu uma espécie de antropologia bizantina, que faz depender a condição humana de uma vida em gestação do tamanho dessa vida, da viabilidade dessa vida, das semanas de gestação, e por aí fora. O progressista pretende fazer-nos crer que um feto de dez semanas não merece protecção jurídica porque não pode desenvolver-se independentemente da mãe. Mas a inviolabilidade da vida humana não está, de modo nenhum, dependente do facto de ser ou não viável; pelo contrário, uma vida torna-se tanto mais valiosa quanto mais desvalida se encontra, quanto mais exige o nosso auxílio para continuar a viver, quando não tem poder, nem voz para se defender. A inviolabilidade da vida depende, em suma, da nossa decisão de olhar para ela de frente, reconhecendo nela uma dignidade inalienável.
(…) Para conseguir ver a dignidade de uma vida em gestação é necessário, evidentemente, olhá-la com os olhos do coração, que é onde reside a nossa liberdade de escolher entre o bem e o mal. E, como o progressista foge às decisões morais, como nem sequer aceita que haja bem e mal, recorre ao mais repelente fisiologismo para determinar de forma ditatorial que uma vida em gestação não é vida, porque não tem rosto. E, como não tem rosto, não pode ser sujeito; por isso, é um objecto do qual posso dispor livremente, um objecto que posso destruir, se for caso.
Mas como atrás dissemos, o progressista tem necessidade de disfarçar o seu cinismo, dando-lhe a forma de filantropia. E, para justificar a matança de vidas em gestação, tem necessidade de invocar direitos. O progressismo é uma fábrica de salsichas de direitos. E assim, o progressista saca da manga um filantrópico "direito ao aborto": a mulher tem o direito de decidir sobre a sua qualidade de vida; a sociedade tem o direito de se desembaraçar de crianças indesejadas, para garantir aos cidadãos elevados níveis de bem-estar, etc. O progressista disfarça as expressões do interesse egoísta, conferindo-lhes a forma de direitos; e, neste labor de camuflagem, não hesita em negar a dignidade da vida, enquanto esta não tiver rosto. Mas é a nossa própria dignidade que está dependente do olhar que dirigimos a essas vidas sem rosto; quando as tratamos como objectos dos quais podemos dispor a nosso bel-prazer, estamos a negar-lhes dignidade a elas, mas também a estamos a negar a nós próprios. Estamos, muito simplesmente, a deixar de ser humanos.
E o progressista, que já deixou de ser humano, tem necessidade de fingir que continua a sê-lo; para isto, recorre a espaventos filantrópicos.
Em peregrinação pela Terra Média

terça-feira, fevereiro 23, 2010
Eugénio Corti e "O Cavalo Vermelho"

“O Cavalo Vermelho” é a obra-prima de Corti: originalmente publicado em 1983, trata-se de um romance notável que cobre trinta e cinco anos da história italiana entre 1939 e 1974, com especial incidência no período da II Guerra Mundial, por onde perpassam constantemente as firmes convicções católicas do autor. Este conduz-nos a um ritmo avassalador, por intermédio das diferentes personagens da sua obra, das terríveis batalhas da Frente Leste aos furiosos combates da Linha Gótica, no centro de Itália (Corti combateu em ambos os teatros: no primeiro, como oficial do Exército Real Italiano, participando na pavorosa retirada italiana dos arredores de Estalinegrado; no segundo, depois do armistício de Setembro de 1943, como membro do Exército de Libertação Nacional Italiano); da guerra suja entre as forças leais a um Mussolini cingido ao território da República Social Italiana e a feroz guerrilha comunista; da Itália do fim guerra, na iminência de cair sobre o controlo do Partido Comunista de Palmiro Togliatti (travado quase miraculosamente por uma democracia-cristã então ainda fiel aos seus princípios doutrinários de base) até à Itália de 1974, dos anos de chumbo, descristianizada e corrompida, em grande parte por culpa da rendição católica sucedida com o V2. De permeio - e que permeio! -, Corti retrata-nos os devastadores efeitos da negação da ordem moral cristã não só pelos dois irmãos inimigos que foram o nacional-socialismo e o comunismo soviético, mas também pelo relativismo moral hodierno, guiando-nos sucessivamente pela inumanidade nazi, pela selvajaria inimaginável do diabólico gulag vermelho (por si observado em primeira mão), em páginas escritas ao nível do melhor Soljenitsine, e, enfim, pela degeneração ética das sociedades ocidentais contemporâneas.
Pujante defesa do “tudo instaurar em Cristo”, mensagem principal d’”O Cavalo Vermelho”, Corti demonstra que tal instaurar deve ser sempre o objectivo último de todo o católico digno desse nome, na medida das suas possibilidades, em quaisquer circunstâncias a que Deus o tenha destinado, mesmo no meio das ruínas: na vida pessoal; na vida familiar; na vida pública.
Enfim, este é um livro que me prendeu como há muito não sucedia, e que me fez criar uma empatia quase instantânea com o seu autor e algumas das suas personagens. Corti é definitivamente um escritor católico na mais pura acepção da palavra! Leitura recomendada em absoluto!
quarta-feira, fevereiro 17, 2010
Juan Manuel de Prada em português

Em todos estes espaços, Prada insurge-se contra a ditadura totalitária do relativismo ético-moral que oprime as decadentes sociedades ocidentais modernas, bem como contra o fundamentalismo secularista e laicista que define caracteristicamente de "progressismo matrix". Que vem a ser este progressismo? Dê-se a palavra ao autor, também como forma de estimular a sua descoberta pelos meus leitores:
O progressismo Matrix converteu-se (…) numa espécie de fé messiânica: instaurou uma nova ordem, impôs paradigmas culturais inatacáveis, estabeleceu uma nova antropologia que, prometendo ao homem a libertação final, lhe reserva apenas o suicídio futuro. E a única ordem capaz de se erguer contra esta nova ordem quase-religiosa é a ordem religiosa, que restitui ao homem a sua verdadeira natureza e lhe propõe uma visão cabal do mundo, que ataca os fundamentos da ilusão na qual assenta a nova tirania, dissolvendo as falsificações. Trata-se de uma visão que a nova tirania combate denodadamente; com efeito, essa ordem religiosa é a única fortaleza que ainda lhe falta derrubar, para que o seu triunfo seja completo. O laicismo dominante acusa a Igreja de se imiscuir na política, aduzindo aquela sentença evangélica que costuma ser arvorada por pessoas que nunca leram o Evangelho: "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus." Mas, afinal, quais são as coisas que são de César? São as coisas temporais, as realidades terrenas; mas não são os princípios de ordem moral que resultam da natureza humana, nem os fundamentos éticos da ordem temporal. A nova tirania, que tão zelosa se mostra de expandir as "liberdades" dos seus súbditos, não hesita em recusar à Igreja a liberdade de ajuizar a da moralidade da sua actuação temporal, ciente que está que tal juízo contém uma radical subversão da ilusão sobre a qual assenta a nova tirania. Anseia por uma Igreja farisaica e corrompida, que renuncie a restituir ao homem a sua verdadeira natureza e que acate esse "mistério da iniquidade" que é a adoração do homem; anseia por uma Igreja que se ajoelhe diante de César, convertida na "grande rameira que fornica com os reis da terra" de que nos fala o Apocalipse (destaques meus).
Em conclusão, como se constata pelo trecho supra citado, este livro é de leitura absolutamente obrigatória e uma munição fundamental no terrível combate que todos os católicos dignos desse nome travam contra o monstro progressista em ambas as frentes da Igreja - a externa e a interna.
Por último, mas não menos importante, sublinhe-se que Prada é um grande admirador da obra do Padre Leonardo Castellani e divulgador da mesma em Espanha, o que faz com que a sua pessoa me seja ainda mais simpática.
Para quem pretenda conhecer melhor a obra e o pensamento do autor, deixo aqui ainda as seguintes ligações:
- Escritor Juan Manuel de Prada alerta para a "Nova Tirania";
- Juan Manuel de Prada: La Nueva Tiranía (El Matrix Progre);
- La España católica tiene un nuevo heraldo: Juan Manuel de Prada.
terça-feira, fevereiro 16, 2010
A propósito do centenário da república - 1

Pobres homens, mais dignos de piedade que de rancor os que imaginam que é com um carapuço frígio, talhado à pressa em pano verde e vermelho, manchado no lodo de uma revolta num bairro de Lisboa, que mais dignamente se pode coroar a veneranda cabeça de uma pátria em que se geraram tantos grandes homens, a cuja memória imperecível, e não aos nossos mesquinhos feitos de hoje em dia, devemos ainda os últimos restos de consideração a pudemos aspirar no mundo! Pobre gente! Pobre pátria!
(…)
Tais resultados, que eu acho melhor encarar pelo lado cómico, que pelo lado trágico, demonstram, com a evidência científica de uma operação química, que a experiência política da Rotunda prolongada até hoje não está deixando, no fundo das retortas, senão indisciplina, desordem, deseducação, desnacionalização, imoralidade, irreligião, empobrecimento, charlatanismo, cabotinismo e miséria.
Evaporada a infantil e burlesca ilusão de que um país pode continuar a viver, como vive uma minhoca em postas, uma vez esquartejado nas suas tradições, nas suas crenças, nos seus usos e costumes, na continuidade da sua experiência histórica, governado por um pessoal improvisado pelo favoritismo político, com uma instrução pública de pedantes, uma religião de ateus, uma polícia de sicários, uma maioria parlamentar de ineptos, um ministério de energúmenos, uma burocracia de vagabundos e uma diplomacia de curiosos, da qual só é dado esperar através das chancelarias e dos salões da Europa a mais estercoraria pingadeira de "gaffes".
Citado por Fernando Campos, in "Os Nossos Mestres ou Breviário da Contra-Revolução", Lisboa, Portugália Editora, 1924 - páginas 76 e 78.
Um livro para ler ou reler no centenário da república

Relembre-se que o Padre Barros Gomes, insigne cientista e ilustre sacerdote lazarista, foi barbaramente assassinado por um grupo de facínoras republicanos no próprio dia 5 de Outubro de 1910, em Arroios, Lisboa, num acto que, desde logo, definiria a essência criminosa do novo regime e dos seus apaniguados, que os tristes do costume tentam agora, cem anos depois, fazer passar por heróis, como se porventura a verdadeira memória histórica se tivesse desvanecido.
terça-feira, fevereiro 02, 2010
segunda-feira, fevereiro 01, 2010
Uma renúncia com a qual a Igreja só terá a ganhar
Concordo em pleno com o responsável do imprescindível "La Cigüeña de la Torre". De facto, não deixará quaisquer saudades a forma como D. José Policarpo governou a diocese olissiponense, já que num plano interno alinhou sempre com um progressismo obsoleto radicalmente anticatólico e em nada beneficiou a tradição, e num plano externo se mostrou incapaz de defender com um mínimo de firmeza e sem quaisquer ambiguidades, mormente face ao poder político socialista, o magistério constante da Igreja em matérias como o aborto ou emparelhamento de homossexuais.
Na verdade, e afirmo-o sem qualquer prazer, ao seu múnus episcopal no Patriarcado de Lisboa só pode aplicar-se este trecho do "Sermão da Epifania", pregado pelo grande Padre António Vieira, no ano de 1662, na Capela Real:
Sabeis, diz o supremo Pastor da Igreja, quando foge o que não é verdadeiro pastor? Foge quando vê injustiças, e em vez de bradar contra elas, as cala: foge, quando devendo sair a público em defesa de verdade, se esconde, e esconde a mesma verdade debaixo do silêncio. Bem creio que alguns dos que me ouvem, teriam por mais modéstia e decência, que estas verdades e estas injustiças se calassem; e eu o faria facilmente como Religioso, sem pedir grandes socorros à paciência: mas que seria, se eu assim o fizesse? Seria ser mercenário e não pastor: Fugit, quia mercenarius est: seria ser consentidor das mesmas injustiças que vi, e estando tão longe, não pude atalhar: Fugit, quia injuistitiam vidit, et tacuit: seria ser proditor das mesmas ovelhas que Cristo me entregou, e de que lhe hei-de dar conta, não as defendendo, e escondendo-me onde só as posso defender: Fugit, quia se sub silentio se abscondit.
sábado, janeiro 30, 2010
Um exercício útil e interessante
Naquela, o Papa propõe a pessoa do Santo Cura d'Ars como exemplo a ser seguido por todos os sacerdotes pelo seu amor ao Santo Sacrifício da Missa, pelo seu cuidado com a cura de almas, pela santidade modelar da sua vida; neste, D. Carlos Azevedo, em contradição directa com o Papa, não hesita em afirmar entre muitas outras barbaridades saídas directamente da vulgata progressista: Partiram-se, quebraram--se os modelos presbiterais do passado. Não podemos crer que se possa voltar a posições e perspectivas do passado, ainda que renovada a fachada e realizadas acomodações de emergência. Não, definitivamente. O amanhã não será continuação pacífica do ontem.
Percebe-se perfeitamente quem é que D. Carlos Azevedo pretende atacar com estas linhas e sobretudo com estas entrelinhas. Esse alguém mais não é do que o próprio Bento XVI e a sua obra de restauração católica ao nível da hermenêutica da continuidade, da reforma da reforma litúrgica e da defesa da Santa Missa tradicional de rito latino gregoriano. Em contraposição, com característica falta de imaginação progressista e em autêntica hermenêutica da ruptura (o amanhã não será a continuação pacífica do ontem), propõe sacerdotes abertos ao mundo (sabemos aonde conduziu essa abertura a um dos inimigos da alma nestes últimos cinquenta anos, e o Santo Padre lamenta-o amargamente na sua carta…), quiçá sacerdotes mundanos, provavelmente trajados de fato e gravata ou pólo "Lacoste", com voz afectada e modos efeminados, capazes das piores cedências perante os disparates do mesmo mundo, sendo tudo menos outros Cristos. De permeio, o Bispo Auxiliar de Lisboa faz ainda uma capciosa defesa da pluralidade de espiritualidades (que sempre existiu na Igreja), a qual, neste contexto, devidamente decifrada, não passa de uma apologia do relativismo e até do indiferentismo religioso. Com D. Carlos Azevedo estamos, de facto, muito longe do sim, sim, não, não evangélico.
Em resumo, o Patriarcado de Lisboa continua a ser uma praça-forte do modernismo e do progressismo em Portugal. Numa altura em que D. José Policarpo se aproxima do limite de idade para o exercício de funções episcopais, seria bom que Roma, ao mais alto nível, começasse a pensar inverter a situação deplorável que persiste na principal diocese portuguesa. A exemplo do que sucedeu recentemente com a arquidiocese de Malines-Bruxelas, na Bélgica.
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Destrinçar o estrutural do conjuntural
Por outro lado, não tenhamos a ilusão de que o actual poder político socialista socrático age deste modo com o fito de desviar a atenção da chamada opinião pública da situação calamitosa em que o país se encontra ao nível económico, financeiro e social. Supor tal é um erro em que incorre a falsa direita dos interesses, em Portugal personificada no PSD e CDS, adversa a combater numa guerra cultural cuja importância a sua tacanha mentalidade materialista de guarda-livros não atinge de todo em todo, parecendo incorrer no mesmo erro, ainda que apenas em parte, num dos seus artigos, o próprio Padre Gonçalo Portocarrero. Repito: não tenhamos tal ilusão! Bem pelo contrário, o poder socialista age com plena consciência e sem intenções secundárias. O seu objectivo principal é simples, directo e imediato: erradicar o que ainda resta por inércia da antiga ordem social cristã e substitui-la por uma nova ordem social jacobina e anticristã. De outro modo, como compreender a revolução imoral sofrida por Portugal, no curto período de quatro anos, com a consagração legislativa sucessiva do aborto a simples pedido, do divórcio por vontade unilateral de um dos cônjuges, da amoral instrução sexual nas escolas com distribuição gratuita de preservativos e anticonceptivos, e do emparelhamento de homossexuais?
Passo a relembrar uma verdade esquecida pela maior parte dos católicos contemporâneos estupidificados pelas heresias modernista e progressista, mas não olvidada pelos inimigos destes: a história, toda a história, é um combate religioso permanente entre dois exércitos personificados na cidade de Deus e na cidade dos homens, os quais se enfrentam numa luta sem quartel nem tréguas. É neste contexto que tem de ser percebida a ofensiva socialista, tanto mais que os mentores efectivos desta sabem que o seu tempo começa a escassear, pois o regresso do Rei aproxima-se, como o indiciam todos os sinais exteriores do mundo contemporâneo, desde a sucessão de catástrofes naturais que têm vindo a ocorrer nos anos mais recentes (a última, o terramoto haitiano) até à apostasia generalizada das sociedades ocidentais outrora cristãs (o esfriamento da caridade entendida cristãmente como a atracção irresistível pela verdade).
Deste modo, há que destrinçar o estrutural do conjuntural: o défice orçamental, o endividamento externo, o desemprego, as condições de vida muito difíceis de parte não despicienda da população portuguesa são problemas gravíssimos, frutos eles próprios da terrível desordenação anticristã da nossa sociedade dominada pela agiotagem e ganância, mas apesar de tudo reversíveis e solucionáveis com um maior ou menor esforço colectivo; porém, muito pior é o roubo da nossa essência mais profunda, da nossa alma, contra a qual acomete o poder socialista, pois esse é irreversível e fatal. Não permitamos que o mesmo suceda!
segunda-feira, janeiro 18, 2010
Deus no Haiti

Volviendo a la catástrofe de Haití, estoy seguro de que quienes hoy se escandalizan y blasfeman contra Dios por el terremoto, anteayer ni sabían ni tenían en su mente la miseria atávica de Haití y la culpable omisión de los estados a la hora de solucionar o atender los endémicos problemas estructurales de naciones y sociedades como esa. Quiero decir que no se escandalizan del Haití que se muere miserablemente dia a dia, pero sí del que sufre un terremoto.
Si la catástrofe hubiera sido de la misma trágica magnitud en una urbe acomodada y opulenta, el escándalo de los incrédulos hubiera sido mayor, con más profunda rabia. Serían los "tecnócratas" que no son capaces de agradecer a Dios los bienes que disfrutan pero se rebelan contra Dios (en Quien no creen, a Quien han expulsado de su mundo, de su mente, de su personal universo) en cuanto el mundo no les sonrie, o les falla algo, o les surje el dolor o la muerte en su camino. Son los agnósticos post-modernos que profesan un "credo natural" pero no aceptan/no encajan una "catástrofe natural". Viven encima de un torrente seco y se desesperan cuando llueve torrencialmente y el torrente se desborda y les arrastra. Viven sin creer y se revuelven cuando se les viene encima el mundo al que ellos mismos le han negado el Cielo, ¡y culpan al Cielo!
(...)
Cuando en casos como este u otros de mayor tragedia y desconcierto me lanzan la pregunta tópica de - "¿Dónde está Dios, dónde estaba?!!!", yo respondo (si me dejan, si me escuchan)que:
Dios (mi Dios) está en un pesebre
Dios (el único Dios) está crucificado
Y estuvo también "muerto y sepultado". Y vive y reina glorioso por los siglos de los siglos, eternamente feliz, omnisciente y omnipotente. Y lo ve todo y lo sabe todo y nada pasa sin que su voluntad lo quiera o lo consienta. Y proclamo todo esto con esa capacidad de responder y comprender y expresar lo inexpresable que me da la Fe para decir-verbalizar el Misterio de Dios que se hizo carne, que se hizo hombre, y que subió al Cielo y vive y reina con un cuerpo sacrificado que lleva como prueba del dolor cinco llagas en pies, manos y costado. Cinco llagas que no se han cerrado y que siguen abiertas y ofreciendose en acto por cada herida que sangra hoy en Haití y todos los días en todo el mundo sufriente y doliente, que Él sabe como nadie sabe y conoce como ninguno conoce.
Así es Dios, ese es mi Dios, en el que creo, por Quien no me escandalizan los dolores y las penas del mundo porque Él los lleva a cuestas, a todos, sin escandalizarse de ninguno ni por ninguna causa o cosa de este mundo que sí se escandaliza de Él.
¡Bienaventurado quien no se escandalice de Él! Porque siguen siendo un escándalo para el mundo el Dios Crucificado y el misterio del dolor que nosotros creemos y sabemos que es Misterio de la Cruz.
Quem quiser, pode ajudar as vítimas da tragédia haitiana através da Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre).
Sobre o assunto, a ler também: Haiti - do terror à beleza, e desta à hipocrisia.
Fotos: retiradas do blogue de Andrew Cusack.
terça-feira, janeiro 12, 2010
Da deriva totalitária secularista
Ora, é fácil de constatar aonde conduz a crença em análise: foi ela que gerou os totalitarismos revolucionários nacional-socialista e comunista que marcaram o século XX com milhões de mortos; é também ela que dará origem - caso a Providência Divina não se lhe oponha - à futura nova ordem mundial que dominará ferreamente o século XXI, numa base totalitária neo-ateísta e com muitos milhões de mortos mais (ver aqui e aqui), e que outra coisa não será do que a república universal do Anticristo, da qual apenas o Rei, em pessoa e em reclamação do seu Reino, nos conseguirá libertar.
segunda-feira, janeiro 11, 2010
Rumiando sobre el divorcio
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La base de la sociedad no es el individuo, sino la familia. Los gobiernos se han hartado en estas últimas décadas de dinamitar la familia con leyes permisivas del divorcio, con penalizaciones económicas a la familia, con no favorecer fiscalmente a las familias numerosas, con suprimir el derecho de reunificación de familias por motivos laborales, etc, etc.
La situación actual, donde los gobiernos dinamitan en la base –en la familia- a la misma sociedad en la que se estriban y apoyan no tiene parangón histórico. Es, simplemente, un suicidio en toda regla alentado por todos los áulicos del Enemigo.
El epítome moderno es la consideración económica. Ahora nos dicen que el divorcio es caro, que las familias monoparentales ocasionan mucho gasto al Estado. ¡Para este viaje no se necesitaban estas alforjas! Pero no paran mientes en ello. En todo caso, si el divorcio ocasiona tantos males, ¿por qué legislarlo de un modo tan permisivo? Pero no paran mientes ahí. Su actitud es perversa: prefieren el aborto al parto porque es más caro este último. O eso dicen las aseguradoras médicas norteamericanas. Es odio a la vida: es odio al futuro.
En otro orden de cosas se acusa a la Iglesia de varios latrocinios tan infundados como exitosos. Entre ellos que el que tiene dinero consigue la anulación y el que no lo tiene, no. El Matrimonio católico es indisoluble, por más que les pese a algunos. El problema, el verdadero problema, es que hoy día hay muchas bodas y pocos Matrimonios. Espero que el Padre Gómez Jaubert, autorizada voz en estas lides, deshaga estos mitos y nos ayude a desfacer el entuerto.
La sociedad civil, pervertida por los gobiernos, sí está sufriendo un proceso de divorcio profundo.
De divorcio de la realidad.
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Rafael Castela Santos