segunda-feira, julho 06, 2009

Aprovada a beatificação do Cardeal Newman


A aprovação papal da beatificação do Cardeal Newman é uma magnífica notícia para todos os católicos tradicionais, para mim muito em especial, admirador que sou há longo tempo da pessoa de John Henry Newman e dos restantes convertidos ingleses ao catolicismo de finais do século XIX, princípios do século XX. Aqui deixo, de seguida, alguns extractos comprovativos da ortodoxia e robustez doutrinárias do futuro Beato, retirados de "Newman against the Liberals", uma compilação de vinte cinco sermões efectuada pelo inolvidável Michael Davies, editada em 1978, pela Augustine Publishing Company (páginas 148, 123 e 193):

- The Jewish rites were to disappear; yet no one was bid forcibly to separate himself from what he had long used, lest he lost his sense of religion also. Much more will this hold good with forms such as ours, which so far from being abrogated by the Apostles, were introduced by them or their immediate successors; and which, besides the influence they exert over us from long usage, are, many of them, witnesses and types of precious gospel truths; nay, much more, possess a sacramental nature, and are adapted and reasonably accounted to convey a gift, even where they are not formally sacraments by Christ's institution.

- The fear of God is the beginning of wisdom; till you see Him to be a consuming fire, and approach Him with reverence and godly fear, as being sinners, you are not even in the sight of the strait gate. I do not wish you to be able to point to any particular time when you renounced the world (as it is called), and were converted; this is a deceit. Fear and love must go together; always fear, always love, to your dying day.

- Be our mind as heavenly as it may be, most loving, most holy, most zealous, most energetic, most peaceful, yet if we look off from Him for a moment, and look towards ourselves, ath once these excellent tempers fall into some extreme or mistake. Charity becomes over-easiness, holiness is tainted with spiritual pride, zeal degenerates into fierceness, activity eats up the spirit of prayer, hope is heightened into presumption. We cannot guide ourselves. God's revealed word is our sovereign rule of conduct.

Bispo de Málaga, o figurão progressista do momento


O Bispo de Málaga, Dom Jesús Esteban Catalá Ibáñez, é o figurão progressista do momento, pela forma inepta como se deu à liberdade de interpretar restritivamente a vontade do Papa Bento XVI plasmada no Motu Proprio "Summorum Pontificum", desobedecendo-lhe em termos práticos e efectivos. Pela minha parte, creio que não será nisto que consiste a famosa "plena comunhão" tantas vezes brandida contra a FSSPX… Ou será?... Mais pormenores no "Secretum Meum Mihi" e no "Tradição Católica".

sábado, julho 04, 2009

Tu és sacerdote para a eternidade!


Jesus Cristo escolhe certos homens, a quem dá uma participação real do Seu sacerdócio. São os padres que o Bispo consagra no dia da ordenação. Com as mãos estendidas sobre a cabeça daquele que vai consagrar, o Bispo invoca o Espírito Santo, pedindo-lhe para que desça à sua alma. Naquele momento, poder-se-iam repetir ao sacerdote as palavras do Anjo a Maria: Spiritus Sanctus superveniet in te. O Espírito Santo envolve-o, para assim dizer, e opera nele uma semelhança e uma união tão estreita com Jesus, que, como Jesus Cristo, se torna sacerdote para a eternidade. A tradição denominou o sacerdote "outro Cristo": é escolhido para ser, em nome de Jesus Cristo, mediador entre o céu e a terra. É esta uma realidade sobrenatural. Vede: quando o sacerdote oferece o sacrifício da Missa, que reproduz o sacrifício do Calvário, identifica-se com Jesus Cristo. Não diz: "Isto é o corpo de Cristo, isto é o sangue de Cristo". Se assim o fizesse, não haveria sacrifício. Mas diz: "Isto é o meu corpo, isto é o meu sangue".

Desde aquele momento, o sacerdote, consagrado a Deus pelo Espírito Santo, torna-se, como Jesus Cristo, Pontífice e Mediador entre os homens e Deus, ou antes, é a mediação única de Jesus Cristo que se prolonga na terra, através dos tempos, pelo ministério dos sacerdotes. O padre oferece a Deus, em nome dos fiéis, sobre o altar, o sacrifício eucarístico; do altar distribui ao povo a Vítima sagrada, o pão da vida, e com ele, todos os dons e todas as graças.

O altar é, na terra, o centro da religião de Jesus, como o Calvário é o remate e a culminação da Sua vida. Todos os mistérios da existência terrestre de Jesus convergem, como já disse, para a imolação da cruz; todos os estados da Sua vida gloriosa aí vão haurir o seu esplendor.

É por isso que a Igreja não comemora nem celebra mistério algum de Jesus sem oferecer o santo sacrifício da Missa. Todo o culto público organizado pela Igreja gravita em torno do altar; o conjunto das leituras, orações, louvores e homenagens, que se denomina Ofício divino, em que a Igreja descreve e exalta os mistérios do Seu celeste Esposo, foi por ela regulado para enquadrar o sacrifício eucarístico.

Seja, pois, qual for o mistério de Jesus que celebremos, não podemos, depois de o termos contemplado e meditado com a Igreja, participar nele de modo mais perfeito nem preparar-nos melhor para dele colhermos os frutos, do que assistindo com fé e amor ao sacrifício da Missa e unindo-nos, pela Comunhão, à vítima divina por nós imolada sobre o altar.


Dom Columba Marmion, O. S. B. - "Jesus Cristo nos Seus Mistérios", Mosteiro de Singeverga, Edições "Ora & Labora", tradução de 1958 do original de 1919, páginas 107 e 108.

Foto: ordenações sacerdotais no seminário suíço de Ecône (FSSPX), em 29 de Junho do ano corrente.

Cardeal Castrillón vai publicar livro sobre o rito latino-gregoriano


No momento em que se aproxima o fim da sua notável presidência da Comissão Pontifícia "Ecclesia Dei", o Cardeal Castrillón concedeu uma entrevista ao jornal colombiano "El Tiempo" - de que o "Secretum Meum Mihi" faz eco -, onde anuncia os seus projectos para o futuro próximo. Entre eles conta-se a conclusão de um livro sobre o rito latino-gregoriano. Será certamente um trabalho de grande mestria, obra de leitura obrigatória para todos os católicos tradicionais. Já tem lugar reservado na minha estante.

sexta-feira, julho 03, 2009

A fé adulta (e a sua antítese) segundo o Papa Bento XVI

Crucial intervenção do Papa Bento XVI, em homília proferida por ocasião do encerramento do Ano Paulino, no passado dia 28 de Junho, na qual condenou frontalmente atitudes bem características dos hereges progressistas. Transcrevo excertos de notícia publicada pela "Agência Ecclesia" (destaques meus):

Bento XVI encerrou na tarde deste Domingo o Ano Paulino, na Basílica de São Paulo Fora de Muros, deixando duras críticas à "moda" que considera que uma "fé adulta" implica não dar ouvidos "à Igreja e os seus pastores".

"A fé adulta não se deixa levar de um lado para outro por qualquer corrente. Ela opõe-se aos ventos da moda", apontou.

(...)

Na sua homilia, Bento XVI disse que a expressão "fé adulta" se tornou nos "últimos dez anos um slogan difundido.

"É entendida muitas vezes como comportamento de quem já não dá ouvidos à Igreja e aos seus Pastores, mas escolhe autonomamente aquilo que quer ou não acreditar, uma fé «feita por si mesma»", precisou o Papa.

Para estes, acrescentou, é um sinal de "coragem" expressar-se contra o Magistério da Igreja. "Na realidade, não é preciso ter coragem para isso e contar com o aplauso do público. É preciso ter coragem para aderir à fé da Igreja, mesmo se esta contradiz o esquema do mundo contemporâneo", acrescentou.

Bento XVI lembrou que, para São Paulo, infantil era "correr atrás de ventos e de correntes do tempo".

"Faz parte da fé adulta, por exemplo, lutar contra a violação da vida humana desde o primeiro momento, opondo-se com isso radicalmente ao princípio da violência e colocando-se em defesa das criaturas humanas mais vulneráveis. Faz parte da fé adulta reconhecer o matrimónio entre um homem e uma mulher por toda a vida como norma do Criador, restabelecida novamente por Cristo", indicou.

Cânones para canonistas de pacotilha


Também temos um exemplar do Código de Direito Canónico. 2ª edição portuguesa. Do ano de 1984. Ficou do tempo em que cursámos na Universidade Católica. Aqui deixamos alguns dos seus cânones, à atenção dos muitos hereges cismáticos progressistas, ademais de hipócritas como é próprio de lobos com pele de cordeiro, que por aí pululam e debitam as maiores alarvidades sobre a Igreja Católica em geral, e a FSSPX em especial.

Cânone 751 - Diz-se heresia a negação pertinaz, depois de recebido o baptismo, de alguma verdade que se deve crer com fé divina e católica, ou ainda a dúvida pertinaz acerca da mesma; apostasia, o repúdio total da fé cristã; cisma, a recusa da sujeição ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja que lhe estão sujeitos.

Cânone 752 - Ainda que não se tenha de prestar assentimento de fé, deve-se contudo prestar obséquio religioso da inteligência e da vontade àquela doutrina que quer o Sumo Pontífice quer o Colégio dos Bispos enunciam ao exercerem o magistério autêntico, apesar de não terem intenção de a proclamar como um acto definitivo; façam, portanto, os fiéis por evitar o que não se harmonize com essa doutrina.

Cânone 754 - Todos os fiéis têm obrigação de observar as constituições e decretos que a legítima autoridade da Igreja promulgar para promover uma doutrina ou proscrever opiniões erróneas, e com especial motivo as que publicar o Romano Pontífice ou o Colégio dos Bispos.

Cânone 1364 - § 1. Sem prejuízo do cânone 194, § 1, nº 2, o apóstata da fé, o herege e o cismático incorrem em excomunhão latae sententiae; o clérigo pode ainda ser punido com as penas referidas no cânone 1336, § 1, nºs 1, 2 e 3.

§ 2. Se o exigir a contumácia prolongada ou a gravidade do escândalo, podem acrescentar-se outras penas, sem exceptuar a demissão do estado clerical.

Cânone 1369 - Quem em espectáculo ou reunião pública, ou por escrito divulgado publicamente, ou utilizando por outra forma os meios de comunicação social, proferir uma blasfémia, ou lesar gravemente os bons costumes, ou proferir injúrias ou excitar o ódio ou o desprezo contra a religião ou a Igreja, seja punido com uma pena justa.

Afinal, quem é que está excomungado?!...

terça-feira, junho 30, 2009

A ideologia feminista do género é uma ideologia fundamentalista homicida

Os incondicionais da aceitação do Vaticano II são assim tão incondicionais?

Monsenhor Kurt Koch, bispo de Basileia, Suíça, publicou recentemente no sítio da diocese que chefia o texto abaixo transcrito, cujo teor não sufrago por inteiro, mas que nem por isso deixa de ser muito interessante, e que apresento agora aos meus leitores em tradução efectuada pelo blogue "La Buhardilla de Jerónimo". Nele, o prelado helvético denuncia a falta de honestidade moral de muitos dos supostos incondicionais da aceitação do Vaticano II, os quais afinal não são assim tão incondicionais quanto isso. Que bom seria que um bispo português, ao menos, também dissesse coisas destas! Os destaques infra são meus.

¿Qué me impulsa?

¡Más honestidad, por favor!

En las últimas semanas muchos periodistas, y también algunos clérigos, han expresado sus opiniones sobre el Papa Benedicto. Opiniones que contienen muchas medias verdades, falsedades y calumnias. La peor acusación afirma que el Papa desea retornar a un pasado anterior al Concilio Vaticano II. Esta acusación es la peor porque implica que la persona misma que posee la autoridad de enseñar a la Iglesia universal estaría trabajando para minar la autoridad del Concilio. Tal veredicto estaría, sin embargo, completamente errado. De hecho, como joven teólogo, Benedicto XVI, contribuyó mucho dentro del concilio. Quienquiera que busque comprender hoy al Papa, no sólo a través de los medios, sino leyendo lo que él escribe, llegará a la conclusión de que ha orientado todo su magisterio según el Concilio. ¿Cómo debemos entender entonces la acusación?

Mucha gente ha firmado una petición de incondicional aceptación del Concilio. De entrada, la expresión “incondicional aceptación” me irrita porque no sé de nadie – incluido yo mismo – a quien se pueda aplicar esto. Unos pocos ejemplos, arbitrariamente elegidos, serán suficientes:

-El Concilio no abolió el Latín en la liturgia. Por el contrario, -enfatiza que en el Rito Romano, salvo casos excepcionales, el uso de la lengua latina debe ser mantenido. ¿Quién entre los ruidosos defensores del Concilio desea una “incondicional aceptación” de esto?

-El Concilio declara que la Iglesia considera el Canto Gregoriano como la “música propia del Rito Romano” y que, por lo tanto, a ésta debe “darse el primer puesto”. ¿En cuántas parroquias es implementado esto “sin condiciones”?

– El Concilio pidió expresamente que las autoridades gubernamentales cedieran voluntariamente aquellos derechos de participación en la selección de obispos que surgieron en el transcurso del tiempo. ¿Qué defensor del Concilio se ha dedicado “incondicionalmente” a esto?

El Concilio describe la naturaleza fundamental de la liturgia como la celebración del misterio pascual y el sacrificio eucarístico como “la compleción de la obra de nuestra salvación” ¿Cómo puede conciliarse eso con mi experiencia, vivida en muchas parroquias diferentes, de que el sentido sacrificial de la Misa ha sido completamente eliminado del lenguaje litúrgico y la Misa es ahora entendida sólo como una comida o “fracción del pan”? ¿De qué manera puede uno justificar este cambio profundo basándose en el Concilio?

– A ningún oficio eclesiástico fue dada tanta importancia en el Concilio como al del obispo. Entonces, ¿cómo podemos entender la gran disminución de este oficio de la Iglesia en Suiza, justificada en referencia al Concilio? ¿Será, por ejemplo, cuando Hans Kung niega completamente la autoridad de enseñar de los obispos, permitiéndoles solamente el oficio de conducción pastoral?

No sería difícil alargar esta letanía. Aún así, ha de ser obvio por qué demando más honestidad en el presente debate sobre el Concilio. En vez de acusar a otros, incluso al Papa, de desear volver a un pasado anterior al Concilio, habría que aconsejar a todos estudiar sus libros y volver a examinar su posición sobre el Concilio. Porque no todo lo que fue dicho y hecho después del Concilio, fue llevado a cabo en concordancia con el mismo –y esto se aplica también a la diócesis de Basilea. En todo caso, las últimas semanas me han mostrado que un problema primordial de la situación actual ha sido un muy pobre y, en parte, un muy unilateral entendimiento y aceptación del Concilio, incluso por parte de los católicos que lo defienden “incondicionalmente”. En este sentido todos nosotros –una vez más me incluyo- tenemos mucho por hacer. Por lo tanto, nuevamente repito mi pedido urgente: ¡Más honestidad, por favor!

+ Kurt Koch
Obispo de Basilea

Sobre este texto, sugiro ainda a leitura dos comentários que o conhecido Padre Z fez ao mesmo no seu blogue.

segunda-feira, junho 29, 2009

Parábola para o momento presente

Por isso o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: "Concede-me um prazo e tudo pagarei". Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: "Paga o que me deves!" O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: "Concede-me um prazo que eu te pagarei.". Mas ele não concordou e mandou-o prender até que pagasse tudo quanto lhe devia. Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros contristados foram contá-lo ao seu senhor. O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: "Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?" E o senhor, indignado entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. (Mt 18, 23-34)

Ora, quem se comporta como o servo mau no momento presente, se não a corja de hereges modernistas que expele o seu ódio doentio sobre a tradição católica e a difama com todo o tipo de mentiras e calúnias, mas que hipocritamente não olha para as enormes abominações por si praticadas nestes últimos quarenta e cinco anos sob o "espírito do V2"?...

sábado, junho 27, 2009

Pobres destroços em pânico


Lembrando-lhes a severa advertência de Cristo, no Sermão da Montanha, de que "Ai de vós os que agora rides, porque gemereis e chorareis!" (Lc 6, 25), não liguemos mais aos desvarios dos pobres destroços remanescentes da heresia modernista, os quais, em delírio provocado pelo desespero que lhes causa a plena regularização da tradição católica, inventam comunicados imaginários do Vaticano, deformam os fins estatutários do Instituto do Bom Pastor ou tomam meras opiniões privadas de jornalistas esquerdistas simpatizantes do pseudo-progressismo cristão, como o norte-americano John Allen Jr. ou o francês Henri Tincq, por pronunciamentos oficiais do próprio Papa! O pânico do que aí vem toldou-lhes definitivamente a razão. Pela nossa parte, não sentimos qualquer pena deles por esse facto, e aguardamos com calma e tranquilidade a concretização das boas notícias previstas para os próximos dias, de que têm feito eco blogues amigos como o "Rorate-Caeli", o "Fratres in Unum" ou o "Tradição Católica", este último dessa verdadeira fonte de exasperação dos hereges progressistas que é a combativa Magdalia.

quinta-feira, junho 25, 2009

FSSPX, estado de necessidade e heresia luterana


É triste constatar como o farisaísmo monstruoso de certas pessoas só tem paralelo na sua estupidez colossal. Os do costume vêm agora arguir que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X está a afrontar a pessoa do Papa Bento XVI, e que falta àquela a razão quando tenta legitimar as ordenações sacerdotais do próximo Sábado com a invocação da existência de um estado de necessidade na Igreja.

Esta postura merece-me três comentários:

1º) Acho muito curioso que aqueles que constantemente afrontam o Santo Padre, desobedecendo e atacando com ferocidade o seu magistério sobre matérias como o divórcio, a regulação artificial da natalidade, o aborto, a eutanásia, o emparelhamento de homossexuais e a ordenação de mulheres, surjam agora farisaicamente escandalizados com uma imaginária afronta da FSSPX à pessoa do Papa, que de resto nem sequer se sabe qual possa ser, dado Roma já haver informado publicamente que nada tem a declarar sobre este assunto. Os que assim procedem não passam de mentirosos canalhas pertencentes a uma raça infernal de víboras! É caso para dizer: Por que reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro da tua vista, tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão. (Mt 7, 3-5)

2º) Existe à evidência um grave estado de necessidade na Igreja. A FSSPX afirma-o, mas em tal afirmação é corroborada pelo… Papa. Bento XVI reconheceu a existência desse estado de necessidade, ao menos para as situações específicas da França e da Alemanha, na reunião que manteve com Monsenhor Fellay, no Vaticano, no dia 29 de Agosto de 2005. E insiste no reconhecimento dessa existência na carta que escreveu aos bispos do mundo inteiro, datada de 10 de Março último, quando sustenta o seguinte: No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Ora, como é que se pode ter chegado a este ponto calamitoso, sem que haja um estado de necessidade na Igreja? Obviamente que há um estado de necessidade na Igreja! O Papa di-lo!

3º) Os episcopados alemão e austríaco, como o constata qualquer pessoa que consulte com alguma regularidade o excelente blogue "Cathcon", são dos mais radicalmente dominados pelo espírito do V2, aceitando e propagando todo o fundamental das teses heréticas modernistas e progressistas, numa linha que os reconduz no fundamental - a eles, sim - aos ensinamentos do heresiarca Lutero! Pois de onde vêm a negação do carácter sacrificial propiciatório da Missa e sua redução a uma mera ceia, a recusa da aceitação da Tradição como fonte de revelação, a crença na salvação universal independentemente das obras, a prevalência do livre exame privado sobre o magistério ou a minimização do sacerdócio ministerial face ao sacerdócio comum dos fiéis? Perante este quadro, só um cretino chapado é que pode ter a pretensão de enquadrar a FSSPX no âmbito do luteranismo! Ora, a FSSPX é antes refutação de todas estes erros e a reafirmação do catolicismo de sempre. E também por isto deve ignorar as pretensões abusivas dos bispos alemães e seguir adiante com a sua obra de defesa da tradição católica! A começar já pelas ordenações do próximo Sábado!

quarta-feira, junho 24, 2009

Os bispos da Alemanha em desespero de causa


As ameaças de excomunhão que a Conferência Episcopal Alemã tem vindo a fazer à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X nas últimas semanas, com respeito às ordenações sacerdotais que esta prevê realizar no próximo dia 27 de Junho, no seu seminário alemão de Zaitzkofen, ainda que graves, têm de ser reputadas como absolutamente irrelevantes. As mesmas traduzem tão-só a exasperação em que se encontra um dos episcopados mais heréticos da Europa, cuja respectiva conferência é presidida pelo modernista Zollitsch, que se notabilizou por negar em público o dogma da redenção. Através delas, tal episcopado, fingindo que zela pelo cumprimento do direito canónico, intenta na verdade atacar a pessoa do Papa e frustrar a vontade deste de regularizar o estatuto da FSSPX no seio da Igreja.

De facto, os bispos alemães - como muitos outros bispos pelo mundo fora, mas estes porventura mais discretos - não se conformam com a eleição de alguém doutrinariamente ortodoxo como Bento XVI para o Trono de São Pedro, bem como não lhe perdoam a obra de restauração gradual da tradição católica que de imediato encetou, e na qual pretende que a Fraternidade venha a desempenhar um papel maior. Por que outra razão o Santo Padre teria escrito o que escreveu, na sua carta de 10 de Março último aos bispos do mundo inteiro? Recordemo-lo:

Poderá deixar-nos totalmente indiferentes uma comunidade onde se encontram 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis? Verdadeiramente devemos com toda a tranquilidade deixá-los andar à deriva longe da Igreja? Penso, por exemplo, nos 491 sacerdotes: não podemos conhecer toda a trama das suas motivações; mas penso que não se teriam decidido pelo sacerdócio, se, a par de diversos elementos vesgos e combalidos, não tivesse havido o amor por Cristo e a vontade de anunciá-Lo e, com Ele, o Deus vivo. Poderemos nós simplesmente excluí-los, enquanto representantes de um grupo marginal radical, da busca da reconciliação e da unidade? E depois que será deles?

Assim, em desespero de causa, o episcopado alemão tenta a todo o custo fazer implodir o aparecimento de um quadro que provoca terror puro à sua mente herética modernista: a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X completamente regularizada de um ponto de vista canónico no interior da Igreja institucional! Porém, não conseguirão impedir que tal quadro se concretize: primeiro, porque Roma já se demarcou de qualquer ameaça de nova excomunhão da FSSPX, como o perceberá qualquer pessoa que saiba ler nas entrelinhas o comunicado do passado dia 17 de Junho, na condição de não ser um mitómano delirante e sem escrúpulos que tome os seus desejos pela realidade; segundo, porque no dia 21 de Junho último se realizaram as ordenações norte-americanas da FSSPX, no seminário de Winona (foto supra), e Roma não manifestou qualquer criticismo contra as mesmas, bem pelo contrário; e terceiro, simplesmente porque "as portas do Inferno não prevalecerão!"

segunda-feira, junho 22, 2009

domingo, junho 21, 2009

Santa Brígida da Suécia e as "Revelações"


Entre outros livros que ando a ler, e dos quais falarei aqui proximamente, destaco hoje o primeiro volume das "Revelações", de Santa Brígida da Suécia, projecto a que a "Oxford University Press" em boa hora se abalançou - já estão publicados dois dos quatros volumes previstos.

Para além da enorme elevação e edificação espiritual que delas sobressai, causando profunda impressão ao leitor, as "Revelações" mantêm-se hoje em dia tão ou mais prementes do que na época em que foram escritas, a saber, na segunda metade do século XIV, na Suécia medieval, então um reino ainda católico. Na verdade, sendo o homem uma criatura decaída atingida pelo pecado original, característica essa imutável de um ponto de vista ontológico e axiológico, os desafios que se lhe colocam na consecução do seu fim último, no presente como há seiscentos e cinquenta anos, são idênticos - a opção entre o bem e o mal, a escolha entre a salvação para a vida eterna ou a perdição para todo o sempre.

Impressionantes são igualmente as advertências que Santa Brígida faz, através das revelações privadas que teve a graça de receber de Cristo e da Santíssima Virgem, aos homens da Igreja do seu tempo (que entrava então na grande crise dos séculos XIV-XVI), aos maus bispos, sacerdotes e religiosos, admoestando-os com uma severidade que tem aplicação integral aos maus homens da Igreja contemporânea perturbada pelas heresias modernista e progressista.

Por tudo isto e também pelo seu estilo de escrita saborosamente peculiar, é muitíssimo proveitosa a leitura de Santa Brígida, que para além de ser padroeira do seu país, foi outrossim nomeada co-padroeira da Europa, pelo Papa João Paulo II, através do motu proprio "Spes Aedificandi", em conjunto com Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein).

sexta-feira, junho 19, 2009

O Dr. Esteves

Recebi por correio electrónico o texto abaixo publicado, o qual me foi enviado por alguém que o assina sob o nome de José Silva. Desconheço quem seja tal pessoa, mas a verdade é que escreve muito bem e com grande pertinência, como os meus leitores o poderão de imediato comprovar.

O Dr. Esteves

Milhares de linhas se escrevem e se lêem sobre os motivos que levam muitos ao descontentamento com a situação política em Portugal. O que é facto é que os descontentes têm de aceitar que essa mesma situação existe porque um dia a apoiaram e ainda hoje a aceitam. Existe igualmente porque, dum modo geral, o seu desejo seria a alteração de pequenos pormenores no panorama, sendo que dum modo geral, a realidade seria a mesma.

Uma verdadeira oposição acarreta, não só a coragem da assunção da diferença e da incompreensão, como também a capacidade de suportar a extrema insegurança proporcionada por um salto no desconhecido.

Como hipótese académica, vamos imaginar uma figura de meia-idade, duma família católica, que não se revê nos partidos maioritários, que se considera de direita, e nutre uma certa simpatia pela monarquia e pelo Estado-Novo. Chamá-lo-emos o Dr. Esteves.

O Dr. Esteves acha tudo isto uma bandalheira. O Dr. Esteves escreve num blog, e troca mails com piadas do Sócrates. O Dr. Esteves janta com os amigos e colegas e comenta o último escândalo. O Dr. Esteves tem saudades da tropa. O Dr. Esteves por vezes vota CDS, e nas restantes (ainda que não o confesse publicamente), vota PNR, e sente-se corajoso.

O Dr. Esteves não é racista, mas compreende que a imigração é um fenómeno a ser disciplinado. O Dr. Esteves não entende para que servem os estádios de futebol e o TGV. O Dr. Esteves acha que os políticos deviam ganhar menos.

O Dr. Esteves sente-se roubado pelos bancos. O Dr. Esteves sente o seu emprego ameaçado.

Um dia, ele enche-se de coragem e pensa.: “É meu dever cívico deixar um país melhor aos meus filhos. Vou meter-me na política”.

Então convence os amigos dos jantares a formar um partido. Um deles faz um logótipo simples, que é para poupar na impressão dos panfletos. Um outro, mais dextro no português escreve. “Há que dizer as verdades, expor as roubalheiras.” Contudo, na parte programática, claudica - Liberalismo económico, nacional socialismo, democracia-cristã, monarquia – todos estes nomes são “direita” mas como posicionar-se? Como conceber um modelo de Estado? Ele sabe que é de direita e que quer acabar com as poucas-vergonhas, mas as aulas de História no liceu já vão longe, e mesmo assim não ensinaram grande coisa.

A coisa sai complicada mas acutilante.

Para espanto dos novos políticos (ou talvez não) o resultado prático não é muito animador. O eleitorado passou ao lado das revelações do Dr. Esteves e dos seus amigos. Mas eles não desistem – afinal dizem a verdade e a verdade é como o azeite – vem sempre ao de cima.

O Dr. Esteves todas as semanas tinha uma sociedade para jogar no Euromilhões e por sorte, ou desígnio divino, saíu-lhe. Para desagrado da família, resolve investir a fortuna na recém-iniciada actividade partidária. Ombreando com os barões da droga e da construção civil, ele faz uma nova campanha eleitoral ao mais alto nível. Contrata um consultor de imagem brasileiro, um maquilhador homossexual e uma tribo de fotógrafos e camaramens. As ruas enchem-se de cartazes a abraçar criancinhas. A sua veia filantrópica aparece em documentários. Há um clima messiânico no ar. É ele que vai endireitar o país. Qual Salazar, qual quê?! Vota Esteves.

E o eleitorado vota. E o Dr. Esteves é eleito. Forma governo. Os amigos dos jantares são agora ministros. Como governar?

Os gabinetes dos seus ministérios estão cheios de inúteis, militantes do PS e do PSD, que foram recebendo os seus cargos como recompensa pelo voto nos últimos trinta anos. Fazem-lhe frente. Cada ordem é recebida ou com excesso de zelo ou com uma greve de braços caídos. O Dr. Esteves não consegue ver executada uma única decisão daquelas que considerava lapidares. O povo chama-lhe hipócrita. Ele concebe uma reforma na administração pública, mas o Orçamento do Estado não permite as indemnizações e reformas que iriam derivar de despedimentos em massa. Fica tudo na mesma.

O Dr. Esteves persiste, mas compreende que sem fronteiras não pode controlar a imigração nem as importações. As empresas pedem-lhe socorro, mas a Europa é inflexível. O Dr. Esteves vê então que não pode gerir a agricultura, nem as pescas, nem a indústria, nem sequer ajudar o restaurante onde jantava com os amigos a ver-se livre de regras estúpidas.

O Dr. Esteves desiste. Tenta reaver o dinheiro que investiu na campanha, num negócio com os chineses. Afinal, ninguém parece querer saber.

Moral da história. Oposição é algo muito diferente do Dr. Esteves.

Compreender o fracasso do Dr. Esteves

É bom imaginar o percurso do Dr. Esteves. Desta forma não teremos de despender energias em vivê-lo, e podemos usá-las de forma mais benéfica para todos.

Porquê então o seu fracasso? Uma resposta precipitada seria: “Porque não o deixaram fazer o que ele queria.” Até certo ponto é verdade, mas vista a coisa de forma mais séria, a culpa está no coração do Dr. Esteves.

Como assim?

Há uma contradição de base no nosso Dr. Esteves. Ele é católico e defende a verdade. Mas no processo, serve-se de um regime partidário que assenta num conjunto de mentiras.

1. No regime que atravessamos, poucos são os partidos em que a ideologia corresponde à nomenclatura. O marxismo já não faz parte do programa do PS. Bloco de Esquerda é uma designação ambígua e imprecisa: À esquerda de quê? O nacional socialismo é uma esquerda, comparada com o capitalismo liberal. Será o Bloco um Nacional Socialismo? A Social Democracia é incompatível com a crise económica. Se não há empresas saudáveis a quem cobrar, como fazer uma política social? O Partido Popular é tudo menos popular. Sendo o mais à direita com representação parlamentar, poderia facilmente trocar de nome com a UDP que, se tivesse representação, seria um dos mais à esquerda. Criar um partido neste regime, é mentir e participar numa mentira colectiva .

2. A forma como é conduzido o financiamento dos partidos, obscura q.b., é um acréscimo nessa mesma mentira. Só um hipotético Euromilhões traria honestidade ao financiamento duma campanha eleitoral. Slogans como “Uma Europa forte” não dizem rigorosamente nada sobre que modelo económico é defendido para a dita. Interessa apenas a criação de uma imagem – a possibilidade de cada eleitor mentir a si próprio sobre as suas expectativas europeias.

O Dr. Esteves andou perdido entre as ideologias como quem se perde numa loja de sapatos. Ele queria decisões pragmáticas sem um alicerce ideológico, ou melhor ainda, sem um alicerce moral! O Capitalismo, como é sabido, parte duma base moral judaico-protestante, os socialismos assentam numa base mística maçónica com aparência ateia ou agnóstica, e finalmente existe uma reminiscência do modelo de sociedade orgânica cristã primitiva nas concepções monárquicas. Sendo formalmente católico, o Dr. Esteves não conseguiu fazer a ponte entre a sua Igreja e a sua concepção de Estado.

Quem disse que ser democrata é ser adepto de um regime partidarizado? Quem acha que a organização em partidos de aparência ideológica, mas com base no clientelismo, é a melhor forma de representatividade dos cidadãos?

Resumindo, o grande problema do Dr. Esteves foi a falta de estruturação da sua identidade. Acabou assim por assumir a identidade dos que o rodeavam.

Oposição e identidade

Um Dr. Esteves esclarecido estaria familiarizado com a Doutrina Social da Igreja, e assim não teria de diambolar pelas ideologias dos vizinhos. Compreenderia, através das Escrituras e da Patrística, que uma sociedade não é nem deve ser dividida em classes, segundo o rendimento económico, (e assim todas as definições “populares” acabam sendo falaciosas) mas sim segundo afinidades familiares, laços de fidelidade pessoal, em grupos não de iguais mas de diferentes – na capacidade, na missão e na recompensa.

Compreenderia que esses grupos, diferentes entre eles, mas cooperando entre si nos objectivos, teriam uma representatividade, não atomista e individual, mas orgânica e corporativa. Compreenderia que num sistema de representatividade verdadeiramente democrático, não pode estar em causa a escolha dum modelo de Estado, mas sim, dentro de um modelo de Estado consensual, a tomada de decisões que afectam este ou aquele grupo social.

Compreenderia que a acumulação de tesouros na Terra é destrutiva – é autodestrutiva - e promoveria uma ordem de valores em que a oração e a contemplação sejam tidos como o maior bem.

Finalmente, tentaria preservar o seu país do modelo político e económico oriundo duma Europa que não partilha dos seus valores.

Como?

Depois dessa identidade estruturada, de duas maneiras fundamentais:

Exibindo-a, divulgando-a – no círculo familiar, nos seus jantares entre amigos, em cada contacto pessoal. Associando-se com os que pensam da mesma forma, procurando os pontos em comum que estejam acima de todos os movimentos e associações.

Dando o exemplo na recusa do cumprimento de normas prejudiciais quer a si próprio, na sua integridade cristã, quer ao seu país tido como uma comunidade de cristãos – a não cooperação com este modelo de Estado é a forma mais corajosa e mais eficaz para o derrube do regime que nos desagrada.

quinta-feira, junho 11, 2009

Balanço das eleições europeias

1º) Primeiro, as sondagens: é triste constatar a colaboração cúmplice da Universidade Católica Portuguesa com o poder político socialista na gigantesca tentativa de manipulação do eleitorado em que estas pesquisas da opinião pública se transformaram no nosso País, e através das quais se pretende influenciar a orientação de voto daquele eleitorado no sentido almejado pelo referido poder. É deveras lamentável que uma instituição da Igreja se preste a fazer figura tão pouco airosa, contribuindo assim para a total desacreditação das sondagens em Portugal, hoje em dia, meras armas de propaganda política sem qualquer seriedade ou credibilidade científica.

2º) Dos vinte e dois lugares parlamentares em disputa, vinte foram conquistados por forças políticas (PSD, PS, BE e PCP) que apoiam declarada ou envergonhadamente o aborto e o emparelhamento de homossexuais; os dois partidos mais votados (PSD e PS) sufragam também - sem quaisquer distinções entre ambos - o federalismo maçónico anticristão negador das soberanias nacionais e a islamização forçada da Europa mediante a integração da Turquia na União.

Creio que não é possível compreender estes resultados desastrosos, se não se tiver em conta a renúncia do actual episcopado português a exercer qualquer magistério público, bem como a sua omissão ao não haver lembrado aos fiéis o grave dever que estes têm de não votar em forças políticas cujas posições ideológicas contradigam os princípios basilares da fé e moral católicas. No fundo, bastava que os bispos lusitanos tivessem acatado os ensinamentos da "Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenhamento e comportamento dos católicos na vida política", aprovada pelo Papa João Paulo II, em 2002, coisa que não fizeram.

3º) Também pelo supra exposto, é especialmente perturbador o grande avanço eleitoral da extrema-esquerda em Portugal, sinal notório de um evidente terceiro-mundismo mental reinante entre nós, o qual não tem paralelo em qualquer outro país europeu, ocidental e civilizado. Como entender esta situação?

Antes de mais, boa parte do corrente eleitorado da extrema-esquerda (BE) é composto por jovens entre os dezoito e vinte cinco anos de idade que não conheceram os efeitos do comunismo real na Europa, ou ao menos não têm dele uma recordação nítida, o que lhes permite votar despreocupadamente numa força política que, sob uma capa de defensora irreverente de todas as causas pós-modernas, continua a ser apologista dos pressupostos doutrinários da tirania marxista-leninista.

De seguida, estes resultados são também o fruto consumado da guerra cultural de cariz gramsciano que a extrema-esquerda tem conduzido no último quarto de século contra os valores fundamentais da civilização cristã e ocidental, por intermédio do seu domínio cada vez mais intenso do aparelho educativo - o Ministério da Educação é um autêntico Ministério da Reforma Psicológica -, bem como dos meios de comunicação social ditos de referência, e que mais não são do que autênticos órgãos de propaganda política. Deste modo, a nova geração de eleitores é a primeira inteiramente formatada sob os referidos esquemas mentais gramscianos, constituindo a sua aparição um importantíssimo triunfo para os autores de tal guerra cultural. Ora, se tivermos em conta que, ao menos internamente, estes autores não tiveram qualquer oposição séria e que o episcopado português se recusa a travar com firmeza o combate contra este estado de coisas que lhe incumbiria, começa a não ser tão difícil perceber a situação corrente.

Por último, mas não menos importante, deve também ser considerado o voto de protesto deste eleitorado na extrema-esquerda. Voto contra a injusta ordem económica que Portugal vive, onde um governo pomposamente apelidado de socialista mas sem preocupações sociais, despreza absolutamente a dignidade do trabalho e dos trabalhadores, reduzindo-os a meros factores económicos de produção. A não inverter-se este padrão de uma geração inteira sem horizontes, explorada pelo trabalho temporário e a auferir um salário médio de seiscentos euros por mês (quando o aufere…), a extrema-esquerda continuará a galgar terreno, podendo até tornar-se poder, o que seria tenebroso. Assim, também no campo económico e social urge instaurar uma ordem autenticamente cristã, nele fazer reinar Cristo, e abandonar a usura, agiotagem e ganância próprias de um plutocracismo decadente.

4º) Finalmente, os resultados das eleições para o parlamento europeu antevêem que Portugal está a chegar ao fim de um ciclo político. No próximo mês de Outubro, depois de quatro anos de governação ruinosa, José Sócrates (PS) deverá deixar de ser o chefe de governo português, substituído nessas funções por Manuela Ferreira Leite (PSD). Os portugueses despedir-se-ão de um engenheiro que frequentava as reuniões do Clube de Bilderberg e que nunca contou o que por lá acontece, e darão as boas vindas a uma economista que participa nos encontros do Clube de Bilderberg e que jamais relatou o que por lá sucede. Como são belas a alternância e a transparência democráticas!

terça-feira, maio 26, 2009

Dos políticos católicos dissidentes, livrai-nos Senhor!

Haja quem defenda a Realeza Social de Cristo! Dos políticos católicos dissidentes, livrai-nos Senhor! Magistral Padre Serras Pereira! Não resisto transcrever alguns trechos:

Em Portugal a Lei de Deus, a saber, a Lei que Deus inscreveu no coração de todo e qualquer ser humano, quer dizer, a Lei Moral Natural, isto é, a Lei da Natureza Racional da Pessoa, a que podemos chamar princípios irrenunciáveis ou valores inegociáveis tem sido sistematicamente contestada, verbal e praticamente, por muitos dos que se auto-proclamam políticos católicos praticantes. Como o Episcopado, por razões insondáveis, não denuncia as suas infidelidades e continua, como se nada fosse, a conceder-lhes honras eclesiais, a convidá-los para palestrantes em simpósios ou congressos de doutrinação católica, a dar-lhes a Sagrada Comunhão o povo católico só pode concluir que essas gravíssimas iniquidades são não só de todo compatíveis com a Fé, mas devem ser tidas como virtudes a imitar.

(...)

Os exemplos podiam continuar, mas os que se deram são suficientes para perceber que nenhum destes graves males poderia entrar em vigor sem a cumplicidade dos políticos católicos que dividiram e desuniram profundamente a Igreja, incutiram a confusão no povo crente, açaimaram os Bispos, semearam o erro, produziram heresias morais, existenciais. Estas, como explica Stanley Jaki, são mais danosas e têm mais graves consequências do que as intelectuais. Isto nada tem a ver com moralismo, muito pelo contrário, tem antes a ver com a identidade do Cristianismo, com a verdadeira relação com Jesus Cristo, com a Comunhão com a Igreja, com a Fé que opera pela Justiça e pela Caridade.

Nunca os inimigos de Deus e do género humano teriam conseguido alcançar estes objectivos, em Portugal, sem a traição e infidelidade dos políticos católicos, uma vez que seriam imediatamente reconhecidos como tais, sendo logo combatidos e rebatidos. Fomos infiltrados, enganados e derrotados. Eu não sei se essa malta católica pertence à maçonaria, mas sei que a sua forma de pensar e de actuar é típica dessa associação secreta.

Nós não temos necessidade alguma de políticos católicos, temos é que nos livrar deles, e o mais depressa possível. O que precisamos, isso sim é de Católicos fiéis que sejam políticos, e urgentemente. O Católico não é adjectivo, é substantivo, o político é que adjectiva o católico. O Católico está primeiro, é a base, a substância, o fundamento, a identidade que depois se desdobra coerentemente na política.


E é claro que irei rezar a ladainha proposta pelo Senhor Padre Serras Pereira. Sugiro que os meus leitores façam o mesmo. Mal não trará, de certeza absoluta!

domingo, maio 24, 2009

Breves - 22

- Confesso que não fazia má impressão da pessoa de Paulo Rangel; porém, a recente entrevista por ele concedida retirou-me quaisquer ilusões que pudesse ter acerca da sua pessoa. Nesta, revela-se um vulgar oportunista político, afirmando não o que pensa e sente, mas tão-só aquilo que supõe ser politicamente correcto declarar perante a chamada opinião pública. Isto para além de demonstrar ignorância crassa sobre os deveres dos católicos na política e de manifestar absoluto desconhecimento de um documento de importância fulcral como o é a "Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenhamento e comportamento dos católicos na vida política", aprovado pelo Papa João Paulo II, no ano de 2002. Assim como que a modos de um Joseph Biden lusitano. Graças a Deus que em Portugal ainda existe um sacerdote católico corajoso, que logo chamou à razão o autor de tão escandalosa entrevista. Bem-haja o Padre Nuno Serras Pereira, que sozinho faz mais pela defesa da doutrina católica do que toda a Conferência Episcopal Portuguesa em conjunto!

Quanto ao Partido Social Democrata, pelo qual Paulo Rangel se apresenta às eleições europeias, parece ter descoberto com este candidato, na disputa da terra de ninguém que é o centro político, o anticatolicismo contemporâneo bem pensante, supondo que com tal postura atrairá eleitorado proveniente do Partido Socialista e até do Bloco de Esquerda. Puro delírio! Desta maneira, o PSD caminhará antes a passos largos para a total extinção, se continuar a defender a tese de que é ao centro-esquerda que se ganham as eleições, se insistir em ser uma pálida imitação do PS, pois na medida em que o eleitor prefere sempre o produto original às imitações, nessa área ideológica o PS terá sempre vantagem face ao PSD. Não está mal apanhada a coisa, para um partido que diz pertencer à família da democracia cristã europeia…

Na verdade, sem uma matriz doutrinária bem definida, ao sabor dos ventos das modas ideológicas, o PSD não passa de um sindicato de interesses oportunistas que só pensam em gozar tanto quanto possam a coisa pública em proveito privado, de forma em tudo idêntica à do PS. Ora, os católicos tradicionais, bem como a direita dos valores, não podem ter nada a ver com esta enorme falta de moral de uma agremiação que já não hesita em atacar abertamente o magistério ordinário constante da Igreja, a propósito de matérias como a anticoncepção artificial, o emparelhamento de homossexuais ou a ordenação de mulheres.

- Das grandes manifestações de fé pública ocorridas no passado fim-de-semana em Lisboa e Almada, por ocasião da comemoração do cinquentenário da inauguração do Monumento de Cristo-Rei já falaram com muita propriedade os meus amigos João Marchante e Afonso Miguel. Pela minha parte, deploro apenas a lamentável nota pastoral redigida pelo episcopado português a propósito de tão magna ocasião. Os nossos bispos, em vez de aproveitarem a excelente ocasião que se lhes proporcionava para reafirmarem publicamente a Realeza Social de Cristo ou, ao menos, sublinharem a necessidade imperiosa de a sociedade portuguesa continuar a ser ordenada e enformada segundo uma matriz eminentemente cristã, optaram por redigir um documento imbuído do pior espírito de ruptura pós-conciliar, fazendo a apologia de um laicismo positivo que é a mais total negação do Reinado de Cristo.

Pergunto eu: laicismo positivo, mas que é isso? Conceito desconhecido para o Beato Pio IX, Leão XIII, São Pio X ou Pio XI que condenaram o laicismo sem mais, não diferenciando nele o positivo do negativo. Laicismo positivo? Será aquele que facilita ao máximo a dissolução do casamento pelo divórcio, que descriminaliza o aborto a simples pedido, que distribui livremente pelas escolas preservativos e a pílula do dia seguinte, e que proximamente consagrará os emparelhamentos de homossexuais e a eutanásia? Mas, afinal, quando é que os bispos portugueses ganharão juízo e passarão a assumir um discurso efectivo de bispos católicos? Quando?!

- Com respeito ao laicismo, é lamentável que haja quem continue a bramar a necessidade de separação entre a lei religiosa e a lei civil, abanando o espectro do fundamentalismo islâmico e a este associando com notória má fé os católicos tradicionais. Desconhecem os analfabetos que assim procedem, ainda que porventura travestidos de títulos de doutores da mula ruça, que a cidade cristã da civilização ocidental nunca foi uma teocracia e que nela sempre imperou a separação entre a lei religiosa e a lei civil. Bem distinto é o curto-circuito que tais energúmenos pretendem provocar, sob a aparência de defenderem a dita separação: de facto, eles visam antes a cisão entre a lei natural e a lei positiva, com o consequentemente consagrar da soberania ilimitada da vontade humana, desiderato máximo de um outro fundamentalismo - o ateísta - que foi o primeiro e principal responsável por todas as barbáries totalitárias ocorridas ao longo do século XX.

- Leio as notícias sobre a publicação, na Irlanda, do relatório da comissão que investigou os abusos sexuais sobre menores cometidos por membros da Igreja Católica. Como fiel católico, causa-me profunda impressão que tais pessoas, que pelo seu especialíssimo estatuto deveriam ser exemplos de piedade e santidade, tenham conseguido descer até ao nível mais abjecto do escândalo. Estou também consciente de que os imbecis do costume vão aproveitar mais esta ocasião para propulsionarem a sua fúria anticatólica. Para eles, a culpa destes acontecimentos é do celibato sacerdotal e da moral sexual católica, que reputam de desumana por inexequível. Para mim, ela reside antes na perda do sentido do pecado ocorrida em muitos destes sacerdotes e religiosos católicos durante todo o século XX, fruto notório da propagação das teses da nova teologia progressista entre os mesmos. Com os resultados à vista de todos…

- Foi-me solicitada a sua divulgação pelo responsável do projecto e faço-o com muita gosto: aí está o Pope2You, o novo sítio do Vaticano especialmente dirigido aos jovens e destinado à difusão da mensagem do Papa nos novos fóruns da Internet.