quarta-feira, março 25, 2009

Uma imagem vale mais...




... do que mil palavras.

Jovens católicos parisienses em defesa da pessoa do Papa Bento XVI, contra as provocações dos vendilhões da extrema-esquerda radical e do ódio anticatólico, que, junto à Catedral de Notre-Dame, insultavam Sua Santidade sob a palavra de ordem de "assassino".

Ainda o Ordinário exibicionista

Paco Pepe, do muito recomendável "La Cigüena de la Torre", num excelente e divertido artigo, chega a roupa ao pêlo a Dom Januário Torgal Ferreira. A impunidade do episcopado lusitano, responsável por um dos piores desertos modernistas da Europa, tem os dias contados.

segunda-feira, março 23, 2009

O Ordinário exibicionista

O Ordinário Torgal lembra-me cada vez mais aqueles espontâneos que durante os desafios de futebol ou de râguebi fazem gala de saltar das bancadas para o campo de jogo, atravessando-o a correr completamente nus. É assim que as suas mais recentes declarações, lamentáveis como de costume em tal figurão, devem ser entendidas. O caso já não é de heresia ou cisma, mas tão-só de puro exibicionismo. De resto, de mau gosto e doentio, como todos os exibicionismos.

domingo, março 22, 2009

Dizer a verdade em tempos de mentira universal

Um Papa incómodo que não se verga perante os poderes terrenos, nem se subordina aos disparates do mundo, preocupado apenas em servir e proclamar a verdade. Assim é Bento XVI! Motivo de justo orgulho para os católicos dignos desse nome e de temor para todos os inimigos da Igreja de Cristo, tanto os internos que a subvertem dissimuladamente como os externos que a atacam de frente!

Escreveu Orwell que em tempos de mentira universal, dizer a verdade é um acto revolucionário, e outra coisa não o fez o Santo Padre, a caminho dos Camarões, acerca da prevenção da sida. É preciso vivermos num mundo muito estranho, para que uma declaração de puro senso comum cause um clamor de fúria global. De facto, os homens modernos são genuinamente estúpidos, talvez os mais estúpidos de todos os tempos. Conformismo confrangedor, embotamento de raciocínio e obnubilação de consciência caracterizam-nos.

E, porventura, pode alguém com um mínimo de boa fé ou uma réstea de honestidade intelectual afirmar que o ensinamento católico sobre a sexualidade - realidade para ser vivida de modo consciente e responsável, no seio de uma relação monogâmica (o casamento) pautada pela fidelidade conjugal - é responsável pela propagação da epidemia de sida no mundo inteiro, especialmente em África, ou pela difusão de outras doenças transmitidas por via sexual? Creio bem que não! Ao invés, se em teoria todos sem excepção pautassem as suas vidas pela moral sexual católica, a incidência de tais doenças seria nula!

Assim, não são os ensinamentos da Igreja, em estrita conformidade com a lei natural - lei que impera sobre todos os homens, épocas e lugares, e portanto também sobre os africanos da África do começo do século XXI -, que enchem hospitais, sanatórios e asilos de doentes em estado terminal, mas antes a perversa divinização que o homem contemporâneo faz de si próprio e do seu comportamento, pretendendo-se arrogante e impunemente acima da lei natural. Arrogância e impunidade que, no caso concreto, supõe ilusoriamente manter, refugiando-se atrás de um miserável preservativo. Com os efeitos práticos desastrosos à vista de todos, ou, pelo menos, daqueles que ainda têm olhos para ver e cabeça para pensar.

domingo, março 15, 2009

A carta do Papa Bento XVI

A carta que o Papa Bento XVI escreveu aos bispos do mundo inteiro a propósito do levantamento das excomunhões dos quatros bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, redigida num tom diplomático muito próprio de Sua Santidade, afigura-se-me de conteúdo globalmente positivo. Denotando numa ou noutra passagem ainda alguma heterodoxia, no seu essencial demonstra um Bento XVI cada vez mais próximo da tradição católica, tradição que não renega e em relação à qual repudia qualquer tentativa de ruptura imposta pelo suposto "espírito do V2". Mais importante ainda, Sua Santidade confirma estar cercado por lobos - e quem são eles, se não boa parte dos destinatários da carta, os bispos do mundo inteiro? -, dando a entender que não conta com estes para nada, ademais de os avisar solene e formalmente de que o processo de regularização canónica da FSSPX vai mesmo prosseguir, agrade-lhes ou não tal factualidade.

De seguida, transcrevo na íntegra a carta papal. Os destaques são naturalmente de minha autoria.

Amados Irmãos no ministério episcopal!

A remissão da excomunhão aos quatro Bispos, consagrados no ano de 1988 pelo Arcebispo Lefebvre sem mandato da Santa Sé, por variadas razões suscitou, dentro e fora da Igreja Católica, uma discussão de tal veemência como desde há muito tempo não se tinha experiência. Muitos Bispos sentiram-se perplexos perante um facto que se verificou inesperadamente e era difícil de enquadrar positivamente nas questões e nas tarefas actuais da Igreja. Embora muitos Bispos e fiéis estivessem, em linha de princípio, dispostos a considerar positivamente a decisão do Papa pela reconciliação, contra isso levantava-se a questão acerca da conveniência de semelhante gesto quando comparado com as verdadeiras urgências duma vida de fé no nosso tempo. Ao contrário, alguns grupos acusavam abertamente o Papa de querer voltar atrás, para antes do Concílio: desencadeou-se assim uma avalanche de protestos, cujo azedume revelava feridas que remontavam mais além do momento. Por isso senti-me impelido a dirigir-vos, amados Irmãos, uma palavra esclarecedora, que pretende ajudar a compreender as intenções que me guiaram a mim e aos órgãos competentes da Santa Sé ao dar este passo. Espero deste modo contribuir para a paz na Igreja.

Uma contrariedade que eu não podia prever foi o facto de o caso Williamson se ter sobreposto à remissão da excomunhão. O gesto discreto de misericórdia para com quatro Bispos, ordenados válida mas não legitimamente, de improviso apareceu como algo completamente diverso: como um desmentido da reconciliação entre cristãos e judeus e, consequentemente, como a revogação de quanto, nesta matéria, o Concílio tinha deixado claro para o caminho da Igreja. E assim o convite à reconciliação com um grupo eclesial implicado num processo de separação transformou-se no seu contrário: uma aparente inversão de marcha relativamente a todos os passos de reconciliação entre cristãos e judeus feitos a partir do Concílio – passos esses cuja adopção e promoção tinham sido, desde o início, um objectivo do meu trabalho teológico pessoal. O facto de que esta sobreposição de dois processos contrapostos se tenha verificado e que durante algum tempo tenha perturbado a paz entre cristãos e judeus e mesmo a paz no seio da Igreja, posso apenas deplorá-lo profundamente. Disseram-me que o acompanhar com atenção as notícias ao nosso alcance na internet teria permitido chegar tempestivamente ao conhecimento do problema. Fica-me a lição de que, para o futuro, na Santa Sé deveremos prestar mais atenção a esta fonte de notícias. Fiquei triste pelo facto de inclusive católicos, que no fundo poderiam saber melhor como tudo se desenrola, se sentirem no dever de atacar-me e com uma virulência de lança em riste. Por isso mesmo sinto-me ainda mais agradecido aos amigos judeus que ajudaram a eliminar prontamente o equívoco e a restabelecer aquela atmosfera de amizade e confiança que, durante todo o período do meu pontificado – tal como no tempo do Papa João Paulo II –, existiu e, graças a Deus, continua a existir.

Outro erro, que lamento sinceramente, consiste no facto de não terem sido ilustrados de modo suficientemente claro, no momento da publicação, o alcance e os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. A excomunhão atinge pessoas, não instituições. Um ordenação episcopal sem o mandato pontifício significa o perigo de um cisma, porque põe em questão a unidade do colégio episcopal com o Papa. Por isso a Igreja tem de reagir com a punição mais severa, a excomunhão, a fim de chamar as pessoas assim punidas ao arrependimento e ao regresso à unidade. Passados vinte anos daquelas ordenações, tal objectivo infelizmente ainda não foi alcançado. A remissão da excomunhão tem em vista a mesma finalidade que pretende a punição: convidar uma vez mais os quatro Bispos ao regresso. Este gesto tornara-se possível depois que os interessados exprimiram o seu reconhecimento, em linha de princípio, do Papa e da sua potestade de Pastor, embora com reservas em matéria de obediência à sua autoridade doutrinal e à do Concílio. E isto traz-me de volta à distinção entre pessoa e instituição. A remissão da excomunhão era um provimento no âmbito da disciplina eclesiástica: as pessoas ficavam libertas do peso de consciência constituído pela punição eclesiástica mais grave. É preciso distinguir este nível disciplinar do âmbito doutrinal. O facto de a Fraternidade São Pio X não possuir uma posição canónica na Igreja não se baseia, ao fim e ao cabo, em razões disciplinares mas doutrinais. Enquanto a Fraternidade não tiver uma posição canónica na Igreja, também os seus ministros não exercem ministérios legítimos na Igreja. Por conseguinte, é necessário distinguir o nível disciplinar, que diz respeito às pessoas enquanto tais, do nível doutrinal em que estão em questão o ministério e a instituição. Especificando uma vez mais: enquanto as questões relativas à doutrina não forem esclarecidas, a Fraternidade não possui qualquer estado canónico na Igreja, e os seus ministros – embora tenham sido libertos da punição eclesiástica – não exercem de modo legítimo qualquer ministério na Igreja.

À luz desta situação, é minha intenção unir, futuramente, a Comissão Pontifícia «Ecclesia Dei» – instituição competente desde 1988 para as comunidades e pessoas que, saídas da Fraternidade São Pio X ou de idênticas agregações, queiram voltar à plena comunhão com o Papa – à Congregação para a Doutrina da Fé. Deste modo torna-se claro que os problemas, que agora se devem tratar, são de natureza essencialmente doutrinal e dizem respeito sobretudo à aceitação do Concílio Vaticano II e do magistério pós-conciliar dos Papas. Os organismos colegiais pelos quais a Congregação estuda as questões que se lhe apresentam (especialmente a habitual reunião dos Cardeais às quartas-feiras e a Plenária anual ou bienal) garantem o envolvimento dos Prefeitos de várias Congregações romanas e dos representantes do episcopado mundial nas decisões a tomar. Não se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade. Mas, a alguns daqueles que se destacam como grandes defensores do Concílio, deve também ser lembrado que o Vaticano II traz consigo toda a história doutrinal da Igreja. Quem quiser ser obediente ao Concílio, deve aceitar a fé professada no decurso dos séculos e não pode cortar as raízes de que vive a árvore.

Dito isto, espero, amados Irmãos, que tenham ficado claros tanto o significado positivo como os limites do provimento de 21 de Janeiro de 2009. Mas resta a questão: Tal provimento era necessário? Constituía verdadeiramente uma prioridade? Não há porventura coisas muito mais importantes? Certamente existem coisas mais importantes e mais urgentes. Penso ter evidenciado as prioridades do meu Pontificado nos discursos que pronunciei nos seus primórdios. Aquilo que disse então permanece inalteradamente a minha linha orientadora. A primeira prioridade para o Sucessor de Pedro foi fixada pelo Senhor, no Cenáculo, de maneira inequivocável: «Tu (…) confirma os teus irmãos» (Lc 22, 32). O próprio Pedro formulou, de um modo novo, esta prioridade na sua primeira Carta: «Estai sempre prontos a responder (…) a todo aquele que vos perguntar a razão da esperança que está em vós» (1 Ped 3, 15). No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Conduzir os homens para Deus, para o Deus que fala na Bíblia: tal é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo. Segue-se daqui, como consequência lógica, que devemos ter a peito a unidade dos crentes. De facto, a sua desunião, a sua contraposição interna põe em dúvida a credibilidade do seu falar de Deus. Por isso, o esforço em prol do testemunho comum de fé dos cristãos – em prol do ecumenismo – está incluído na prioridade suprema. A isto vem juntar-se a necessidade de que todos aqueles que crêem em Deus procurem juntos a paz, tentem aproximar-se uns dos outros a fim de caminharem juntos – embora na diversidade das suas imagens de Deus – para a fonte da Luz: é isto o diálogo inter-religioso. Quem anuncia Deus como Amor levado «até ao extremo» deve dar testemunho do amor: dedicar-se com amor aos doentes, afastar o ódio e a inimizade, tal é a dimensão social da fé cristã, de que falei na Encíclica Deus caritas est.

Em conclusão, se o árduo empenho em prol da fé, da esperança e do amor no mundo constitui neste momento (e, de formas diversas, sempre) a verdadeira prioridade para a Igreja, então fazem parte dele também as pequenas e médias reconciliações. O facto que o gesto submisso duma mão estendida tenha dado origem a um grande rumor, transformando-se precisamente assim no contrário duma reconciliação é um dado que devemos registar. Mas eu pergunto agora: Verdadeiramente era e é errado ir, mesmo neste caso, ao encontro do irmão que «tem alguma coisa contra ti» (cf. Mt 5, 23s) e procurar a reconciliação? Não deve porventura a própria sociedade civil tentar prevenir as radicalizações e reintegrar os seus eventuais aderentes – na medida do possível – nas grandes forças que plasmam a vida social, para evitar a segregação deles com todas as suas consequências? Poderá ser totalmente errado o facto de se empenhar na dissolução de endurecimentos e de restrições, de modo a dar espaço a quanto nisso haja de positivo e de recuperável para o conjunto? Eu mesmo constatei, nos anos posteriores a 1988, como, graças ao seu regresso, se modificara o clima interno de comunidades antes separadas de Roma; como o regresso na grande e ampla Igreja comum fizera de tal modo superar posições unilaterais e abrandar inflexibilidades que depois resultaram forças positivas para o conjunto. Poderá deixar-nos totalmente indiferentes uma comunidade onde se encontram 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis? Verdadeiramente devemos com toda a tranquilidade deixá-los andar à deriva longe da Igreja? Penso, por exemplo, nos 491 sacerdotes: não podemos conhecer toda a trama das suas motivações; mas penso que não se teriam decidido pelo sacerdócio, se, a par de diversos elementos vesgos e combalidos, não tivesse havido o amor por Cristo e a vontade de anunciá-Lo e, com Ele, o Deus vivo. Poderemos nós simplesmente excluí-los, enquanto representantes de um grupo marginal radical, da busca da reconciliação e da unidade? E depois que será deles?

É certo que, desde há muito tempo e novamente nesta ocasião concreta, ouvimos da boca de representantes daquela comunidade muitas coisas dissonantes: sobranceria e presunção, fixação em pontos unilaterais, etc. Em abono da verdade, devo acrescentar que também recebi uma série de comoventes testemunhos de gratidão, nos quais se vislumbrava uma abertura dos corações. Mas não deveria a grande Igreja permitir-se também de ser generosa, ciente da concepção ampla e fecunda que possui, ciente da promessa que lhe foi feita? Não deveremos nós, como bons educadores, ser capazes também de não reparar em diversas coisas não boas e diligenciar por arrastar para fora de mesquinhices? E não deveremos porventura admitir que, em ambientes da Igreja, também surgiu qualquer dissonância? Às vezes fica-se com a impressão de que a nossa sociedade tenha necessidade pelo menos de um grupo ao qual não conceda qualquer tolerância, contra o qual seja possível tranquilamente arremeter-se com aversão. E se alguém ousa aproximar-se do mesmo – do Papa, neste caso – perde também o direito à tolerância e pode de igual modo ser tratado com aversão sem temor nem decência.

Amados Irmãos, nos dias em que me veio à mente escrever-vos esta carta, deu-se o caso de, no Seminário Romano, ter de interpretar e comentar o texto de Gal 5, 13-15. Notei com surpresa o carácter imediato com que estas frases nos falam do momento actual: «Não abuseis da liberdade como pretexto para viverdes segundo a carne; mas, pela caridade, colocai-vos ao serviço uns dos outros, porque toda a lei se resume nesta palavra: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Se vós, porém, vos mordeis e devorais mutuamente, tomai cuidado em não vos destruirdes uns aos outros». Sempre tive a propensão de considerar esta frase como um daqueles exageros retóricos que às vezes se encontram em São Paulo. E, sob certos aspectos, pode ser assim. Mas, infelizmente, este «morder e devorar» existe também hoje na Igreja como expressão duma liberdade mal interpretada. Porventura será motivo de surpresa saber que nós também não somos melhores do que os Gálatas? Que pelo menos estamos ameaçados pelas mesmas tentações? Que temos de aprender sempre de novo o recto uso da liberdade? E que devemos aprender sem cessar a prioridade suprema: o amor? No dia em que falei disto no Seminário Maior, celebrava-se em Roma a festa de Nossa Senhora da Confiança. De facto, Maria ensina-nos a confiança. Conduz-nos ao Filho, de Quem todos nós podemos fiar-nos. Ele guiar-nos-á, mesmo em tempos turbulentos. Deste modo quero agradecer de coração aos numerosos Bispos que, neste período, me deram comoventes provas de confiança e afecto, e sobretudo me asseguraram a sua oração. Este agradecimento vale também para todos os fiéis que, neste tempo, testemunharam a sua inalterável fidelidade para com o Sucessor de São Pedro. O Senhor nos proteja a todos nós e nos conduza pelo caminho da paz. Tais são os votos que espontaneamente me brotam do coração neste início da Quaresma, tempo litúrgico particularmente favorável à purificação interior, que nos convida a todos a olhar com renovada esperança para a meta luminosa da Páscoa.

Com uma especial Bênção Apostólica, me confirmo

Vosso no Senhor

BENEDICTUS PP. XVI

Vaticano, 10 de Março de 2009.

quarta-feira, março 11, 2009

O aborto de novo, desta vez no Brasil

Nunca duvidei de que, em certos casos terríveis e dramáticos, a culpa moral de uma mulher que aborta pode ser muitíssimo reduzida; mas sempre acreditei que o aborto é um acto intrinsecamente mau, errado e censurável, a evitar em absoluto. Escrevi-o aqui há cinco anos (meu Deus, como o tempo passa!). Recordo-o agora, a respeito da situação da menina brasileira infamemente violada pelo próprio padrasto. E, dito isto, sufrago por inteiro dois artigos escritos a propósito deste assunto, cuja leitura passo a recomendar:

- "A curta história de duas crianças que até para alguns católicos não existiram por não serem desejadas", do excelentíssimo "Corcunda";

- "O rótulo e a ideologia de pacote", de Afonso Miguel, autor de uma "Tribuna" cuja linha editorial fazia muita falta e que já se tornou um lugar de minha visita diária.

Entrevista a "O Sexo dos Anjos" - texto integral

Por sugestão do próprio Manuel Azinhal, republico integralmente neste espaço a entrevista que concedi a "O Sexo dos Anjos", com vista à sua divulgação junto de um maior número de leitores. Aqui fica a mesma.

1 - O Rodrigo Emílio dizia que nos transformámos de "país de missionários em país demissionário". O que aconteceu ao catolicismo em Portugal para chegar à situação presente?

Ao catolicismo português aconteceu o mesmo que ao restante catolicismo à escala global: por força das concepções antitradicionais consagradas pelo Concílio Vaticano II, demitiu-se de instaurar tudo em Cristo e optou por render-se aos disparates do mundo. Com os resultados deploráveis à vista de todos.

2 - Se tentasse raciocinar num plano exclusivamente humano, diria que existe um futuro para a Igreja Católica em Portugal?

Num plano exclusivamente humano, seria tentado a afirmar que inexiste qualquer outro futuro para a Igreja Católica em Portugal que não seja o da sua extinção pura e simples; contudo, sei bem que a Igreja Católica não é uma instituição exclusivamente humana e que goza da indefectibilidade que lhe foi prometida pelo seu fundador Jesus Cristo até ao final dos tempos, acrescendo-lhe, no caso específico português, a garantia dada em Fátima por Nossa Senhora de que o dogma da fé há-de manter-se sempre em terras lusitanas.

Sem prejuízo, aos mais acomodados, que supõem que tão magnas promessas os dispensam de qualquer esforço, recordo que nada substitui a acção dos crentes na defesa das verdades de fé e moral. De facto, a indefectibilidade da Igreja não implica a intangibilidade desta (como a história das perseguições que tem sofrido ao longo dos tempos o demonstra), nem a manutenção do dogma da fé pressupõe que este beneficie para sempre de visibilidade pública. Havia fé - e que fé! - nas catacumbas…

3 -Quando surgiu "A Casa de Sarto", não existiam na blogosfera portuguesa os blogues declaradamente católicos e tradicionalistas que entretanto apareceram. Hoje existem alguns. Brasileiros também. Não considera, ainda assim, que é escassa a presença na blogosfera de língua portuguesa das correntes representativas da tradição católica?

Quando iniciei "A Casa de Sarto", os católicos tradicionais portugueses não tinham qualquer voz, nem se faziam ouvir minimamente para além das paredes dos priorados da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X. No espaço público, a discussão estava praticamente monopolizada pelos modernistas e progressistas, por figuras como o Bispo D. Januário Torgal Ferreira, Frei Bento Domingues, o Padre Mário Oliveira ou o teólogo Anselmo Borges, todos sempre muito críticos da Igreja, não por esta recusar a sua total demolição, mas por não executá-la com a rapidez por eles julgada ideal!

Ora, a um nível muito modesto, parece-me que consegui alterar um pouco este estado de coisas. Na Igreja institucional portuguesa era inadmissível defender-se a excelência da Missa tradicional de rito latino-gregoriano ou criticar as doutrinas não-tradicionais acolhidas a um nível meramente pastoral pelo Concílio Vaticano II. Isso acabou! Agora tais questões começam a ser debatidas à luz do dia. Os modernistas e os progressistas deixaram de poder ignorar a tradição, ainda que seja tão-só para insultá-la. E é um excelente sinal dos tempos que a insultem!

Fico igualmente muito satisfeito por "A Casa de Sarto" ter dado frutos. Apraz-me constatar a expansão que os blogues católicos tradicionais de língua portuguesa têm registado nos tempos mais recentes, dos quais destacaria no nosso país o "Tradição Católica", da Magdalia, a boa surpresa do "Economia da Alma", de Hugo Pinto Abreu e Diogo Pereira Nunes, e o circunspecto mas muito importante "Missa Tridentina em Portugal", de Sebastião Silva. Noutro plano, sublinho a notável evolução do "Corcunda", de um conservadorismo político de recorte anglo-saxónico para um vigoroso tradicionalismo católico, e não termino sem aludir ao mais discreto dos blogues católicos tradicionais portugueses - um certo "O Sexo dos Anjos".

No Brasil, e sabendo que estou a ser injusto com muitos e excelentes amigos, realçaria o "Fratres in Unum" e o "Contra Impugnantes", sem olvidar os magníficos recursos doutrinários que sítios como a "Permanência" ou a "Associação Montfort" colocam à disposição de todos os católicos tradicionais que dominam o português.


4 - Nestes últimos anos, em que A Casa de Sarto e os seus autores têm marcado presença na blogosfera, a causa da tradição católica em Portugal estagnou, avançou ou regrediu?

Creio que timidamente a causa da tradição avançou em Portugal.

Hoje, para além dos priorados da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, já existe uma diocese nacional - a de Leiria-Fátima - onde a Missa tradicional é oficiada regularmente, o que era inimaginável quando "A Casa de Sarto" apareceu. Fonte segura afirmou-me que mais três dioceses seguirão brevemente o exemplo leiriense. É claro que os bispos portugueses - na sua maioria completamente imbuídos do "espírito do Vaticano II" e da hermenêutica da ruptura a este adstrita - continuam a ser uma enorme força de bloqueio à expansão da tradição; porém, dado grande parte deles estar à beira de atingir o limite de idade para o exercício do múnus episcopal, o panorama acabará por alterar-se para melhor, à imagem do que já vai sucedendo noutros países.

Por outro lado, e aqui reside uma das maiores esperanças da tradição em Portugal, um cada vez maior número de fiéis leigos, em especial jovens, tem vindo a consciencializar-se da extraordinária riqueza da doutrina católica, bem como do esplendor e beleza da Santa Missa de rito latino-gregoriano. A esta circunstância específica não é alheia a influência que a tradição católica conseguiu conquistar na internet, em particular na blogosfera à escala mundial.

5 - Houve momentos de um passado recente, como as mobilizações da campanha contra o aborto, em que pareceu que havia mais fiéis dispostos a dar testemunho e a combater o bom combate do que a própria hierarquia gostaria. Não haverá aqui um drama e uma esperança?

Há em primeiro lugar um drama! No caso do aborto, como noutros - e aí está a questão das parelhas homossexuais a prová-lo uma vez mais - foi e tem sido deplorável a pusilanimidade demonstrada pelos membros da Conferência Episcopal Portuguesa, contaminando directamente a quase totalidade do clero sob sua jurisdição. Os bispos demitiram-se de ensinar e defender a fé e a moral, e muitos deles não compreenderão sequer o motivo por que um dos símbolos do seu estatuto é o báculo! Que pastores de almas são estes que desertam da batalha e nela deixam abandonadas as suas ovelhas a lutar sozinhas contra alcateias de lobos esfaimados?! Aliás, mais do que deserção, o episcopado nacional está a ser sistematicamente derrotado por falta de comparência, a qual constitui o grande drama corrente da Igreja portuguesa. Esta renuncia voluntariamente a estar presente no espaço público, que é assim ocupado sem luta pelas forças inimigas anticristãs.

Depois, em menor escala, há também uma esperança, na medida em que os leigos não se conformam mais com o estado de coisas acima referido. Ao invés, resistem e defendem a boa doutrina, sem cederem a falsas obediências que num passado recente tanto mal fizeram.

6 - Tenho pensado que a grande razão para o curto tempo de vida da generalidade dos blogues que constantemente aparecem e desaparecem reside no facto de os seus autores terem muito pouco para dizer. O que lhe parece?

Um blogue deve ter sempre bem definida uma linha editorial que lhe sirva de fio condutor, pois, caso contrário, estará fadado a desaparecer rapidamente sem haver tido outra razão de ser que não fosse a de satisfazer um mero capricho passageiro do seu autor. Penso que será esta a principal causa da curta duração de muitos blogues; mas não olvido também o esforço tremendo que estes exigem para ser mantidos em permanência dentro de um nível de qualidade mínima aceitável…

7 - Proponho um exercício difícil: procure apresentar em breves linhas os autores que indico a seguir.

a) G. K. Chesterton.

Ortodoxia, senso comum e bom humor. Um autor com características semelhantes é o meu muito estimado Padre Leonardo Castellani.

b) Charles Maurras.

O mestre da contra-revolução, antimoderno e ultramoderno; António Sardinha equipara-se-lhe e com a vantagem de não sofrer tentações pagãs.

c) Julio Meinville.

O grande refutador do sistema progressista e de dois dos principais subprodutos deste: o teilhardismo e o maritainismo.

d) Gustavo Corção.

Em conjunto com Dom António de Castro Mayer, a grande glória do combate católico tradicional em língua portuguesa. Um justíssimo orgulho do Brasil e - por que não? - de Portugal! “O Século do Nada” é uma obra-prima de leitura absolutamente obrigatória para os tradicionalistas do mundo inteiro!

e) Nicolás Goméz Dávila.

Um genial escritor católico colombiano - o reaccionário solitário de Bogotá (1913-1994) - que começa a ser merecidamente conhecido na Europa e América do Norte. A sua obra, quase toda escrita sob a forma de aforismos, é uma crítica devastadora, estribada em finíssima ironia, da ideologia revolucionária contemporânea e das suas consequências religiosas, morais, políticas e culturais. Um autor a descobrir com urgência!

segunda-feira, março 02, 2009

Ainda o caso Williamson

Confesso que foi de extremo desagrado a minha primeira reacção às declarações de Monsenhor Williamson, depois de as mesmas haverem sido convenientemente desenterradas pela televisão sueca, na sequência do levantamento das excomunhões dos quatro bispos da FSSPX. Na altura, mandei uma carta ao Rafael Castela Santos, que o conhece pessoalmente, criticando o bispo tradicionalista em termos muito duros e até injustos.

Uma semana depois, e já com a miserável campanha à escala global entretanto desencadeada contra o Santo Padre e a FSSPX em pleno desenvolvimento, escrevi um artigo aqui publicado e intitulado "O caso Williamson", que supunha ser o primeiro e último que redigiria sobre o assunto. Suposição errada porquanto sou agora forçado a abandonar o papel de crítico do Bispo Williamson e assumir o de seu defensor.

Porquê?! Porque ajuízo como absolutamente inadmissível tudo o que se passou na última semana envolvendo a pessoa daquele, desde a sua saída forçada da Argentina até à reacção à apresentação do seu segundo pedido público de desculpas.

Apesar de não terem sido negacionistas, as declarações de Monsenhor Williamson sobre o denominado Holocausto foram imponderadas, imprudentes e infelizes - disse-o antes e repito-o agora; porém, em nada infringiram as leis divina e natural, já que tiveram por objecto matéria histórica, decerto grave, mas não-dogmática e portanto sujeita a livre apreciação. Deste modo, pelo simples facto de as haver pronunciado, acho intolerável acossá-lo como se fosse um animal feroz ou persegui-lo como se tratasse de um malandrim sem escrúpulos. Que ninguém rasgue farisaicamente vestes face a tais declarações, num mundo que permite que ateus, satanistas, pederastas, sodomitas, aborcionistas e eutanasistas defendam e promovam com total liberdade as suas perversões, imposturas e mentiras! Basta de hipocrisia!

Mais escandalosa ainda é a reacção de alguns aos dois pedidos de desculpas públicas já feitos por Monsenhor Williamson, onde se retracta das suas infelizes declarações. Parece que tais retractações, que evidenciam uma enorme humildade de carácter bem contrastante com o orgulho tão típico do homem moderno, não são suficientes para esses.

E quem são esses? Aqueles que não pretendem qualquer retractação do Bispo Williamson, mas antes, tão-só e nada mais do que a sua autocrítica pública à maneira dos condenados dos julgamentos populares da Rússia estalinista e da China maoísta, na qual renegue em absoluto a sua volição e consciência, e aceite acriticamente a existência do dogma onde não existe dogma!

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro? Sem dúvida que sim!

Wiston, mergulhado no seu sonho feliz, nem reparou que lhe enchiam o copo. Já não estava a correr nem a dar vivas. Encontrava-se de novo no Ministério do Amor, e tudo fora perdoado: tinha a alma branca como a neve. Encontrava-se no banco dos réus, a confessar tudo, a denunciar toda a gente. Caminhava pelo corredor de ladrilhos brancos, com a sensação de quem caminha ao sol, e atrás de si vinha um guarda armado. A tão esperada bala entrava-lhe enfim no cérebro.

Ergueu os olhos para o rosto enorme. Levara quarenta anos a descobrir que sorriso se escondia atrás do bigode negro. Oh, cruel e desnecessário mal-entendido! Oh, teimoso e voluntário exílio do peito amantíssimo! Duas lágrimas impregnadas de gin escorreram-lhe de ambos os lados do nariz. Mas estava tudo bem, tudo bem, a luta chegara ao fim. Alcançara a vitória sobre si próprio. Amava o Grande Irmão.
(George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, Lisboa, Edições Antígona, 1999)

Curiosamente, Richard Williamson é um profundo conhecedor da obra de George Orwell, como pode comprovar-se aqui.

Ler também:

- "Um imenso blefe diabólico", no "Contra Impugnantes";

- "El patriarca antediluviano o Mons. Williamson", no "La Honda de David".

sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Entrevista a "O Sexo dos Anjos"

Coube-me a vez de responder às perguntas do Manuel Azinhal, ilustre autor d’”O Sexo dos Anjos”, na ronda que o mesmo tem vindo a efectuar por vários blogues amigos. A entrevista que daí resultou, para quem o queira fazer, pode ser lida aqui.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

Deseducação sexual

Em vez de impor de modo coercivo a (des)educação sexual nas escolas do 1º (a alunos de seis anos de idade!) ao 12º ano, não seria melhor que o governo anticristão socrático os ensinasse a ler, escrever e contar correctamente, coisa que a maior parte deles não sabe fazer hoje em dia? Ao invés, tal governo prefere espezinhar os direitos naturais dos pais e da família, desprezar o princípio cristão da subsidiariedade, interferir em matéria pertencente à consciência individual e prosseguir a empresa de demolição da identidade nacional portuguesa. Percebe-se porquê, sabendo-se a ideologia que nele impera. Apetece-me citar um aforismo (escólio) de Nicolás Gómez Dávila, o genial escritor católico colombiano de que os medíocres sem escrúpulos que nos desgovernam jamais ouviram falar:

La educación sexual se propone facilitarle al educando el aprendizaje de las perversiones sexuales.

Quanto ao mais, faço minhas as palavras do caríssimo Hugo Pinto Abreu e assino-as sem reservas por baixo.

A neurose progressista "cristã"


Intitulada "O Cristo Mágico" e escrita por um "Corcunda" cada vez mais firmemente esteado na solidez imperecível da tradição católica, aqui fica um trecho de uma brilhante escalpelização da neurose comummente conhecida pelo nome de progressismo "cristão".

A religião é justificação para a conduta e não uma séria compreensão do transcendente. Esta é modelada para satisfazer o ego e não para conformar o ego ao cosmos, como todas as religiões que se prezam, professam. O Cristianismo reduzido a uma forma de “auto-ajuda” é uma adaptação da religião à servidão labrega ao nosso tempo.

Não preciso de dizer o que acontece quando os homens se crêem santos independentemente do seu comportamento, ungidos pelo rumo histórico, pela racionalidade, pelo fim da racionalidade e o apogeu do sentimento, ou demais profecias “joaquinitas” de santificação da humanidade. As heresias antigas entregaram-se à miséria moral e espiritual, as modernas ao genocídio. Com enxadas não se pode ter uma máquina de morte…

Há mais eternidade na culpa de um pecador relapso do que na impenitência do “santarrão” que eliminou, vá-se lá saber através de que revelação, os obstáculos da sua separação de Deus. Tomando-Lhe o lugar, o profeta cria a sua própria “revelação”. Um ideólogo é aquele que constrói um cosmos que o serve. E quando o sexo se torna ideologia, estamos à beira do fim.

Moralismo e hipocrisia


Lido no notável "O Sexo dos Anjos". Daqui mando um grande abraço para o Manuel Azinhal!

Um dos números mais divertidos que nos foi dado ver ultimamente neste circo que é a vida pública contemporânea foi o recente clamor que se ergueu universalmente contra a decisão do Papa de levantar a excomunhão que pesava há vinte anos sobre os fiéis tradicionalistas.

Não houve opinador nem chafarica do universo iluminado e progressista, dos mais anticlericais aos mais habituados à água benta, que não rompesse a bramir protestos, em uníssona exigência:

- Excomunhão ! Excomunhão! Excomunhão!

O coro ouviu-se urbi et orbi, e quem o ouvisse até podia ser levado a pensar que os reivindicantes alguma vez se preocuparam com a sua própria comunhão.

Não é o caso, certamente. Nem é certamente o bem da Igreja o que ocupa os reivindicantes. Mas o mais engraçado nessas multitudinárias manifestações é reconhecer nelas as mesmíssimas forças que há centenas de anos nos andam a doutrinar contra todas as excomunhões, contra todas as excomunhões... Pelo que se pode concluir, afinal, foram sempre contra as excomunhões mas apenas contra aquelas que os atingem a eles. Desde que recaia sobre os outros, os maus, excelente coisa é a excomunhão!

O mesmo acontece com o famigerado índex; não há filho do progresso, do mais avermelhado ao mais malva descorado, que não se agite em frémitos de indignação só de falar em proibições de livros, ideias, pensamentos... Apanhem-se no poder, porém - e os livros até os queimam, as bibliotecas são devidamente depuradas, as ideias só com o carimbo da correição, e até as palavras, e pessoalíssimas opiniões, têm que submeter-se ao crivo da conformidade política, zelosamente vigiadas por leis, polícias, jornais, tribunais e restantes instituições. Os índices, proibições e interditos ganham estatuto de pilares fundamentais da ordem pública.

Magistério papal ordinário constante

domingo, fevereiro 15, 2009

O caso Williamson


Só esta semana me foi possível escutar as polémicas declarações de Monsenhor Richard Williamson à televisão sueca. Que dizer?

Abstraindo-me dos preconceitos ruidosos do mundo e pensando com verdadeira liberdade, não vislumbro qualquer afirmação negacionista nas palavras do bispo tradicionalista. Acaso este refutou a índole pagã e anticristã do regime nacional-socialista ou que o mesmo, durante a II Guerra Mundial, houvesse perseguido e assassinado um elevadíssimo número de judeus em toda a Europa ocupada? Objectivamente, não! Monsenhor Williamson limitou-se a questionar o número oficial habitualmente apresentado como sendo o do total de vítimas de tal perseguição - seis milhões de mortos -, bem como a duvidar da existência de um dos meios de execução empregues naquela - as câmaras de gás. Por isto só, chamar-lhe de imediato "nazi" e "negacionista" parece-me notório extremismo de tolerantes intolerantes reflexivamente estimulados, os quais demonstram à saciedade a farsa hipócrita em que a liberdade de expressão se transformou nas sociedades ocidentais contemporâneas supostamente democráticas, mas de facto cada vez mais tirânicas à maneira orwelliana. Sociedades, ademais, invertidas onde se nega a existência de Deus e blasfema com toda a impunidade, onde se assassinam crianças indefesas no interior do ventre materno e se matam doentes nos seus leitos… Quem é nazi, afinal?!

Sem prejuízo, deveria Monsenhor Williamson ter proferido publicamente estas afirmações? Entendo que não! E causa-me profunda estranheza que um homem com o seu saber e traquejo o haja feito, caindo assim numa armadilha infantil, já que é consabida a natureza anticristã e canalha - por força de quem os controla - da generalidade dos meios de comunicação social modernos. Ao fazê-lo, foi notoriamente imponderado, embaraçou em público a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X e o Papa Bento XVI, e forneceu aos inimigos internos da Igreja Católica - os hereges modernistas - um precioso argumento para atacarem com despudor selvático a tradição católica e pessoa do Santo Padre, vomitando sobre ambas todo o ódio que lhes têm. Algo que até os judeus de boa fé reconhecem… Em suma, parece-me que Monsenhor Williamson nunca se deveria ter exposto em público da maneira que se expôs, quando em causa nem sequer estava a defesa de matéria de fé ou moral, mas apenas a discussão das dimensões de um acontecimento histórico que não é assunto de fé ou moral.

Deste modo, e em face da tempestade desencadeada, é compreensível e canonicamente fundamentada a exigência que Sua Santidade lhe impôs de se retractar publicamente de tais pontos de vista, caso pretenda ser admitido ao desempenho de funções episcopais na Igreja institucional. Porém, chegado a este ponto, não posso deixar de sublinhar o seguinte: porque precisamente o denominado Holocausto não é matéria de fé ou moral, ao elevar a crença na versão aceite deste a requisito imprescindível para o exercício do múnus episcopal, o Papa em coerência há-de ter igual grau de rigor para com todo o conjunto de verdades de fé e moral católicas. O que por enquanto, e de modo surpreendente, continua a não suceder em relação a muitos lobos com pele de cordeiro no seio da Igreja. Alguns até com barrete cardinalício. Acredito todavia que tal panorama mude em breve.

Complementarmente, sugiro a também a leitura dos seguintes artigos abaixo indicados, com cujo teor concordo genericamente (com reservas em relação ao de Mosebach):

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

Autocarros de que gostamos



As alternativas são infinitas com este "bus slogan generator", que nos possibilita largos momentos de boa disposição à custa da toleima do mundo moderno.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Pela Liberdade da Igreja

Lido no nosso amigo "Corcunda". Excelente, como de costume!

“Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos.”

Há por aí uma gente que quer que o Papa policie as mentes não em nome da Fé, mas em nome dos dogmas secularistas que por aí pululam. Acusam a Cristandade de sancionar as mentes, mas ao invés de proclamarem a liberdade de consciência, erguem novos dogmas de utilidade política. Nunca vi o Papa reclamar que se reconheça que um crime contra os Cristãos seja matéria doutrinária para outras religiões, ou obrigar quem quer que seja a acreditar na existência terrena e a morte de Jesus como facto histórico. A negação de que houve muitos crimes contra os Cristãos ou de que Jesus existiu e foi morto é uma visão amputada da História, mas não constitui um crime contra quem quer que seja, não merecendo sanção, mas educação e piedade. Acresce a isto que a generalidade dos defensores da Liberdade aceitam de bom grado a existência desses crimes mentais, não se ouvindo uma palavra de piedade pelos massacres de Cristãos que se dão por todo o Próximo e Médio Oriente HOJE, ou pelo tratamento dado aos católicos por todo o Israel.

Como se pode compreender que exista tanta preocupação com o negacionismo no seio da Igreja (quantos haverá na Igreja, 1, 10, 100, 1000?), abaixo-assinados em França e na Alemanha contra o Bispo Williamson, e não exista uma preocupação com os milhares e milhares de católicos que apoiam associações e partidos abortistas. Como pode não existir uma petição pela excomunhão de católicos que se opõem à Doutrina da Igreja e haver um barulho ensurdecedor para que se castigue um bispo que nada disse contra a Fé? Assim se vêem as preocupações e a Norma dos nossos católicos, sempre prontos a rastejar perante os senhores do mundo.
Escolhem o seu lado...

terça-feira, fevereiro 03, 2009

segunda-feira, janeiro 26, 2009

O fim do princípio

Com o Decreto que ordena o levantamento das excomunhões aos bispos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, o Santo Padre Bento XVI corrige e elimina uma monstruosa injustiça histórica que durante vinte anos, num autêntico martírio sem sangue, foi cometida contra os principais responsáveis (depois de Monsenhor Marcel Lefebvre e Dom António de Castro Mayer) pela sobrevivência da tradição católica no mundo contemporâneo.

Se para os membros e fiéis leigos da FSSPX nunca deixou de ser claro que tais excomunhões eram nulas e desprovidas de qualquer validade, juízo no qual os corroboravam ilustres e reputados canonistas, o facto é que para o comum dos crentes católicos, genericamente piedosos e reverentes mas pouco esclarecidos de um ponto de vista doutrinário, a questão não se afigurava tão óbvia, constituindo um poderoso factor de dissuasão a um maior contacto com a mesma FSSPX.

Ora, a remoção das excomunhões elimina esta enorme barreira psicológica, permitindo que o combate pela tradição ganhe um redobrado alento e dinamismo, atraindo para o seu seio novos fiéis desiludidos com o modernismo e progressismo, em especial jovens. É que não se duvide que tal combate, pese embora a sempre bem vinda expansão dos grupos "Ecclesia Dei", sobretudo depois da publicação do Motu Proprio "Summorum Pontificum", continua a ser feito eminentemente pela FSSPX, que o meu amigo Rafael Castela Santos qualifica com propriedade de navio almirante da armada da tradição!

Por outro lado, com a sua decisão, Bento XVI retira aos hereges modernistas e progressistas, bem como aos aliados de facto destes, os idiotas úteis comummente conhecidos por neocatólicos conservadores, os principais argumentos com que até agora caluniavam e denegriam a FSSPX à margem das mais elementares justiça e caridade cristãs, ou seja, priva-os da possibilidade de voltarem a usar contra aquela os rótulos infames de "excomungada" e "cismática".

Posto isto, a FSSPX está novamente - e por pleno direito! - no interior visível das muralhas da cidade cristã. Não duvido de que estará à altura da missão que Sua Santidade espera dela, isto é, auxiliá-lo determinantemente na plena restauração da Santa Igreja Católica! Urge, pois, que dê luta sem tréguas aos inimigos internos que minam a unidade da fortaleza católica, à quinta coluna de traidores às ordens do mundo e do seu príncipe, aos "católicos" de letreiro e cismáticos "de facto" que pública e reiteradamente desprezam as verdades fundamentais de fé e moral, fazendo tábua-rasa do magistério eclesial!

Como já disse em ocasião anterior, que melhores ajudantes de campo pode ter nesta missão o Sumo Pontífice, que não Monsenhores Bernard Fellay, Tissier de Mallerais, Richard Williamson e Alfonso de Galarreta, secundados por todos os sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis leigos da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, mais o seu poderoso arsenal doutrinário não poluído pela heresia modernista e solidamente ancorado na tradição? Para que os consagrou Monsenhor Lefebvre, se não para o momento crucial que se aproxima? Portanto, se Pedro os chama à batalha, não deverão em hesitar acorrer-lhe pronta, diligente e pressurosamente. É chegada a hora!

sábado, janeiro 24, 2009

Principio,no fin

Como anticipábamos en nuestro anterior post (“Crastina die”, el día de mañana, un tanto críptico, pero que anticipaba las noticias que se venían encima) ya es oficial la revocación de las excomuniones sobre los Obispos de la Hermandad de San Pío X.
Realmente ha sido una intervención prodigiosa porque tanto este punto de las excomuniones, como otros que ulteriormente pudieran venir, han estado muy amenazados bien por la inacción de Monseñor Fellay o por un exceso de fuerza, injusta por lo demás, que Roma ha deseado aplicar en algún momento.
Justo es agradecer el trabajo de Su Eminencia y de la Comisión Ecclesia Dei para que esto se solucionase favorablemente y se pudieran evitar los escollos puestos tanto por Obispos y hasta Conferencias Episcopales, pasando por una serie de judíos a quienes ahora pareciera que tuviéramos que obedecer los católicos en cómo oramos y cómo celebramos nuestra Liturgia. Que cuente el Pueblo Elegido con que seguiremos rezando para que abracen de corazón y en libertad al Mesías, a Jesucristo Nuestro Salvador, verdadero Dios y verdadero Hombre, hijo nacido de María Santísima Inmaculada, siempre Virgen.
Ese enfant terrible que es Monseñor Williamson (cualquier grupo humano de cierto calibre que se precie ha de tener uno y nosotros tenemos uno, y de los mejores) ha estado por ahí con poca prudencia e inoportunidad, nada menos que en Alemania, sacando a colación temas del Holocausto. Esto ha servido para que los enemigos declarados de la Iglesia fabriquen munición de donde no la hay, pero con el intento último de no permitir que la Tradición y la Liturgia de siempre tengan curso abierto en la Iglesia de hoy. ¿Por qué será que estos enemigos odian tanto que se anulen las excomuniones? ¿Por qué será que estos enemigos odian tanto la Misa Tradicional?
El Santo Padre ha tenido una intervención decisiva en solucionar todo esto y cabe admirar el camino cada vez más tradicional de Su Santidad. Aquel Ratzinger, colaborador en la injusticia perpetrada por Juan Pablo II al excomulgar a estos Obispos contra el espíritu y la Ley del Código de Derecho Canónico vigente, no sólo se ha sacado una espina en lo personal que llevaba clavada, sino que hace un bien enorme a la Iglesia con este gesto, ¿por qué no decirlo?, también pleno de magnanimidad.
Honestamente, esto ya poco importa. Ahora queda ese otro tema de la regularización de la Hermandad de San Pío X. Monseñor Fellay, que algo habrá aprendido de los enormes peligros a que conduce la inacción en estos meses, tiene la misión ineludible en la que todos le apoyamos de conseguir un status canónico que garantice el Apostolado sin restricciones ni menoscabos por parte de la Hermandad de San Pío X y de sus Sacerdotes.
En actuar, y no meramente reaccionar, en este sentido está la solución al nudo gordiano. Si él quiere enredarse en cuestiones bizantinas doctrinales tendrá en la Roma actual una buena provisión de modernistas con los cuales enzarzarse en disputas hasta el día del Juicio Final. Insisto, mientras el Apostolado pueda continuar, buena gana de enredarse en cuestiones bizantinas. Nuestro hogar es Roma y somos tradicionalistas por y para ser más romanos, no para serlo menos. Nuestro hogar es Roma y a Roma debemos ser reintegrados … con todos los honores, pues nada malo y mucho bueno hemos hecho. En lo que hay que apretar ahora es en lo canónico y en el blindaje, porque de muchos Obispos poco o nada se puede esperar.
Finalmente, pero lo más importante de todo, y suponiendo que esta revocación de las excomuniones sea el precedente de un acuerdo de regularización: esto es sólo el principio. No por el acuerdo, sino porque esto es un regalo que Dios nos da para reagruparnos y hacer las últimas provisiones antes del Castigo anunciado por las Sagradas Escrituras que se nos viene encima de manera inminente. Son épocas que preceden al Anticristo las que vivimos. Estamos ya en la antesala mismísima del Juicio de las Naciones. Pero allí donde está el Cuerpo, el Cuerpo de Cristo, allí se agrupan las Aguilas, que decía el Apokaleta. Y ese Cuerpo de Cristo está en la Sagrada Eucaristía, lo mejor que existe sobre la faz de la tierra. Y esa Sagrada Eucaristía está, sin dudas, impurezas o debilidades, precisamente, en esa Lex Orandi de la Misa Tradicional. Lex Orandi que, a su vez, refleja una Lex Credendi de un Depósito de la Fe como lo recibimos de nuestros padres, de nuestros abuelos y así, hasta la mismísima Tradición Apostólica. Esta es nuestra lucha, no otra.
Y dejen a los vaticanosegundistas rabiosos, furibundos desertores de la Tradición y –por tanto- de la Iglesia, ocuparse en su tarea tan favorita como imposible: conciliar Catolicismo y Revolución.
Entretanto, oración y penitencia. Ya no hay otros remedios.
Post scriptum muy importante: mándenle –por favor, y con urgencia- correos electrónicos al Santo Padre pidiendo la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón de María y agradeciéndole la revocación de las excomuniones. El correo electrónico del Santo Padre es: benedictxvi@vatican.va

Rafael Castela Santos

Viva o Papa! Viva a Tradição Católica! Levantadas as excomunhões dos bispos da Fraternidade de São Pio X!


O Santo Padre Bento XVI, num gesto verdadeiramente magnânimo, decidiu corrigir a enorme injustiça cometida há vintes anos e ordenou o levantamento das excomunhões proferidas contra os bispos da Fraternidade de São Pio X! Viva o Papa! Viva a Tradição Católica!

Deixando os nossos comentários para mais tarde, aqui ficam os seguintes e importantes textos (em francês):

- Decreto da Congregação para os Bispos, levantando as excomunhões;

- Comunicado do Superior da Fraternidade de São Pio X, Monsenhor Bernard Fellay;

- Carta de Monsenhor Bernard Fellay aos fiéis da Fraternidade de São Pio X.