terça-feira, outubro 10, 2006
Aborto, imagens e palavras - 2
JSarto
segunda-feira, outubro 09, 2006
Sobre o Limbo

- "Abolishing Limbo?", no "The Remnant";
- "Limbo in Limbo", no "The Remnant";
- "Limbo of Children - New expiration date: 2008", no "Rorate-Caeli";
- "Could Limbo Be "Abolished"?", pelo Padre Brian W. Harrisson, O.S., no arquivo do "Seattle Catholic".
JSarto
Aborto, imagens e palavras
Tentar evadir esta factualidade, como o fazem alguns aborcionistas, arguindo que a fusão entre o óvulo e o esperma não é um processo instantâneo, ou que nem sempre o zigoto evolui para as fases posteriores enunciadas, não passa de uma pouca séria tentativa de manipulação semântica ou de mero abuso sofístico face aos dados fundamentais da questão em discussão.
A verdade é que os aborcionistas manifestam uma enorme falta de à vontade sempre que confrontados com a realidade crua do aborto, porque lá bem no fundo, no mais intimo das suas consciências não totalmente embotadas pelo erro ou obnubiladas pela mentira, sabem perfeitamente que aquele não é só uma mera remoção inconsequente de meia dúzia de células indiferenciadas. Daí as reacções dos mesmos quando colocados perante os efeitos criminosos do aborto devidamente documentados através de meios gráficos, as quais vão desde o extremo desconforto até ao expelir da raiva mais pura: é que uma imagem vale mais do que mil palavras!
Por esta razão, que os meus leitores vejam o pequeno filme do "You Tube" para o qual os remeto a partir daqui - após muita ponderação, e dado o seu conteúdo, admito que me faltou a coragem para editá-lo directamente neste espaço -, e que em consequência tirem por si próprios as devidas conclusões. Afinal, estamos, ou não, perante a morte provocada de seres humanos inocente e indefesos, logo, homicídios?...
JSarto
terça-feira, outubro 03, 2006
Opus Dei
Me duele hablar de este tema porque algunos de mis mejores profesores en la Universidad eran del Opus Dei. Me duele porque el Sacerdote que me bautizó, un santo varón, es del Opus Dei. Me duele porque conozco excelentes personas que son del Opus Dei, de hecho algunos de los mejores católicos que he conocido en mi vida son de la Obra. Me duele porque tengo buenos amigos, tanto numerarios como supernumerarios, de la Obra.
Pero, sin embargo, tengo mis reservas con respecto a la institución. E, insisto, que no creo de recibo el equiparar la crítica a la institución con la crítica a las personas que la integran. En modo alguno. El Opus ha servido de refugio en España a algunos de los mejores sectores y familias católicas. Lamentablemente en más de un aspecto las ha neutralizado, todo hay que decirlo.
Por otro lado el internet está lleno de cosas tanto a favor como en contra del Opus Dei. Y de entre las últimas muchas, la mayoría, suelen ser críticas procedentes del campo, a menudo rabioso, modernista-progresista. El que el Opus Dei haya sido conservador en algún aspecto lo puede hacer odioso a quienes quieren que la revolución marche a una mayor velocidad, pero tampoco lo hace apetecible a quienes defendemos que hay principios inmutables y eternos, a quienes creemos que la Tradición no es lo mismo que el conservadurismo. Ninguna de las críticas del Opus Dei que detallamos a continuación viene del ala izquierda (¿debería emplear el término más latino “ala siniestra”?, sino que son fundamentalmente tradicionales en su abordaje.
Para aquellos lectores interesados en ello algunas sugerencias espigadas, de entre lo que existe en línea, aquí dejamos nota de algunas bien interesantes:
Introducciones al problema
- Una buena introducción al problema sería El Opus Dei, caballo de Troya del liberalismo, por el Padre Guillermo Devillers
- Un análisis sensato de uno de mis autores favoritos, el Profesor Rubén Calderón Bouchet, en pocas palabras
Artículos de fondo
- Un extraordinario artículo, posiblemente el que yo más recomendase de entre todos para aquellos que no tienen tiempo de leer todos los demás es Opus Dei: A Strange Pastoral Phenomenon, que apareció publicado hace años como una separata de la revista The Angelus
- En cuanto a la canonización de Josemaría Escrivá de Balaguer, los problemas de dicha canonización y un análisis en profundidad de la doctrina del Opus, el Padre Hervé Gresland nos instruyó con su La canonisation de Josémaria Escriva de Balaguer ou une nouvelle étape de la glorification de l’Eglise conciliaire
Diferencias entre el Opus y el Magisterio tradicional
- En cuanto a las discrepancias del Opus Dei con el Magisterio sempiterno recomendaría efusivamente los Errores doctrinales de Escrivá de Balaguer
- Sobre el liberalismo inherente al Opus Dei el artículo bien trabado de Ian Smith titulado Opus Dei: Sectarians in disguise? es un buen punto de entrada
El Opus como vehículo de la judaización del catolicismo
- Un artículo más duro, que incide en la judaización de la Fe Católica y el papel jugado por el Opus Dei en los países hispánicos, que tampoco se puede soslayar es El Opus Dei ¿un fariseísmo, un saduceísmo o un herodianismo?, del Padre Raúl Sánchez Abelenda
- Abundando en lo anterior un trabajo, quizás con excesos, pero sin embargo con un formidable aparataje de notas y referencias que incide sobre la judaización de la Fe es el ya clásico Opus Judei, del que tengo el original castellano, pero que en línea sólo parece ser posible encontrarlo en inglés
Con esto espero haber satisfecho la curiosidad de aquellos que me han preguntado sobre el Opus Dei. Muchas veces la labor de una humilde bitácora como A Casa de Sarto es simplemente servir de trampolín para difundir trabajos que, de otro modo, pueden dormir el sueño de los justos en la red.
Advierto de antemano que ni tengo intención ni tiempo de sostener polémicas sobre este tema, en el que me encuentro insuficientemente preparado. Así que los comentarios educados y de buena fe, a favor o contrarios, serán puestos a continuación pero no voy a entrar en ningún tipo de diálogo con los comentaristas. Tampoco tengo intención de volver sobre el particular en un futuro inmediato.
Rafael Castela Santos
segunda-feira, outubro 02, 2006
O Mau Pastor

De facto, o panorama que nos oferece correntemente a Igreja em Portugal é tudo menos brilhante, e vários são os factores que o comprovam, como por exemplo: a) o abandono quase por completo do porte do traje eclesiástico (indício exterior de uma grave laicização do clero, sem paralelo em qualquer outro país europeu, talvez com a excepção francesa); b) o atroz estilo de arquitectura religiosa minimalista pós-conciliar, de matriz herética protestante, pelo qual as dioceses nacionais têm sistematicamente optado na edificação de novas igrejas, transformadas assim em verdadeiros mamarrachos desprovidos da mínima dignidade, edifícios talvez próprios para as reuniões memoriais litúrgicas do "povo de Deus", mas não para a adoração de Deus através do Santo Sacrifício da Missa; c) a perpetuação dos abusos litúrgicos em boa parte das paróquias, os quais variam entre o simples mau gosto e a pura heresia, porém todos tendo em comum a desobediência obstinada às sucessivas recomendações feitas por Roma acerca da matéria; d) a adopção de um discurso doutrinário que varia entre um xaroposo humanitarismo filantrópico de matriz difusamente jacobina e um agressivo evangelismo político-militante inspirado no marxismo mais retrógrado e cavernícola, mas que se olvida sistematicamente dos fins últimos da Igreja, a saber, para além da glorificação de Deus, a santificação dos homens com vista à salvação das suas almas para a vida eterna (por exemplo, quem é que hoje em dia ainda prega sobre os novíssimos - morte, julgamento, céu ou inferno?); e, e) a completa marginalização a que o episcopado e o restante clero modernista e progressista português votaram a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano - Portugal é o único país de maioria católica na Europa Ocidental, onde bizarra e absurdamente não é possível assistir à Missa tradicional em uma só das igrejas sob jurisdição do episcopado nacional, o que diz muito do grau de descatolicização que os nossos bispos atingiram. Deste último ponto, já falei largamente em anterior artigo neste espaço, para o qual remeto agora; acrescentaria tão-só que é eloquente o facto de o livro de autoria do actual Papa Bento XVI, "O Espírito da Liturgia", certamente a sua obra-prima, com um carácter vigorosamente tradicionalista, não ter uma edição portuguesa, já que nenhuma editora religiosa nacional, ou pelo menos próxima à Igreja, se dispôs a editá-lo, o que não deixa de ser muito estranho.*
Ora, em face do âmbito supra exposto, as palavras de Dom José Policarpo não nos devem causar espanto de maior, tanto mais que o Patriarca de Lisboa, conjuntamente com os seus pares Mahoney (Los Angeles), Lustiguer (Paris), Daneels (Malines - Bruxelas), Martini (resignatário de Milão) ou Kasper (Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade Cristã), é um membros mais radicalmente progressistas do colégio cardinalício e comporta-se como tal, preferindo com as suas palavras agradar mais a esse inimigo da alma que é o mundo do que defender a verdade cristã.
Posto isto, relembro uma vez mais parte do conteúdo da "Nota doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política", que tem como primeiros destinatários os bispos católicos, ainda que alguns aparentemente não a hajam lido:
"Assiste-se, invés, a tentativas legislativas que, sem se preocuparem com as consequências das mesmas para a existência e o futuro dos povos na formação da cultura e dos comportamentos sociais, visam quebrar a intangibilidade da vida humana. Os católicos, em tal emergência, têm o direito e o dever de intervir, apelando para o sentido mais profundo da vida e para a responsabilidade que todos têm perante a mesma. João Paulo II, na linha do perene ensinamento da Igreja, afirmou repetidas vezes que quantos se encontram directamente empenhados nas esferas da representação legislativa têm a “clara obrigação de se opor” a qualquer lei que represente um atentado à vida humana. Para eles, como para todo o católico, vale a impossibilidade de participar em campanhas de opinião em favor de semelhantes leis, não sendo a ninguém consentido apoiá-las com o próprio voto. Isso não impede, como ensinou João Paulo II na Carta Encíclica Evangelium Vitae sobre a eventualidade de não ser possível evitar ou revogar totalmente uma lei abortista já em vigor ou posta em votação, que “um parlamentar, cuja pessoal oposição absoluta ao aborto seja clara e por todos conhecida, possa licitamente dar o próprio apoio a propostas tendentes a limitar os danos de uma tal lei e a diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública"..
Neste contexto, há que acrescentar que a consciência cristã bem formada não permite a ninguém favorecer, com o próprio voto, a actuação de um programa político ou de uma só lei, onde os conteúdos fundamentais da fé e da moral sejam subvertidos com a apresentação de propostas alternativas ou contrárias aos mesmos. Uma vez que a fé constitui como que uma unidade indivisível, não é lógico isolar um só dos seus conteúdos em prejuízo da totalidade da doutrina católica. Não basta o empenho político em favor de um aspecto isolado da doutrina social da Igreja para esgotar a responsabilidade pelo bem comum. Nem um católico pode pensar em delegar a outros o empenho que, como cristão, lhe vem do evangelho de Jesus Cristo de anunciar e realizar a verdade sobre o homem e o mundo.
Quando a acção política se confronta com princípios morais que não admitem abdicações, excepções ou compromissos de qualquer espécie, é então que o empenho dos católicos se torna mais evidente e grávido de responsabilidade. Perante essas exigências éticas fundamentais e irrenunciáveis, os crentes têm, efectivamente, de saber que está em jogo a essência da ordem moral, que diz respeito ao bem integral da pessoa. É o caso das leis civis em matéria de aborto e de eutanásia (a não confundir com a renúncia ao excesso terapêutico, legítimo, mesmo sob o ponto de vista moral), que devem tutelar o direito primário à vida, desde a sua concepção até ao seu termo natural. Do mesmo modo, há que afirmar o dever de respeitar e proteger os direitos do embrião humano. Analogamente, devem ser salvaguardadas a tutela e promoção da família, fundada no matrimónio monogâmico entre pessoas de sexo diferente e protegida na sua unidade e estabilidade, perante as leis modernas em matéria de divórcio: não se pode, de maneira nenhuma, pôr juridicamente no mesmo plano com a família outras formas de convivência, nem estas podem receber, como tais, um reconhecimento legal. Igualmente, a garantia da liberdade de educação, que os pais têm em relação aos próprios filhos, é um direito inalienável, aliás reconhecido nas Declarações internacionais dos direitos humanos."
E finalmente, faço votos para que Sua Eminência, trave um pouco o seu afã progressista, e reflicta nestas palavras de Cristo, de quem deveria ser servidor exemplar:
"Seja este o vosso modo de falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que for além disto procede do espírito do mal" (Mt 5, 37);
"Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes. Pelos seus frutos os conhecereis. Porventura podem colher-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Toda a árvore boa dá bons frutos e toda a árvore má dá maus frutos. A árvore boa não pode dar maus frutos nem a árvore má dar bons frutos. Toda a árvore que não dá bons frutos é cortada e lançada ao fogo. Pelos frutos, pois, os conhecereis" (Mt 7, 15-20);
"Mas, se alguém escandalizar um destes pequeninos que crêem em mim, seria preferível que lhe suspendessem do pescoço a mó de um moinho e o lançassem nas profundezas do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos! São inevitáveis, decerto, os escândalos; mas ai do homem por quem vem o escândalo!" (Mt 18, 6-7);
"Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. O mercenário, e o que não é pastor, e a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo e abandona as ovelhas e foge e o lobo arrebata-as e espanta-as porque é mercenário e não lhe importam as ovelhas" (Jo 10, 11-13);
"Conheço as tuas obras: não és frio nem quente. Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca" (Ap 3, 15-16).
JSarto
* Adenda - Informa-me um leitor por correio electrónico de que o livro “Introdução ao Espírito da Liturgia”, do Cardeal Joseph Ratzinger, foi objecto de uma edição portuguesa em 2001 - que eu desconhecia -, da responsabilidade das “Paulinas”, de Lisboa. Porém, averiguei que tal livro está esgotado há muito e não foi reeditado depois da eleição do seu autor para o Trono de São Pedro. E uma coisa não deixa de ser certa: as teses sustentadas pelo actual Papa em matéria litúrgica não parecem ter sensibilizado minimamente o nosso episcopado. De qualquer maneira, apresento as minhas desculpas pelo lapso.
Robert P. George sobre o aborto
I believe that the pro-life position is superior to the pro-choice position precisely because the scientific evidence, considered honestly and dispassionately, fully supports it. A human being is conceived when a human sperm containing twenty-three chromosomes fuses with a human egg also containing twenty-three chromosomes (albeit of a different kind) producing a single-cell human zygote containing, in the normal case, forty-six chromosomes that are mixed differently from the forty-six chromosomes as found in the mother or father. Unlike the gametes (that is, the sperm and egg), the zygote is genetically unique and distinct from its parents. Biologically, it is a separate organism. It produces, as the gametes do not, specifically human enzymes and proteins. It possesses, as they do not, the active capacity or potency to develop itself into a human embryo, fetus, infant, child, adolescent, and adult.
Assuming that is not conceived in vitro, the zygote is, of course, in a state of dependence on its mother. But independence should not be confused with distinctness. From the beginning, the newly conceived human being, not its mother, directs its integral organic functioning. It takes in nourishment and converts it to energy. Given an hospitable environment, it will, as Dianne Nutwell Irving says, "develop continously without any biological interruptions, or gaps, throughout the embryonic, fetal, neo-natal, childhood and adulthood stages - until the death of the organism."
Some claim to find the logical implication of these facts - that is, that life begins at conception - to be "virtually unintelligible". A leading exponent of that point of view in the legal academy is Jed Rubenfeld of Yale Law School, author of an influential article entitled "On the Legal Status of the Proposition that "Life Begins at Conception"". Rubenfeld argues that, like the zygote, every cell in the human body is "genetically complete"; yet nobody supposes that every human cell is a distinct human being with a right to life. However, Rubenfeld misses the point that there comes into being at conception not a mere clump of human cells, but a distinct, unified, self-integrating organism, which develops itself, truly himself or herself, in accord with its own generic "blueprint". The significance of genetic completeness for the status of newly conceived human beings is that no outside genetic material is required to enable the zygote to mature into an embryo, the embryo into a fetus, the fetus into an infant, the infant into a child, the child into an adolescent, the adolescent into an adult. What the zygote needs to function as a distinct self-integrating human organism, a human being, it already possesses.
At no point in the embryogenesis, therefore, does the distinct organism that came into being when it was conceived undergo what is technically called "substantial change" (or a change of natures). It is human and will remain human. This is the point of Justice Byron White's remark in his dissenting opinion in "Thornburg v. American College of Obstetricians & Gynecologists" that "there is no non-arbitrary line separating a fetus from a child". Rubenfeld attacks White's point, which he calls "the argument based on the gradualness of gestation", by pointing out that, "no non-arbitrary line separates the hues of green and red. Shall we conclude that green is red?"
White's point, however, was not that fetal development is "gradual", but that it is continuous and is the (continuous) development of a single lasting (fully human) being. The human zygote that actively develops itself is, as I have pointed out, a genetically complete organism directing its own integral organic functioning. As it matures, in utero and ex utero, it does not "become" a human being, for it is a human being already, albeit an immature human being, just as a newborn infant is an immature human being who will undergo quite dramatic growth and development over time.
These considerations undermine the familiar argument, recited by Rubenfeld, that "the potential" of an unfertilized ovum to develop into a whole human being does not make it into "a person". The fact is, though, that that an ovum is not a whole human being. It is, rather, a part of another human being (the woman whose ovum it is) with merely the potential to give rise to, in interaction with a part of yet another human being (a man's sperm cell), a new and whole human being. Unlike the zygote, it lacks both genetic distinctness and completeness, as well as the active capacity to develop itself into an adult member of the human species. It is living human cellular material, but, left to itself, it will never become a human being, however hospitable its environment may be. It will "die" as a human ovum, just as countless skin cells "die" daily as nothing more than skin cells. If sucessfully fertilized by a human sperm, which, like the ovum (but dramatically unlike the zygote), lacks the active potential to develop into an adult member of the human species, then susbstantial change (that is, a change of natures) will occur. There will no longer be merely an egg, which was part of the mother, sharing her genetic composition, and a sperm, which was part of the father, sharing his genetic composition; instead, there will be a genetically, complete, distinct, unified, self-integrating human organism whose nature differs from that of the gametes - not mere human material, but a human being.
These considerations also make clear that is incorrect to argue (as some pro-choice advocates have argued) that, just as "I" was never a week-old sperm or ovum, "I" was likewise never a week old embryo. It truly makes no sense that "I" was once a sperm (or an unfertilized egg) that matured into an adult. Conception was the occasion of substantial change (that is, change from one complete individual entity to another) that brought into being a distinct self-integrating organism with a specifically human nature. By contrast, it makes every bit as much sense to say that I was once a week-old embryo as to say that I was once a week-old infant or a ten-year-old child. It was the new organism created at conception that, without itself undergoing any change of substance, matured into a week-old embryo, a fetus, an infant, a child, an adolescent, and, finally, an adult.
But Rubenfeld has another argument: "Cloning processes give to non-zygotic cells the potential for development into distinct, self-integrating human beings; thus to recognize the zygote as a human being is recognize all human cells as human beings, which is absurd."
It is true that a distinct, self-integrating human organism that came into being by a process of cloning would be, like a human organism that comes into being as a monozygotic twin, a human being. That being, no less than human beings conceived by the union of sperm and egg, would possess a human nature and the active potential to mature as a human being. However, even assuming the possibility of cloning human beings from non-zygotic human cells, the non-zygotic cell must be activated by a process that effects substantial change and not mere development or maturation. Left to itself, apart from an activation process capable of effecting a change of substance or natures, the cell will mature and die as a human cell, not as a human being.
The scientific evidence establishes the fact that each of us was, from conception, a human being. Science, not religion, vindicates this crucial premise of the pro-life claim. From it, there is no avoiding the conclusion that deliberate feticide is a form of homicide. The only real questions remaining are moral and political, not scientific. Although I will not go into the matter here, I do not see how direct abortion can ever be considered a matter of "justified homicide". It is important to recognize, however, as traditional moralists always have recognized, that not all procedures that foreseeably result in fetal death are, properly speaking, abortions. Although any procedure whose precise objective is the destruction of fetal life is certainly an abortion, and cannot be justified, some procedures result in fetal death as an unintended, albeit foreseen and accepted, side effect. Where procedures of the latter sort are done for very grave reasons, they may be justifiable. For example, traditional morality recognizes that a surgical operation to remove a life-threateningly cancerous uterus, even in a woman whose pregnancy is not far enough along to enable the child to be removed from her womb and sustained by life support system, is ordinarily morally permissible. Of course, there are in this area of moral reflection, as in others, "borderline" cases that are difficult to classify and evaluate. Mercifully, modern medical technology has made such cases exceptionally rare in real life. Only in the most extraordinary circumstances today do women and their families and physicians find it necessary to consider a procedure that will result in fetal death as the only way of preserving maternal life. In any event, the political debate about abortion is not, in reality, about cases of this sort; it is about "elective" or "social indication" abortions, viz., the deliberate destruction of unborn human life for non-therapeutic reasons.
JSarto
Do fundamentalismo laicista e ateísta
E dito isto, relembro aos mais esquecidos parte do conteúdo da "Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenhamento e ao comportamento dos católicos na vida política", redigida pelos então Arcebispo Tarcísio Bertone (actual Secretário de Estado do Vaticano) e Cardeal Joseph Ratzinger (actual Papa Bento XVI), e aprovada pelo Papa à época reinante João Paulo II, em 21 de Novembro de 2002. Esta nota, apesar de reflectir em alguns pontos a heterodoxia doutrinária do anterior Pontífice, nem por isso deixa de ser na sua generalidade merecedora da máxima atenção, e é da mesma que passo a citar as seguintes passagens:
Constata-se hoje um certo relativismo cultural, que apresenta sinais evidentes da sua presença, quando teoriza e defende um pluralismo ético que sanciona a decadência e a dissolução da razão e dos princípios da lei moral natural. Em conformidade com essa tendência, não é raro, infelizmente, encontrar, em declarações públicas, afirmações que defendem que esse pluralismo ético é condição para a democracia. Assim, verifica-se que, por um lado, os cidadãos reivindicam para as próprias escolhas morais a mais completa autonomia e, por outro, os legisladores julgam respeitar essa liberdade de escolha, quando formulam leis que prescindem dos princípios da ética natural, deixando-se levar exclusivamente pela condescendência com certas orientações culturais ou morais transitórias, como se todas as concepções possíveis da vida tivessem o mesmo valor. Ao mesmo tempo, invocando erroneamente o valor da tolerância, pede-se a uma boa parte dos cidadãos – entre eles, aos católicos – que renunciem a contribuir para a vida social e política dos próprios Países segundo o conceito da pessoa e do bem comum que consideram humanamente verdadeiro e justo, a realizar através dos meios lícitos que o ordenamento jurídico democrático põe, de forma igual, à disposição de todos os membros da comunidade política. Basta a história do século XX para demonstrar que a razão está do lado daqueles cidadãos que consideram totalmente falsa a tese relativista, segundo a qual, não existiria uma norma moral, radicada na própria natureza do ser humano e a cujo ditame deva submeter-se toda a concepção do homem, do bem comum e do Estado.
Uma tal concepção relativista do pluralismo nada tem a ver com a legítima liberdade dos cidadãos católicos de escolherem, entre as opiniões políticas compatíveis com a fé e a lei moral natural, a que, segundo o próprio critério, melhor se coaduna com as exigências do bem comum. A liberdade política não é nem pode ser fundada sobre a ideia relativista, segundo a qual, todas as concepções do bem do homem têm a mesma verdade e o mesmo valor, mas sobre o facto de que as actividades políticas visam, vez por vez, a realização extremamente concreta do verdadeiro bem humano e social, num contexto histórico, geográfico, económico, tecnológico e cultural bem preciso. Do concreto da realização e da diversidade das circunstâncias brota necessariamente a pluralidade de orientações e de soluções, que porém devem ser moralmente aceitáveis. Não cabe à Igreja formular soluções concretas – e muito menos soluções únicas – para questões temporais, que Deus deixou ao juízo livre e responsável de cada um, embora seja seu direito e dever pronunciar juízos morais sobre realidades temporais, quando a fé ou a lei moral o exijam. Se o cristão é obrigado a “admitir a legítima multiplicidade e diversidade das opções temporais”, é igualmente chamado a discordar de uma concepção do pluralismo em chave de relativismo moral, nociva à própria vida democrática, que tem necessidade de bases verdadeiras e sólidas, ou seja, de princípios éticos que, por sua natureza e função de fundamento da vida social, não são “negociáveis”.
(…)
Aquele que, em nome do respeito da consciência individual, visse no dever moral dos cristãos de ser coerentes com a própria consciência um sinal para desqualificá-los politicamente, negando a sua legitimidade de agir em política de acordo com as próprias convicções relativas ao bem comum, cairia numa espécie de intolerante laicismo. Com tal perspectiva pretende-se negar, não só qualquer relevância política e cultural da fé cristã, mas até a própria possibilidade de uma ética natural. Se assim fosse, abrir-se-ia caminho a uma anarquia moral, que nada e nunca teria a ver com qualquer forma de legítimo pluralismo. A prepotência do mais forte sobre o fraco seria a consequência lógica de uma tal impostação. Aliás, a marginalização do Cristianismo não poderia ajudar ao projecto de uma sociedade futura e à concórdia entre os povos; seria, pelo contrário, uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização.
(…)
Ao mesmo tempo, a Igreja ensina que não existe autêntica liberdade sem a verdade. “Verdade e liberdade ou se conjugam juntas ou miseramente juntas desaparecem”, escreveu João Paulo II. Numa sociedade, onde a verdade não for prospectada e não se procurar alcançá-la, resultará também enfraquecida toda a forma de exercício autêntico de liberdade, abrindo-se o caminho a um libertinismo e individualismo, prejudiciais à tutela do bem da pessoa e da inteira sociedade.
JSarto
sábado, setembro 30, 2006
Turquía se está haciendo islamista
El trípode fundacional de Europa, Grecia, Roma y la Cristiandad, no es compatible con el Islam. Así de claro. O, por mejor decir, el Islam no es compatible ni con la filosofía helena ni con la obra majestuosa del Derecho Romano ni con la Cristiandad porque rechaza la razón (el Islam es un sistema cerrado, que propende al fundamentalismo), la justicia (compárese incluso el Derecho Romano todavía no moderado y dulcificado por el Cristianismo con la Sharia, por ejemplo) ni con la Cristiandad, a la que el Islam pura, lisa y llanamente intenta exterminar.
Europa no puede permitir una mayoría musulmana dentro de sus fronteras.
Y los americanos harían bien en dejar de presionar a Europa para que admitiese a Turquía. Insisto en recordar que los EE.UU. siempre se han puesto de lado de los islámicos más rabiosos (del lado de Turquía contra Grecia, del lado de Indonesia contra Timor, del lado de Sudán contra los cristianos del sur, del lado de Marruecos contra España, del lado de Arabia Saudita contra Irak, éste último ciertamente más tolerante). El mal, empero, estriba en que Europa ha decidido arrojar la Teología y espiritualidad cristiana por la borda a la par que la razón helena, sustituídas la primera por el sincretismo ecumenista y la segunda por todos los derivados del idealismo kantiano. Y, de paso, ha convertido la política no en un ejercicio de la virtud de la prudencia en pos del bien común, sino en un sentimentalismo mezclado con lujuria de poder y de lucro y usura.
Y así nos va, claro está. No sólo en Albania, Kosovo o Bosnia, sino en el corazón de Francia o el seno de España, Gran Bretaña, Alemania o Italia hay ya enclaves islamistas que son verdaderos ghettos y se convertirán en quintas columnas en el momento más adecuado.
Rafael Castela Santos
quinta-feira, setembro 28, 2006
O servente de magarefe
JSarto
No Grande Silêncio
JSarto
A grande civilização monástica do Ocidente
Ora, a este respeito, recomendo uma vez mais a leitura de "How the Catholic Church Built Western Civilization", de Thomas E. Woods, Jr., bem como este seu artigo, cujo "leitmotiv" não deixa de nos lembrar o famoso discurso de Regensburg, do Santo Padre Bento XVI.
JSarto
Ainda o discurso do Papa em Regensburg - 2
- "O discurso de Bento XVI em Ratisbona (Regensburg)", pela pena sábia do Senhor Dom Lourenço Fleichman, O.S.B.;
- "Sacerdos et Pontifex", do Padre Guy Selvester, no seu "Shouts in the Piazza";
- "Glórias Efémeras", do verdadeiro e imprescindível farol blogsoférico que é o Manuel Azinhal.
JSarto
quarta-feira, setembro 27, 2006
Mensaje de Don Sixto de Borbón a S.S. Benedicto XVI
"Santidad:
En la Pascua de Resurrección de 2003, con motivo de la que sería su última visita a España, tuve el privilegio -como depositario de la legitimidad dinástica en la Monarquía hispánica- de dirigirme a Vuestro Venerable Predecesor Su Santidad Juan Pablo II. Ahora, con ocasión del que ha de ser Vuestro primer viaje a nuestra patria en calidad de Vicario de Nuestro Señor Jesucristo, no puedo ni dejar de saludaros respetuosa y devotamente, ni reiterar alguna de las consideraciones que me permití hacer en la ocasión evocada.
La secularización profunda al tiempo que acelerada que ha padecido España en los últimos tiempos tiene sin duda causas de gran envergadura teológica, metafísica y moral, que presentan aspectos de calado político. En la propia dinámica del orden natural, más allá de las implicaciones sobrenaturales que también porta, está impreso que no pueden subsistir pueblos cristianos sin instituciones cristianas que los cobijen. Un deseo quizá bienintencionado pero equivocado de purificar la Iglesia de Jesucristo de ciertas adherencias mundanas, ha concluido en cambio por arrojar a la intemperie a las masas más indefensas. Pues donde el problema de la verdad se torna secundario es imposible aprehender el bien, menos aún el bien común. No puede haber ordenamiento político o jurídico humano digno de tal nombre que no se funde en un orden metafísico. De ahí que el problema del Estado católico toque a la razón más que a la fe, sea -en algún sentido- laico antes que religioso. El magisterio tradicional sobre las relaciones entre la Iglesia y la comunidad política lo comprendió en toda su hondura y lo expuso con tintes a veces proféticos. ¿No será hora, Santidad, de volver a pensar en los fundamentos perennes de ese magisterio, una vez que el tribunal de la praxis ha juzgado de forma tajante los intentos de conciliación con el liberalismo y el mundo moderno?
Son muchas las cuestiones que desearía poder consultar con Vuestra Santidad. Y aunque me hago cargo de los innumerables empeños que Os rodean, sería para mí un honor poder presentaros personalmente mis respetos más devotos en la Sede de Vuestra Santidad cuando lo dispongáis.
Siempre a los pies de Vuestra Santidad, suplica vuestra bendición apostólica,
Sixto Enrique de Borbón
En Lignières, a veintitrés de mayo de dos mil seis, festividad de la aparición del Apóstol Santiago en la Batalla de Clavijo, mes de la Santísima Virgen."
(RCS)
segunda-feira, setembro 25, 2006
A Missa Tradicional de rito latino-gregoriano - 1
JSarto
sexta-feira, setembro 22, 2006
Ainda o discurso do Papa em Regensburg
Sobre a intervenção do Papa Bento XVI - que na passada quarta-feira não negou que o Deus adorado pelos cristãos tem diferente natureza e atributos do Deus adorado pelos muçulmanos -, aconselho também a leitura sempre profícua das seguintes peças:
- "Seguindo o Papa", do muito inaciano Jagoz, d'"A Estrada de Damasco";
- "Pope Benedict stirs up the pot...", no fundamental "Athanasius contra Mundum";
- "El Pastor que no teme a los Lobos" e "El Discreto Arte de Sembrar Cizaña: La BBC, The Guardian, NY Times, etc...", ambos do "El Sacristán Serrano", um blog peruano de orientação católica tradicional recentemente surgido, e para já com um conteúdo bastante recomendável.
JSarto
terça-feira, setembro 19, 2006
O discurso do Papa em Regensburg

Li ontem à noite o discurso que Sua Santidade o Papa Bento XVI proferiu no passado dia 12 de Setembro, na Universidade de Regensburg, e que desde então tanta polémica tem causado à escala mundial. Em minha opinião, trata-se de uma intervenção notável e abundante de ensinamentos, ainda que não pelo motivo de todos conhecido, ou seja, o de um suposto ataque papal ao Islão, que de facto não ocorre, e apenas pode ser vislumbrado por mentes mal intencionadas e/ou analfabetas. Ao invés, tal entendimento obnubila o significado mais profundo da alocução pontifícia, o qual não foi apreendido pela generalidade de uma comunicação social pouco sensível a temáticas de natureza religiosa: na verdade, em Regensburg, Bento XVI aparta-se decisivamente daquilo a que Dietrich von Hildebrand chamava a ecumenite, isto é, o mau ecumenismo, fruto directo do espírito antitradicional que o Concílio Vaticano II gerou no seio da Igreja, promotor de um relativismo e sincretismo de inspiração maçónica para o qual todas as religiões se equiparam entre si e são igualmente válidas para a salvação dos homens, numa concepção completamente contrária a todo o espírito verdadeiramente católico.
Profundamente escorado no pensamento teológico tradicional, o Papa traça com mestria o que distingue determinantemente a doutrina católica da doutrina islâmica sobre a natureza de Deus, recapitulando um ensinamento de pura matriz tomista. Assim, por força da palavra papal, cai por terra a falácia comummente repetida pelos ecumenistas radicais de que católicos e muçulmanos adoram um mesmo Deus. Não adoram, não só porque muçulmanos negam a existência da Santíssima Trindade e, consequentemente, a Divindade de Cristo, mas também porque têm distintas concepções dos atributos de Deus, como Bento XVI tão bem sublinha!
O restante conteúdo do discurso de Regensburg, embora menos notado, tem igualmente uma enorme importância, já que o Papa de modo sucessivo:
a) em defesa da tradição católica, critica o princípio da "sola scriptura", postulado basilar da chamada reforma protestante, algo totalmente inconcebível para o "espírito do V2";
b) na melhor linha da encíclica de São Pio X, "Pascendi Domenici Gregis", censura o pensamento teológico liberal dos séculos XIX e XX, caldo onde medraram as heresias modernista e progressista, de que o mesmo Papa se assume agora como firme opositor, por obra do Espírito Santo e uma vez mais em radical contradição com o "espírito do V2";
c) finalmente, condena a mentalidade niilista das sociedades descristianizadas do Ocidente contemporâneo, bem como a superstição racionalista-cientifista por estas idolatrada, e que nada tem a ver com o uso da razão natural tal como o Cristianismo sempre a entendeu, circunstância que o Santo Padre uma vez mais explicita perfeitamente.
Em resumo, o notável discurso de Regensburg assinala a entrada do pontificado de Bento XVI em velocidade de cruzeiro e no bom caminho da tradição, dando a perceber que o nosso Papa está verdadeiramente empenhado numa efectiva restauração da Igreja Católica.
JSarto
terça-feira, setembro 12, 2006
De volta
De volta, após um mês dividido entre os Açores - Ilha de Jesus, também conhecida por Terceira - e o Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.
Eu gosto muito Açores, de me sentir absolutamente em casa no meio do Atlântico, da religiosidade convicta e do portuguesismo firme dos seus habitantes, das suas belíssimas paisagens naturais, enfim, da forma calma e tranquila como por lá o tempo ainda passa e a vida decorre. Outrossim, admiro o notável património histórico-monumental que constitui a lindíssima cidade de Angra - a que regressei pela terceira vez em sete anos -, autêntica antecâmara da imensa obra civilizacional que os portugueses realizaram em latitudes mais meridionais no outro lado do Atlântico, no Novo Portugal chamado Brasil, em locais como Ouro Preto, Congonhas, Tiradentes, ou São João Del Rei, que pondero conhecer num futuro não muito distante. Haja tempo e meios, e Deus o queira! Por ora, sugiro aos meus leitores - pelo menos, aos que vivem em Portugal e Espanha - um salto até aos Açores, com passagem obrigatória por Angra.
Do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, é bastante dizer que aí se aliam algumas das melhores e mais amplas praias portuguesas - ademais com os únicos índices de ocupação humana e edificação urbanística que um tradicionalista consegue suportar, ou seja, os menores possíveis -, a um fresquíssimo peixe e marisco, que ainda cai mais a preceito se for bem acompanhado por um não menos fresco, mas igualmente tradicional, "Cartuxa" branco de Évora.
À "Casa de Sarto", durante um mês inteiro disse nada; contudo, ficou ela bem entregue ao meu amigo Rafael, que por aqui tem feito um excelente trabalho. Pela minha parte, desfrutei bem esta paragem: voltar a sentir o prazer das férias grandes do meu antigamente, embrenhar-me sem preocupações de tempo na leitura, deitar literalmente abaixo um livro a cada dois dias.
E que leituras destaco?
Pois, "Sobre as Falésias de Mármore", de Ernst Jünger (que também gostava muito dos Açores…), uma apologia dos valores eternos da honra, lealdade e cavalheirismo, em suma, da nobreza de carácter contra a barbárie plebeia, e por isso mesmo uma obra mais actual do que nunca, já que a sua crítica profunda está muito longe de se cingir à ideologia inicialmente visada pelo autor; "Self Improvement", de Rudolf Allers - psicólogo católico austríaco (1883-1963), que exerceu a parte final da sua carreira nos Estados Unidos -, um trabalho que inesperadamente me marcou sobre o aperfeiçoamento da personalidade humana; e, "Scarlet Memorial", de Zengh Yi, dissidente chinês exilado nos EUA, que relata a selvajaria atingida pelo maoísmo durante a revolução cultural chinesa, período em que se chegou ao extremo de utilizar o canibalismo como forma de eliminação dos adversários políticos. Definitivamente, o comunismo sempre foi nocivo para a saúde dos homens…
Num outro plano, realço "The Spirit of the Liturgy", originalmente escrito em 1999 pelo então Cardeal Ratzinger, e onde o actual Papa Bento XVI sufraga uma postura basilarmente tradicional em matéria litúrgica, a qual se anseia que tão breve quanto possível seja repercutida directamente na sua actuação pontifícia; e, acima de tudo, o extraordinário "Devastated Vineyard" (li-o em tradução francesa intitulada "La Vigne Ravagée"), escrito pelo grande Dietrich Von Hildebrand, verdadeiro gigante defensor da tradição, e que neste livro fulcral, de presença obrigatória na biblioteca de todos os verdadeiros católicos - demole com enorme coragem e sem concessões todos os lugares comuns da heresia modernista e progressista que desola Igreja desde o desastre do V2. A este último regressarei brevemente aqui n'"A Casa de Sarto", para dá-lo a conhecer melhor aos meus leitores.
Enfim, como já disse, permitiram as férias que me revigorasse física e espiritualmente, algo de que andava bem necessitado: regresso agora às lides da blogosfera, ainda que com a devida parcimónia por uma questão de equilíbrio pessoal, familiar e profissional, sendo minha intenção actualizar este espaço - cujo combate não renego -, e até ver mais, cerca de duas a três vezes por semana. !
JSarto
sábado, setembro 09, 2006
Os sabios conselhos do Gustave Thibon
“As uniões entre pessoas de meios geográficos, culturais ou profissionais muito diferentes, multiplicam-se cada vez mais. […] Di-lo-ei claramente: esta confusão não significa um progresso. A identidade do meio social parece-me uma das condições centrais da felicidade conjugal. Não quer isto dizer que eu afaste de um modo absoluto as uniões entre pessoas de diferentes meios. Penso unicamente que devem constituir uma exceção: exigem, de todos os modos, qualidades individuais que não se podem pedir à generalidade dos homens. Sempre que um homem e uma mulher entram, através do casamento, para um meio superior ou simplesmente estranho ao seu, é preciso que entrem subindo (hoje há uma tendência excessiva para entrar em toda parte no mesmo plano) e que superem pelo poder do amor e da adaptação a comunhão espontânea que resulta da identidade do meio. Um príncipe só poderá desposar com acerto uma pastora se essa pastora tiver uma alma de princesa, o que, em boa verdade, não é excessivamente freqüente. Uma das taras do mundo moderno é pretender fazer um costume do que só pode constituir exceção, e cair abaixo da norma ao querer generalizar o que está acima da norma.
Numa união entre indivíduos do mesmo meio, os hábitos, os gostos, as necessidades comuns ― todo esse complexo de elementos bio-psicológicos imponderáveis que constituem o que vulgarmente se chama costume ― contribui para fortalecer a harmonia. No caso contrário, todo o peso do passado dos dois esposos tende, de alguma maneira, a desuni-los. É difícil prever até que ponto determinado comportamento material ou moral, perfeitamente natural num dado meio social, se poderá tornar um fator de perturbação e de escândalo noutro meio diferente.
[…]
Poder-me-ão dizer que basta o afeto recíproco dos esposos para suprir todos os vínculos climatéricos, se assim lhes podemos chamar, e que o amor, possuindo todos os poderes, tem também todos os direitos. E eu peço então licença para refletir um pouco. Só conheço um amor que seja todo poderoso: aquele de que fala São João na sua definição de Deus: Deus est charitas. E, além disso, coisa curiosa, sempre notei que, quanto mais um homem proclama os direitos absolutos do amor, menos o amor opera nele milagres, e mais provável é que os seus amores acabem mal. É precisamente quando o amor julga ter todos os direitos que ele tem menos poder. E isto deve incitar-nos a procurar o que se esconde, na maioria dos casos, sob o belo nome de amor. E isso nos levará a falar das determinantes propriamente psicológicas da escolha nupcial.
[…]
No presente caso, eu poderia afirmar, se tivesse o gosto dos paradoxos verídicos como Chesterton, que não conheço nada menos conveniente que um casamento chamado «de conveniência», e nada mais egoísta do que um casamento chamado «de amor».
[…]
Dei-me ao trabalho de acompanhar na minha região alguns casos típicos de casamento de conveniência e de casamento de amor. No primeiro caso, tratava-se de jovens que se casavam quase sem se conhecerem, porque a situação moral e material das suas famílias era sensivelmente idêntica e porque tinha passado por ali um desses benévolos casamenteiros que abundam nos nossos campos. No segundo caso, os jovens casavam-se por pura inclinação recíproca, sem intermediários familiares, e muitas vezes mesmo contra a vontade das suas famílias. Pois bem. Enquanto que a maior parte dos «casamento de conveniência» davam origem a lares sãos e sólidos, era sobretudo entre os casamentos chamados «de amor» que se observavam os resultados pessoais e familiares mais negativos: esterilidades voluntária, desentendimento ou separação dos esposos, etc.
[…]
Seja-me permitida, a este respeito, uma pequena digressão histórica. Nas épocas clássicas, as instituições morais, políticas ou religiosas, estavam acima dos indivíduos que as representavam e levavam atrás de si. A monarquia era mais do que o rei, o sacerdócio mais do que o padre. Isso explica que fosse então possível darem-se ao luxo de desprezar determinado rei ou determinado Papa, sem que o próprio princípio da monarquia fosse de modo algum posto em causa. Recordemo-nos, por exemplo, das invectivas duma santa, como Catarina de Sena, contra o clero do seu tempo, ou de um grande católico como Dante, que punha o Papa então reinante no inferno. Agora, como em todas as épocas de decadência, assistimos ao fenômeno inverso: as instituições só são toleradas e amadas através das pessoas: eis porque, seja dito de passagem, temos necessidade, mais do que nunca, de chefes políticos e religiosos íntegros e enérgicos. Agora mais do que nunca, o chefe que falta á sua missão, compromete a par da sua efêmera pessoa, o princípio eterno que representa. É um tanto ou quanto angustioso ver indivíduos fracos carregar sobre os seus ombros todo o peso das responsabilidades sociais. […] Ah! Cada dia se torna mais difícil separar a causa das instituições da causa das pessoas ...”
Gustave Thibon, O Que Deus Uniu
(RCS)