segunda-feira, agosto 07, 2006

Fraternidade de São Pio X em português


Suprindo uma lacuna que há muito se fazia sentir, a partir do Brasil, ainda a limar arestas, acaba de surgir o primeiro sítio oficial da Fraternidade de São Pio X inteiramente em português, e que deverá doravante passar a constituir uma importante fonte de informações e pesquisa para todos os católicos de língua portuguesa defensores da tradição.

Aproveitamos a ocasião para desejar que em breve também a Fraternidade de São Pio X - Portugal passe a ter a sua página oficial na rede: é um velho sonho que gostaríamos de ver concretizado, e que seguramente muito ajudaria à expansão da tradição no nosso País, que dela bem necessitado está!

JSarto

Rádio Convicción


Desde Santiago do Chile, escreve-nos o nosso amigo Jorge Marcich Colina, solicitando a divulgação da Rádio Convicción, de que é director, junto dos católicos tradicionais portugueses e brasileiros, informando-nos de que a mesma brevemente passará a emitir também em português, através do programa "A Tradição Católica para Brasil e Portugal", o qual será certamente merecedor da nossa melhor atenção.

JSarto

domingo, agosto 06, 2006

Desmistificando sofismas progressistas


Encontrei este magnífico artigo intitulado "The Seat of Heresy… Pittsburgh???", cuja leitura recomendo vivamente, no blogue "Shouts in the Piazza", de um sacerdote católico de tendência tradicional (o que até se depreende pelo simples facto de possuir um brasão de armas eclesiástico), ainda que nenhuma relação tenha com a Fraternidade de São Pio X, e a minha vontade era transcrever tal artigo na íntegra, já que nele se derruba bom número de sofismas dos pseudo-católicos progressistas, os quais supõem com grave erro poder ser a Igreja governada a toque de sondagens sectárias publicadas nos meios de propaganda política anticristã comummente denominados de órgãos de comunicação social de referência. Aqui fica um trecho especialmente saboroso do artigo em causa:

"A majority of Catholic respondents to an Associated Press- Ipsos poll taken just after the death of Pope John Paul II last year said they favored ordination of women."

So? If you polled some Catholics they'd tell you that we should use beer and pretzels at Eucharist, or that we should never have to go to Confession or that attendance at mass is optional or that (as one recent NY Times-CBS poll found out) three quarters of American Catholics think that Holy Communion is just a "symbolic representation" of Jesus at mass but not His real presence. So, since three quarters of Catholics polled by the NY Times responded with a complete lack of understanding about the central mystery of our faith I think we can draw some conclusions. The first is that polling information can be manipulated any way you'd like. Ask any politician about that. Polling utilizes only samples and then extrapolates from that. In other words polls don't prove anything conclusively. The second thing is that the information gathered shows how ignorant of what their own Church teaches and believes many people really are. If you are so opposed to the idea of an all-males priesthood in the Catholic Church then DON'T BE A ROMAN CATHOLIC ANYMORE!

The other point that the U.S. media glosses over all the time is that you can take as many polls as you want but that really doesn't mean much because the Church is not a democracy. Authority in the Church does not derive from the people. Those sitting in the pews are not the constituents of those in leadership...they are their flock. The sheep don't tell the shepherd where to lead the flock. Rather, they follow him. So, take polls until the cows come home but it won't make a bit of difference in what is true and what isn't.

Here's another interesting part of the article:

"We need to claim for women their equal right with men to be ordained. And we need to do this 'contra legem,' to break an unjust law and yet to remain firmly within the church," Patricia Fresen said last year at a Philadelphia conference on women in the church."

This woman needs not only a copy of the Catechism in which she will discover that breaking some of the laws of the Church automatically places you outside of it. She also needs to re-read the Letter to the Hebrews in which she will be reminded that "no one may take this office upon themselves". Too bad their lust for power has blinded these women to things like charity, service and self-emptying...you know, the building blocks of good ministry in the Church?

(...)

It's amazing how on one end of Pennsylvania there exists a bastion of traditional and conservative Catholicism and on the other side of the same state this lunacy is taking place. If women in the world desire to exercise a ministry like Roman Catholic priests then they can happily find a home ministering in the Episcopal Church. Heck, they can even become bishops there! So if that's what they feel called to then go. Please by all means GO!

JSarto

P.S. Para os leitores que não saibam, a Irmã Chittister acima caricaturizada é uma religiosa beneditina progressista radical, de nacionalidade norte-americana, que continua a defender da ordenação sacerdotal de mulheres, apesar de tal hipótese haver sido definitiva e irreversivelmente afastada pelo Papa João Paulo II, na "Ordinatio Sacerdotalis".

A democracia pervertida ou a conspiração anticristã

Numa linha herdeira do melhor estilo de Monsenhor Henri Delassus, um artigo conciso, preciso e certeiro - "The Orwellian Transmogrification" - de autoria do religioso franciscano tradicional Alexis Bugnolo, publicado no blogue "Ut Regnet Christus Iesus" de que é responsável, e no qual se dá conta da cada vez mais visível degradação cívica e perversão política que as democracias contemporâneas vêm sofrendo por força da influência deletéria dos grupos de pressão e das sociedades discretas que nelas operam a partir da penumbra, e que as estão transformando a passadas largas em autênticas tiranias do relativismo ético-moral, verdadeiras antecâmaras da república universal anticristã a que também chamam nova ordem mundial…

JSarto

sábado, agosto 05, 2006

Para escutar em dias de muito calor - 2






Concerto de Aranjuez - Narciso Yepes interpreta Joaquín Rodrigo, ou porque no verdadeiramente belo é sempre possível vislumbrar a presença de Deus.

JSarto

Para escutar em dias de muito calor - 1


Joaquín Rodrigo - "Por los campos de España", com Gérard Abiton,à guitarra.

JSarto

O caso Mel Gibson


Diz São João que quem afirma não ter pecados é um mentiroso: como é evidente, esta regra não excepciona os católicos tradicionais. Aliás, porque estes se reconhecem pecadores é que são católicos e defensores da tradição, porque sabedores da sua natureza humana decaída em resultado do pecado original, e porque necessitados da graça santificadora dos sacramentos da Igreja para serem um pouco menos imperfeitos no seu quotidiano.

Ora, à luz do que acima expus é que me parece que há-de ser encarado o recente caso envolvendo Mel Gibson, interceptado pela polícia californiana a conduzir em excesso de velocidade numa auto-estrada - 140 Km/h - e com uma taxa de álcool correspondente ao dobro da legalmente admitida, o que não deixa de ser censurável, mesmo que na Califórnia o limite de velocidade nas auto-estradas varie entre 90 Km/h e 110 km/h, e a taxa de álcool tenha o apertadíssimo limite de 0,08 g/l, o que outrossim serve para reduzir às suas devidas proporções o sucedido, e descobrir a mesquinhez daqueles que empolaram e criticaram impiedosamente Gibson pelo seu comportamento, afinal uma mal disfarçada forma de o atingir e punir indirectamente pelas suas convicções religiosas mais profundas de católico tradicional.

Efectivamente, os fariseus anticristãos que pensam mandar no mundo, arrogantes e soberbos como são, supondo-se intocáveis e acima de qualquer observação, reparo, crítica ou censura, não esquecem, nem perdoam a Mel Gibson a imensa humilhação que o mesmo lhes infligiu no ano de 2004, com o esmagador sucesso que o filme por ele realizado "A Paixão de Cristo" obteve no mundo inteiro, filme esse que representa precisamente o que tais fariseus mais odeiam - a verdade de Cristo! E daí o linchamento mediático de Mel Gibson!

Sobre este assunto, sugiro ainda a leitura das interessantes reflexões no "Athanasius Contra Mundum".

JSarto

Da origem e evolução dos paramentos



"Da Origem e Evolução dos Paramentos", eis um interessante artigo em duas partes (Parte I e Parte II), que tem por objecto o desenvolvimento das vestes litúrgicas e da simbologia inerente às mesmas, publicado no cada vez melhor "The New Liturgical Movement".

Sobre a questão específica do formato das casulas nele abordada, por mim opto indubitavelmente pelas belíssimas casulas romanas (ver segunda imagem), que contribuem profundamente para o acentuar da beleza do culto litúrgico, sem contudo repudiar as casulas de corte gótico (ver terceira imagem) - as preferidas de dois grandes liturgistas e tradicionalistas como o foram Dom Prosper Gueranguer e o Padre Adrian Fortescue -, na condição de estas últimas se mostrarem sóbrias e decoradas com motivos próprios da iconografia tradicional católica, o que não sucede as mais das vezes com os feios paramentos pós-conciliares, utilizados pelos modernistas e progressistas com o fito inconfessado de desprover a acção litúrgica da reverência e dignidade que lhe são devidas.

JSarto

quinta-feira, agosto 03, 2006

Nova entrevista de Monsenhor Malcolm Ranjith


Monsenhor Malcolm Ranjith, que já apresentamos aos leitores d'"A Casa de Sarto", concedeu uma nova entrevista, desta vez à Agência Apic, onde uma vez mais profere interessantes afirmações sobre o problema da reforma da reforma litúrgica, de que destacamos os seguintes pontos:

Q.: Vous avez récemment affirmé dans le quotidien catholique français La Croix que la réforme liturgique du Concile Vatican II n’avait “jamais décollé“. Ces mots ont surpris de nombreuses personnes…

R.: Je suis surpris, car je ne l’ai pas dit ainsi et ce n’est pas vrai. Je voulais dire que la réforme conciliaire - avec le renouveau spirituel attendu, avec les catéchèses profondes qui devaient relancer l’Eglise face au contexte séculariste - avait donné des résultats qui ne sont pas si positifs que cela. La réforme a bien décollé. Ainsi, l’utilisation de la langue vernaculaire est une chose positive, car tout le monde peut comprendre ce qui se passe à l’autel ou lors des lectures. De même, pour le sens de communion qui s’est développé. Mais ces éléments ont parfois été un peu trop accentués en abandonnant certains aspects positifs de la tradition de l’Eglise. Le cardinal Ratzinger lui-même, dans la préface du livre Tournés vers le Seigneur - l’orientation de la prière liturgique du père Uwe Michael Lang, a rappel é que l’abandon du latin et l’orientation du célébrant vers le peuple ne faisaient pas partie des conclusions du Concile. [destaques nossos]

Q.: Pour certains, qui ont fidèlement suivi le Concile, vos propos surprennent…

R.: Il ne s’agit pas d’abandonner le Concile, car il a déjà beaucoup influencé l’Eglise, comme dans son ouverture au monde. Mais, dans le même temps, il aurait fallu approfondir ce que nous possédions déjà. Il aurait fallu, comme dit le Concile, un changement ‘organique', sans brusquerie, sans abandonner le passé. L’Encyclique Ecclesia de Eucharistia de Jean Paul II (publiée en avril 2003, ndlr), et l’Instruction Redemptoris Sacramentum (avril 2004) qu’il avait demandée à la Congrégation, indiquent bien que quelque chose n’allait pas. Le pape parlait alors avec une certaine amertume de ce qui se passait. Ainsi, on ne peut pas dire que tout s’est bien passé, mais on ne peut pas dire non plus que tout s’est mal passé. Les réformes du Concile, par la façon dont elles ont été traduites et mises en place, n’ont pas porté les fruits espérés. [destaques nossos]

Q.: Concrètement, que faut-il faire?

R.: Il y a deux extrêmes à éviter: permettre à chaque prêtre ou évêque de faire ce qu’il veut, ce qui crée la confusion, ou, au contraire, abandonner complètement une vision adaptée au contexte moderne et s’enfermer dans le passé. Aujourd’hui, ces deux extrêmes continuent de croître. Quel est le juste milieu ?… Il convient de réfléchir un moment, de célébrer sérieusement et d’améliorer ce que nous faisons actuellement.

Q.: Doit-on attendre un document pontifical ou de votre Congrégation à ce sujet?

R.: Dans son livre L’esprit de la liturgie (publié en allemand en 2000, puis en français en 2001, ndlr), le cardinal Ratzinger avait présenté un cadre très complet de la question. Je crois que le pape est très conscient de ce qui se passe, qu’il étudie la question et qu’il faut faire quelque chose pour aller de l’avant. Il va prendre des mesures pour nous indiquer avec quel sérieux nous devons célébrer la liturgie. Il a la responsabilité que la liturgie devienne un signe d’édification de la foi et non un signe de scandale. Car, si la liturgie n’est pas capable de changer les chrétiens et de les faire devenir des témoins héroïques de l’Evangile, alors elle ne réalise pas sont but véritable. Celui qui a participé à la messe doit sortir de l’église convaincu que son engagement social, moral, politique et économique, est un engagement chrétien. [destaques nossos]

Q.: Les abus liturgiques sont-ils réellement si nombreux?

R.: Chaque jour, nous recevons tellement de lettres, signées, où les gens se lamentent des nombreux abus : des prêtres qui font ce qu’ils veulent, des évêques qui ferment les yeux ou, même, justifient ce que font leurs prêtres au nom du ‘renouveau’… Nous ne pouvons pas nous taire. Il est de notre responsabilité d’être vigilants. Car, à la fin, les gens vont assister à la messe tridentine et nos églises se vident. La messe tridentine n’appartient pas aux Lefebvristes. C’est le moment de cesser les affrontements et de voir si nous avons été fidèles aux instructions de la Constitution conciliaire Sacrosanctum Concilium . C’est pourquoi il faut de la discipline pour ce que nous faisons sur l’autel. Les règles sont bien indiquées dans le Missel romain et les documents de l’Eglise.

(…)

JSarto

A Fraternidade de São Pio X e Roma - 13


A ler, a carta aos fiéis de Monsenhor Bernard Fellay, bem como a declaração anexa do Capítulo Geral da Fraternidade de São Pio X, aqui, ambas publicadas na Dici.

JSarto

quarta-feira, agosto 02, 2006

Do direito de guerrear e da guerra justa


Gostei muito desta história. E poderíamos recuar mais trinta e um anos no tempo até 1917, a fim de nos apercebermos de qual foi a promessa feita pelos britânicos aos árabes como contrapartida do auxílio prestado por estes últimos no combate contra os turcos no Próximo Oriente - a criação de um Estado árabe unificado nos territórios dessa região ao tempo sob domínio otomano, garantida pelo Alto Comissário Britânico no Egipto ao então Xerife de Meca, bisavô do actual Rei da Jordânia -, e de como a referida promessa foi desonrada, não só por força da Declaração Balfour, datada de Novembro de 1917, e através da qual o Império Britânico se comprometeu contraditoriamente a patrocinar o aparecimento de um Estado judaico na Palestina ainda sob tutela otomana - compromisso esse assumido por Lord Balfour, Ministros dos Negócios Estrangeiros britânico, perante Lord Rothschild, representante "de facto" da nação judaica -, mas também pela divisão dos despojos do Próximo Oriente que entre si fizeram França e Império Britânica no final da I Guerra Mundial, à primeira cabendo o Líbano e a Síria, e ao segundo os territórios correspondentes à Palestina, Jordânia e Iraque. Ora, não é despiciendo o ressentimento que estas atitudes provocaram e continuam a provocar nos árabes, as quais são justamente por eles sentidas como traições às suas legítimas aspirações, e que ainda hoje explicam muito do que sucede na região, apesar de todo o tempo já decorrido.

Sem prejuízo, sobraço a opinião de Francisco Múrias: decorridos quase sessenta anos desde a fundação de Israel, não tem qualquer sentido propugnar a destruição deste Estado, tal como o continuam a exigir vários grupos radicais árabes islâmicos, pois tal factualidade geraria novos e mais graves males do que aqueles que a aparição do mesmo Estado já implicou, e que não foram poucos, nem insignificantes. Aqui a minha postura é bem diferente da assumida por uma certa intelectualidade radical judaica, quando em condições similares à que Israel actualmente vive, estavam ou estão em causa os interesses de terceiros "gentios", mormente de origem europeia, e de que o meu amigo FSantos ainda recentemente deu um exemplo

Outrossim, também concordo com o Corcunda, quando sem quaisquer facciosismos sustenta que "Israel tem todo o direito a defender-se; não tem é, por certo, o direito à maldade". E, porque esta afirmação traz à colação a questão muito debatida por estes dias da proporcionalidade e desproporcionalidade na guerra, aqui deixo o ensino de São Tomás de Aquino sobre a natureza da guerra justa (questão 40, da II - II, da Suma Teológica):

Artigo 1

Guerrear é sempre um pecado?

Quanto ao primeiro artigo, assim se procede: parece que guerrear é sempre um pecado.

1. Com efeito, não se aplica uma pena a não ser para um pecado. Ora, no Evangelho de Mateus, o Senhor notifica com uma pena aos que fazem a guerra: "Todos os que tomam a espada, pela espada perecerão". Logo, a guerra é sempre ilícita.

2. Além disso, tudo o que é contrário a um preceito divino é pecado. Ora, guerrear é contrário a um preceito divino, pois no Evangelho de Mateus se diz: "Eu vos digo: não resistais ao mal", e na Carta aos Romanos: "Não vos defendais, meus amados; mas dai lugar à ira". Logo, é sempre um pecado fazer a guerra.

3. Ademais, somente o pecado se opõe a um acto de virtude. Ora, a guerra se opõe à paz. Logo, a guerra é sempre um pecado.

4. Ademais, todo o exercício em vista de uma coisa lícita é lícita; é o caso dos exercícios intelectuais. Ora, os exercícios guerreiros como os torneios, são proibidos pela Igreja, e os que morrem nos exercícios desse género são privados de sepultura eclesiástica. Logo, a guerra parece ser absolutamente um pecado.

Em sentido contrário, Agostinho escreve: "Se a moral cristã julgasse que a guerra é sempre culpável, quando no Evangelho soldados pedem um conselho para a sua salvação, dever-se-ia responder-lhes que jogassem fora as armas e abandonassem completamente o exército. Ora, apenas se lhes diz. "Não molesteis a ninguém, contentai-vos com vosso soldo". Prescrever-lhes que se contentem com o seu soldo não os proíbe de combater".

Respondo. Para que uma guerra seja justa, são requeridas três condições: 1ª A autoridade do príncipe, sob cuja ordem deve-se fazer a guerra. Não compete a uma pessoa privada declarar uma guerra, pois pode fazer valer seu direito no tribunal de seu superior; também porque, convocar a multidão necessária para a guerra não compete a uma pessoa privada. Já que o cuidado dos negócios públicos foi confiado aos príncipes, a eles compete velar pelo bem público da cidade, do reino ou da província submetidos à sua autoridade. Assim como o defendem licitamente pela espada contra os perturbadores internos quando punem os malfeitores, segundo esta palavra do Apóstolo: "Não é em vão que carrega a espada; é ministro de Deus para fazer a justiça e castigar aquele que faz o mal"; assim também compete-lhes defender o bem público pela espada da guerra contra os inimigos do exterior. É por isso que se diz aos príncipes no Salmo: "Sustentai o pobre e livrai os infelizes da mão dos pecadores", e que Agostinho escreve: "A ordem natural, aplicada à paz dos mortais, pede que a autoridade e o conselho para deflagrar a guerra caibam aos príncipes".

2º Uma causa justa: requer-se que o inimigo seja atacado em razão de alguma culpa. Por isso Agostinho escreve: "Costumamos definir como guerra justas aquelas que punem as injustiças, por exemplo, castigar um povo ou uma cidade que foi negligente na punição de um mal cometido pelos seus, ou restituir o que foi tirado por violência".

3º Uma recta intenção naqueles que fazem a guerra: que se pretenda promover o bem ou evitar o mal. Por isso Agostinho escreve: "Entre os verdadeiros adoradores de Deus até mesmo as guerras são pacíficas, pois não são feitas por cobiça ou crueldade, mas numa preocupação de paz, para reprimir os maus e socorrer os bons". Com efeito, mesmo se for legítima a autoridade daquele que declara a guerra e justa a sua causa, pode acontecer, contudo, que a guerra se torne ilícita por causa de uma intenção má. Escreve Agostinho a propósito: "O desejo de prejudicar, a crueldade na vingança, a violência e a inflexibilidade do espírito, a selvajaria no combate, a paixão de dominar e outras coisas semelhantes, são estas as coisas que nas guerras são julgadas culpáveis pelo direito".

Quanto ao 1º, portanto, deve-se dizer que segundo Agostinho: "Empunha a espada aquele que, sem autoridade superior ou legítima que o comande ou permita, se arma para derramar o sangue de alguém". Aquele, porém, que pela autoridade do príncipe ou do juiz, se for uma pessoa pública, empunha uma espada, não toma da espada por si mesmo, mas empunha a espada que um outro lhe confiou. Não incorre, pois, em pena.- Contudo, aqueles que se servem pecaminosamente da espada nem sempre caem sob a espada, mas sempre perecem pela própria espada, pois são eternamente punidos por terem pecado sob a espada, excepto se se arrependerem.

Quanto ao 2º, deve-se dizer que tais preceitos, segundo Agostinho, devem sempre ser observados com o ânimo preparado, isto é, deve-se sempre estar preparado a não resistir ou a não se defender, mesmo sendo preciso. Por vezes, porém, é preciso agir de outra forma para o bem daqueles que estão sendo combatidos. É por isso que Agostinho escreve: "É preciso agir fortemente, mesmo com aqueles que resistem, a fim de dobrá-los por uma certa dureza benevolente. Aquele que é privado do poder de fazer o mal sofre uma proveitosa derrota. De facto, nada é mais infeliz do que o feliz sucesso dos pecadores, pois a impunidade, é alimentada, e a sua má vontade, como um inimigo interior, é fortificada".

Quanto ao 3º, deve-se dizer que os que fazem guerras justas procuram a paz. Consequentemente não se opõem à paz, a não ser à paz má que o Senhor "não veio trazer à terra", segundo o Evangelho de Mateus. Por isso escreve Agostinho: "Não se procura a paz para fazer a guerra, mas faz-se a guerra para se obter a paz. Sê, pois, pacífico ao combater para que com a vitória leves o benefício da paz àqueles que combates".

Quanto ao 4º, deve-se dizer os exercícios bélicos não são universalmente proibidos. Proibidos são os exercícios desordenados e perigosos que ocasionam matanças e depredações. Os antigos praticavam exercícios ordenados à guerra que não tinham nenhum desses perigos. Por isso eram chamados de "exercícios de armas" ou "guerras não sangrentas", como se vê numa das cartas de Jerónimo.

JSarto

sábado, julho 29, 2006

Los Obispos españoles opinaron sobre el Movimiento Nacional

En la Carta Colectiva del Episcopado español de 1937 se dejan claros los caracteres del Movimiento Nacional liderado por el Caudillo Francisco Franco.
Transcribimos a continuación los párrafos de esta carta donde Sus Ilustrísimas dejan claro lo que ellos piensan del Movimiento que surge como defensa de la España Eterna, de la España Católica. La que no tuvo otro remedio que alzarse en armas contra los agresores porque, como decía Ramiro de Maeztu “ser es defenderse”.

“Demos ahora un esbozo del carácter del movimiento llamado «nacional». Creemos justa esta denominación. Primero, por su espíritu; porque la nación española estaba disociada, en su inmensa mayoría, de una situación estatal que no supo encarnar sus profundas necesidades y aspiraciones; y el movimiento fue aceptado como una esperanza en toda la nación; en las regiones no liberadas sólo espera romper la coraza de las fuerzas comunistas que le oprimen. Es también nacional por su objetivo, por cuanto tiende a salvar y sostener para lo futuro las esencias de un pueblo organizado en un Estado que sepa continuar dignamente su historia. Expresamos una realidad y un anhelo general de los ciudadanos españoles; no indicamos los medios para realizarlo.
El movimiento ha fortalecido el sentido de patria contra el exotismo de las fuerzas que le son contrarias. La patria implica una paternidad; es el ambiente moral, como de una familia dilatada, en que logra el ciudadano su desarrollo total; y el movimiento nacional ha determinado una corriente de amor que se ha concentrado alrededor del nombre y de la sustancia histórica de España, con aversión de los elementos forasteros que nos acarrearon la ruina. Y como el amor propio, cuando se ha sobrenaturalizado por el amor de Jesucristo, nuestro Dios y Señor, toca las cumbres de la caridad cristiana, hemos visto una explosión de verdadera caridad que ha tenido su expresión máxima en la sangre de millares de españoles que la han dado al grito de «¡Viva España!», «¡Viva Cristo Rey!».
Dentro del movimiento nacional se ha producido el fenómeno, maravilloso, del martirio -verdadero martirio, como ha dicho el Papa- de millares de españoles, sacerdotes, religiosos y seglares; y éste testimonio de sangre deberá condicionar en lo futuro, so pena de inmensa responsabilidad política, la actuación de quienes, depuestas las armas, hayan de reconstruir el nuevo Estado en el sosiego de la paz.
El movimiento ha garantizado el orden en el territorio por él dominado. Contraponemos la situación de las regiones en que ha prevalecido el movimiento nacional a las dominadas aún por los comunistas. De éstas puede decirse la palabra del Sabio: «Ubi non est gubernator, dissipabitur populos»; sin sacerdotes, sin templos, sin culto, sin justicia, sin autoridad, son presa de terrible anarquía, del hambre y la miseria. En cambio, en medio del esfuerzo y del dolor terrible de la guerra, las otras regiones viven en la tranquilidad del orden interno, bajo la tutela de una verdadera autoridad, que es el principio de la justicia, de la paz y del progreso que prometen la fecundidad de la vida social. Mientras en la España marxista se vive sin Dios, en las regiones indemnes o reconquistadas se celebra profusamente el culto divino y pululan y florecen nuevas manifestaciones de la vida cristiana.
Esta situación permite esperar un régimen de justicia y paz para el futuro. No queremos aventurar ningún presagio. Nuestros males son gravísimos. La relajación de los vínculos sociales; las costumbres de una política corrompida; el desconocimiento de los deberes ciudadanos; la escasa formación de una conciencia íntegramente católica; la división espiritual en orden a la solución de nuestros grandes problemas nacionales; la eliminación, por asesinato cruel, de millares de hombres selectos llamados por su estado y formación a la obra de la reconstrucción nacional; los odios y la escasez que son secuelas de toda guerra civil; la ideología extranjera sobre el Estado, que tiende a descuajarse de la idea y de las influencias cristianas; serán dificultad enorme para hacer una España nueva injertada en el tronco de nuestra vieja historia y vivificada por su sabia. Pero tenemos la esperanza de que, imponiéndose con toda su fuerza el enorme sacrificio realizado, encontraremos otra vez nuestro verdadero espíritu nacional. Entramos en él paulatinamente por una legislación en que predomina el sentido cristiano en la cultura, en la moral, en la justicia social y en el honor y culto que se debe a Dios. Quiera Dios ser en España el primer bien servido, condición esencial para que la nación sea verdaderamente bien servida.”

Que los enemigos declarados de la Fe Católica sean enemigos de Franco y odien su gesta y su hazaña no es sorprendente. Entra dentro de lo lógico. Pero que aquellos que se declaran católicos critiquen a la personalidad que la Santísima Providencia suscitó para salvar a España de la hidra roja y devolverla a los cauces tranquilos y apacibles de la Santa Religión Católica, que Franco siempre defendió, es algo que es contradictorio en sí mismo.
Como contradictorio resulta que esos mismos pseudo-católicos, enemigos de Franco, no se dejen guiar por el testimonio de los Obispos españoles. Un servidor, carlistón crítico con Franco, estoy cada vez más escamado de esas derechonas y “direitinhas”, pancistas y bienpensantes, librepensadoras y demócratas, homologadas y mediopensionistas, metrosexuales y sodomófilas, tan centristas como descentradas, que siguen practicando su deporte favorito: levantar altares a las causas y cadalsos a las consecuencias. De esta ralea, de estas asociaciones de malhechores, no se puede esperar ni esa mínima pizca de pensamiento lógico: que de ciertas causas se derivan ciertas consecuencias.
Hay que repetir esa frase que resume todo un programa de política fundamental para España: “Quiera Dios ser en España el primer bien servido, condición esencial para que la nación sea verdaderamente bien servida.”

Rafael Castela Santos

quinta-feira, julho 27, 2006

Alameda Digital


"Alameda Digital", uma nova revista portuguesa de informação alternativa em linha, imprescindível nos tempos que correm para um cada vez mais vital combate de ideias. Tem o mérito de juntar o útil da sua qualidade, ao agradável de muitos dos que nela escrevem serem bons amigos desta "Casa" e de quem assina estas linhas. Votos de grande sucesso, pois!

JSarto

quarta-feira, julho 26, 2006

El mito de la separación Iglesia-Estado en USA

Uno de los más perversos frutos del Vaticano II fue el acabar con los Estados oficialmente católicos. El caso de España, donde Pablo VI obligó a Franco a aceptar la libertad religiosa tras el Vaticano II, es proverbial. Permítaseme clarificar que una cosa es la libertad religiosa y otra la tolerancia religiosa (que Franco, y los demás Estados católicos, ya tenían, por cierto). Pero ahí estuvieron otros casos, como Portugal. También los de los países hispanoamericanos como Colombia, Costa Rica, etc. E incluso Italia bajo el Pontificado de Juan Pablo II. Contrasta esta actitud autodestructiva con la que algunos países norte-europeos siguen al mantener indeleble su constitución protestante. El Reino Unido de la Gran Bretaña es oficialmente anglicano y, por ejemplo, si un Príncipe o un Rey de ellos se hiciera católico quedaría automáticamente eliminado para el cargo. Otro tanto se puede decir de Holanda, la moderna Sodoma y Gomorra de los Países Bajos (más bajos que nunca), que es oficialmente calvinista. Dinamarca sigue siendo oficialmente luterana, con todas sus consecuencias. Y se podrían citar más ejemplos.

Aunque la Iglesia Romana siempre ha mantenido la separación de poderes, el espiritual y el temporal, a diferencia de la cismática Iglesia Ortodoxa, que cayó en el cesaropapismo, esa separación no es absoluta. De hecho la Iglesia siempre ha dicho que el poder espiritual debe informar al poder temporal y el símil tradicional es el del alma (el poder espiritual) y el cuerpo (el temporal).

Los revolucionarios de 1776 y 1789 (en el fondo vienen a ser la misma cosa, las diferencias son de matices) y sus herederos, los liberales, suelen llenarse la boca de la separación de Iglesia y Estado mantenida en América. Desmontemos ese mito de mano del nunca bien ponderado Athanasius contra Mundum, una de las mejores bitácoras sobre temas religiosos (en temas políticos me parece más discutible) que pululan por ahí en lengua inglesa y que fervientemente les recomiendo.

Con la parte del texto que analiza este mito, y uno previo que se suele añadir como prólogo, les dejo. Las consecuencias que se infieren se las dejo a su mejor consideración. En esta transcripción, y por motivos de espacio, he suprimido una digresión sobre los impuestos y la burocracia, pero para aquellos que les interese el tema completo lo pueden encontrar aquí.

«Myth#1: The Pilgrims came to escape religious persecution and find freedom.

False The colonists did not escape persecution to bring freedom, they came to do just what England was doing but to do it to someone else. Until 1830 Catholicism was illegal in Massachusetts and Connecticut. During the colonial and revolutionary periods, if you were a Catholic and caught in the puritan run colonies, you could get a “P” branded on your forehead (for papist). If you were a Society of Friends (Quaker) you would get a Q branded on your forehead. In the South if you were a Catholic you could not hold office. Irish Catholics who had managed to escape the greatest persecution seen since Diocletian in England came over to similar laws and discriminations in America.

Myth#2 America was founded on the principle of Separation of Church and State

FALSE This was found only in a letter from Jefferson who was in France and imbibing French Revolution ideals, to his colleague Madison who disagreed with the proposition. It is the only place “Separation of Church and State” appears in American Literature until the Supreme Court under Hugo Black a former KKK grand wizard in the 60's inserted that language into a decision. There was no separation of Church and State, except in the decision Engel vs. Vitale. (incidently I find it amusing that liberals point to this decision which was written by an ex-KKK member who wanted to prevent Catholics and Jews from getting public funds). There was a prohibition on fixing a state religion to which everyone had to adhere like in England.

The first amendment is a restriction on the power of the federal government, it is not a restriction on religion. Modern interpretations of this simply fly in the face of logic, history, and the original intent which was clearly spelled out. The amendment along with the other ten composing the bill of rights were necessary, because a number of people did not approve of the constitution, whom history labels “anti-federalists”. Among them was Patrick Henry of “give me liberty or give me death” fame. Henry is quoted frequently before the Constitution was created, and rarely afterwards.

[…]

Going back to the idea of a separation of Church and State, it has been condemned frequently by the Church, by great popes such as Bl. Pius IX, Leo XIII, Pius X (who loved Americans and had an American cardinal to thank for supporting him for his election), Pius XI and Pius XII. However most of that condemnation was aimed at France with its rigorous secular practices. It is well known that during the revolution saints names were replaced with (surprise) the names of the revolutionaries and their philosophers like Rousseau, Voltaire etc. and the renaming of Churches the "temple of reason". (!) At the time America however was still seen as a religious nation. The Catholic Church in America was thriving, because it understood what Pius XI would later write in Quas Primas, namely that every nation and every state must confess Christ as its king in order to be a healthy state. The priests, Bishops and faithful had as their goal to convert the entire country. A 19th century Archbishop of New York, John Hughes (1787-1883) proclaimed:

[Catholicism] will convert all Pagan nations, and all Protestant nations, even England with her proud Parliament.....Everybody should know that we have for our mission to convert the world-including the inhabitants of the United States-the people of the cities, and the people of the country, the Officers of the Navy and the Marines, the commander of the Army, the legislatures, the Senate, the Cabinet, the President and all.

But then there was Vatican II. And to avoid a tedious rant of stuff I’ve ranted about before, you know the story. The emphasis changed, missionary zeal disappeared, converts declined, suddenly every religion is just as good as another, and the true religion is now proscribed from public schools under the same amendment that used to protect it. America is not a Catholic country, hence it is not a healthy country. As Catholics, we need to recover that zeal of the Catholics who responded to the progressive era, and put not America first, but Christ and his Church first.»


Rafael Castela Santos

segunda-feira, julho 24, 2006

O Canto Gregoriano como paradigma da música sacra


Apesar de algumas partes mais "pesadas" devido ao seu carácter técnico, aqui deixo um interessante artigo, publicado pelo excelente sítio "Musica Sacra", acerca do Gregoriano como paradigma de toda a expressão musical. Muito bom.

JSarto

Canto Gregoriano e Palestrina


Uma entrevista absolutamente notável concedida pelo Padre Domenico Bartolucci ao "Chiesa", de Sandro Magister, cuja leitura recomendo especialmente a este amigo, mesmo que não crente. Recordo que o entrevistado foi nomeado em 1959 maestro vitalício da Capela Sistina pelo Papa João XXIII, demitido do cargo em 1997 pelo Papa João Paulo II [1], e recentemente reabilitado pelo Papa Bento XVI. Para compreendermos melhor espírito tradicional que anima este sacerdote e maestro, aqui deixo alguns trechos soberbos e verdadeiramente deliciosos da referida entrevista, a qual pode ser lida na íntegra aqui:

(…)

Q: Was Perosi [maestro da Capela Sistina, no tempo de Pio XII] in some sense the harbinger of the current vulgarization of sacred music?

A: Not exactly. Today the fashion in the churches is for pop-inspired songs and the strumming of guitars, but the fault lies above all with the pseudo-intellectuals who have engineered this degeneration of the liturgy, and thus of music, overthrowing and despising the heritage of the past with the idea of obtaining who knows what advantage for the people. If the art of music does not return to its greatness, rather than representing an accommodation or a byproduct, there is no sense in asking about its function in the Church. I am against guitars, but I am also against the superficiality of the Cecilian movement in music – it’s more or less the same thing. Our motto must be: let us return to Gregorian chant and to polyphony in the tradition of Palestrina, and let us continue down this road!
[destaques nossos]

Q: What are the initiatives that Benedict XVI should take to realize this plan in a world of discotheques and iPods?

A: The great repertoire of sacred music that has been handed down to us from the past is made up of Masses, offertories, responsories: formerly there was no such thing as a liturgy without music. Today there is no place for this repertoire in the new liturgy, which is a discordant commotion – and it’s useless to pretend that it’s not. It is as if Michelangelo had been asked to paint the general judgment on a postage stamp! You tell me, please, how it is possible today to perform a Credo, or even a Gloria. First we would need to return, at least for the solemn or feast day Masses, to a liturgy that gives music its proper place and expresses itself in the universal language of the Church, Latin. In the Sistine, after the liturgical reform, I was able to keep alive the traditional repertoire of the Chapel only in the concerts. Just think – the Missa Papae Marcelli by Palestrina has not been sung in St. Peter’s since the time of Pope John XXIII! We were graciously granted the permission to perform it during a commemoration of Palestrina, and they wanted it without the Credo, but that time I would not budge, and the entire work was performed.
[destaques nossos]

Q: Do you think that the assembly of the faithful should participate in singing the Gregorian chant during liturgical celebrations?

A: We must make distinctions in the performance of Gregorian chant. Part of the repertoire, for example the Introits or the Offertories, requires an extremely refined level of artistry and can be interpreted properly only by real artists. Then there is a part of the repertoire that is sung by the people: I think of the Mass “of the Angels,” the processional music, the hymns. It was once very moving to hear the assembly sing the Te Deum, the Magnificat, the litanies, music that the people had assimilated and made their own – but today very little is left even of this. And furthermore, Gregorian chant has been distorted by the rhythmic and aesthetic theories of the Benedictines of Solesmes. Gregorian chant was born in violent times, and it should be manly and strong, and not like the sweet and comforting adaptations of our own day.
[destaques nossos]

Q: Do you think that the musical traditions of the past are disappearing?

A: It stands to reason: if there is not the continuity that keeps them alive, they are destined to oblivion, and the current liturgy certainly does not favor it... I am an optimist by nature, but I judge the current situation realistically, and I believe that a Napoleon without generals can do little. Today the motto is “go to the people, look them in the eyes,” but it’s all a bunch of empty talk! By doing this we end up celebrating ourselves, and the mystery and beauty of God are hidden from us. In reality, we are witnessing the decline of the West. An African bishop once told me, “We hope that the council doesn’t take Latin out of the liturgy, otherwise in my country a Babel of dialects will assert itself.”
[destaques nossos]

Q: Was John Paul II somewhat accommodating in these matters?

A: In spite of a number of appeals, the liturgical crisis became more deeply entrenched during his pontificate. Sometimes it was the papal celebrations themselves that contributed to this new tendency with dancing and drums. Once I left, saying, “Call me back when the show is over!” You understand well that if these are the examples coming from St. Peter’s, appeals and complaints aren’t of any use. I have always objected to these things. And even though they kicked me out, ostensibly because I had turned 80, I don’t regret what I did.
[destaques nossos]

(...)

Q: But is it possible, today, to compose in the Gregorian style?

A: For one thing, we would need to recover that spirit of solidity. But the Church has done the opposite, favoring simplistic, pop-inspired melodies that are easy on the ears. It thought this would make people happy, and this is the road it took. But that’s not art. Great art is density. [destaques nossos]

Q: Don’t you say any composers today who are capable of reviving such a tradition?

A: It’s not a question of aptitude; the atmosphere just isn’t there. The fault is not that of the musicians, but of what is asked of them.

(...)

Q: Do you envy the Eastern Churches at all?

A: They have not changed anything, and rightly so. The Catholic Church has renounced itself and its particular makeup, like those women who have plastic surgery: they become unrecognizable, and sometimes there are serious consequences.
[destaques nossos]

(...)

Q: For the philosopher Schopenhauer, music is the summit of all the arts, the immediate objectification of the Will. For Catholics, can it be defined as the direct expression of God, as the Word?

A: Music is Art with a capital “A.” Sculpture has marble, and architecture has the edifice. You see music only with the eyes of the spirit; it enters within you. And the Church has the merit of having cultivated it in its cantories, of having given it its grammar and syntax. Music is the soul of the word that becomes art. It most definitely disposes you to discovering and welcoming the beauty of God. For this reason, now more than ever the Church must learn to recover it.
[destaques nossos]

[1] Por pressão do progressista Arcebispo Marini, mestre-de-cerimónias papal, e responsável por boa parte dos abusos litúrgicos que comummente se repetiam nas viagens do anterior Pontífice pelo mundo inteiro. O pretexto mesquinho oficialmente invocado para tal demissão foi o facto do Padre Domenico Bartolucci ter atingido oitenta anos de idade; na verdade, pretendeu-se eliminar alguém com uma visão profundamente tradicional da liturgia e da música sacra.

JSarto

sábado, julho 22, 2006

O Combate Cristão


Texto original aqui.

«Hoje mais do que nunca trata-se de um combate, um combate sem trégua, sem piedade, mas é também ao mesmo tempo o único combate que vale a pena, que nos dá o entusiasmo e a paz.

Penso que foi Santo Agostinho quem definiu, melhor que ninguém, quais são as regras desse combate, da história da Igreja, da história da humanidade.

E a primeira regra que ele dá é que há dois amores opostos: o amor de si mesmo até ao desprezo de Deus, o amor de Deus até ao desprezo de si mesmo. Nós somos o que amamos. E este combate é o combate de todo o homem necessariamente, quer se queira ou não, é a oposição entre o homem carnal e terrestre e o homem espiritual. É o combate que todos nós experimentamos. É o homem egoísta ou o homem caritativo. É o amor próprio, o amor de si ou, pelo contrário, verdadeiramente, o amor de Deus, o amor do próximo. É o individualismo ou é o cuidado pelo bem comum, quer seja no seio da Igreja, da família, da sociedade. É esta luta que se desenrola ao longo de toda a história e isso mostra-nos, pois, em primeiro lugar, a importância da caridade. A caridade é o motor da nossa vida cristã, é verdadeiramente o desafio dessa vida. A nossa vida é finalmente uma questão de caridade: o que se ama, e de que maneira se ama. Pois o cristão deve antes de tudo exercitar-se na verdadeira caridade e, por aí, é preciso chegar ao desprezo de si.

Chamou-se a Santo Agostinho o doutor da graça, porque pôs em destaque a importância da graça. É verdade finalmente que todo o desafio é o sobrenatural, a graça, e o sacerdote não faz senão dar, espalhar a graça de Deus, é essencialmente a sua função. É isso que foi deixado de lado hoje pela igreja conciliar. O sacerdote está ali para levar, dar, espalhar o sobrenatural. E na medida em que o sobrenatural, portanto, a graça de Deus, fica bem estabelecido nas nossas almas, na medida em que a graça cresce, se desenvolve, pois bem, nessa medida é-se invencível! Por quê? Porque pela graça tem-se Deus em si. Pela graça Deus está em nós! Ora, Deus não pode ser vencido. Por tanto fareis triunfar profundamente esta graça de Deus nas vossas almas e ter sempre um olhar sobrenatural; se não soçobra-se no desencorajamento, soçobra-se no ativismo naturalista, que é muito perigoso.

O terceiro princípio que coloca Santo Agostinho para explicar as leis que regem necessariamente a história da Igreja e a história da humanidade é o primado de Cristo. Não há outra fonte da graça senão Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o centro e o fim da história. É por isso que Santo Agostinho chama a toda a história antes da vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo a "história profética". Era para preparar e anunciar a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua encarnação, a Sua redenção. E depois de Nosso Senhor Jesus Cristo o fim é o Seu triunfo e o Seu triunfo vai-se realizar quando da Sua segunda vinda, a Parusia. É então que terá lugar o triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo e, enquanto se espera, edifica-se, constrói-se a Jerusalém celeste, a Igreja definitiva, a Igreja para sempre.Fora de Nosso Senhor Jesus Cristo não há salvação, fora de Nosso Senhor Jesus Cristo não há paz; portanto não há felicidade, não há vida feliz fora de Nosso Senhor Jesus Cristo. E o sacerdote deve deixar-se apaixonar por este ideal! É preciso dar Cristo às almas, é preciso trabalhar no reinado de Nosso Senhor Jesus Cristo por toda a parte.

O quarto princípio para Santo Agostinho e para nós é o de que não há fatalismo na vida, na história, não há determinismo, tão pouco há acaso. Tudo é Providência divina, tudo, absolutamente tudo! É preciso convencermo-nos disto! Das maiores às mais pequenas coisas, tudo é querido por Deus. Não há nada que Lhe escape, nem na ordem natural nem menos ainda na ordem moral sobrenatural.

Finalmente, a história não é outra coisa senão o desenrolar dos desígnios eternos de Deus. Bem entendido, inclui-se a nossa liberdade, Deus criou-nos livres. Uma coisa impede a outra, mas os desígnios de Deus cumprem-se ao longo da história infalivelmente, necessariamente, se não Ele não seria Deus!E isso deve dar-nos uma grande confiança, porque todos os males, de ordem natural e mesmo de ordem moral, estão previstos e permitidos por Deus. Não somente contribuem para o bem do universo, mas têm um fim; são ordenados ao bem e ao cumprimento da Sua vontade, que é finalmente a salvação das almas e o triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo. "Tudo foi criado para o homem para Cristo, Cristo para Deus".

E hoje poderíamos juntar ainda uma outra lei que rege a história, porque isso nos foi progressivamente desvelado no decurso dos tempos, no decurso dos séculos, e sobretudo no nosso tempo: é o papel e o lugar da Santíssima Virgem Maria no triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo e na salvação das almas, um lugar, um papel de eleição: tudo estava confiado ao Coração de nossa Mãe. O bom Deus teria podido fazer doutro modo, mas por que quis fazê-lo assim? Para nos amparar nas nossas fraquezas, nas nossas misérias, nos nossos medos! Que há de mais terno e de mais atraente do que uma mãe, compassiva, misericordiosa? E é evidente que estas perfeições, que estão na Santa Virgem Maria, são perfeições divinas, participadas por uma criatura. Se a Santa Virgem é como é, foi simplesmente porque o Bom Deus quis manifestar nela duma maneira mais brilhante e mais adequada a nós algumas das Suas perfeições. Era uma vantagem em relação a nós, porque eu diria: Nosso Senhor, mesmo tão bom, tão doce, tão misericordioso no Seu Sagrado Coração, é sempre Deus e isso faz-nos sempre um pouco de medo. Ele quis dar-nos a Santíssima Virgem Maria e confiar à sua Mãe a consumação dos desígnios que Deus tem na história da Igreja, na história da humanidade.

E quando nós olhamos para a obra de Monsenhor Lefebvre, é precisamente isso: compreendeu as intenções da Providência. Tinha uma poderosa caridade; penso que todos nós o podemos testemunhar. Era muito sobrenatural, pregava a tempo e a contratempo os temas da graça; estava verdadeiramente votado ao triunfo de Nosso Senhor Jesus Cristo pela Cruz, pelo Santo Sacrifício, pelo Seu Reinado, pois que Ele é rei; seguia sempre a Providência e não se tomava pela Providência. Tinha uma verdadeira piedade por Nossa Senhora, sem deslocar o Seu lugar e o Seu papel para o centro do dogma católico e do combate, é de resto o que Ela deseja, mas dando-Lhe plenamente o lugar que deve ter neles. Ele apresenta-nos assim um exemplo extraordinário: como simplesmente, humildemente pode uma pessoa pôr-se verdadeiramente ao serviço de Deus, ser dócil, nas mãos de Deus para defender o que é preciso defender.

É preciso ter esta vontade de se converter profundamente e de se pôr ao serviço de Deus como Deus o quer. Neste domínio e hoje mais do que nunca, não convém ficar dentro do labirinto das misérias e das mesquinharias humanas. É preciso estar por cima, ter um olhar sobrenatural. Não convém tomar o lugar de Deus, não convém querer resolver por nós próprios os problemas que o Bom Deus permite e que tem permitido, porquanto Ele tem outros fins. Quais são os Seus fins? Nós não sabemos nada disso. Permitindo os males presentes hoje na Igreja, por um lado isso pode servir de mérito e de acréscimo da virtude daqueles que são fiéis, para se exercerem em certas virtudes, como a humildade, a paciência, para obter méritos para a eternidade, a menos que Deus não nos prepare para outras provas e que seria em definitiva simplesmente um pouco de treino de nossa parte - nós não o sabemos!

Quanto aos maus, por outro lado, o Bom Deus sabe também o que faz para a emenda deles, como um castigo, como uma punição. Em todo o caso, é sempre Ele quem governa isso, quem o permite, e não somos nós multiplicando-nos por uma atividade natural e vistas humanas que vamos resolver seja o que for. E quando Ele quiser, sem mais esforços que isso, então tudo entrará na normalidade, dentro da Igreja e no mundo. Mas para nós este combate pessoal continua, para fazer triunfar a caridade, a graça de Deus, o Reino de Nosso Senhor Jesus Cristo e isso deve em seguida traduzir-se num espírito, num ardor apostólico em fazê-lo. E uma vez que se fez o seu dever, que se fez tudo o que se pode, pois bem, demos graças a Deus.

Agradeçamos ao bom Deus termos o que temos e façamo-lo frutificar.

Então peçamos neste dia à Santíssima Virgem Maria que nos dê aquela visão tão sobrenatural e tão alta que Santo Agostinho teve e que teve também o nosso querido e venerado fundador Monsenhor Lefebvre.»

Dom Alfonso de Galarreta

(RCS)

sexta-feira, julho 21, 2006

Juramento contra o Modernismo

O post anterior estava em inglês, mas em português pode-se ler aquí, no nosso blog. Eu não me lembrei.
Peço desculpas aos meus lusófonos leitores.

Rafael Castela Santos

quinta-feira, julho 20, 2006

Oath against Modernism

«I ... firmly embrace and accept each and every definition that has been set forth and declared by the unerring teaching authority of the Church, especially those principal truths which are directly opposed to the errors of this day.
And first of all, I profess that God, the origin and end of all things, can be known with certainty by the natural light of reason from the created world (see Rom. 1:19), that is, from the visible works of creation, as a cause from its effects, and that therefore, His existence can also be demonstrated.
Secondly, I accept and acknowledge the external proofs of revelation, that is, divine acts and especially miracles and prophecies as the surest signs of the divine origin of the Christian religion and I hold that these same proofs are well adapted to the understanding of all eras and all men, even of this time.
Thirdly, I believe with equally firm faith that the Church, the guardian and teacher of the revealed word, was personally instituted by the real and historical Christ when He lived among us, and that the Church was built upon Peter, the prince of the apostolic hierarchy, and his successors for the duration of time.
Fourthly, I sincerely hold that the doctrine of faith was handed down to us from the apostles through the orthodox Fathers in exactly the same meaning and always in the same purport. Therefore, I entirely reject the heretical misrepresentation that dogmas evolve and change from one meaning to another, different from the one which the Church held previously. I also condemn every error according to which, in place of the divine deposit which has been given to the spouse of Christ to be carefully guarded by her, there is put a philosophical figment or product of a human conscience that has gradually been developed by human effort and will continue to develop indefinitely.
Fifthly, I hold with certainty and sincerely confess that faith is not a blind sentiment of religion welling up from the depths of the subconscious under the impulse of the heart and the motion of a will trained to morality; but faith is a genuine assent of the intellect to truth received by hearing from an external source. By this assent, because of the authority of the supremely truthful God, we believe to be true that which has been revealed and attested to by a personal God, Our Creator and Lord.
Furthermore, with due reverence, I submit and adhere with my whole heart to the condemnations, declarations, and all the prescripts contained in the encyclical Pascendi and in the decree Lamentabili, especially those concerning what is known as the history of dogmas.
I also reject the error of those who say that the faith held by the Church can contradict history, and that Catholic dogmas, in the sense in which they are now understood, are irreconcilable with a more realistic view of the origins of the Christian religion.
I also condemn and reject the opinion of those who say that a well-educated Christian assumes a dual personality -- that of a believer and at the same time of a historian, as if it were permissible for a historian to hold things that contradict the faith of the believer, or to establish premises which, provided there be no direct denial of dogmas, would lead to the conclusion that dogmas are either false or doubtful.
Likewise, I reject that method of judging and interpreting Sacred Scripture which, departing from the tradition of the Church, the analogy of faith, and the norms of the Apostolic See, embraces the misrepresentations of the rationalists and with no prudence or restraint adopts textual criticism as the one and supreme norm.
Furthermore, I reject the opinion of those who hold that a professor lecturing or writing on a historical-theological subject should first put aside any preconceived opinion about the supernatural origin of Catholic tradition or about the divine promise of help to preserve all revealed truth forever; and that they should then interpret the writings of each of the Fathers solely by scientific principles, excluding all sacred authority, and with the same liberty of judgment that is common in the investigation of all ordinary historical documents.
Finally, I declare that I am completely opposed to the error of the modernists who hold that there is nothing divine in sacred tradition; or what is far worse, say that there is, but in a pantheistic sense, with the result that there would remain nothing but this plain simple fact -- one to be put on par with the ordinary facts of history -- the fact, namely, that a group of men by their own labor, skill, and talent have continued through subsequent ages, a school begun by Christ and His apostles.
I promise that I shall keep all these articles faithfully, entirely, and sincerely, and guard them inviolate, in no way deviating from them in teaching or in any way in word or in writing. Thus I promise, this I swear, so help me God, and these holy Gospels of God which I touch with my hand.»

Pope Saint Pius X, from the Motu Proprio Sacrorum Antistitum

(RCS)