quinta-feira, maio 31, 2012

El humo de Satanás

Fuente original aquí


En los últimos meses llegan del Vaticano noticias que parecen novelerías urdidas por un discípulo aventajado de Dan Brown: la filtración de documentos confidenciales que desvelan tramas non sanctas, la destitución del presidente de la banca vaticana, la detención del mayordomo del Papa, sospechoso de remejer en los propios aposentos papales... Inevitablemente, uno recuerda aquella célebre y terrible frase de Pablo VI, pronunciada el 30 de junio de 1972: «Por alguna rendija se ha introducido el humo de Satanás en el templo de Dios». Que ese humo se haya colado hasta en los Palacios Apostólicos resulta, en verdad, estremecedor, un motivo de escándalo que regocija a los enemigos de la Iglesia y que a los católicos conscientes nos acongoja; pues no en vano somos miembros de un mismo cuerpo cuya cabeza visible está sufriendo continuas asechanzas. Aquí vendría al pelo aquella invocación a San Miguel Arcángel que León XIII introdujo hace más de un siglo al final de la misa, después de padecer una visión horrible en la que las huestes infernales se concentraban sobre la ciudad de Roma; oración que, misteriosamente, fue suprimida de la liturgia, para hacer sitio a los buenrrollismos y delicuescencias postconciliares.

En las visiones del Apocalipsis se nos habla de dos mujeres: la mujer parturienta, vestida con el sol de la fe; y la gran ramera con la que han fornicado los reyes de la tierra. Ambas representan la religión en sus dos extremos: la religión fiel, que sirve a la Iglesia, y la religión corrompida, que se sirve de ella, entremezcladas como el trigo y la cizaña. «Fornicar con los reyes de la tierra», en el lenguaje bíblico, significa codiciar los bienes transitorios, camandulear, entablar alianzas con el poder terreno, amalgamar el Reino de Dios y el mundo. Cuando San Juan contempla a la gran ramera, que lleva grabada en la frente la palabra Misterio, confiesa su asombro; y es que, en efecto, hasta al hombre que le habían sido revelados los arcanos más ocultos le espantaba este enigma de la religión adulterada. También nos asombra y espanta a nosotros; pero sabemos que este misterio forma parte de la Iglesia, santa y meretriz a un tiempo: y ambas, la santa y la meretriz, conviven en lazo inextricable hasta el momento de la siega, en el que por fin serán separadas. Cuándo se produzca esa separación o juicio definitivo no lo sabemos; sí sabemos, en cambio, que ese juicio vendrá precedido por una gran tribulación, «la mayor desde el diluvio», producida por la peor de las corrupciones, que es la corrupción de lo óptimo. Pero aun en los momentos más duros de la gran tribulación, hasta cuando el misterio de iniquidad se haya introducido en el templo, perseverarán unos pocos fieles, con su cabeza visible al frente, sobre los que caerá la más furiosa de las persecuciones. Y, aun en medio de esta persecución feroz, «Dios mantendrá sus promesas acerca de la infalibilidad de la doctrina en el Magisterio Supremo; aun cuando todo parezca anochecido, brillará esa luz», escribe Leonardo Castellani.

Nadie padece tanto por causa de esta religión adulterada como el Papa, a quien vemos rodeado de camanduleros y corruptos. Lo estamos viendo en estos días, bulliciosos de intrigas vaticanas; lo estamos viendo, en realidad, desde que comenzara este pontificado, hostigado por escándalos que tienen su fuente en el interior de la propia Iglesia. En esta hora difícil, en la que el humo del que hablara Pablo VI parece anochecerlo todo, la naturaleza martirial de la Iglesia fiel, con Benedicto XVI al frente, brilla más que nunca. Que San Miguel Arcángel lo defienda en la lucha.



Juan Manuel de Prada 

domingo, maio 27, 2012

Dia de Pentecostes


Está dito e está provado. Mas que se tira ou colhe daqui? Parecerá porventura aos ouvintes que esta doutrina é só para os pregadores da fé, para os religiosos, para os missionários, para os pastores e ministros da Igreja? Assim será noutras terras: nestas nossas é para todos. Nas outras terras uns são ministros do Evangelho, e outros não; nas conquistas de Portugal todos são ministros do Evangelho. Assim o disse Santo Agostinho pregando na África, que também é uma das nossas conquistas. Explicava o santo aquela sentença de Cristo: Ubi sum ego, illic et minister meus erit, em que o Senhor promete que, onde ele está, estarão também seus ministros. E convertendo-se o grande doutor para o povo, disse desta maneira: Cum auditis, fratres, Dominum dicentem illic et minister meus erit, nolite tantummodo bonos episcopos et clericos cogitare; etiam vos pro modulo vestro ministrate Christo: Quando ouvis os prémios que Cristo promete a seus ministros, não cuideis que só os bispos e os clérigos são ministros seus: também vós, por vosso modo, não só podeis, mas deveis ser ministros de Cristo. E por que modo será ministro de Cristo um homem leigo, sem letras, sem ordens e sem grau algum na Igreja? O mesmo santo o vai dizendo: Bene vivendo: vivendo bem, e dando bom exemplo; Eleemosynas faciendo: fazendo esmolas, e exercitando as outras obras de caridade; Nomem doctrinamque ejus, quibus potuerit, praedicando: e pregando o nome de Cristo, e ensinando a sua fé e doutrina a todos aqueles a quem puder; Unusquisque paterfamilias pro Christo et pro vita aeterna suos omnes admoneat, doceat, hortetur, corripiat, impendat benevolentiam, exerceat disciplinam: Cada um dos pais de famílias em sua casa, por amor de Cristo e por amor da vida eterna, ensine a todos os seus o que devem saber, encaminhe-os, exorte-os, repreenda-os, castigue-os, tire-os das más ocasiões, e já com amor, já com rigor, zele, procure e faça diligência por que vivam conforme a lei de Cristo.

Este tal pai de famílias, que será? Ouvi, cristãos, para consolação vossa o que conclui Agostinho: Ita in domo sua ecclesiasticum et quodammodo episcopale implebit officium, ministrans Christo, ut in aeternum sit cum ipso: Por este modo um pai de famílias, um homem leigo fará em sua casa não só ofício eclesiástico, mas ofício episcopal, e não só será qualquer ministro de Cristo, senão o maior de todos os ministros, quais são os bispos, servindo e ministrando nesta vida a Cristo, para reinar eternamente com eles: Ministrans Christo, ut in aeternum sit cum ipso. Isto dizia Santo Agostinho aos seus povos da África, e o pudera dizer com muito maior razão aos nossos da América.

Oh! se o divino Espírito, que hoje desceu sobre os Apóstolos, descera eficazmente com um raio de sua divina luz sobre todos os moradores deste Estado, para que dentro e fora de suas casas acudiram às obrigações que devem à fé que professam, como é certo que ficariam todos neste dia não só verdadeiros ministros mas Apóstolos de Cristo? Que coisa é ser Apóstolo? Ser Apóstolo nenhuma outra coisa é senão ensinar a fé e trazer almas a Cristo; e nesta conquista ninguém há que o não possa, e, ainda, que o não deva fazer. Primeiramente nesta missão do Rio das Amazonas, que amanhã parte (e que Deus seja servido levar e trazer tão carregada de despojos do céu, como esperamos, e com tanto remédio para a terra, como se deseja) que português vai de escolta, que não vá fazendo ofício de Apóstolo? Não só são Apóstolos os missionários, senão também os soldados e capitães, porque todos vão buscar gentio e trazê-los ao lume da fé e ao grémio da Igreja. A Igreja formou-se do lado de Cristo, seu esposo, como Eva se formou do lado de Adão. E formou-se quando do lado de Cristo na cruz saiu sangue e água: Exivit sanguis et aqua. O sangue significava o preço da Redenção, e a água, a água do Baptismo. E saiu o sangue junto com a água, porque a virtude que tem a água é recebida do sangue. Mas, pergunto agora, este lado de Cristo, donde se saiu e se formou a Igreja, quem o abriu? Abriu-o um soldado com uma lança, diz o texto: Unus militum lancea latus ejus aperuit. Pois também os soldados concorrem para a formação da Igreja? Sim, porque muitas vezes é necessário que os soldados com suas armas abram e franqueiem a porta, para que por essa porta aberta e franqueada se comunique o sangue da Redenção e a água do Baptismo: Et continuo exivit sanguis et aqua. E quando a fé se prega debaixo das armas e à sombra delas, tão Apóstolos são os que pregam como os que defendem, porque uns e outros cooperam à salvação das almas.

A Catholic News Service em Écône

Longe vão os tempos em que a Conferência Episcopal Francesa rotulava Écône de “seminário selvagem” (certamente, por contraposição aos seminários de selvagens de que tal Conferência era então responsável…). Ainda há tão-só cinco anos, quem poderia imaginar que a agência noticiosa da Conferência Episcopal dos Estados Unidos - a Catholic News Service - reportaria o principal seminário da FSSPX sob uma perspectiva tão positiva?! Um efeito decerto, entre muitos outros, do factor Bento XVI no seio da Igreja! Em dia de Pentecostes, vem mesmo a propósito dizer: o Espírito verdadeiramente sopra!

A importante entrevista de Monsenhor Fellay à Catholic News Service






Apesar de os mesmos já terem sido amplamente divulgados em espaços amigos, pelo interesse e actualidade de que se revestem, aqui se deixam publicados mais uma vez os vídeos da importantíssima entrevista concedida por Monsenhor Fellay, superior da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, à Catholic News Service ( a agência noticiosa da Conferência Episcopal dos Estados Unidos), para que um número tão vasto quanto possível de pessoas possa ter deles conhecimento.

sábado, maio 26, 2012

A Igreja portuguesa em gravíssimo estado de necessidade


Ora, a frequência destas situações é tal que as mesmas começam a ter ampla divulgação no estrangeiro, como não poderia deixar de ser numa época de comunicações globais. Todavia, seria conveniente que quem de direito percebesse - e de uma vez por todas! - que a Igreja em Portugal se encontra em gravíssimo estado de necessidade, em estado de necessidade infinitamente pior do que aquele em que habitualmente se supõem estar as Igrejas de países como a França, a Holanda, a Alemanha ou a Áustria. Urge constatá-lo e com tremenda aflição: a Igreja em Portugal é um caso quase perdido para o Catolicismo!

Os cromos do Paco

Os cromos que o Paco encontra! O último é um tal Manuel Infante, ao que parece pároco - coitados dos paroquianos ao seu cuidado... - na localidade de La Solana (Ciudad Real, Espanha), que afirma não existirem razões teológicas que impeçam a ordenação sacerdotal de mulheres.

A este respeito, faço minhas as palavras do Paco: não me interessa nada o que o pároco de La Solana pensa acerca da inexistência de razões que obstem à ordenação de mulheres; o que me importa para o caso é que a Igreja ensina desde sempre que tais razões existem de facto, estando as mesmas perfeitamente plasmadas na encíclica “Ordinatio Sacerdotalis”, do Papa João Paulo II.

quarta-feira, maio 23, 2012

A experiência da Tradição segundo Monsenhor Marcel Lefebvre


Providencialmente, enquanto folheava o livro “Não! Entrevistas de José Hanu com Monsenhor Lefebvre”, tradução portuguesa, publicada em Lisboa, pelas Edições Roger Delraux, no ano de 1978, do original francês datado de 1977, deparei nas suas páginas 249 a 252 com o trecho infra publicado (os destaques são meus), o qual expressa na perfeição o que Monsenhor Lefebvre entendia como sendo a “experiência da Tradição” e em simultâneo a atitude que o santo e grande arcebispo tinha face à Igreja institucional.

Com a fundação da Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, Monsenhor Lefebvre jamais pretendeu estabelecer uma super-Igreja paralela e/ou alternativa, mas antes criar um meio de socorrer, auxiliar e servir a Igreja institucional, num período de tremenda perturbação desta última (o pós-Vaticano II), mediante a reafirmação e a difusão da perene Tradição Católica assente na Missa Tradicional de rito latino-gregoriano e no magistério eclesial constante.

Assim, Monsenhor Lefebvre nunca fez depender a concretização da “experiência da Tradição” do prévio fim do Missa de rito paulino, do termo dos erros trazidos pelo Vaticano II como a liberdade religiosa, o ecumenismo ou a colegialidade, ou ainda da cessação de certos comportamentos públicos antitradicionais dos próprios Papas (em 1988, negociou infrutiferamente a regularização canónica da FSSPX, já depois do primeiro encontro inter-religioso de Assis, ocorrido em 1986 sob a égide de João Paulo II). Ao invés, a consecução da “experiência da Tradição”, pelo bem e graças que traria à Igreja institucional, é que conduziria ao progressivo erodir de tais erros e, no médio/longo prazo, à desaparição dos mesmos.

Deste modo, pelo exposto, é deplorável que na actualidade haja no campo tradicionalista quem ainda não tenha percebido o que está em jogo na questão da regularização canónica da FSSPX, preferindo optar pela defesa de posições aberrantes de cariz neo-sedevacantista ou cripto-sedevacantista, que Monsenhor Lefebvre seria o primeiro a repudiar sem quaisquer hesitações.

***

“Santo Padre, aceitai a experiência da Tradição”

José Hanu - Algumas pessoas pretenderam descrever a vossa entrevista com o Papa… A acreditarmos nelas, foi “tempestuosa e patética”…

Monsenhor Lefebvre - Dizem-se tantas coisas!

JH - Nós não vamos, Monsenhor, tentar destrinçar a incrível meada das múltiplas intervenções, por vezes rocambolescas, que vos levaram até Paulo VI… De resto, talvez nem vós mesmo sejais capaz de esclarecer isso!

ML - O essencial foi essa audiência ter tido lugar…

JH - No entanto, enviastes ou não, antes de serdes recebido, uma carta ao Santo Padre, digamos que arrependida? Houve quem publicasse textos que o levam a pensar…

ML - De facto, redigi algumas linhas de que não guardei cópia; indiquei simplesmente, e sobretudo, a Sua Santidade que se eu era para ele causa de sofrimentos, o lamentava imensamente. Era, continua a ser a expressão da verdade…

Mas não assumi compromisso algum.

JH - Tínheis preparado essa entrevista?

ML - Certamente! Tenho sob os olhos as notas que tinha escrito num papel.

Queria chamar a atenção do Santo Padre para vários pontos.

Por exemplo, queria dizer-lhe:

“Santo Padre, os actos da Santa Sé depois do Concílio, e realizados em nome do Concílio, põem-nos um dilema cruciante. Com efeito, estes actos apoiam-se numa doutrina que se afasta cada vez mais do magistério solenemente afirmado por todos os predecessores de Vossa Santidade.

“Encontramo-nos, pois, divididos entre a fidelidade ao magistério de sempre e a fidelidade à Santa Sé e à Vossa pessoa.”

Queria dizer-lhe igualmente:

“A atitude adoptada pela Santa Sé em relação ao mundo, isto é, aos não-católicos, aos não-cristão, aos ateus, e mesmo aos inimigos declarados da Igreja como os mações e os comunistas, é oposta à que a Igreja sempre teve, quanto à protecção da sua Fé e da vida da Graça.

“Esta atitude de falso ecumenismo e de falso diálogo destrói a Fé católica, arruína o espírito missionário.

“É este espírito novo que está na origem da reforma litúrgica, de todas as outras reformas, como a da Bíblia e a do ensino catequético.

“Esta atitude, se a adoptarmos, obriga-nos a afastar-nos do magistério dos vossos predecessores.”

Queria desenvolver o seguinte ponto:

“As relações da Santa Sé com o episcopado estão doravante fundadas em princípios que impedem o exercício do poder do Sumo Pontífice. A anarquia que daqui resulta é tal, que o Papa e os Bispos já não conseguem exercer a sua autoridade pessoal de direito divino.

“A lei do número introduziu-se no governo da Igreja, contrariamente à doutrina sempre ensinada.

“Este afastamento, entre a doutrina de sempre e os actos actuais da Santa Sé apoiados no Concílio, lançou a Igreja numa tal confusão, que numerosos fiéis no mundo inteiro estão saturados das novidades e das mudanças realizadas, particularmente no que se refere ao Sacerdócio e à Liturgia.

“Estes fiéis, mais numerosos do que se julga, e muitos clérigos e Bispos que não ousam afirmar publicamente, suplicam de joelhos a Vossa Santidade que os autorize, no meio de todas as experiências actuais, a fazer também a experiência do que se fez durante séculos.”

Tinha previsto concluir da seguinte maneira:

“Não rejeiteis, Santo Padre, estas boas vontades decididas a servir a Deus, a Igreja e o Sucessor de Pedro.

“A hora é muito grave.

“Se Vossa Santidade nos obriga a uma escolha crucial entre Ela e os seus predecessores, obrigar-nos-á a escolher os seus predecessores em quem está a Igreja viva de sempre pelo magistério e pela Tradição apostólica, porque nós não queremos tornar-nos nem heréticos nem cismáticos, mas permanecer fiéis à Igreja católica Romana de sempre.”

Eis o que eu tinha preparado. Eis o que eu queria dizer ao Papa!

A cólera de Paulo VI

JH - Mas não decorreu a audiência como tínheis imaginado?

ML - Pouco…

Logo que me encontrei na presença de Sua Santidade, ajoelhei-me, e levantei-me para descobrir um rosto atormentado e febril. O olhar, a atitude geral, eram pouco encorajadores…

Assim, em vez de dizer logo o que tinha previsto, julguei necessário deixar rebentar a trovoada:

“Santo Padre, escuto-vos!”

As reprovações que Paulo VI imediatamente me dirigiu encheram-me de consternação: mostraram, à evidência, quanto o Papa tinha sido prevenido contra mim, quanto tinham pretendido virar contra ele as minhas críticas ao Vaticano II, em acusações à sua própria acção:

“Vós condenais-me! - dizia ele, por exemplo. - Afirmais que eu sou ao mesmo tempo modernista e tradicionalista! Ergueis os fiéis contra o Papa!”

Eu esperava que, logo que passasse este primeiro impulso, me pudesse exprimir longamente e como desejava…

Quando ele observou: “Não dizeis nada? Falai!”, comecei a desenvolver os pontos que acabo de lhe referir, insistindo no facto de não ser o chefe dos tradicionalistas, mas um católico entre outros, perturbado, dilacerado…

Infelizmente, e eu bem o sentia, se o Santo Padre me escutava, o seu espírito não estava pronto a abrir-se aos meus argumentos… Quando cheguei a falar-lhe dos meus seminaristas de Êcone, interrompeu-me bruscamente:

“Não preparais bons padres: mandai-los assinar um juramento contra o Papa!”

Era inacreditável! Quem lhe teria dito tal coisa? Quando nós ensinamos em Êcone, e segundo a Tradição, o enorme respeito ao Sucessor de Pedro!

Estava aterrado… Ele disse-me:

“Que devo fazer, se me condenais? Devo demitir-me? É isso que quereis? Quereis ocupar o meu lugar?”

Como não devia ele sofrer, de facto, para me fazer tais perguntas!

Eu sofria com ele, pela Igreja. Juntei as minhas forças para lhe dizer:

“Oh! Santo Padre! Não faleis assim!”

“Peço-vos: tendes a solução dos problemas nas Vossas mãos. Basta que digais uma só palavra aos Bispos, de modo que dêem aos tradicionalistas o acesso aos lugares do culto…

“Pensai na desordem na Igreja hoje. Temos actualmente vinte e três orações eucarísticas…”

Paulo VI ergueu os braços aos Céu:

“Mas muitas mais! - exclamou. - Muitas mais!”

Eu recomecei:

“Então, se é assim, Santo Padre, por que não devolver os lugares de culto à Missa de São Pio V? Por que não fazer a experiência da Tradição com a formação de padres?”

Paulo VI abanou a cabeça para me dizer:

“Não vos posso dar uma resposta. Tenho de consultar a Cúria… Verei, reflectirei… É tempo de nos separarmos… Mas antes, rezemos juntos…”

E rezámos o Pai Nosso, o Veni Sancte Spiritus, e uma Ave Maria… Depois, Sua Santidade acompanhou-me até à porta do seu gabinete…

Infelizmente estava certo disso - o nosso combate ia continuar.

A verdade começa institucionalmente a vir ao de cima

Card. Brandmüller: "Nostra Aetate" and "Dignitatis Humanae" non-binding.

terça-feira, maio 22, 2012

Lo siento



Por un lado el tema del “pluralismo” litúrgico introducido por el Novus Ordo y lo que estamos empezando a ver en Gran Bretaña aquí y allá, y en España según me cuentan también son a Sacerdotes celebrando el Novus Ordo con aditamentos de la Misa de siempre. Eso sí, sin tocar Canon, Ofertorio o Consagración; sin hacer una traducción correcta al vernacular del pro multis; sin corregir nada de lo nuclear. Mirar hacia el Sagrario, algún latinajo y poco más. Esto, señores Sacerdotes que tal cosa hacéis, no es Tradición. Es un pastiche. Está bien mirar al Sagrario en vez de al pueblo, y recuperar el Altar y dejar las mesas, mesitas, mesillas y mesetas. Está bien decir Misa con ropas litúrgicas como Dios manda y no ser un hortera u oficiar como Alter Christus hecho un mamarracho. Pero esto no es pegar en la diana. Lo siento.
¿Hay testosterona como para, por lo menos, hacer la Consagración en el Latín original del Misal del Pablo VI? Si la respuesta es positiva, entonces ya estamos en la buena ruta. Si la respuesta es negativa … lo siento.
El problema, uno más, del Novus Ordo es que su eclesiología es radicalmente errónea. Digo radicalmente en cuanto de raíz. Los secuaces del Vaticano II –o muchos secuaces, por bien decir, ya que todos no tenían esta mala leche- quisieron encarnar sus experimentos eclesio(i)lógicos en una neomisa y así, poco a poco, al modo del trágala, inficionar al pueblo llano, que en general ya por aquel entonces tenía mucha más Fe que los susodichos eclesiásticos. Lo siento.
Ahí están los frutos de quienes gestaron tal engendro. Y por ellos les conoceréis. Lo siento.
Pero no sólo habría que protestar a los Sacerdotes que dicen el Novus Ordo. También, por el razonamiento anterior, hay que quejarse a algunos Sacerdotes tradicionales que, a sabiendas, relajan algunas rúbricas. Traer a la Misa Tridentina elementos del Novus Ordo no es más que desvirtuarla y hacerla participar de esta eclesiología espuria que se generó en el Vaticano II, por poco que sea. Lo único que nos faltaba es contaminar la Misa tradicional de algo desvirtuado, como es el Novus Ordo, y hacerla participar –por poco que sea- de una eclesiología corrupta. Lo siento.
Otro asunto es el loable intento inicial que tuvo el Papa, poco acometido lamentablemente, de desprotestantizar el Novus Ordo. Personalmente lo apoyo por el mero hecho de que la mayor parte del pueblo católico ya no conoce otra cosa que el Novus Ordo. De igual modo que fue criminal quitarles a las gentes que vivían en 1965 sus liturgias y sus devociones, sería igualmente criminal quitarles abruptamente a los católicos de hoy día que, insisto, no han conocido otra cosa, su Novus Ordo. Una crisis que lleva ya operando 50 años (de manera abierta, pues llevaba 500 años incubándose) no se va a resolver de un plumazo en un solo año. Yo también desearía que la Misa sempiterna volviera a ser la única expresión litúrgica pero, salvo milagro, humanamente no acontecerá en el corto o medio plazo. Lo siento.
Como señala John Lamont, tuvieron que inventar una neoliturgia porque la Liturgia sempiterna tenía los conceptos eclesiológicos muy claros, clarísimos, y radicados sin solución de continuidad no digo ya en la Última Cena y el Sacrificio del Calvario, sino totalmente prefigurados en el judaísmo de siempre, como demostrara sin apelación posible el Padre James L. Meagher en su libro How Christ Said the First Mass, publicado por TAN, y siendo también la Misa de siempre un cumplimiento pleno de las profecías veterotestamentarias. La Revelación tiene tres fases (Adán, Moisés y Cristo, y plena y finiquitada con el Mesías). Esa solidez, esa coherencia, esa carencia de solución de continuidad, esa eclesiología, etc., implícitas o explícitas, en la Misa de siempre es lo que me dice que, a largo plazo, el Novus Ordo no existirá. ¿Y quién sabe si aún antes de lo que uno, humanamente, pudiera imaginar? Para Dios no hay nada imposible. Esto, no lo siento. Es más, me agrada mucho y me consuela no poco.
¡Ni las puertas del Infierno prevalecerán sobre la Iglesia!
Una vez más, ¡enhorabuena, Rorate Coeli!
Y, para variar, otra vez más la enhorabuena a La Honda de David. Tanto por su cabal discurso sobre las implicaciones del Código y del posible acuerdo, como por su profunda y esjatológica laudación a los Sacerdotes de la FSSPX. A la cual me uno de todo corazón porque, sin ellos, este pobre pecador a quien leen en este momento estaría irremisiblemente abocado al Infierno.
Recen por él, por favor.

Rafael Castela Santos

domingo, maio 20, 2012

Algunas reflexiones-lecturas de última hora



En primer lugar el contundente artículo de Chris Ferrara de Fatima Perspectives señalando, una vez más, el doble rasero, el doble estándar, con el que se mide la Fraternidad Sacerdotal de San Pío X (FSSPX). Dejando de lado el terrible hecho de que a montones de cismáticos y herejes que se disfrazan de católicos nadie les dice nada, ni les confronta con nada, ni les cae ninguna sanción canónica (ni siquiera de amenaza de la misma) … lo cierto es que Chris Ferrara plantea una solución: igual que el Cluny (con apoyo directo papal) renovó la Iglesia en un momento crítico, quizás ahora esos otros “monasterios” de la FSSPX, con apoyo papal, bien podrían renovar a esta Esposa de Cristo que, admitámoslo, presenta un deplorable estado. Suscribo esta propuesta.
Por otro el jugoso, jugosísimo, comentario de Rorate Coeli sobre el último momento de las conversaciones entre Roma y la FSSPX. Lo que hay implícitamente se sugiere en este comentario es tremendo. En román paladino, vaya, viene a decir que si el Santo Padre acepta el preámbulo sugerido por Monseñor Fellay, de alguna manera el Papa estaría dando carta blanca a que el Vaticano II dejase de ser el “Superdogma” (en algunos puntos, por bien decir, es un antidogma) que muchos malditos burócratas vaticanos propugnan, y que de facto pretende eliminar todo Depósito de la Fe anterior y eterno. Sería, abiertamente, reconocer que uno puede ser perfectamente católico sin tener que hacer referencia –prácticamente en exclusiva- a este Concilio Pastoral, y no dogmático. Como si todos los demás Concilios de la Iglesia no contasen. Como si todo el Magisterio Extraordinario del pasado tampoco contase. En una palabra, como si la Tradición no contase. Insisto: el Papa acepta ese preámbulo sobrepasando el obstáculo de tanto burócrata vaticano con piel de Obispo y de Cardenal y le daría un calado doctrinal a un acuerdo canónico del que quizás no éramos conscientes.
La prueba es clara: no tiene ningún sentido que Fellay haga compromisos con el principio de la Tradición y que endose un preámbulo que sea anti-tradicional. El quid de la cuestión estriba en si el Papa va a cortocircuitar a tanto orco in pectore, balrog casposo y mediopensionista, nazgûl de medio pelo y aspirante a Saurón (si bien no suelen pasar de vulgares trolls, incluido algún trozzol de baja estofa) que pulula por el Vaticano; Vaticano por lo demás que ellos suelen considerar Kirith Ungol y alguno incluso hasta expresamente Mordor. Recordemos, una vez más, que las opiniones de la Congregación para la Doctrina de la Fe o de Ecclesia Dei no son vinculantes para el Papa. Razón tenía Monseñor Fellay al decir que si esto se acabase firmando era gracias al Santo Padre, y a él solo.
Harían bien en considerar este punto tantos feroces, buena parte de ellos mentecatos a más no poder, opositores a Monseñor Fellay. Y harían bien con considerarlo porque el tan denostadísimo (por ellos, claro) acuerdo sería, así, un acuerdo no sólo canónico y abierto a seguir discusiones doctrinales en un futuro, sino mucho más: un acuerdo doctrinal. Y harían bien, también, en considerar que Monseñor habría defendido la Tradición hasta conseguir que el Santo Padre le dé a la Tradición carta blanca. Y que el Santo Padre, que ha tenido el coraje de decir que la Misa Tridentina nunca ha sido abrogada (aunque el nefasto Pontificado de Juan Pablo II le pusiera todo tipo de obstáculos y más), amén de publicar sendos Decretos dando libertad plena a la Liturgia de siempre, sería, como bien apuntó Monseñor Fellay, el único responsable de esta carta blanca de la Tradición. Esto sellaría así lo que los católicos bien sabemos: Ubi Petrus, est Ecclesia.
Finalmente La Honda de David. Una vez más. En este mundo de locos de la blogosfera, donde se dicen tantísimas estupideces y tantos cerebros cloacales encuentran su solaz preferido, es refrescante leer La Honda de David. En primer lugar me alegro que su autor haya vuelto a coger la pluma porque, amén de prolífico, es profundo. No se pierdan, por favor, todos y cada uno de los comentarios que van entre las fechas de 17 de Abril de este año y el 18 de Mayo. No son muchas (7 en total), ni son excesivamente largas. Pocos, como La Honda de David, han dado en el clavo de las implicaciones esjatológicas de las conversaciones entre Roma y la FSSPX.
Sigo pensando que la resolución, o el comienzo de resolución, de los problemas de la Iglesia pasan por dos nodos tan imprescindibles como requeridos por el Cielo: la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón, como expresamente pidió la Santísima Virgen en Fátima, y todavía no realizada, y la reintegración de pleno derecho de la Tradición en la Iglesia, lo que se puede realizar de manera óptima con una Prelatura Personal, con una carta blanca doctrinal como la que implícitamente sugiere Rorate Coeli. Porque los pilares fundamentales de salvación en estos momentos son, precisamente, la Santísima Virgen y la Tradición, ya que esta última es el mejor y más potente baluarte de la Eucaristía y de Jesús Sacramentado. Muchas veces, admitámoslo, el único seguro.
Lo contrario, no respetar la Tradición y no realizar la Consagración de Rusia al Inmaculado Corazón, no es un sueño, sino la peor pesadilla posible. ¡No permita, Santo Padre, por amor de Dios, de la Santísima Virgen y de la Sagrada Eucaristía, que esta pesadilla se haga realidad!

Rafael Castela Santos

quinta-feira, maio 17, 2012

Dia de Ascensão


Caso notável é, e sobre toda a admiração admirável, que naquele monte, e naquela hora, em que se representou a tragédia da mais lastimosa despedida, se não visse uma lágrima, e que o amor celebrasse as exéquias, à última vista de todo seu bem, com os olhos abertos e enxutos. Não há palavra que mais lastime e magoe o coração na despedida dos que se amam que um nunca mais. Se a despedida é para se tornarem a ver, o apartamento é sofrível; mas apartar-se de mim quem amo mais que a mim, para nunca mais o ver, este não ver mais é a maior dor dos olhos, e a que os desfecha e desfaz em rios de lágrimas. Quando S. Paulo se despediu dos efésios, declarando-lhes que aquela seria a última vez que se veriam, diz o texto sagrado que entre todos se levantou um pranto desfeito: Magnus autem fletus factus est omnium - e que a principal causa da sua dor era porque nunca mais o haviam de ver: Dolentes maxime in verbo, quod dixerat, quoniam amplius faciem ejus non essent visuri. Pois, se esta consideração, ou desengano, de que não haviam de ver mais a S. Paulo, era a causa da maior dor de seus discípulos, e de que todos chorassem em pranto desfeito, sem haver nem um só que pudesse reprimir as lágrimas naquela última despedida, como nesta de Cristo se não viu uma só lágrima em todos os seus discípulos, que o amavam sem comparação tanto mais que a S. Paulo os seus? A razão é a que se tira do mesmo texto: Cumque intuerentur in caelum euntem illum. Não se viu nos discípulos de Cristo uma lágrima, senão todos com os olhos enxutos, porque olhavam para ele e para o céu, aonde subia e não para si, nem para a terra, onde os deixava. A nuvem lho tirou dos olhos, mas aos mesmos olhos, que nela, como em carro triunfal, o viam subir ao céu, para se assentar à destra do Padre no trono da sua glória, esse mesmo céu, esse mesmo trono, e essa mesma glória, lhes suspendia em lágrimas, para que, trocadas em júbilos de alegria, não chorassem o que perdiam, mas só se lembrassem e festejassem o que ele ia lograr. Daqui se segue e vê claramente, que, quando os anjos vieram consolar os apóstolos, não acertaram com os motivos da verdadeira consolação que só podiam ter naquele caso. Que disseram os anjos aos apóstolos? Estranharam-lhes estar olhando para o céu: Quid statis aspicientes in caelum? E isto que lhes estranharam é o que lhes haviam de persuadir, porque, se o verem que se ia Cristo os podia entristecer, só o olharem para onde ia os podia alegrar.

Assim o confirmou expressamente o mesmo Cristo, que só o seu entendimento podia emendar e ensinar o dos anjos. Tendo anunciado o Senhor depois da última ceia aos discípulos que se havia de partir deste mundo, e vendo-os tão tristes com aquela não esperada nova, como ela merecia, estranhou-lhes a tristeza com estas palavras: Vado ad eum qui misit me, et nemo ex vobis interrogat me: Quo vadis? Sed quia haec locutus sum vobis, tristitia implevit cor vestrum: Por que vos disse, discípulos meus, que me hei-de ir, vejo-vos tristes, não só no rosto, senão no coração, e nenhum de vós me pergunta para onde vou: Et nemo ex vobis interrogat me: Quo vadis? Oh! divinas palavras: Nemo ex vobis: nenhum de vós - diz - porque entre os discípulos uns eram mais entendidos, outros mais rudes, e nem os rudes, nem os entendidos alcançavam a verdadeira razão com que se haviam de consolar e alegrar naquela despedida, porque todos reparavam em quem se ia, e nenhum considerava para onde ia. Se vos entristece o vadam: porque me vou, perguntai-me quo vadis: para onde vou, e logo vos alegrareis. Esta foi a lição do último Mestre quando anunciou aos discípulos a sua ausência, e, porque eles a observaram no dia da partida, por isso hoje se não viram no Olivete lágrimas, nem uma só lágrima: Cum que intuerentur in caelum euntem illum. O euntem illum lhes podia provocar as lágrimas, porque se ia; mas, como olhavam juntamente para onde ia: Cum que intuerentur in caelum- o para onde lhes suspendeu as lágrimas, de maneira que nem uma só se chorou onde eles ficavam.

A razão desta filosofia, tirada das entranhas do verdadeiro e fino amor, só podia ser do mesmo Mestre divino, e assim foi. Estranhando-lhes o Senhor aos discípulos a tristeza que acabamos de dizer e eles não acabavam de arrancar do coração, disse-lhes assim: Si diligeretis me, gauderetis utique, quia vado ad Patrem. Ah! discípulos meus, que vejo que me não amais! Se vós me amáreis, vós vos alegraríeis muito, porque vou para meu Padre. Antes de chegarmos ao Padre reparemos no quia vado. Se Cristo vira aos discípulos alegres em sua despedida, e lhes dissera: Bem parece que me não amais, pois vos alegrais quando me parto - esta é a consequência que dos olhos enxutos em semelhantes ocasiões costuma colher o juízo humano, ainda sem outros sinais de alegria. Mas, vendo os discípulos tristes, dizer-lhes o Senhor: Bem se vê que me não amais, pois vos entristeceis quando me vou? Sim, porque só consideravam quem se ia, e não para onde: quem se ia - quia vado, e não para onde - ad Patrem. Cristo, Senhor nosso, posto que enquanto Deus era igual ao Padre, enquanto homem era menor, como ele mesmo disse: Quia Pater major me est. E como o Senhor enquanto homem se ia assentar à destra do Padre, entristecerem-se os discípulos com a sua ausência, considerando a perda e orfandade em que ficavam, era efeito do amor-próprio com que se amavam a si; porém, alegrarem-se na mesma ausência, considerando a nova glória e majestade de seu Mestre e Senhor, era afecto de amor verdadeiro e fino, com que o amavam a ele. Por isso a tristeza e lágrimas que chorassem naquela ocasião eram ofensa do amor, e a alegria e lágrimas que não chorassem, fineza.

Padre António Vieira, in “Sermão da Ascensão de Cristo Senhor Nosso”, pregado em Lisboa, na Paroquial de São Julião, com o Santíssimo exposto.



domingo, maio 13, 2012

A Glória de Maria, Mãe de Deus


Vê-se Maria, quando vê a Deus, infinitamente vencida da imensidade de sua glória; mas como é glória, não de outrem, senão de seu Filho: Sua progenies, o ver-se vencida dele é a sua vitória e a sua palma: Cum palmam præripit ipsi. Nas outras contendas a palma é do vencedor, mas quando contende o filho com o pai ou com a mãe, a palma é do pai ou da mãe vencida; porque a sua maior glória é ter um filho que a vença nela.

Este dia da Senhora da Glória chama-se também da Senhora da Palma; porque, como é tradição dos que assistiram a seu glorioso trânsito, o anjo embaixador de seu Filho, que lhe trouxe a alegre nova, lhe meteu juntamente na mão uma palma, com a qual, como vencedora da Morte e do Mundo, entre as aclamações e vivas de toda a corte beata, entrasse triunfante no Céu. Subi, Senhora, subi, subi ao trono da glória que vos está aparelhado sobre todas as jerarquias, que lá vos espera outra palma infinitamente mais gloriosa. E que palma? Não aquela com que venceis em glória a todos os espíritos bem-aventurados, senão aquela com que na mesma glória sois vencida de vosso filho: Cum palmam præripit ipse sua progenies. Grande glória da Senhora é, como lhe canta a Igreja, ver-se exaltada no Céu sobre todos os coros e jerarquias dos espíritos angélicos; grande glória que os principados e potestades que os querubins e serafins lhe ficam muito abaixo, e que no lugar, na dignidade, na honra, na glória excede incomparavelmente a todos; porém o ver que neste mesmo excesso de glória é excedida infinitamente de seu Filho; isso é o de que naquele mar imenso de glória mais se gloria, isto é o de que naquele verdadeiro paraíso dos deleites eternos mais a deleita: Maiorque voluptas hinc oritur, quam si reliquos præverteret omnes.

(…)

Te volentem, gaudentemque vincit. Venceu-nos vosso Filho na glória, Virgem Mãe, mas muito por vossa vontade e por vosso gosto; porque esse mesmo excesso de glória por ser sua, é o que mais quereis e de que mais vos gozais: Genere ex te, honore supra te. A sua honra, a sua grandeza, a sua majestade, a sua glória imensa e infinita, é muito sobre vós, porque ele é Deus, e vós criatura: Honore supra te; mas a geração desse mesmo Deus, que é tanto sobre vós, é de vós: Genere ex te. E que se segue de aqui? Segue-se que tendes o que não podíeis ter, e que toda a glória sua, começa também a ser vossa: Etiam tuum esse coepit, quod in te esse non potuit. Vós não podíeis ser Deus, mas como Deus pode fazer que fôsseis sua Mãe, tudo o que não podíeis ter em vós, tendes nele. Ele é maior que vós, e vós menor: Minor est: mas tudo o que tem de maior, (que é tudo) não só o tem para si senão também para vós: Non tantum sibi, sed tibi, ultra te.

Oh quem pudera declarar dignamente a união destes termos, ultra te et tibi! Enquanto a glória de Deus é infinita e imensa, estende-se muito além de vós: Ultra te; mas em quanto é glória de vosso Filho, toda se contrai e reflecte a vós: Tibi. Para os raios do sol fazerem reflexão, é necessário que tenham limite onde parem; mas a glória da Divindade de vosso Filho, que não tem nem pode ter limite, por isso se limitou à Humanidade que recebeu de vós, para reflectir sobre vós, nascendo de vós: Ea compensatione, ut nasceretur. E chama-se este nascer de vós compensação ou recompensa com que Deus vos compensou toda a grandeza e glória, que tem mais que vós; porque, nascendo de vós, é vosso verdadeiro Filho; e sendo toda essa glória de vosso Filho, também é vossa, e vossa naquela parte onde a tendes por melhor: Optimam partem elegit.

(…)

Dois tronos há no Céu mais sublimes que todos: o de Deus e o de sua Mãe; o de Deus infinitamente mais alto que o de sua Mãe, e o de sua Mãe infinitamente mais alto que o de todas as criaturas. Mas a maior glória. de Maria, não consiste em que o seu trono exceda o de todas as jerarquias criadas, senão em ter um Filho cujo trono exceda infinitamemte o. Este é o parabém que no Céu lhe estão dando hoje e lhe darão por toda a, eternidade todos os espíritos bem-aventurados, sem haver em todos os coros de homens e anjos quem diga nem possa. dizer outra cousa, senão: Thronus ejus super thronum tuum. Vence Maria no Céu a. todas as Virgens, na glória que se deve à pureza.; a todos os confessores, na que se deve à humildade; a todos os mártires, na que se deve à paciência; todos os apóstolos, patriarcas e profetas, na que se deve à Fé, à Religião, ao zelo e culto da honra de Deus. Mas assim os confessores como as virgens, assim os mártires como os apóstolos, assim os patriarcas como os profetas, deixadas todas essas prerrogativas em que gloriosamente se vêem vencidos, os louvores e euges eternos com que exaltam a Gloriosíssima Mãe, é ser inferior o seu trono ao de seu Filho: Thronus ejus super thronum tuum. Vence Maria a todos os, anjos e arcanjos, a todos os principados e potestades, a todos os querubins e serafins, na virtude, no poder, na ciência, no amor, na graça, na glória. Mas todos estes espíritos angélicos, passando em silêncio os outros dons sobrenaturais que tocam a cada urna das jerarquias, em que veneram e reconhecem a soberana superioridade com que a Senhora, como rainha de todas, incomparavelmente as excede; todos, como tão discretos e entendidos o que só dizem e sabem dizer; o que sobre tudo admiram e apregoam, é: Thronus ejus super thronum tuum. Assim que, homens e anjos, unidos no mesmo conceito e enlevados no mesmo pensamento, o que cantam, o que louvam, o que celebram, prostrados diante do trono da segunda Majestade da Glória, e os vivas que lhe dão concordemente, é ser Mãe de um Filho que, excedendo ela a todos em tão sublime grau na mesma glória, ele a vence e excede infinitamente. E isto é o que, divididos em dois coros de inumeráveis vozes e unidos em urna só voz, aplaudem, aclamam, festejam, e tudo o mais calam, conformando-se nesta eleição com a parte da mesma glória que a Senhora elegeu por melhor: Optimam partem elegit.

Padre António Vieira, in “Sermão da Glória de Maria, Mãe de Deus”, pregado na Igreja de Nossa Senhora da Glória, em Lisboa, no ano de 1644

sábado, maio 12, 2012

Defendiendo a Monseñor Williamson



En muchísimos sitios, serios por lo demás muchos de ellos, se culpa a Monseñor Williamson de haber filtrado esa carta. La cigüeña de la torre, uno de las bitácoras más leídas sobre temas eclesiásticas en lengua española, rápidamente se hizo eco y Pacopepe, con su visceralismo a veces un tanto superficial, le echa la culpa a Monseñor Williamson. Digo esto con todo el cariño, porque Pacopepe, con quien me he encontrado en varias comidas y acontecimientos, es una persona deliciosa de trato y amable a más no poder, aunque a veces tenga los fusibles cortos. Otro tanto se puede leer en Le Figaro, donde Jean-Marie Guénois es de la misma opinión. Espero que Pacopepe no se haya dejado llevar de cierto seguidismo porque suele manejar información de primera.
Pues discrepo de la mayor. No creo que haya sido Monseñor Williamson. A Casa de Sarto tenía estas cartas más de 48 antes de que fueran publicadas en el internet. Por supuesto que de nosotros no saldría nada referente a todo esto. Pero déjenme hacer una pequeña pesquisa “policial” con Vds que verán que, razonablemente, pone muchos peros a esa autoría que Guénois o Pacopepe Fernández de la Cigoña atribuyen a Williamson.
Resulta que, como dije, las cartas originales fueron filtradas a cathinfo, pero lo que allí pueden ver Vds ahora no es lo que sacaron en primer lugar. El pdf de la carta de los tres Obispos era un pdf que era generado de un documento, pero no del documento final, sino de un borrador previo (algo muy relevante, ¿quién tiene los borradores?). De ahí que algunas de las mejores y más serias bitácoras tradicionalistas, como Rorate Coeli, no hayan querido publicarlo para evitar entrizarse los dedos. El pdf de Monseñor Fellay, el P Pfluger y el P Nély, sin embargo, es claramente un documento escaneado (se ven hasta los pliegues de cómo ha sido doblado y el tamaño en pdf es mucho mayor, por ser escaneado, y no obtenido de un documento en MS Word o algún otro procesador de textos). 
Más aún, en los comentarios muy iniciales a cathinfo se puso uno, retirado, que decía: “Father, you have left traces …”. Efectivamente, se veía que los pdfs inicialmente filtrados eran personalizados. Y había detalles en la personalización de estos pdfs que eran comprometedores y apuntaban la autoría del mismo.

Más aún, había un error gramatical de concordancia en el francés impropio de quien habla el francés como 1ª lengua (caso de Monseñor Tissier de Mallerais) o prácticamente perfecto, como es el caso de Monseñor Williamson.

Más aún, la fecha estaba indicada con numerales romanos para el mes, algo que no sucede en francés, ni en inglés, ni en alemán … pero sí se hace frecuentemente en español. Este dato es, para mí, clave.

Insisto, no buceen Vds. Esos documentos inicialmente filtrados fueron rápidamente retirados.

Otrosí digo, ni Tissier ni Williamson son dechados de la informática. Tampoco lo es Monseñor de Galarreta, ciertamente. El primero la odia hasta el punto que hace informes, de un orden y profundidad por lo demás soberbios, de 40 páginas manuscritos antes que agarrar un ordenador. Quien sea, y como sea, ha tenido que actuar a través de persona interpuesta. 
Diré algo más. Y lo diré desde la mayor y más profunda de las discrepancias con Monseñor Williamson en más de un tema y en más de dos. No participo con él de su visión sobre el tema judío para nada. Creo que le hizo un flaquísimo favor a la Iglesia, y que fue causa de varias humillaciones del Santo Padre en Israel. Monseñor Williamson podrá haberse comportado como un auténtico insensato, o un malinformado, en varias ocasiones –o incluso en muchas ocasiones- pero es un Obispo que va de frente, con hombría, con saber estar, con gentileza y con caballerosidad. No todos pueden decir lo mismo. Me cuesta mucho creer que sea Williamson quien lo haya filtrado. Muchísimo. Como algo he tratado a Monseñor Williamson me atreveré a decir lo evidente: que haber filtrado este documento estaría muy en contra de su psicología habitual. El comportamiento pasado suele arrojar muchas luces sobre el comportamiento futuro.
¿Habrá, por tanto, venido de España o Argentina la filtración, o del mundo hispánico? No lo sé, pero la evidencia indirecta así lo sugiere. Y fuertemente. Se podrían probar más cosas y dar más datos, pero no lo haré. Yo tampoco quiero entrizarme los dedos. Pero que cada cual juzgue la evidencia indirecta. Se coge más pronto a un mentiroso que a un cojo. Y cuando este mentiroso es, además, sedicioso, avieso y cobarde, antes o después cantará. O recantará. Unas veces el amo, otras el perro fiel.
Y esto con independencia de que el Sacerdote que hace el último pase pudiera estar hasta en territorio anglosajón, como la evidencia indirecta así parece apuntar. Pero este pobre cura es un mero tonto útil que hace de amplificador. A lo peor se lleva todos los palos él, pero la estupidez también tiene un precio.
La Providencia tiene extraños mecanismos de manejarse. Resulta que el sedicioso filtrador ha conseguido lo opuesto de su pretensión, es decir, que ahora Roma es aún más favorable ahora a una regularización de la FSSPX. De entrada la respuesta de Fellay y sus dos Asistentes Generales sólo puede ser tildada de impoluta. Y, además, el Superior General (su condición episcopal aquí ni quita ni pone Rey) y sus Asistentes, elegidos en un Capítulo General por la FSSPX, se decantan a favor del acuerdo mientras que tres Obispos sin cargo alguno (y sin otro rol principal más que los de administrar los Sacramentos de la Confirmación y el Orden) se oponen. La pregunta es obvia: ¿Quién eligió al Superior General? La FSSPX en su conjunto, ¿verdad? Pues está todo dicho.
Personalmente a mí no me gusta todo esto. Hubiera deseado que, si los cuatro Obispos de la FSSPX tienen que hablar entre sí, que hablen. Hubiera deseado que esto no se hubiera filtrado, porque creo que Monseñor Fellay debe permanecer fuerte y exigir a Roma que el apostolado de la FSSPX sea respetado y salvaguardado, y mostrar abiertamente la respuesta de Monseñor Fellay en el epílogo de una discusión canónica y a las puertas de una decisión sobre ese particular socava su posición. Y creo que estas filtraciones no hacen sino dañar el bien común de la Iglesia y de la Hermandad de San Pío X. Por eso abomino grandemente, de quienes lo han hecho. Me alegro, no obstante, de la visión noble y de altas miras que inspira al Superior General de la Hermandad y a sus Asistentes Generales. Pero me duele la manera cómo la conocí y cómo fue conocida por el gran público.
Pero Dios escribe recto con renglones torcidos. Ahora, parece, es el caso de un Dios que escribe recto de filtraciones torcidas.
Y otra cosa, y esto no va para Vds., queridos lectores, sino para el Altísimo. ¡Señor Dios: que sepas que tu sentido del humor sigue sin gustarme!

Rafael Castela Santos

sexta-feira, maio 11, 2012

A experiência da tradição em Portugal (3)


Ainda a tempo: informa o blogue da “Una Voce Portugal” que amanhã, Sábado, dia 12 de Maio, será celebrada pelas 9h45m, na Igreja da Rainha Santa, em Coimbra, uma Missa tradicional de rito latino-gregoriano. Está de parabéns a diocese conimbricense! Não poderei estar presente, mas aconselho vivamente os leitores amigos deste espaço residentes na zona a não perderem por nada tal evento!


segunda-feira, maio 07, 2012

Uma excelente introdução ao distributismo

O livro “Beyond Capitalism & Socialism: A New Statement of an Old Ideal”, obra colectiva organizada por Tobias J. Lanz constitui uma excelente introdução ao distributismo, sendo leitura ideal para todos os que pretendam conhecer essa doutrina e travar um primeiro contacto com os fins prosseguidos pela mesma.

Trabalho dividido em três partes principais, na primeira delas define-se o distributismo por contraposição ao capitalismo liberal e ao socialismo. Enquanto nestes dois últimos sistemas a propriedade dos meios de produção ou é concentrada por uma restrita e influente classe plutocrática (capitalismo liberal), ou é dominada na sua totalidade pelo Estado (socialismo), e em qualquer dos casos sempre com grave prejuízo da liberdade da esmagadora maioria dos membros da sociedade, forçados ao servilismo ora face à plutocracia, ora face à nomenclatura estatista, o distributismo propõe alternativamente:
- difusão tão ampla quanto possível das propriedade privada dos meios de produção;
- como decorrência do ponto supra, a disseminação das pequenas e médias empresas, bem como das cooperativas, com a passagem do maior número de pessoas do estatuto de empregados dependentes para o de proprietários livres e responsáveis pelo seu destino;
- e, como corolário dos dois anteriores pontos, a aproximação entre produtores e consumidores, com a eliminação de intermediários e a realização da vida económica a um nível eminentemente local (“small is beautiful”).
Numa segunda parte, “Beyond Capitalism & Socialism” apresenta os principais mentores doutrinários do distributismo, resumindo os pontos mais salientes do pensamento de figuras bem conhecidas como Chesterton ou Hilaire Belloc, e outras menos conhecidas como o Padre Vincent MacNabb, um dominicano inglês de cepa obviamente tomista, ou o Padre Heinrich Pesch, um jesuíta alemão cujo pensamento económico influenciou directamente a redacção da encíclica “Quadragesimo Anno”, do Papa Pio XI.
Finalmente, na terceira e última parte, o livro aborda os moldes em que o distributismo poderá ser aplicado nas sociedades contemporâneas e a forma pela qual estas se poderão tornar mais distributistas e menos capitalistas/socialistas.
A este propósito, convém sublinhar que o distributismo não é uma ideologia revolucionária, desenvolvendo antes a sua actuação com estrito respeito pela lei moral ou natural e tendo sempre em vista a prossecução do bem comum do todo social. Assim, o distributismo não pretende enveredar pela perigosa via da engenharia social, mas ao invés criar uma ordem económica alternativa assente na autêntica propriedade privada e no genuíno mercado livre, por contraposição ao servilismo inerente à economia de interesses egoístas do capitalismo plutocrático ou à economia centralizada do socialismo burocrático estatista.
Para concluir, dir-se-á tão-só mais o seguinte: pelo exposto, “Beyond Capitalism & Socialism” é uma leitura obviamente recomendada.

sexta-feira, maio 04, 2012

A situação aberrante do aborto em Portugal

É sumamente bizarro que o actual governo português da direita catita (a émula da esquerda caviar niilista), que tributa selvaticamente os rendimentos do trabalho, que reduz arbitrariamente salários e que corta implacavelmente benefícios sociais como o acesso aos legítimos cuidados de saúde, mantenha paradoxalmente intocada e absolutamente gratuita (no Serviço Nacional de Saúde) esta situação, mais do que chocante, aberrante - a da prática reiterada do aborto em Portugal.

Ora, tal manutenção é bem sintomática de uma atitude intencionalmente relativista e conscientemente ofensiva para com a doutrina católica, razão elementar por que os católicos, conforme já salientei em momento anterior, nada podem ter a ver com os que permitem este estado de coisas e muito menos premiá-los com um futuro apoio eleitoral. Já chega de considerar quem não merece consideração alguma!