sábado, outubro 29, 2011

Em defesa da honra de Cristo!



Através deste artigo, expresso a minha total solidariedade com o combate dos católicos franceses, e em especial o dos jovens (bravíssimo testemunho público de fé que têm dado nos últimos dias), contra o espectáculo ofensivo e blasfemador da honra de Cristo que por estes dias se representa na capital de França. É que mais é demais: já basta! As liberdades de expressão e criação artística não podem ser álibi justificativo e encobridor do insulto gratuito puro e simples, algo muito diverso da crítica legítima e fundamentada! Chega de cobardes pseudo-intelectuais que não hesitam em encenar representações nas quais granadas e excrementos são atirados contra um retrato de Cristo, mas que jamais teriam coragem de fazer tal a um retrato do Profeta Maomé ou à imagem de uma Estrela de David!

Por tais razões, faço votos para que a manifestação a realizar hoje em Paris, pelas 18.00 horas da tarde (17.00 horas portuguesas), seja um sucesso absoluto e o ponto de partida para que a honra de Cristo não volte a ser manchada por terras gaulesas e, mais latamente, por toda a velha Europa.

sexta-feira, outubro 28, 2011

Assis 3

Pessoalmente, não aprecio nem nunca apreciei os encontros inter-religiosos de Assis. Neste campo, sempre preferi o ensinamento tradicional plasmado de forma magistral na encíclica “Mortalium Animos”, do Papa Pio XI, que reprova liminarmente a realização deste tipo de eventos.

Sem prejuízo, e feita a ressalva supra, é notório que Bento XVI, no terceiro encontro de Assis, conseguiu evitar as extravagâncias próprias dos tempos de João Paulo II. Desta vez, não houve orações rezadas em comum, e o Papa, tanto em palavras como em actos, não deu azo a quaisquer equívocos de natureza sincretista ou indiferentista, cumprindo escrupulosamente o que havia anunciado de antemão. Na verdade, com a discrição determinada que lhe é característica, Bento XVI acabou por desvalorizar muitíssimo a importância de Assis 3, adoptando assim uma postura menos afastada da tradição.

Com respeito a este último ponto, no discurso que o Santo Padre pronunciou na ocasião, gostei especialmente da subtil alusão feita ao conhecimento do “verdadeiro Deus”. Para bom entendedor, meia palavra basta…

Pelo contrário, no mesmo discurso, gostei menos da referência feita à violência outrora cometida em nome da fé cristã. Seria bom que Bento XVI explicitasse aquilo a que se pretendia referir, sob pena de estar a dar involuntariamente novos argumentos aos inimigos do Catolicismo - tanto aos fora, como aos dentro da Igreja - para denegrirem a santa religião. Claro que é ensinamento tradicionalíssimo que ninguém pode ser coagido à prática da fé católica; mas tradicionalíssimo é também o ensinamento acerca da licitude do uso da força em caso de legítima defesa da fé e moral católicas... - cfr. § 5, proposição 24, do “Syllabus”, do grande Papa Pio IX.

O caminho dos deuses

New Parthenon, 26 de Outubro.

Pode negar-se a existência dos deuses, mas não pode negar-se a existência das religiões. Se são tantas e conseguiram sobreviver durante tantos séculos, quer dizer que correspondem a uma necessidade profunda da alma humana. Mesmo nos países mais inteligentes e civilizados, a maior parte da população pertence a uma igreja: é mister, pois, que eu também escolha uma.

Mas a eleição é terrivelmente difícil. Vivo, por via da regra, em países cristãos e a minha religião deveria ser o Cristianismo. Mas confesso que o Cristianismo, pelo pouco que dele conheço, me assusta. Estou disposto a reconhecer que é a mais perfeita e a mais sublime das religiões, mas, não obstante, contradiz e condena todos os meus mais profundos instintos. Detesto os homens e o Cristianismo impõe-me que os ame; a muito custo suporto os amigos, e o Cristianismo obriga-me a abraçar os inimigos; sou um dos homens mais ricos da terra, e o Cristianismo ensina-me o desprezo e a renúncia às riquezas; sinto a inclinação de gozar a crueldade, e o Cristianismo impõe-me a doçura e convida-me a prantear o martírio de um Justiçado.

Devo, pois, com grande sentimento, renunciar a fazer-me cristão. Do contrário, seria um cristão rebelde e hipócrita. O Cristianismo é muito elevado para um ser da minha espécie.

Felizmente, não faltam religiões que concordem melhor com a minha natureza. Mas não é fácil escolher uma, antes de a conhecer praticamente. Por isso decidi, há tempos, recorrer ao método experimental. Numa clareira do meu imenso parque, criei, para meu uso pessoal, uma Avenida dos Deuses, isto é, duas filas de templos das maiores religiões do mundo, servidos por sacerdotes autênticos trazidos do país de origem.

Há, em primeiro lugar, um templo hindu, dividido em três partes - átrio, santuário e cela - de acordo com as melhores regras. As divindades eleitas por mim - a deusa Kail e Siva, o destruidor - são servidas por um brâmane verdadeiro, assistido por um purôhita ou capelão e por um grupo de bailarinas sagradas (bayadeiras). Ali se celebram os cinco sacrifícios diários (sandhva) e, de vez em quando, as festas da deusa Kali, em honra de quem uma cabra é degolada.

A poucos passos, eleva-se o templo budista, disposto segundo o rito chinês. É um grande edifício guardado por monstros, à entrada. Ao fundo há uma estátua de Maitreya, futura encarnação do Buda, e, ao centro, a de Sakyamuni, isto é, do Buda histórico, entre os seus discípulos predilectos: Ananda e Kasyapa. Dois monges que vieram do Che Kiang, atendem o culto que, de resto, é muito simples.

Defronte, está o templo de Zeus, de mármore, estilo dórico. De facto, a religião pagã está morta, mas tive a fortuna de encontrar, no Sul de França, um discípulo retardatário daquele Gabriel Auclerc, que, com o nome de Quintus Nantius, quis ressuscitar o paganismo no tempo da Revolução Francesa. É um velho de florida barba, muito estudioso e admirador de Juliano o Apóstata, e reconstruiu como pôde a tradição dos sacerdotes flamínios. De quando em quando, pede-lhe que lhe conceda uma vaca ou um toiro para os sacrifícios e contenta-se, à falta de um genuíno vitimário, com um dos meus cow-boys.

Ao lado, encontra-se o templo sintoista (miya), quadrado, de acordo com a tradição japonesa, e construído com madeiras sagradas. No interior há apenas o espelho de prata, símbolo do Sol, e o famoso shintai, pedra redonda na qual deve transferir-se o mitama, isto é, a alma de Deus. Dois Kannuski estão ao serviço do templo, mas quase nunca podem realizar as procissões do Shintai, por falta de fiéis.

Quis também que não faltasse um templo zaratustriano. É o mais simples de todos: um recinto de pedra, onde o sacerdote parsi - que procurei em Bombaim - mantém sempre o fogo sagrado, atirando-lhe, cinco vezes por dia, madeira de sândalo. Depois das preces, o parsi toma um pouco daquela cinza e leva-a à fronte, e nada mais.

Do outro lado, há uma minúscula mesquita muçulmana, do mais puro estilo árabe do século X, com o mihrad de frente para Meca. Um imame e um muezim, procedentes de Marrocos, repetem todos os dias as orações obrigatórias.

E, finalmente, há uma minúscula sinagoga, imitação, em pequemo, da de Amesterdão, onde um Rabino romeno, mas da tribo de Levy, procede, em companhia de um bazzan de origem ucraniana, às cerimónias indispensáveis.

Há, por ora, sete templos, mas não desespero de os aumentar brevemente. Tanto mais que não consegui até agora fazer a minha escolha. Vou amiúde, quando me encontro aqui, à Avenida dos Deuses: assisto, no mesmo dia, a uma e outra cerimónia e mantenho dois dedos de conversa, já com o monge budista, que sabe inglês, já com o francês sacerdote de Júpiter Máximo, ou com o imame muçulmano. Nenhuma destas religiões oferece aspectos que me atraiam, e descubro preceitos e dogmas que pouco se me adequam.

Um teósofo aconselhou-me que reúna todas as imagens dos deuses, mesmo daqueles que já não são adorados, num grande templo único, e que chame um ministro da Igreja Unitária - ou melhor, da Teosófica - para o cerimonial do culto colectivo. A proposta não me desagrada - também porque representaria uma importante redução nos gastos - mas, por ora, prefiro ter as várias religiões separadas.

Tentei há dois meses, uma empresa, bem mais atrevida: reunir em torno de mim um pequeno concílio de deuses de carne e osso. Soube que vivem, espalhados pelo Mundo, alguns homens que são venerados como verdadeiras e legítimas encarnações divinas e encarreguei um amigo teósofo de convidar alguns. O Dalai Lama de Lhassa - que é o mais célebre desses deuses vivos - nem sequer quis receber o meu emissário e comunicou a sua desdenhosa negativa por meio de um simples lama vermelho. E pensar que eu lhe oferecia, para permanecer aqui uma semana, uma compensação enorme? O Buda vivo de Urga, na Mongólia, deixou-se trazer até aqui, junto com o célebre Krishnamurti - incarnação divina que vive habitualmente em Adyar - mas só dois não me bastavam. O meu encarregado conseguiu descobrir, num subúrbio de Paris, o sucessor daquele Guilherme Monod, morto em 1896, que se proclamou encarnação do Espírito Santo, em fins de 1836. Também esse miudinho francês, que se faz chamar Guilherme III, pretende ser um deus verdadeiro. A estes três, juntei um russo de Saratov, membro da seita Bojki (pequenos deuses) que afirma resolutamente ser uma encarnação de Deus Padre, e um pequeno siciliano, surdo, que é considerado pelos seus discípulos como manifestação definitiva do Espírito Santo. Mas a conversa destes cinco deuses não me foi do menor proveito. O Buda vivo é um velho alcoólico que só sabe repetir, entre duas bebedeiras, a célebre fórmula tibetana: Om mani padme, hum! Krishnamurti contentou-se com expor, em tom hierático e em mau inglês, algumas teorias confusas que já se encontram nos livros de Madame Blavatsky; o mujique nega-se a falar enquanto não chegar não sei que pomba divina; o siciliano limita-se a recitar algumas das suas extravagantes poesias; e, quanto ao francês, nada mais faz do que enunciar os lugares-comuns das seitas protestantes que esperam a vinda do Paracleto. Depois de perder tempo e de me aborrecer uma semana, decidi reexpedir os cinco deuses vivos para os seus países.

E deste modo, embora não tenha poupado os dólares nem a paciência, não tenho ainda uma religião a meu modo e até hoje não me atrevo a dizer qual seja a divindade que mais me convém. E se eu tornasse, um dia ou outro, à religião de minha mãe, à maori? Não pode suceder que Atua e Tangaroa sejam, no fim de contas, os verdadeiros deuses que procuro?

Giovanni Papini, in “Gog”, Lisboa, Livros do Brasil, s/d, páginas 175 a 178.

segunda-feira, outubro 24, 2011

Súplica ao Santo Padre...


Afirmar o óbvio

A Fé não depende da adesão ao Concílio Vaticano II, porque este não é um dogma de Fé.

Tradição e Hermenêutica da Continuidade

Pareceu-me que fazer coincidir o início do Ano da Fé com o cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II poderia ser uma ocasião propícia para compreender que os textos deixados em herança pelos Padres Conciliares, segundo as palavras do Beato João Paulo II, “não perdem o seu valor nem a sua beleza. É necessário fazê-los ler de forma tal que possam ser conhecidos e assimilados como textos qualificados e normativos do Magistério, no âmbito da Tradição da Igreja. Sinto hoje ainda mais intensamente o dever de indicar o Concílio como a grande graça de que beneficiou a Igreja no século XX: nele se encontra uma bússola segura para nos orientar no caminho do século que começa”. Quero aqui repetir com veemência as palavras que disse a propósito do Concílio poucos meses depois da minha eleição para Sucessor de Pedro: “Se o lermos e recebermos guiados por uma justa hermenêutica, o Concílio pode ser e tornar-se cada vez mais uma grande força para a renovação sempre necessária da Igreja”.

(…)

Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda. Deverá intensificar-se a reflexão sobre a fé, para ajudar todos os crentes em Cristo a tornarem mais consciente e revigorarem a sua adesão ao Evangelho, sobretudo num momento de profunda mudança como este que a humanidade está a viver. Teremos oportunidade de confessar a fé no Senhor Ressuscitado nas nossas catedrais e nas igrejas do mundo inteiro, nas nossas casas e no meio das nossas famílias, para que cada um sinta fortemente a exigência de conhecer melhor e de transmitir às gerações futuras a fé de sempre.

Papa Bento XVI, no Motu Proprio “Porta Fidei”, no qual proclama o Ano de Fé (destaques meus)

A idade da cegueira

Oh quem me dera ter agora neste auditório a todo o mundo! Quem me dera que me ouvira agora Espanha, que me ouvira França, que me ouvira Alemanha, que me ouvira a mesma Roma! Príncipes, Reis, Emperadores, Monarcas do mundo, vedes a ruína dos vossos reinos, vedes as aflições, e misérias dos vossos vassalos, vedes as violências, vedes as opressões, vedes os tributos, vedes as pobrezas, vedes as fomes, vedes as guerras, vedes as mortes, vedes os cativeiros, vedes a assolação de tudo? Ou vedes, ou não o vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Príncipes Eclesiásticos, grandes, maiores, supremos, e vós, ó Prelados que estais em seu lugar, vedes as calamidades universais, e particulares da Igreja, vedes os destroços da Fé, vedes o descaimento da Religião, vedes o desprezo das Leis Divinas, vedes a irreverência dos lugares sagrados, vedes o abuso dos costumes, vedes os pecados públicos, vedes os escândalos, vedes as simonias, vedes os sacrilégios, vedes a falta de doutrina sã, vedes a condenação, e perda de tantas almas dentro, e fora da Cristandade? Ou o vedes, ou o não vedes. Se o vedes, como o não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Ministros da República, da Justiça, da Guerra, do Estado, do Mar, da Terra, vedes as obrigações que se descarregam sobre o vosso cuidado, vedes o peso que carrega sobre vossas conciências, vedes as desatenções do governo, vedes as injustiças, vedes os roubos, vedes os descaminhos, vedes os enredos, vedes as dilações, vedes os subornos, vedes os respeitos, vedes as potências dos grandes, e as vexações dos pequenos, vedes as lágrimas dos pobres, os clamores, e gemidos de todos? Ou o vedes, ou o não vedes? Se o vedes, como não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Pais de família, que tendes casa, mulher, filhos, criados, vedes o desconcerto, e descaminho das vossas famílias, vedes a vaidade da mulher, vedes o pouco recolhimento das filhas, vedes a liberdade, e más companhias dos filhos, vedes a soltura, e descomedimento dos criados, vedes como vivem, vedes o que fazem, e o que se atrevem a fazer, fiados muitas vezes na vossa dissimulação, no vosso consentimento, e na sombra do vosso poder? Ou o vedes, ou o não vedes? Se o vedes, como não remediais? E se não o remediais, como o vedes? Estais cegos. Finalmente, homem Cristão, de qualquer estado, e de qualquer condição que sejas: vês a Fé, e o Carácter, que recebeste no Baptismo, vês a obrigação da Lei que professas, vês o estado em que vives há tantos anos, vês os encargos da tua conciência, vês as restituições que deves, vês a ocasião de que não te apartas, vês o perigo da tua alma, e de tua salvação, vês que estás actualmente em pecado mortal, vês que se te toma a morte nesse estado, que te condenas sem remédio; vês que se te condenas, hás-de arder no Inferno, enquanto Deus for Deus, e que hás-de carecer do mesmo Deus por toda a eternidade? Ou vemos tudo isto, Cristãos, ou não o vemos? Se o não vemos, como somos tão cegos? E se o vemos, como o não remediamos? Fazemos conta de o remediar algu hora, quando há-de ser esta hora? Ninguém haverá tão ímpio, tão bárbaro, tão blasfemo, que diga que não. Pois se o havemos de remediar algu hora, quando há-de ser esta hora? Na hora da morte? Na última velhice? Essa é a conta que lhe fizeram todos os que estão no Inferno, e lá estão, e lá estarão para sempre. E será bem que façamos nós também a mesma conta, e que nos vamos após eles? Não, não, não queiramos tanto mal a nossa alma. Pois se algum dia há-de ser, se algum dia havemos de abrir os olhos, se algum dia nos havemos de resolver, porque não será neste dia?

Ah Senhor, que não quero persuadir aos homens, nem a mi (pois somos tão cegos), a Vós me quero tornar. Não olheis, Senhor, para nossas cegueiras, lembrai-Vos dos Vossos olhos, lembrai-Vos do que eles fizeram hoje em Jerusalém. Ao menos um cego saia hoje daqui alumiado. Ponde em nós esses olhos piedosos; ponde em nós esses olhos misericordiosos; ponde em nós esses olhos Omnipotentes. Penetrai, e abrandai com eles a dureza destes corações: rasgai, e alumiai a cegueira destes olhos; para que vejam o estado miserável de suas almas; para que vejam quant
o lhes merece essa Cruz, e essas Chagas; e para que lançando-nos todos a Vossos pés, como hoje fez o cego, arrependidos com ua firmíssima resolução de nossos pecados, nos façamos dignos de ser alumiados com Vossa Graça, e Vos ver eternamente na Glória.

Padre António Vieira, "Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma", pregado na Misericórdia de Lisboa, no ano de 1669.

sábado, outubro 15, 2011

quinta-feira, outubro 13, 2011

13 de Outubro


La Coronación de María significa simplemente que ella es la Madre de Dios, y por tanto tiene una dignidad que está por encima de todos los Santos y todos los Ángeles: es Reina de todos los Ángeles y Abogada de todos los hombres.

Ningún poeta se le ha atrevido a este misterio. Conocemos varios poemas a la Asunción de María Santísima, ninguno a su Coronación; pero es lo mismo, la Asunción y la Coronación son la continuación de un mismo acto. Cuando subió a los cielos en cuerpo y alma subió derecho al Trono de Dios y fue colocada al lado de su hijo Jesucristo. ¿y dónde queda eso?

(…)

Desde que san Pablo dijo que el cielo era superior a todo lo que puede imaginar el hombre, los poetas han dejado que cada cual se lo imagine como pueda. Dante Alighieri escribió su “Paraíso” pero todos dicen que no le salió tan bien como el “Infierno”. “Ni el ojo vio, ni el oído oyó, ni el corazón del hombre puede soñar, lo que Dios tiene preparado a los que lo aman”.

Todas las cosas que tienen relación directa con Dios son en alguna manera infinitas, dice santo Tomás de Aquino; como el Infierno, el Pecado, y la Humanidad de Cristo. Y así es María, Madre de Dios; y el cielo, que es la asimilación viviente con el mismo Dios.

Imaginemos por tanto, a falta de cosa mejor, la Jerusalén Celestial que describe san Juan al final de su Apokalypsis; es una ciudad portentosa descendida del cielo; en realidad de verdad es un símbolo un poco extraño del mundo de los Resucitados. Es una ciudad altísima hecha de cristal, de oro y de piedras preciosas. Hay en ella fuentes de aguas vivas, está el árbol de la Vida, muchos árboles que dan un fruto diferente cada mes; y supongo que no faltarán parrales; y una multitud innumerable de moradores gozosos. No hay en ella dolores ni luto ni pena ni zozobra ni aflicción de espíritu; porque “Todas esas cosas ya pasaron - dice Dios - y la muerte ya no es: enjugaré de sus ojos toda lágrima”. Su sol es Dios mismo y su luna es María Santísima, y sus estrellas son los ángeles. En medio della está el Trono de Dios sostenido por cuatro querubines, y alrededor veinticuatro tronos con los Doce Apóstoles y los Doce Patriarcas de Israel; al pie del, sentada , una mujer majestuosa, sobre cuya cabeza depositan una corona de oro el Padre y el Hijo mientras sobre su frente se cierne una paloma luminosa; así pintó Velásquez la Coronación de María (…).

La hermosísima María de Nazaret, Virgen sin pecado, es el comienzo de la restauración del Edén. Solamente verla a ella será un gozo.

Padre Leonardo Castellani, “El Rosal de Nuestra Señora”, Buenos Aires, Ediciones Nuevas Estructuras, 1964 - páginas 135 a 137.

terça-feira, outubro 11, 2011

Um "cromo" de colecção


Um autêntico serviço público, que nos coloca de sobreaviso contra a legião de lobos com pele de cordeiro que continuam a infestar a Vinha do Senhor, é como classifico a notável - e num certo sentido muitíssimo divertida - colecção de “cromos” de heresiarcas que Francisco José Fernandéz de la Cigoña tem vindo a juntar pacientemente no seu blogue. O último a ser-lhe adicionado foi o respeitante a um tal Domenico Mogavero, ao que parece bispo de Mazara del Vallo, na Sicília, Itália, a quem deu para espumar publicamente de raiva - numa demonstração notória do completo desespero e da total impotência da pandilha progressista - contra o Papa Bento XVI, a Missa Tradicional de rito latino-gregoriano, o “Summorum Pontificum” e o processo de regularização canónica da FSSPX. Todo um “cromo”, portanto, e dos bem grandes…

A ler mais aqui e aqui.

domingo, outubro 09, 2011

Entrevista de Monsenhor Guido Pozzo à Gloria TV



Palavras claríssimas de Monsenhor Guido Pozzo, secretário da Comissão “Eclesia Dei”, proferidas num ainda mais claro italiano. E não apenas sobre as conversações entre Roma e FSSPX (quanto a esta matéria, recomendo vivamente tudo o que o meu amigo Afonso Miguel tem publicado na sua “Tribuna”), mas também acerca da grandeza e importância da Missa tradicional de rito latino-gregoriano. A ouvir de fio a pavio com muita atenção.

O debate que vai acontecer

O dos efeitos nefastos do Concílio Vaticano II, único que interessa fazer aos católicos dignos desse nome. E que até já começou, conforme o comprovam as palavras proferidas pelo Cardeal Piacenza, prefeito da Congregação do Clero, no seu recente discurso aos seminaristas da arquidiocese de Los Angeles, nos Estados Unidos, e que abaixo transcrevo.

Seréis vosotros, probablemente, la primera generación que interpretará correctamente el Concilio Vaticano II, no según el “espíritu” del Concilio, que tanta desorientación ha traído a la Iglesia, sino según cuanto realmente el Acontecimiento Conciliar ha dicho, en sus textos, a la Iglesia y al mundo.

¡No existe un Concilio Vaticano II diverso del que ha producido los textos hoy en nuestra posesión! Y en estos textos nosotros encontramos la voluntad de Dios para su Iglesia y con ellos es necesario confrontarse, acompañados por dos mil años de Tradición y de vida cristiana.

La renovación es siempre necesaria a la Iglesia, porque siempre necesaria es la conversión de sus miembros, ¡pobres pecadores! ¡Pero no existe, ni podría existir una Iglesia pre-Conciliar y una post-Conciliar! Si fuera así, la segunda – la nuestra – ¡sería histórica y teológicamente ilegítima!

Existe una única Iglesia de Cristo, de la que vosotros formáis parte, que va desde Nuestro Señor hasta los Apóstoles, desde la Bienaventurada Virgen María hasta los Padres y Doctores de la Iglesia, desde el Medioevo hasta el Renacimiento, desde el Románico hasta el Gótico, el Barroco, y así sucesivamente hasta nuestros días, ininterrumpidamente, sin alguna solución de continuidad, ¡nunca!

¡Y todo porque la Iglesia es el Cuerpo de Cristo, es la unidad de su Persona que se nos dona a nosotros, sus miembros!

Vosotros, queridísimos Seminaristas, seréis sacerdotes de la Iglesia de San Agustín, de San Ambrosio, de Santo Tomás de Aquino, de San Carlos Borromeo, de San Juan Maria Vianney, de San Juan Bosco, de San Pío X, hasta el santo Padre Pío, a San José María Escrivá y el Beato Juan Pablo II. Seréis sacerdotes de la Iglesia que está formada por tantísimos santos Sacerdotes que durante los siglos han hecho luminoso, bello, irradiante y por tanto fácilmente reconocible, el rostro de Cristo, Señor, en el mundo.

La verdadera prioridad y la verdadera modernidad, pues, queridos míos, ¡es la santidad! El único posible recurso para una auténtica y profunda reforma es la santidad y ¡nosotros tenemos necesidad de reforma! ¡Para la Santidad no existe un seminario, a no ser el de la Gracia de Nuestro Señor y de la libertad que se abre humildemente a su acción plasmadora y renovadora!

El Seminario de la Santidad, tiene, pues, un Rector verdaderamente magnífico y es una mujer: la Bienaventurada Virgen María. ¡Que Ella, que durante toda la vida nos repetirá: “Haced lo que Él os diga”, pueda acompañarnos en este arduo pero fascinador camino!

sábado, outubro 08, 2011

A Igreja portuguesa em estado de necessidade absoluto

A leitura deste artigo - “Os Senhores das heresias” - escrito em 1999 pelo Padre Nuno Serras Pereira, e que mantém inteira actualidade, comprova tal circunstancialismo. Desde então, nada mudou para melhor na Igreja portuguesa e quase tudo piorou.

quarta-feira, outubro 05, 2011

Os falsos padres: um dano colateral do "novus ordo"

Umas das peculiaridades mais bizarras do "catolicismo" nacional, já por várias vezes ocorrida em paróquias rurais do interior, sobretudo na zona norte do país, é a dos burlões que fazendo passar-se abusivamente por padres católicos, usurpam o desempenho de funções sacerdotais, celebrando Missas, administrando baptismos, oficiando casamentos, presidindo a funerais e, quiçá, ouvindo confissões…

Neste âmbito, o caso mais recentemente conhecido é o de Agostinho Caridade, que durante três anos, entre 2004 e 2007, apesar de nunca haver sido ordenado padre (ao que parece, as suas habilitações académicas limitavam-se ao 6º ano de escolaridade…), exerceu o múnus sacerdotal na área das dioceses do Algarve, do Porto e de Braga, chegando mesmo ao ponto de celebrar a Missa em plena sé bracarense (ler aqui e aqui).

É fácil de compreender o que motiva estes falsos padres: para além da patologia exibicionista que lhes está ínsita, a ocasião é literalmente de ouro para se locupletarem em proveito próprio com os estipêndios pagos ou os donativos feitos pelos fiéis. Comportamento sintomático de uma sociedade onde o respeito pelo sagrado se perdeu por completo, não menos importante é sublinhar que este só é possível devido ao modo laxista como o “Novus Ordo” - onde tudo vale - permite que a Missa seja oficiada e os restantes sacramentos administrados. Alguém acredita que um burlão deste género alguma vez conseguiria macaquear uma Missa Tradicional de rito gregoriano, rezada em latim e com estrita observância de todas as rubricas prescritas pelo Missal Romano? Creio que a resposta é óbvia: não! A praga destes burlões é assim mais um dano colateral provocado pela desastrosa reforma litúrgica que originou o “Novus Ordo”.

Sem prejuízo, o caso concreto não deixa de possuir uma saborosa ironia, bem demonstrativa do subtil sentido de humor divino: é risível que um falso padre tenha fintado o Arcebispo de Braga na própria sé catedral deste, e logo o Arcebispo que encara qualquer verdadeiro sacerdote católico que queira celebrar a Missa Tradicional quase como uma espécie de malfeitor, mesmo que a sua situação canónica seja de plena regularidade…