quinta-feira, dezembro 30, 2010

Pelos seus frutos os conhecereis

Que currículo o do padre belga François Houtart! Progressista, marxista, perito no Vaticano II (onde teve influência determinante na redacção da “Gaudium et Spes”), um dos expoentes máximos do "espírito de ruptura do Concílio" no seu país e agora também, pelos vistos, abusador sexual confesso de um menor

segunda-feira, dezembro 27, 2010

Da correcta hermenêutica do Vaticano II

(...) De tudo isso resulta que o Concílio Vaticano II (como qualquer outro concílio) tem de ser interpretado (até mesmo o dogma deve sempre ser lido corretamente). Mas para uma interpretação correta são necessárias, basicamente, três coisas: 1) ter em conta a natureza pastoral do concílio e, portanto, um progresso ou regresso doutrinal, quando o novo é entendido como ruptura; 2) ter em conta o teor dos documentos do Concílio: os documentos como um todo são expressão de um magistério solene e ordinário autêntico; infalível apenas em reflexo, quando se recorda uma doutrina já definida ou uma doutrina definitiva sendo conservada, cuja segurança é expressa pelo próprio magistério. O progresso dogmático do Concílio Vaticano II, que pode indicar uma eventual continuidade/descontinuidade, deve ser avaliado à luz da teologia e medido com os instrumentos teológicos, pelo fato de estarmos diante de um magistério ordinário e não definitório. A teologia neste caso atua como serva do Magistério; 3) é necessário, enfim, contextualizar o Vaticano II, lendo também o contexto histórico que o afetava: a crise modernista do início do século XX; o grande desenvolvimento teológico e o novo método usado em teologia, nem sempre, todavia, em conformidade com o sentir da Igreja; a passagem da modernidade à pós-modernidade como crise dos próprios apogeus conquistados pela razão iluminada e pela vontade de se rebelar contra qualquer instituição — a contestação entrou também na Igreja — com a revolução cultural de 68. É necessário ter em consideração, em outras palavras, um mundo que mudou forte e drasticamente, já diferente daquele presente no Concílio e predito na análise da Gaudium et Spes. Daí a necessidade de uma análise crítica que seja construtiva para uma adequada interpretação do fato conciliar. A Igreja não começa com o Concílio, mas com Jesus Cristo. A regra última da avaliação da fé, na verdade, não é o Concílio, mas a Tradição da Igreja. O Concílio traz um progresso na compreensão da fé, é claro, mas não altera a Igreja. Se a Igreja mudou não é em razão do Concílio em si, mas de uma visão errada da “conciliaridade” e, por conseguinte, da própria Tradição da Igreja. [destaques meus] A Igreja convocou e aprovou este Concílio assim como o fez com os outros 20 que lhe precederam.

Isso significa, portanto, que o progresso é inegável, mas todo progresso, no entanto, marca também um certo regresso, em razão das falsidades e erros que se pode ocultar. Trata-se de examinar de modo crítico os pontos onde estas falsidades podem ter se infiltrado, para depois fazer um atento exame hermenêutico do Vaticano II à luz da fé sempre. É isso o que nos propomos fazer com o nosso congresso.

Pe. Serafino M. Lanzetta, FI (Franciscano da Imaculada)

Admiro cada vez mais os Franciscanos da Imaculada



Do verdadeiro espírito franciscano, na linha matriz de São Maximiliano Kolbe e São Pio de Pietrelcina.

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Um Santo Natal!


Um Santo e Feliz Natal para todos os leitores e amigos de ”A Casa de Sarto”!

Causa finita est


Por ocasião da publicação do livro-entrevista de Bento XVI, «Luz do Mundo», foram difundidas diversas interpretações não correctas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual. Não raro, o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se se lerem inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projecto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização hoje generalizada da mesma.

Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns saudaram como uma viragem positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a atitude eclesial na luta contra o HIV-SIDA. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. «Luce del mondo», 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.

Como resulta da leitura da página em questão, o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que «se exclui qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação». A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contrário, a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer «mais e melhor» («Luce del mondo», p. 206), ou seja, aqueles que respeitam integralmente o nexo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada acto conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.

Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativamente à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: «Fugi da imoralidade» (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição há-de ser combatida, e os entes assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.

A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da actual difusão do HIV-SIDA em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento comete um também contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública. A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem «a solução autêntica e moral» do problema do HIV-SIDA e afirma também que «concentrar-se só no preservativo significa banalizar a sexualidade», porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, «com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode entretanto representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana». Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: «Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV».

Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado «mal menor». Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a acção que pelo seu objecto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente querida. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.

Em conclusão, na luta contra o HIV-SIDA, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimónio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. «Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade» («Luce del mondo», p. 170).

segunda-feira, dezembro 20, 2010

O livro "Luz do Mundo" e a hipocrisia dos progressistas

Li sumariamente algumas passagens do livro-entrevista de Bento XVI com o jornalista alemão Peter Seewald, “Luz do Mundo”, que adquiri no último Sábado.

Numa primeira impressão resultante dessa leitura, não pode deixar de me causar espanto que todos os progressistas que embandeiraram em arco com as afirmações que o Santo Padre proferiu em tal entrevista sobre o uso de preservativos - deturpando o sentido das mesmas com habitual desonestidade intelectual que lhes é característica, já que as referidas afirmações mantêm inalterado o magistério oficial da Igreja acerca do assunto -, não hajam tido idêntica reacção de embandeiramento quanto às considerações emitidas pelo Papa, também na dita entrevista, sobre matérias como a liturgia, a Missa Tradicional, a comunhão de joelhos e na boca, a mensagem de Fátima ou os novíssimos.

Por que terá tal sucedido? A resposta é óbvia: uma vez mais, encontramo-nos perante uma manifestação da hipocrisia e do farisaísmo tão tipicamente progressistas. As afirmações públicas do Santo Padre, mesmo quando intervém apenas na qualidade de doutor privado, só lhes interessam se passíveis de contribuir para a demolição do Catolicismo, ainda que para esse efeito tenham de ser convenientemente deturpadas e falsificadas. Cumprida essa condição, tais afirmações são dignas de realce e até susceptíveis de se transformar num pseudo-magistério, que um grotesco ultramontanismo progressista pretende impor como indiscutível aos católicos dignos desse nome. Caso contrário, não!

O progressista em plano inclinado para o abismo...



...em sentido literal.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

O drama existencial do católico de letreiro, commumente conhecido por progressista

Todo o drama existencial do católico de letreiro, comummente conhecido por progressista, é susceptível de se resumir em poucas linhas: incapaz de conformar a sua desordenada vida pessoal com os ditames da fé e moral católicas, e desprezando todos os meios de graça santificante que o poderiam auxiliar na prossecução de tal fim (a assistência à Santa Missa, a prática da comunhão e da confissão frequentes, e a confiança na eficácia da oração - muito em especial, a do Rosário), intenta ao invés e retorcidamente conciliar os ditames da fé e moral católicas com os caprichos da sua desordenada vida pessoal. Desta maneira, almeja que uma caricatura grotesca e grosseira do Catolicismo - o pervertido pelo relativismo e imanentismo da heresia modernista - lhe dê a boa consciência que no seu íntimo ele sabe não possuir, consubstanciando tal postura uma pretensão abusiva e impossível que os libertinos puros e duros de outrora jamais ousaram sobraçar.

A este propósito, convém não esquecer que o progressista é hipócrita, é fariseu: gosta que no seu meio, na sua paróquia, na sua cidade, o apontem como católico exemplar, modelo a seguir. Aprecia as vaidades do mundo moderno, sente-se bem nos lugares da frente e sabe mostrar-se - sobretudo com os católicos dignos desse nome - um irritante moralista de pacotilha, apontando argueiros nos olhos dos que o rodeiam, mas olvidando-se da trave monstruosa que tapa a sua própria vista. Pela calada, contudo, à maneira do lobo com pele de cordeiro e do sepulcro com paredes caiadas que autenticamente é, numa embriaguez de perfídia e traição, trama com fúria de réprobo a destruição do Catolicismo: escarnecendo de todos os dogmas de fé, e de modo muito significativo dos relacionados com Nossa Senhora, ousa afrontar o Santo Padre e promover a desobediência ao magistério constante da Igreja sobre matérias como o divórcio, a regulação artificial da natalidade, o aborto, a eutanásia, o emparelhamento de homossexuais e a ordenação de mulheres. Tudo debalde, porque as portas do inferno não prevalecerão, sem prejuízo de ser ele o primeiro que as atravessará, se porventura não arrepiar antes do caminho de destruição que se propôs percorrer.

Uma Missa a que gostaria de ter assistido


À Missa celebrada pelo grande Cardeal Bartolucci, no passado dia 8 de Dezembro, por ocasião da Festa da Imaculada Conceição, na Igreja da Santíssima Trindade dos Peregrinos, em Roma. Mais pormenores aqui e aqui.