terça-feira, junho 30, 2009

A ideologia feminista do género é uma ideologia fundamentalista homicida

Os incondicionais da aceitação do Vaticano II são assim tão incondicionais?

Monsenhor Kurt Koch, bispo de Basileia, Suíça, publicou recentemente no sítio da diocese que chefia o texto abaixo transcrito, cujo teor não sufrago por inteiro, mas que nem por isso deixa de ser muito interessante, e que apresento agora aos meus leitores em tradução efectuada pelo blogue "La Buhardilla de Jerónimo". Nele, o prelado helvético denuncia a falta de honestidade moral de muitos dos supostos incondicionais da aceitação do Vaticano II, os quais afinal não são assim tão incondicionais quanto isso. Que bom seria que um bispo português, ao menos, também dissesse coisas destas! Os destaques infra são meus.

¿Qué me impulsa?

¡Más honestidad, por favor!

En las últimas semanas muchos periodistas, y también algunos clérigos, han expresado sus opiniones sobre el Papa Benedicto. Opiniones que contienen muchas medias verdades, falsedades y calumnias. La peor acusación afirma que el Papa desea retornar a un pasado anterior al Concilio Vaticano II. Esta acusación es la peor porque implica que la persona misma que posee la autoridad de enseñar a la Iglesia universal estaría trabajando para minar la autoridad del Concilio. Tal veredicto estaría, sin embargo, completamente errado. De hecho, como joven teólogo, Benedicto XVI, contribuyó mucho dentro del concilio. Quienquiera que busque comprender hoy al Papa, no sólo a través de los medios, sino leyendo lo que él escribe, llegará a la conclusión de que ha orientado todo su magisterio según el Concilio. ¿Cómo debemos entender entonces la acusación?

Mucha gente ha firmado una petición de incondicional aceptación del Concilio. De entrada, la expresión “incondicional aceptación” me irrita porque no sé de nadie – incluido yo mismo – a quien se pueda aplicar esto. Unos pocos ejemplos, arbitrariamente elegidos, serán suficientes:

-El Concilio no abolió el Latín en la liturgia. Por el contrario, -enfatiza que en el Rito Romano, salvo casos excepcionales, el uso de la lengua latina debe ser mantenido. ¿Quién entre los ruidosos defensores del Concilio desea una “incondicional aceptación” de esto?

-El Concilio declara que la Iglesia considera el Canto Gregoriano como la “música propia del Rito Romano” y que, por lo tanto, a ésta debe “darse el primer puesto”. ¿En cuántas parroquias es implementado esto “sin condiciones”?

– El Concilio pidió expresamente que las autoridades gubernamentales cedieran voluntariamente aquellos derechos de participación en la selección de obispos que surgieron en el transcurso del tiempo. ¿Qué defensor del Concilio se ha dedicado “incondicionalmente” a esto?

El Concilio describe la naturaleza fundamental de la liturgia como la celebración del misterio pascual y el sacrificio eucarístico como “la compleción de la obra de nuestra salvación” ¿Cómo puede conciliarse eso con mi experiencia, vivida en muchas parroquias diferentes, de que el sentido sacrificial de la Misa ha sido completamente eliminado del lenguaje litúrgico y la Misa es ahora entendida sólo como una comida o “fracción del pan”? ¿De qué manera puede uno justificar este cambio profundo basándose en el Concilio?

– A ningún oficio eclesiástico fue dada tanta importancia en el Concilio como al del obispo. Entonces, ¿cómo podemos entender la gran disminución de este oficio de la Iglesia en Suiza, justificada en referencia al Concilio? ¿Será, por ejemplo, cuando Hans Kung niega completamente la autoridad de enseñar de los obispos, permitiéndoles solamente el oficio de conducción pastoral?

No sería difícil alargar esta letanía. Aún así, ha de ser obvio por qué demando más honestidad en el presente debate sobre el Concilio. En vez de acusar a otros, incluso al Papa, de desear volver a un pasado anterior al Concilio, habría que aconsejar a todos estudiar sus libros y volver a examinar su posición sobre el Concilio. Porque no todo lo que fue dicho y hecho después del Concilio, fue llevado a cabo en concordancia con el mismo –y esto se aplica también a la diócesis de Basilea. En todo caso, las últimas semanas me han mostrado que un problema primordial de la situación actual ha sido un muy pobre y, en parte, un muy unilateral entendimiento y aceptación del Concilio, incluso por parte de los católicos que lo defienden “incondicionalmente”. En este sentido todos nosotros –una vez más me incluyo- tenemos mucho por hacer. Por lo tanto, nuevamente repito mi pedido urgente: ¡Más honestidad, por favor!

+ Kurt Koch
Obispo de Basilea

Sobre este texto, sugiro ainda a leitura dos comentários que o conhecido Padre Z fez ao mesmo no seu blogue.

segunda-feira, junho 29, 2009

Parábola para o momento presente

Por isso o Reino do Céu é comparável a um rei que quis ajustar contas com os seus servos. Logo ao princípio, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos. Não tendo com que pagar, o senhor ordenou que fosse vendido com a mulher, os filhos e todos os seus bens, a fim de pagar a dívida. O servo lançou-se, então, aos seus pés, dizendo: "Concede-me um prazo e tudo pagarei". Levado pela compaixão, o senhor daquele servo mandou-o em liberdade e perdoou-lhe a dívida. Ao sair, o servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Segurando-o, apertou-lhe o pescoço e sufocava-o, dizendo: "Paga o que me deves!" O seu companheiro caiu a seus pés, suplicando: "Concede-me um prazo que eu te pagarei.". Mas ele não concordou e mandou-o prender até que pagasse tudo quanto lhe devia. Ao verem o que tinha acontecido, os outros companheiros contristados foram contá-lo ao seu senhor. O senhor mandou-o, então, chamar e disse-lhe: "Servo mau, perdoei-te tudo o que me devias, porque assim mo suplicaste; não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?" E o senhor, indignado entregou-o aos verdugos até que pagasse tudo o que devia. (Mt 18, 23-34)

Ora, quem se comporta como o servo mau no momento presente, se não a corja de hereges modernistas que expele o seu ódio doentio sobre a tradição católica e a difama com todo o tipo de mentiras e calúnias, mas que hipocritamente não olha para as enormes abominações por si praticadas nestes últimos quarenta e cinco anos sob o "espírito do V2"?...

sábado, junho 27, 2009

Pobres destroços em pânico


Lembrando-lhes a severa advertência de Cristo, no Sermão da Montanha, de que "Ai de vós os que agora rides, porque gemereis e chorareis!" (Lc 6, 25), não liguemos mais aos desvarios dos pobres destroços remanescentes da heresia modernista, os quais, em delírio provocado pelo desespero que lhes causa a plena regularização da tradição católica, inventam comunicados imaginários do Vaticano, deformam os fins estatutários do Instituto do Bom Pastor ou tomam meras opiniões privadas de jornalistas esquerdistas simpatizantes do pseudo-progressismo cristão, como o norte-americano John Allen Jr. ou o francês Henri Tincq, por pronunciamentos oficiais do próprio Papa! O pânico do que aí vem toldou-lhes definitivamente a razão. Pela nossa parte, não sentimos qualquer pena deles por esse facto, e aguardamos com calma e tranquilidade a concretização das boas notícias previstas para os próximos dias, de que têm feito eco blogues amigos como o "Rorate-Caeli", o "Fratres in Unum" ou o "Tradição Católica", este último dessa verdadeira fonte de exasperação dos hereges progressistas que é a combativa Magdalia.

quinta-feira, junho 25, 2009

FSSPX, estado de necessidade e heresia luterana


É triste constatar como o farisaísmo monstruoso de certas pessoas só tem paralelo na sua estupidez colossal. Os do costume vêm agora arguir que a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X está a afrontar a pessoa do Papa Bento XVI, e que falta àquela a razão quando tenta legitimar as ordenações sacerdotais do próximo Sábado com a invocação da existência de um estado de necessidade na Igreja.

Esta postura merece-me três comentários:

1º) Acho muito curioso que aqueles que constantemente afrontam o Santo Padre, desobedecendo e atacando com ferocidade o seu magistério sobre matérias como o divórcio, a regulação artificial da natalidade, o aborto, a eutanásia, o emparelhamento de homossexuais e a ordenação de mulheres, surjam agora farisaicamente escandalizados com uma imaginária afronta da FSSPX à pessoa do Papa, que de resto nem sequer se sabe qual possa ser, dado Roma já haver informado publicamente que nada tem a declarar sobre este assunto. Os que assim procedem não passam de mentirosos canalhas pertencentes a uma raça infernal de víboras! É caso para dizer: Por que reparas no argueiro que está na vista do teu irmão, e não vês a trave que está na tua vista? Como ousas dizer ao teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro da tua vista, tendo tu uma trave na tua? Hipócrita, tira primeiro a trave da tua vista e, então, verás melhor para tirar o argueiro da vista do teu irmão. (Mt 7, 3-5)

2º) Existe à evidência um grave estado de necessidade na Igreja. A FSSPX afirma-o, mas em tal afirmação é corroborada pelo… Papa. Bento XVI reconheceu a existência desse estado de necessidade, ao menos para as situações específicas da França e da Alemanha, na reunião que manteve com Monsenhor Fellay, no Vaticano, no dia 29 de Agosto de 2005. E insiste no reconhecimento dessa existência na carta que escreveu aos bispos do mundo inteiro, datada de 10 de Março último, quando sustenta o seguinte: No nosso tempo em que a fé, em vastas zonas da terra, corre o perigo de apagar-se como uma chama que já não recebe alimento, a prioridade que está acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir aos homens o acesso a Deus. Não a um deus qualquer, mas àquele Deus que falou no Sinai; àquele Deus cujo rosto reconhecemos no amor levado até ao extremo (cf. Jo 13, 1) em Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. O verdadeiro problema neste momento da nossa história é que Deus possa desaparecer do horizonte dos homens e que, com o apagar-se da luz vinda de Deus, a humanidade seja surpreendida pela falta de orientação, cujos efeitos destrutivos se manifestam cada vez mais.

Ora, como é que se pode ter chegado a este ponto calamitoso, sem que haja um estado de necessidade na Igreja? Obviamente que há um estado de necessidade na Igreja! O Papa di-lo!

3º) Os episcopados alemão e austríaco, como o constata qualquer pessoa que consulte com alguma regularidade o excelente blogue "Cathcon", são dos mais radicalmente dominados pelo espírito do V2, aceitando e propagando todo o fundamental das teses heréticas modernistas e progressistas, numa linha que os reconduz no fundamental - a eles, sim - aos ensinamentos do heresiarca Lutero! Pois de onde vêm a negação do carácter sacrificial propiciatório da Missa e sua redução a uma mera ceia, a recusa da aceitação da Tradição como fonte de revelação, a crença na salvação universal independentemente das obras, a prevalência do livre exame privado sobre o magistério ou a minimização do sacerdócio ministerial face ao sacerdócio comum dos fiéis? Perante este quadro, só um cretino chapado é que pode ter a pretensão de enquadrar a FSSPX no âmbito do luteranismo! Ora, a FSSPX é antes refutação de todas estes erros e a reafirmação do catolicismo de sempre. E também por isto deve ignorar as pretensões abusivas dos bispos alemães e seguir adiante com a sua obra de defesa da tradição católica! A começar já pelas ordenações do próximo Sábado!

quarta-feira, junho 24, 2009

Os bispos da Alemanha em desespero de causa


As ameaças de excomunhão que a Conferência Episcopal Alemã tem vindo a fazer à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X nas últimas semanas, com respeito às ordenações sacerdotais que esta prevê realizar no próximo dia 27 de Junho, no seu seminário alemão de Zaitzkofen, ainda que graves, têm de ser reputadas como absolutamente irrelevantes. As mesmas traduzem tão-só a exasperação em que se encontra um dos episcopados mais heréticos da Europa, cuja respectiva conferência é presidida pelo modernista Zollitsch, que se notabilizou por negar em público o dogma da redenção. Através delas, tal episcopado, fingindo que zela pelo cumprimento do direito canónico, intenta na verdade atacar a pessoa do Papa e frustrar a vontade deste de regularizar o estatuto da FSSPX no seio da Igreja.

De facto, os bispos alemães - como muitos outros bispos pelo mundo fora, mas estes porventura mais discretos - não se conformam com a eleição de alguém doutrinariamente ortodoxo como Bento XVI para o Trono de São Pedro, bem como não lhe perdoam a obra de restauração gradual da tradição católica que de imediato encetou, e na qual pretende que a Fraternidade venha a desempenhar um papel maior. Por que outra razão o Santo Padre teria escrito o que escreveu, na sua carta de 10 de Março último aos bispos do mundo inteiro? Recordemo-lo:

Poderá deixar-nos totalmente indiferentes uma comunidade onde se encontram 491 sacerdotes, 215 seminaristas, 6 seminários, 88 escolas, 2 institutos universitários, 117 irmãos, 164 irmãs e milhares de fiéis? Verdadeiramente devemos com toda a tranquilidade deixá-los andar à deriva longe da Igreja? Penso, por exemplo, nos 491 sacerdotes: não podemos conhecer toda a trama das suas motivações; mas penso que não se teriam decidido pelo sacerdócio, se, a par de diversos elementos vesgos e combalidos, não tivesse havido o amor por Cristo e a vontade de anunciá-Lo e, com Ele, o Deus vivo. Poderemos nós simplesmente excluí-los, enquanto representantes de um grupo marginal radical, da busca da reconciliação e da unidade? E depois que será deles?

Assim, em desespero de causa, o episcopado alemão tenta a todo o custo fazer implodir o aparecimento de um quadro que provoca terror puro à sua mente herética modernista: a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X completamente regularizada de um ponto de vista canónico no interior da Igreja institucional! Porém, não conseguirão impedir que tal quadro se concretize: primeiro, porque Roma já se demarcou de qualquer ameaça de nova excomunhão da FSSPX, como o perceberá qualquer pessoa que saiba ler nas entrelinhas o comunicado do passado dia 17 de Junho, na condição de não ser um mitómano delirante e sem escrúpulos que tome os seus desejos pela realidade; segundo, porque no dia 21 de Junho último se realizaram as ordenações norte-americanas da FSSPX, no seminário de Winona (foto supra), e Roma não manifestou qualquer criticismo contra as mesmas, bem pelo contrário; e terceiro, simplesmente porque "as portas do Inferno não prevalecerão!"

domingo, junho 21, 2009

Santa Brígida da Suécia e as "Revelações"


Entre outros livros que ando a ler, e dos quais falarei aqui proximamente, destaco hoje o primeiro volume das "Revelações", de Santa Brígida da Suécia, projecto a que a "Oxford University Press" em boa hora se abalançou - já estão publicados dois dos quatros volumes previstos.

Para além da enorme elevação e edificação espiritual que delas sobressai, causando profunda impressão ao leitor, as "Revelações" mantêm-se hoje em dia tão ou mais prementes do que na época em que foram escritas, a saber, na segunda metade do século XIV, na Suécia medieval, então um reino ainda católico. Na verdade, sendo o homem uma criatura decaída atingida pelo pecado original, característica essa imutável de um ponto de vista ontológico e axiológico, os desafios que se lhe colocam na consecução do seu fim último, no presente como há seiscentos e cinquenta anos, são idênticos - a opção entre o bem e o mal, a escolha entre a salvação para a vida eterna ou a perdição para todo o sempre.

Impressionantes são igualmente as advertências que Santa Brígida faz, através das revelações privadas que teve a graça de receber de Cristo e da Santíssima Virgem, aos homens da Igreja do seu tempo (que entrava então na grande crise dos séculos XIV-XVI), aos maus bispos, sacerdotes e religiosos, admoestando-os com uma severidade que tem aplicação integral aos maus homens da Igreja contemporânea perturbada pelas heresias modernista e progressista.

Por tudo isto e também pelo seu estilo de escrita saborosamente peculiar, é muitíssimo proveitosa a leitura de Santa Brígida, que para além de ser padroeira do seu país, foi outrossim nomeada co-padroeira da Europa, pelo Papa João Paulo II, através do motu proprio "Spes Aedificandi", em conjunto com Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein).

sexta-feira, junho 19, 2009

O Dr. Esteves

Recebi por correio electrónico o texto abaixo publicado, o qual me foi enviado por alguém que o assina sob o nome de José Silva. Desconheço quem seja tal pessoa, mas a verdade é que escreve muito bem e com grande pertinência, como os meus leitores o poderão de imediato comprovar.

O Dr. Esteves

Milhares de linhas se escrevem e se lêem sobre os motivos que levam muitos ao descontentamento com a situação política em Portugal. O que é facto é que os descontentes têm de aceitar que essa mesma situação existe porque um dia a apoiaram e ainda hoje a aceitam. Existe igualmente porque, dum modo geral, o seu desejo seria a alteração de pequenos pormenores no panorama, sendo que dum modo geral, a realidade seria a mesma.

Uma verdadeira oposição acarreta, não só a coragem da assunção da diferença e da incompreensão, como também a capacidade de suportar a extrema insegurança proporcionada por um salto no desconhecido.

Como hipótese académica, vamos imaginar uma figura de meia-idade, duma família católica, que não se revê nos partidos maioritários, que se considera de direita, e nutre uma certa simpatia pela monarquia e pelo Estado-Novo. Chamá-lo-emos o Dr. Esteves.

O Dr. Esteves acha tudo isto uma bandalheira. O Dr. Esteves escreve num blog, e troca mails com piadas do Sócrates. O Dr. Esteves janta com os amigos e colegas e comenta o último escândalo. O Dr. Esteves tem saudades da tropa. O Dr. Esteves por vezes vota CDS, e nas restantes (ainda que não o confesse publicamente), vota PNR, e sente-se corajoso.

O Dr. Esteves não é racista, mas compreende que a imigração é um fenómeno a ser disciplinado. O Dr. Esteves não entende para que servem os estádios de futebol e o TGV. O Dr. Esteves acha que os políticos deviam ganhar menos.

O Dr. Esteves sente-se roubado pelos bancos. O Dr. Esteves sente o seu emprego ameaçado.

Um dia, ele enche-se de coragem e pensa.: “É meu dever cívico deixar um país melhor aos meus filhos. Vou meter-me na política”.

Então convence os amigos dos jantares a formar um partido. Um deles faz um logótipo simples, que é para poupar na impressão dos panfletos. Um outro, mais dextro no português escreve. “Há que dizer as verdades, expor as roubalheiras.” Contudo, na parte programática, claudica - Liberalismo económico, nacional socialismo, democracia-cristã, monarquia – todos estes nomes são “direita” mas como posicionar-se? Como conceber um modelo de Estado? Ele sabe que é de direita e que quer acabar com as poucas-vergonhas, mas as aulas de História no liceu já vão longe, e mesmo assim não ensinaram grande coisa.

A coisa sai complicada mas acutilante.

Para espanto dos novos políticos (ou talvez não) o resultado prático não é muito animador. O eleitorado passou ao lado das revelações do Dr. Esteves e dos seus amigos. Mas eles não desistem – afinal dizem a verdade e a verdade é como o azeite – vem sempre ao de cima.

O Dr. Esteves todas as semanas tinha uma sociedade para jogar no Euromilhões e por sorte, ou desígnio divino, saíu-lhe. Para desagrado da família, resolve investir a fortuna na recém-iniciada actividade partidária. Ombreando com os barões da droga e da construção civil, ele faz uma nova campanha eleitoral ao mais alto nível. Contrata um consultor de imagem brasileiro, um maquilhador homossexual e uma tribo de fotógrafos e camaramens. As ruas enchem-se de cartazes a abraçar criancinhas. A sua veia filantrópica aparece em documentários. Há um clima messiânico no ar. É ele que vai endireitar o país. Qual Salazar, qual quê?! Vota Esteves.

E o eleitorado vota. E o Dr. Esteves é eleito. Forma governo. Os amigos dos jantares são agora ministros. Como governar?

Os gabinetes dos seus ministérios estão cheios de inúteis, militantes do PS e do PSD, que foram recebendo os seus cargos como recompensa pelo voto nos últimos trinta anos. Fazem-lhe frente. Cada ordem é recebida ou com excesso de zelo ou com uma greve de braços caídos. O Dr. Esteves não consegue ver executada uma única decisão daquelas que considerava lapidares. O povo chama-lhe hipócrita. Ele concebe uma reforma na administração pública, mas o Orçamento do Estado não permite as indemnizações e reformas que iriam derivar de despedimentos em massa. Fica tudo na mesma.

O Dr. Esteves persiste, mas compreende que sem fronteiras não pode controlar a imigração nem as importações. As empresas pedem-lhe socorro, mas a Europa é inflexível. O Dr. Esteves vê então que não pode gerir a agricultura, nem as pescas, nem a indústria, nem sequer ajudar o restaurante onde jantava com os amigos a ver-se livre de regras estúpidas.

O Dr. Esteves desiste. Tenta reaver o dinheiro que investiu na campanha, num negócio com os chineses. Afinal, ninguém parece querer saber.

Moral da história. Oposição é algo muito diferente do Dr. Esteves.

Compreender o fracasso do Dr. Esteves

É bom imaginar o percurso do Dr. Esteves. Desta forma não teremos de despender energias em vivê-lo, e podemos usá-las de forma mais benéfica para todos.

Porquê então o seu fracasso? Uma resposta precipitada seria: “Porque não o deixaram fazer o que ele queria.” Até certo ponto é verdade, mas vista a coisa de forma mais séria, a culpa está no coração do Dr. Esteves.

Como assim?

Há uma contradição de base no nosso Dr. Esteves. Ele é católico e defende a verdade. Mas no processo, serve-se de um regime partidário que assenta num conjunto de mentiras.

1. No regime que atravessamos, poucos são os partidos em que a ideologia corresponde à nomenclatura. O marxismo já não faz parte do programa do PS. Bloco de Esquerda é uma designação ambígua e imprecisa: À esquerda de quê? O nacional socialismo é uma esquerda, comparada com o capitalismo liberal. Será o Bloco um Nacional Socialismo? A Social Democracia é incompatível com a crise económica. Se não há empresas saudáveis a quem cobrar, como fazer uma política social? O Partido Popular é tudo menos popular. Sendo o mais à direita com representação parlamentar, poderia facilmente trocar de nome com a UDP que, se tivesse representação, seria um dos mais à esquerda. Criar um partido neste regime, é mentir e participar numa mentira colectiva .

2. A forma como é conduzido o financiamento dos partidos, obscura q.b., é um acréscimo nessa mesma mentira. Só um hipotético Euromilhões traria honestidade ao financiamento duma campanha eleitoral. Slogans como “Uma Europa forte” não dizem rigorosamente nada sobre que modelo económico é defendido para a dita. Interessa apenas a criação de uma imagem – a possibilidade de cada eleitor mentir a si próprio sobre as suas expectativas europeias.

O Dr. Esteves andou perdido entre as ideologias como quem se perde numa loja de sapatos. Ele queria decisões pragmáticas sem um alicerce ideológico, ou melhor ainda, sem um alicerce moral! O Capitalismo, como é sabido, parte duma base moral judaico-protestante, os socialismos assentam numa base mística maçónica com aparência ateia ou agnóstica, e finalmente existe uma reminiscência do modelo de sociedade orgânica cristã primitiva nas concepções monárquicas. Sendo formalmente católico, o Dr. Esteves não conseguiu fazer a ponte entre a sua Igreja e a sua concepção de Estado.

Quem disse que ser democrata é ser adepto de um regime partidarizado? Quem acha que a organização em partidos de aparência ideológica, mas com base no clientelismo, é a melhor forma de representatividade dos cidadãos?

Resumindo, o grande problema do Dr. Esteves foi a falta de estruturação da sua identidade. Acabou assim por assumir a identidade dos que o rodeavam.

Oposição e identidade

Um Dr. Esteves esclarecido estaria familiarizado com a Doutrina Social da Igreja, e assim não teria de diambolar pelas ideologias dos vizinhos. Compreenderia, através das Escrituras e da Patrística, que uma sociedade não é nem deve ser dividida em classes, segundo o rendimento económico, (e assim todas as definições “populares” acabam sendo falaciosas) mas sim segundo afinidades familiares, laços de fidelidade pessoal, em grupos não de iguais mas de diferentes – na capacidade, na missão e na recompensa.

Compreenderia que esses grupos, diferentes entre eles, mas cooperando entre si nos objectivos, teriam uma representatividade, não atomista e individual, mas orgânica e corporativa. Compreenderia que num sistema de representatividade verdadeiramente democrático, não pode estar em causa a escolha dum modelo de Estado, mas sim, dentro de um modelo de Estado consensual, a tomada de decisões que afectam este ou aquele grupo social.

Compreenderia que a acumulação de tesouros na Terra é destrutiva – é autodestrutiva - e promoveria uma ordem de valores em que a oração e a contemplação sejam tidos como o maior bem.

Finalmente, tentaria preservar o seu país do modelo político e económico oriundo duma Europa que não partilha dos seus valores.

Como?

Depois dessa identidade estruturada, de duas maneiras fundamentais:

Exibindo-a, divulgando-a – no círculo familiar, nos seus jantares entre amigos, em cada contacto pessoal. Associando-se com os que pensam da mesma forma, procurando os pontos em comum que estejam acima de todos os movimentos e associações.

Dando o exemplo na recusa do cumprimento de normas prejudiciais quer a si próprio, na sua integridade cristã, quer ao seu país tido como uma comunidade de cristãos – a não cooperação com este modelo de Estado é a forma mais corajosa e mais eficaz para o derrube do regime que nos desagrada.

quinta-feira, junho 11, 2009

Balanço das eleições europeias

1º) Primeiro, as sondagens: é triste constatar a colaboração cúmplice da Universidade Católica Portuguesa com o poder político socialista na gigantesca tentativa de manipulação do eleitorado em que estas pesquisas da opinião pública se transformaram no nosso País, e através das quais se pretende influenciar a orientação de voto daquele eleitorado no sentido almejado pelo referido poder. É deveras lamentável que uma instituição da Igreja se preste a fazer figura tão pouco airosa, contribuindo assim para a total desacreditação das sondagens em Portugal, hoje em dia, meras armas de propaganda política sem qualquer seriedade ou credibilidade científica.

2º) Dos vinte e dois lugares parlamentares em disputa, vinte foram conquistados por forças políticas (PSD, PS, BE e PCP) que apoiam declarada ou envergonhadamente o aborto e o emparelhamento de homossexuais; os dois partidos mais votados (PSD e PS) sufragam também - sem quaisquer distinções entre ambos - o federalismo maçónico anticristão negador das soberanias nacionais e a islamização forçada da Europa mediante a integração da Turquia na União.

Creio que não é possível compreender estes resultados desastrosos, se não se tiver em conta a renúncia do actual episcopado português a exercer qualquer magistério público, bem como a sua omissão ao não haver lembrado aos fiéis o grave dever que estes têm de não votar em forças políticas cujas posições ideológicas contradigam os princípios basilares da fé e moral católicas. No fundo, bastava que os bispos lusitanos tivessem acatado os ensinamentos da "Nota doutrinal sobre algumas questões relativas ao empenhamento e comportamento dos católicos na vida política", aprovada pelo Papa João Paulo II, em 2002, coisa que não fizeram.

3º) Também pelo supra exposto, é especialmente perturbador o grande avanço eleitoral da extrema-esquerda em Portugal, sinal notório de um evidente terceiro-mundismo mental reinante entre nós, o qual não tem paralelo em qualquer outro país europeu, ocidental e civilizado. Como entender esta situação?

Antes de mais, boa parte do corrente eleitorado da extrema-esquerda (BE) é composto por jovens entre os dezoito e vinte cinco anos de idade que não conheceram os efeitos do comunismo real na Europa, ou ao menos não têm dele uma recordação nítida, o que lhes permite votar despreocupadamente numa força política que, sob uma capa de defensora irreverente de todas as causas pós-modernas, continua a ser apologista dos pressupostos doutrinários da tirania marxista-leninista.

De seguida, estes resultados são também o fruto consumado da guerra cultural de cariz gramsciano que a extrema-esquerda tem conduzido no último quarto de século contra os valores fundamentais da civilização cristã e ocidental, por intermédio do seu domínio cada vez mais intenso do aparelho educativo - o Ministério da Educação é um autêntico Ministério da Reforma Psicológica -, bem como dos meios de comunicação social ditos de referência, e que mais não são do que autênticos órgãos de propaganda política. Deste modo, a nova geração de eleitores é a primeira inteiramente formatada sob os referidos esquemas mentais gramscianos, constituindo a sua aparição um importantíssimo triunfo para os autores de tal guerra cultural. Ora, se tivermos em conta que, ao menos internamente, estes autores não tiveram qualquer oposição séria e que o episcopado português se recusa a travar com firmeza o combate contra este estado de coisas que lhe incumbiria, começa a não ser tão difícil perceber a situação corrente.

Por último, mas não menos importante, deve também ser considerado o voto de protesto deste eleitorado na extrema-esquerda. Voto contra a injusta ordem económica que Portugal vive, onde um governo pomposamente apelidado de socialista mas sem preocupações sociais, despreza absolutamente a dignidade do trabalho e dos trabalhadores, reduzindo-os a meros factores económicos de produção. A não inverter-se este padrão de uma geração inteira sem horizontes, explorada pelo trabalho temporário e a auferir um salário médio de seiscentos euros por mês (quando o aufere…), a extrema-esquerda continuará a galgar terreno, podendo até tornar-se poder, o que seria tenebroso. Assim, também no campo económico e social urge instaurar uma ordem autenticamente cristã, nele fazer reinar Cristo, e abandonar a usura, agiotagem e ganância próprias de um plutocracismo decadente.

4º) Finalmente, os resultados das eleições para o parlamento europeu antevêem que Portugal está a chegar ao fim de um ciclo político. No próximo mês de Outubro, depois de quatro anos de governação ruinosa, José Sócrates (PS) deverá deixar de ser o chefe de governo português, substituído nessas funções por Manuela Ferreira Leite (PSD). Os portugueses despedir-se-ão de um engenheiro que frequentava as reuniões do Clube de Bilderberg e que nunca contou o que por lá acontece, e darão as boas vindas a uma economista que participa nos encontros do Clube de Bilderberg e que jamais relatou o que por lá sucede. Como são belas a alternância e a transparência democráticas!