PORTUGAL
Domingo, Julho 04, 2004
Sábado, Julho 03, 2004
A questão identitária e o catolicismo tradicional
Tendo assistido à polémica que se gerou no blogue do Corcunda sobre a questão identitária, e conforme já havia prometido aos meus leitores, passo a analisar aquela na perspectiva que este espaço sufraga, isto é, a católica tradicional. Irei por pontos:
a) Não é possível alguém afirmar-se defensor da identidade nacional e simultaneamente ter a veleidade de erradicar dessa mesma matriz identitária o Catolicismo. Portugal fez-se com e pela religião católica, e foi grande enquanto soube respeitar e venerar os valores desta, levando-a a todos os cantos do mundo. Nenhum dos mentores de qualquer uma das principais correntes nacionalistas portuguesas jamais alvitrou o absurdo de idealizar Portugal sem o Catolicismo, chamasse-se ele Oliveira Salazar, António Sardinha ou Rolão Preto;
b) É deplorável que certos sectores nacionalistas, evidenciando leituras apressadas que vão desde Nietzsche a Alain de Benoist, passando por Houston Stewart Chamberlain, Alfred Rosenberg e até por Revilo Oliver, não hesitem em intitular o Cristianismo de "bolchevismo da antiguidade", importando para o nosso País questiúnculas que lhe são estranhas, e que foram em França um dos principais factores da cisão verificada entre a F.N. e o M.N.R., e, por outro lado, alinhem como aliados tácitos da extrema-esquerda na guerra cultural que esta move ao Cristianismo, compartilhando com aquela corrente ideológica a ideia aberrante de que este não faz parte da herança cultural europeia;
c) Os que falam em "bolchevismo da antiguidade" caem no mesmo erro dos defensores das heresias protestante e modernista: as Sagradas Escrituras só são susceptíveis de ser compreendidas e interpretadas à luz da tradição, ou seja, do magistério permanente, constante, ininterrupto e duas vezes bimilenar da Igreja e não fora dele. Qualquer percepção que se tenha a partir da leitura das Sagradas Escrituras que contradiga o ensinamento eclesial, pura e simplesmente, está errada;
d) A Igreja não só jamais defendeu o igualitarismo e o comunismo como até o condenou e condena formal e expressamente - Pio XI denominou-o de intrinsecamente perverso. Em termos cristãos, como explicava o grande Papa São Pio X, os homens só são iguais entre si nestes factos - todos são criados por Deus; todos foram redimidos e resgatados pelo seu sacrifício na Cruz; todos serão por Ele julgados no fim do mundo e por Ele premiados ou punidos em função da sua fé e obras realizadas; mas nada mais;
e) A Igreja não nega, não se opõe, nem condena as diferenças de condição existentes entre os homens e no seu ensino sustenta que estes são explicitamente desiguais no seu esforço, na sua vontade, na sua vocação e, como tal, na sua condição social e riqueza - a este propósito, ver a "Rerum Novarum", de Leão XIII;
f) A Igreja também sufraga a ideia, mediante a interpretação que faz do quarto mandamento do Decálogo, de que a pátria é um dos legítimos superiores do cristão, e que este se encontra obrigado a honrá-la. No seguimento desta doutrina, São Tomás de Aquino explica que tal pátria é uma extensão da família, e que os compatriotas do cristão são consequentemente também seus familiares, recaindo por isso sobre este último o dever de zelar pela salvaguarda e integridade daquela primeira - ver Suma Teológica, II - II, Questão 101, Artigo 1.
Todo este ensinamento é magistralmente resumido neste trecho da Encíclica "Summi Pontificatus", de 1939, da autoria do Papa Pio XII, que passo a citar:
"Não se deve recear que a consciência da fraternidade universal, fomentada pela doutrina cristã, e o sentimento que ela inspira estejam em contraste com o amor às tradições e glórias da própria pátria, ou impeçam que se promovam a prosperidade e os interesses legítimos, porquanto essa mesma doutrina ensina que existe uma ordem estabelecida por Deus no exercício da caridade, segundo a qual se deve amar mais intensamente e auxiliar de preferência os que estão a nós unidos com vínculos especiais. E o Divino Mestre deu também exemplo dessa preferência pela sua pátria, chorando sobre as ruínas da Cidade Santa. Mas o legítimo e justo amor à própria pátria não deve excluir a universalidade da caridade que faz considerar também aos outros a sua prosperidade, na luz pacificadora do amor";
g) Deste trecho de São Pio XII alcançam-se, de imediato, duas conclusões essenciais: 1ª) Num plano individual, por atentatória à dignidade fundamental do ser humano, a Igreja não pode deixar de condenar a segregação, a humilhação e a menorização de qualquer homem com base unicamente na sua raça, realidade cuja existência, porém, ela não nega; 2ª) Outrossim, se a Igreja condena a segregação racial, nem por isso tal faz dela, num plano colectivo, apologista da integração forçada, muito pelo contrário: o universalismo espiritual cristão, de que os portugueses foram exemplares praticantes ao longo da História, nada tem a ver com o internacionalismo igualitarista, crassamente materialista, de matriz jacobina e apátrida; nenhum cristão, para o ser, necessita de alinhar em utopias que pretendem reconstituir a unidade original da humanidade existente previamente ao desastre de Babel;
h) Desnecessário igualmente dizer que ninguém se torna anticristão por se opor às políticas de imigração sem controlo que o Ocidente actualmente sofre, as quais são defendidas pelos lóbis mundialistas com o fito de provocar a supra referida integração forçada e dissolver as pátrias, que os cristãos têm o dever de honrar, num magma cosmopolita. Amar o próximo como a nós mesmos é fazermos ao próximo aquilo que gostamos que nos façam; não é deixarmos o próximo fazer-nos aquilo que não gostamos ou que nunca lhe faríamos. Como remate final, acrescente-se ainda que, no seu "Comentário à Política de Aristóteles", São Tomás de Aquino indubitavelmente critica o que hoje chamaríamos de sociedade multicultural;
i) Sem prejuízo de tudo o que disse, recordo que o homem não está neste mundo para idolatrar a raça e a pátria, mas para adorar a Deus e salvar sua alma para toda a eternidade.
Sobre esta matéria, a título complementar, sugiro a leitura destes dois textos, ambos de orientação católica tradicional: o primeiro, do excelente sítio norte-americano "Seattle Catholic"; o segundo, do sítio da SSPX - África do Sul.
Publicada por JSarto em Sábado, Julho 03, 2004 |
Quinta-feira, Julho 01, 2004
Crise partidocrática
A crise política dos últimos dias tem tido, pelo menos, a grande virtude de demonstrar à saciedade a pura nocividade do sistema partidocrático, mais do que todos os defeitos que a este possam ser assacados. Entre a ambição pessoal desmesurada de quem se olvidou dos compromissos que contraiu perante a Nação, a mesquinhez ressentida e ressabiada daqueles que jamais viram à sua frente outra coisa que não o próprio umbigo, e a irresponsabilidade de outros ainda que nunca hesitaram em colocar os seus mesquinhos e imediatos interesses políticos acima do bem-estar a médio e longo termo do País, é toda uma parafernália de criaturas abjectas em desfile que só pode provocar uma profunda repulsa a qualquer pessoa bem formada que se veja forçada a contemplar tão triste espectáculo, qual bacanal de percevejos numa enxerga podre, como diria o velho Guerra Junqueiro.
Portugal precisa de quem o sirva, e não de quem dele se serve; necessita de quem saiba que os superiores interesses nacionais precedem sempre o frio e cínico calculismo partidocrático; em suma, carece do regresso aos valores fundamentais que sempre orientaram o seu ser, sintetizados pela divisa Deus, Pátria, Rei!
Publicada por JSarto em Quinta-feira, Julho 01, 2004 |
Terça-feira, Junho 29, 2004
Canto para a Espanha Desejada (Poemas da Guerra de Espanha - III)
Continuando a publicação da poesia nacionalista da Guerra Civil de Espanha, deixo hoje neste espaço o belíssimo "Canto para a Espanha Desejada", de Miguel Martínez del Cerro, na versão portuguesa de António Manuel Couto Viana:
Quero uma Espanha igual àquela Espanha
duzentos anos já adormecida…
Uma Espanha perfeita e generosa, a soma
de constantes trabalhos e supremas conquistas.
Uma Espanha, como ela, fecunda e benfeitora
E, como ela, odiada e combatida;
feita de sonhos de virtude e amores
e de rigor de esforço e disciplina…
Ó capitães da Flandres, marujos de Lepanto,
Ó missionários, ó heróis das Ìndias,
professores de Alcalá e Salamanca,
pintores e escultores de Sevilha…!
Teólogos de Trento, artesãos do Escurial,
poetas que cantais o Deus Eucaristia,
ó santos que sentistes e ensinastes
as altas leis interiores da mística…!
Todos vós que gozastes daquele afã eterno,
todos vós que sentistes aquela inquieta vida,
dai-nos vossas espadas e claras penas,
vossa fé, vosso esforço, vossas rimas.
E vinde ter connosco, no afã do combate,
Sentir a nossa empresa e gozar nosso dia…!
Publicada por JSarto em Terça-feira, Junho 29, 2004 |
Sábado, Junho 26, 2004
Futebol e Patriot(eir)ismo
Embora jamais tenha falado neste espaço de futebol, e as minhas intervenções sobre esse assunto na blogosfera se hajam cingido a umas míseras observações nas caixas de comentários de alguns blogues amigos, a verdade é que sempre apreciei tal jogo, nunca deixando de seguir os seus principais eventos nacionais e internacionais - e, como tal, também o corrente Euro 2004 -, ainda que a maior parte das vezes de forma pouco mais do que discreta, passando-se mesmo anos a fio sem que ponha os pés num estádio. Este meu desânimo com o pontapé na bola, qual microcosmos do mundo actual, decorre da notória degradação que a modernidade lhe veio trazer, introduzindo nele o espírito de mercenarismo, corrupção, imoralidade e escândalo tão típico de uma realidade crassamente materialista onde o dinheiro - Mammon - é rei e senhor incontestado. Apesar disso, por o futebol ter um qualquer resquício de beleza mágica que me continua a atrair, tenho conseguido evitar um corte total de relações com ele, não podendo por isso deixar de manifestar a minha satisfação com a vitória obtida pela selecção nacional portuguesa contra a Inglaterra, num jogo cujo desenrolar, paradoxalmente, só me recordou uma afirmação ouvida a Wellington no rescaldo da batalha de Waterloo: mais terrível do que a vitória, apenas a derrota.
Posto isto, se calhar surpreendendo alguns dos meus benévolos leitores, acrescento que a onda de patriotismo - melhor dizendo, de patrioteirismo - inócuo que correntemente varre Portugal pouco ou nada me diz. Fenómeno em não despicienda parcela artificial, resultante do condicionamento exercido pelos meios de comunicação social sobre multidões acéfalas, incapazes de reflexão introspectiva e, portanto, facilmente manipuláveis, provocado com a anuência de um sistema a quem este tipo de patriotismo não põe minimamente em causa, qual "pão e circo" dos antigos romanos, esta euforia lusófila alimentada a litradas de cerveja visa alienar o vulgo das questões que qualquer verdadeiro patriota não pode deixar de colocar no presente relativamente ao destino futuro de Portugal, mormente quanto à dissolução do País no magma federalista da União Europeia, uma das antecâmaras da Nova Ordem tão desejada pelos lóbis mundialistas inimigos das pátrias-nações, e quanto à descaracterização identitária da nação portuguesa.
Em suma, sem me alongar mais, desejo sinceramente que Portugal vença o Euro-2004, mas não contem comigo para desempenhar o papel de idiota útil em histerias colectivas, ou por outra, que o futebol me faça perder a noção das proporções das coisas.
Publicada por JSarto em Sábado, Junho 26, 2004 |
Quinta-feira, Junho 24, 2004
O Corcunda
Mas quem é este Corcunda e por que motivo não se deu a conhecer há mais tempo?... Já está na coluna dos recomendáveis, e embora não sufrague tudo aquilo que ele escreve, tem artigos de elevadíssimo nível e interesse.
Publicada por JSarto em Quinta-feira, Junho 24, 2004 |
Suspiro na Noite em Guerra (Poemas da Guerra de Espanha - II)
Conforme o prometido a este amigo, e atendendo ao excelente recebimento que teve a publicação do "Romance de Onésimo Redondo", prossegue-se com a divulgação da poesia nacionalista da Guerra Civil de Espanha, apresentando-se "Suspiro na Noite em Guerra", da autoria de Frederico Urrutia, com tradução portuguesa de António Manuel Couto Viana:
Assomada ao parapeito
a noite morre de frio.
Há labirintos de chumbo
pelo ar e pelo rio,
a Morte vai desmaiada
plos campos adormecidos
- Rumores de sangue e de fogo
dão às árvores arrepios -,
vem do silêncio da aldeia
o ladrar dos cães vadios.
Roncam roncos os canhões
com as bocas enlutadas.
E nos campos de papoilas,
entre espigas mutiladas,
bailam e beijam os mortos
estrelas despenteadas.
Borda camisas azuis
- metralha e loiros - a Guerra,
enquanto dormem soldados
enlaçados com a terra.
Salmo de almas em vigília;
Cantigas que o vento leva:
"… Ó Mãe, voltarei cantando,
Mãe, não chores mais, espera.
As flechas desta camisa
serão prà tua bandeira…".
Areia presa defende
os que dormem céu aberto.
De espanto secos, os montes
abraçam a sentinela.
Crânios mongólicos temem
A manhã que já se acerca,
sobre tanques desventrados
nos altos picos da serra.
Este é o último suspiro
Ao pé de um choupo que treme:
"… Ó Mãe, voltarei cantando,
Mãe, não chores mais, espera.
As flechas desta camisa
serão prà tua bandeira…".
Fogem, lívidas as sombras
que navegam pelo rio.
E a noite, cega e louca,
morre de sono e de frio.
Publicada por JSarto em Quinta-feira, Junho 24, 2004 |
Quarta-feira, Junho 23, 2004
Santo Agostinho e o Império Romano
Entre outras leituras a que este escriba se tem dedicado ultimamente, inclui-se o livro do autor norte-americano H. W. Crocker III, um católico de tendência tradicionalista e politicamente libertário, que escreveu uma magnífica História da Igreja intitulada "Triumph - The Power and the Glory of the Catholic Church", onde, em pouco mais de quatrocentas páginas, examina dois mil anos de História Eclesial. Não permitindo o tamanho da obra em questão a análise aprofundada que um espaço temporal tão dilatado em princípio exigiria, nem por isso H. W. Crocker III deixa de dar uma panorâmica global sobre o seu assunto de trabalho, e sempre de uma forma extremamente dinâmica, viva e sucinta, poupando o leitor a pormenores áridos que trivialmente povoam outros trabalhos deste género. Como ponto suplementar de interesse, aquele autor recusa completamente a má consciência modernista, fazendo jus aos seus pergaminhos tradicionalistas: afinal, quem mais concluiria o seu trabalho com a Oração a São Miguel Arcanjo?...
Do livro em apreço, deixa-se aqui hoje uma passagem sobre Santo Agostinho e o Império Romano. Segue o texto original em inglês, com reflexões que são de sempre:
"The victories against the heretics proved Augustine's energy and rhetorical vigor and also provided the spark for many of his books defining various aspects of the faith. But in addition to his personal confessions, his polemics, and his encyclopedic theological writings, Augustine was called to speak out on history, to explain to Christians why the very Roman civilization they had conquered and transformed from within was now divided and being torn to shreds by the wild tribes of Germany. Were men like Julian the Apostate right? Had the old gods of Rome been the city's and the empire's protectors? Had turmoil struck because the Romans turned their backs on their ancestral gods? It seemed a compelling argument, one that was picked up by Gibbon thirteen hundred years later. But Agustine said no. His massive treatise "The City of God" argued that Rome was not punished because she was Christian, but because she had failed to right herself from a course of sin. One of the most imnportant points Augustine made, which would reverberate down the history of Catholicism, was to cite the elements of Christian virtue in pre-Christian Rome. Augustine praised Rome's noble, pre-Christian Stoic philosophers. He condemned the corruption of the quasi-Christian empire. There was no comparision between the gallant legions of Trajan and the moral and physical weaklings with wich Stilicho had to make do. God, said Augustine, had recognized pagan Rome's virtues and rewarded her.
This teaching - that Christians could learn from pagan Rome, from the Stoics and other virtuous Romans - ensured that Catholicism never narrowed itself intellectually, the way Protestantism later did by relying on the Bible and faith alone, never denied history or history's complexity or its relevance to the faith, never repudiated the wisdom and the talents of the ancients, never limited Christian salvation, as in the theology of Luther and Calvin. Here are the seeds of the high Middle Ages - of Dante touring the afterlife with the Roman poet Virgil, a virtuous pagan - and of the Renaissance.
Of course Augustine's praise for pre-Christian Rome had its limits. The pagan gods, being false, far from helping Rome, accelerated its fall. Paganism sowed sexual immorality and rampant license; it removed checks from every desire and subverted the Stoic virtues that had made Rome great. Christianity, had it been truly held by the people, could have reinforced the sources of Roman greatness by stiffening Roman morality. As for God's judgment,look, said Augustine, at how the barbarians did not single out Christians for destruction or leveled churches; but they were unforgiving with symbols of paganism.
Beyond this empirical observation, Augustine added a philosophical one that became another keynote of catholic thinking: A Christian's ultimate faith cannot be in the City of Man, no matter how mighty its fortunes, for all that is built on dust will return to dust. A Christian's ultimate home is in the City of God, and that is where he should seek his salvation.
Augustine's trust in God was exemplified beyond the printed page, beyond his loyalty to his vows, to the spear point of Vandal invasion of North Africa. It was Augustine who, recognizing the danger of his times, developed the Catholic theory of just war. He knew that, unlike the Visigoths who sacked Rome, the Vandals spared no one and nothing. As they lay siege to his city - a siege that would last eighteen months - Bishop Augustine used his rhetorical skills to rally his starving people and maintain the morale of refugees who had sought sanctuary within the walls of his city. He died three months into the siege, at the age of seventy-six. Hippo, his city of man, was annihilated".
Publicada por JSarto em Quarta-feira, Junho 23, 2004 |
Domingo, Junho 20, 2004
Más sobre educación y otros asuntos
Uno de los aspectos que más me maravilla de los Estados Unidos es su pésima educación secundaria. Cáncer, por lo demás, que se está extendiendo al College, que en aquellas latitudes confiere un grado inferior a la Licenciatura y requisito previo a la obtención del Master y PhD, estos dos últimos ya ubicados en la Universidad. De igual modo que el Imperio Americano sigue formando excelentes profesionales en prácticamente todas las áreas y la capacidad científica y técnica de los americanos esta fuera de toda duda, tengo mis reservas con respecto a su formación como personas.
En mi último viaje allá tuve bastante contacto con adolescentes norteamericanos. Aparte de lo fragmentario y disperso de su educación me impresionó la flojedad que acusaban en las disciplinas humanísticas. Más aún, en mi interacción con ellos descubrí con horror que su atención es tan corta, ¡y a veces más!, como la de sus contemporáneos españoles, ya de por sí patética. El otro dato preocupante fue constatar su incapacidad para postponer cualquier tipo de gratificación. La cultura del “I want it, and I want it right here and right now” permea todo.
Se supone que la educación es, a decir de Aristóteles, la forja de la virtud por encima de todo. Carentes –ignorantes más bien- de virtud, debilitados por el pansexualismo rampante, incapaces de contenerse y azuzados por una publicidad omnipresente se convierten en presa fácil del consumismo. Es más, la educación hoy día es el triunfo de las perversas ideas de John Dewey: educación para la ingeniería social cuya traducción más evidente es la de educar para consumir compulsivamente. Añádase a esto que el crédito, introducido a edades tempranísimas en las vidas de los jóvenes useños, permite el cumplimiento de ese sueño de permanente compraventa. Una vez que los norteamericanos muerden el polvo de sus apetitos y concupiscencias materiales y que se echan la soga al cuello del crédito su nivel de libertad decrece rápidamente. En medio del espejismo de bienestar del consumismo feroz la prueba de la pauperización de la sociedad norteamericana es que cada vez menos americanos poseen más patrimonio. Exactamente concordante con la definición de proletario propuesta por Hilaire Belloc: el que no puede crear patrimonio por sí mismo.
Frente a esta educación dispersa e incoherente la Iglesia Católica ha ofrecido siempre su milenaria receta del Trivium y el Quadrivium. En el Trivium la progresión coherente que parte de la gramática como comprensión de la propia lengua, se continua por la lógica que permite la elevación de la potencia racional al más excelso plano de la mente, y se corona por la retórica en su búsqueda de la belleza y de la comunicación reflejan un orden y una armonía que tienen que ver con el Cielo versus la cacofonía de la dispersa y fragmentaria educación moderna. Frente a esas llamadas al mundo y a la carne, a la que la juventud es tan dada, la Iglesia ha propuesto siempre las virtudes de la pobreza y la pureza, sabiamente aderezadas por la prudencia.
El error está en confundir educación con conocimiento, en vez de sabiduría. “Wisdom, and not knowledge”, exclamaba el poeta angloamericano TS Eliot en Four Quartets. El error está en proponer la capacitación técnica por encima de la virtud. El error está en el mayúsculo desprecio no ya de la Teología Católica, en la que hasta un agnóstico socialista francés como Jaurres quiso educar a sus hijas, sino en el desprecio olímpico de 2500 años de filosofía, especialmente la griega y medieval, que la Iglesia Católica –muy helenizada- siempre ha defendido con rigor y con pasión.
El hombre nuevo generado por semejante concepción educativa moderna es una piltrafa de persona, pero pertenece al género manipulable y moldeable: el sueño del político tiránico y manipulador.
La resistencia hoy día al mal, al poder estatal y plutócrata, a la inopia y a la vida materialista, crapulosa y disipada está en ser morigerado y practicar todas las virtudes que en el mundo han sido. Está en añadir antídotos a la pésima formación en las escuelas españolas o americanas, o cualesquiera otras que no den la talla. Está en educarnos y educar en clave clásica. Por cultivar lo griego, lo romano y lo cristiano, verdaderos pilares de nuestra civilización. Y por transmitir la pasión por las humanidades, con amor a la verdad –que no puede ser sino solo una-, con amor a la sabiduría, con amor a Cristo.
Rafael Castela Santos
Publicada por JSarto em Domingo, Junho 20, 2004 |
Sábado, Junho 19, 2004
O Sagrado Coração de Jesus
Em boa hora o Valete Fratres veio aludir à comemoração da Festa do Sagrado Coração de Jesus, o que nos recorda, de imediato, que o mês de Junho é precisamente dedicado a esse Sagrado Coração.
Seguindo de perto a magnífica obra recém-publicada pela Livraria Civilização, intitulada "Santa Margarida Maria e a devoção em Portugal ao Sagrado Coração de Jesus", da autoria de António Carlos Azeredo, relembremos o seguinte:
"O Sagrado Coração de Jesus só gradualmente chegou a ser objecto de um culto especial. No entanto, tal culto nunca esteve completamente ausente da piedade dos fiéis, nem podia estar, já que teve a sua origem na própria Revelação divina. Com efeito, é nos textos da Sagrada Escritura, na Tradição e na Sagrada Liturgia que se encontram os fundamentos desta antiquíssima devoção.
Ensina Pio XII na Encíclica "Haurietis Aquas" que esta devoção consiste no culto ao amor divino e humano do Verbo encarnado, amor com que Deus nos amou, por meio de Cristo, mas também consiste na prática do nosso amor para com Deus e para com o próximo. Acrescenta ainda o mesmo Pontífice, que o admirável desenvolvimento desta devoção ao longo da História da Igreja "se deve principalmente ao facto de ser ela em tudo conforme com a índole da religião cristã, que é a religião do amor".
(…)
Por conseguinte (…) não se pode dizer nem que este culto deve a sua origem a revelações privadas, nem que apareceu de improviso na Igreja, mas sim que brotou espontaneamente da fé viva, da piedade fervorosa das almas predilectas para com a pessoa adorável do Redentor e para com aquelas suas gloriosas feridas, testemunhos do seu amor imenso que intimamente comovem os corações. Evidente é, portanto, que as revelações com que foi favorecida Santa Margarida Maria não acrescentaram nada de novo à doutrina católica. A importância delas consiste em que - ao mostrar o Senhor o seu Coração sacratíssimo - de modo extraordinário e singular quis atrair a consideração dos homens para a contemplação e a veneração do amor misericordioso de Deus para com o género humano. De facto, mediante manifestação tão excepcional, Jesus Cristo expressamente e repetidas vezes indicou o seu Coração como símbolo com que estimular os homens ao conhecimento e à estima do seu amor; e ao mesmo tempo constitui-o sinal e penhor de misericórdia e de graça para as necessidades da Igreja nos tempos modernos".
São as seguintes as promessas que Cristo prometeu conceder a todos os devotos do seu Sagrado Coração:
1ª) Darei aos devotos do meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado.
2ª) Estabelecerei e conservarei a paz nas suas famílias.
3ª) Consolá-los-ei em todas as aflições.
4ª) Serei o seu refúgio seguro na vida e, principalmente, na hora da morte.
5ª) Abençoarei abundantemente todos os seus trabalhos e empreendimentos.
6ª) Os pecadores encontrarão no meu Coração uma fonte inesgotável de misericórdias.
7ª) As almas tíbias tornar-se-ão fervorosas pela prática desta devoção.
8ª) As almas fervorosas subirão em pouco tempo a uma elevada perfeição.
9ª) A minha bênção permanecerá sobre as casas em que se achar exposta e venerada a imagem do meu Sagrado Coração.
10ª) Darei aos sacerdotes que praticarem especialmente esta devoção o poder de tocar os corações mais empedernidos.
11ª) As pessoas que propagarem esta devoção terão os seus nomes para sempre inscritos no meu Coração.
12ª) A todos os que comungarem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna.
Publicada por JSarto em Sábado, Junho 19, 2004 |
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Romance de Onésimo Redondo
Um dos aspectos não menos interessantes da colectânea "60 Anos de Poesia", de António Manuel Couto Viana, recentemente publicada pela Imprensa Nacional - Casa da Moeda", diz respeito à tradução que esse autor fez para português de poesia nacionalista da guerra civil de Espanha, um tema recorrente neste blogue. Como exemplo, aqui fica o "Romance de Onésimo Redondo", de Augustin de Foxá:
Com Onésimo Redondo
iremos subir à Serra.
Está Castela em perigo
e Valladolid não espera.
Vê-se lá das alturas
Madrid envolta na névoa.
A coluna de Mangada
vem destruindo as Igrejas
e arde nas eiras da aldeia
uma Virgem de madeira.
Carrega a espingarda: avisto
soldados dele entre as penhas!
- Ai, não passes por Labajos,
que ali a morte te espera!
Olha que diz um presságio
que morrerás nessas terras.
Onésimo não faz caso,
no automóvel se senta.
Adeus meu pai, minha mãe,
adeus esposa morena,
irei aos pinos da neve
para cravar cinco flechas!
Já subia pelo monte,
já corria na ladeira,
e estavam os loiros trigos
todos vestidos de festa,
sonhando ser pães honrados,
roscas dos dias solenes,
quando os da F.A.I. o mataram
com um tiro, numa espera.
Não há papoila em Castela
melhor que essa ferida aberta!
Como choravam as árvores
e a água das acéquias,
as colmeias nos penedos
e o redil das ovelhas:
- Ai, que mataram Onésimo!
grita o pastor. E Presente!
respondem todos os campos,
desde Segóvia a Palência.
Vaqueiros do Guadarrama,
nata e aurora das cimeiras,
amigos do Arcipreste,
salineiros de Sigüenza,
ferreiros de Ávila e Burgos,
pastores da grande Meseta,
teólogos de Salamanca
tecedores de Béjar,
camponeses falangistas,
Ferro e Pão numa só peça,
Chorai, que já está Onésimo
envolto numa bandeira.
Publicada por JSarto em Sexta-feira, Junho 18, 2004 |
Quarta-feira, Junho 16, 2004
Liberdade de aprender e ensinar, liberdade de expressão e comunicação social
Inicialmente, este texto visava responder ao último comentário que o nosso amigo Buiça fez ao postal anterior intitulado "El Gas de Atontar la Gente"; todavia, ao escrevê-lo, alongou-se de tal forma que perdeu a natureza de simples resposta a um comentário prévio. Aqui deixo o seu teor:
Caro Buiça, antes de mais, espanta-me que um liberal assuma tal postura e sufrague a educação estatizada. Sinceramente, não esperava essa de si…
Prosseguindo, no que respeita à questão da existência de um sistema público de ensino, o ponto fulcral reside antes em os pais poderem exercer livremente o direito de escolher a escola onde pretendem que os seus filhos sejam educados, sem intromissões totalitárias do Estado, na medida em que a família, como sociedade natural que é, antecede esse mesmo Estado. Desta maneira, não deve ser instituída uma antinomia entre os sistemas privado e público de ensino, destinando-se este último para "pobres" e aquele primeiro para "ricos", mas antes ser criado um sistema de financiamento aos pais mais carenciados, através da figura do cheque-educação, que possibilite a efectivação de uma real liberdade de ensinar e de aprender, a qual passa sobretudo pela livre escolha das escolas onde aqueles desejem que os seus filhos venham a ser formados, independentemente de quaisquer constrangimentos de ordem monetária. Esta é uma excelente ideia de Milton Friedman, já com cerca de trinta anos, que tarda em ser instaurada em Portugal, mau-grado as promessas que a falsa direita tem feito nesse sentido. Da esquerda jacobina, controleira e estatolátra nem vale a pena falar…
No que concerne à existência de uma escola laica - eufemismo que designa a escola ateia, de onde Deus e a Sua Igreja são banidos -, apesar de discordar profundamente da filosofia que lhe preside, nada tenho contra a sua existência, se porventura essa escola se revestir de uma natureza rigorosamente privada: no desempenho da pátria potestade, cabe aos pais determinar se querem que os seus filhos frequentem um estabelecimento de educação orientado por tais moldes doutrinários. Diversa é a pretensão esquerdista em laicizar o sistema público de ensino, pois, sob uma aparência de neutralidade religiosa, não pode o Estado instaurar um sistema prático de ateísmo que ignora a existência da dimensão religiosa no processo educativo, ou seja, se os pais, por falta de alternativas, são compelidos a entregar os filhos ao Estado para que este cuide da sua educação, deve a formação que ele ministra ser integral e contemplar também tal dimensão especificamente religiosa.
Finalmente, no que tange à comunicação social e à sua relação com a liberdade de expressão, ocorre-me uma frase de Fernando Amado, retirada da sua obra "Estrada Real": "Em democracia totalitária a gazeta, nas mãos do capitalista que a financia, descamba em mera indústria e o jornalista em escriba". Assim, insisto na ideia que já deixei plasmada numa resposta a um comentário feito ao artigo anterior, ou seja, a de que a liberdade de expressão é na actualidade um direito altamente restringido, que existe apenas para aqueles que, beneficiando do poder injusto, ilegítimo, ilícito e imoral do dinheiro, têm capacidade para fazer ouvir e impor as suas ideias. Nas sociedades contemporâneas, tanto na Europa como nos EUA, tudo aquilo que esteja em dissonância com a cartilha oficial do pensamento politicamente correcto deixa de existir a nível de comunicação social oficial: onde é possível encontrar nesta as críticas a temas como o multiculturalismo e a imigração a ele adstrita, a homossexualidade ou os poderes ocultos que controlam a política, bem como a defesa da sociedade tradicional ocidental? E na Europa - nesse aspecto, os EUA são modelares - para os recalcitrantes, a legislação restritiva da liberdade de expressão é cada vez mais vasta. Estranhas democracias estas, efectivamente…
Vai-nos valendo de contraponto a revolução tecnológica e cibernética, pelo que, nesse ponto específico, concordo consigo.
Publicada por JSarto em Quarta-feira, Junho 16, 2004 |
Segunda-feira, Junho 14, 2004
El Gas de Atontar la Gente
- Me gusta el truco - dijo Sancho -. Saque el otro, che tirista; pero por favor, si es feo, deje que salgan primero las señoras.
- Apsoluman, pá! - dijo el otro - . El otro es un disloque de engíneria. Se trata de un gas. El Gas de Atontar la Gente - dijo sacando una gran retorta de vidrio llena de um humito verdoso -. Usté suelta este gas y la gente se duerme o se pone fula; y entonces usté hace lo que quiere. Empiezan a ver solamente las cosas lejanas, y ésas, bastante mal; y no ven las cosas que están cerca. A ocuparse de las cosas que no les importa, a discutir cosas que no entienden, a sentir amor y odio por cosas que no distinguen o que simplemente, no existen; y andan por la calle boquiabiertos haciendo un derroche de palabrería: "Viste, che? Qué te parece, che? Quién tiene razón? Quién querés vos que gane? Hay novedad, che? Qué pasará, che?", y se traban en reyertas inverosímiles. Y entretanto usté puede apoderarse de todas sus fortalezas, sus líneas de acero, sus cajas de fierro, sus comandos, sus casas, sus escuelas, sus cátedras, sus canonjías, sus púlpitos, sus comercios y sus premios literarios tranquilamente. Ni se dan cuenta los pobres atontados.
- Cosa bárbara! - dijo Sancho -. Y cómo se fabrica eso?
- Senõr, química orgánica pura. Primero alfabetismo y laicismo, después mucho sentimentalismo pasado, un poco de lujuria si es possible, y un extracto concentradísimo de elixir de diarios de la tarde con un poco de la mañana.
- Tiene olor dulzón que a mí mesmo me gusta - dijo Sancho que estaba oliendo el matraz despacito.
- Gran invento, Majestad! Gran invento! El primer paso fué el hallazgo de la Mentira Periodística Lícita ( o sea Libertad de Prensa) de la cual ya decía su antecesor Cide Hamete:
... Alfín, alfín, palabra de poeta
que mienten todos más que la Gaceta.
Después, se encontró que se podían fabricar en serie, y se hizo la Máquina de Maquinar Mitos (o sea la Propaganda). Ahora ya se destila en forma de gas, y uno al otro los infectados por la máquina se transmiten el tufo y se convierten en productores autónomos de gases. Con estos gases se han capturado infinitos fuertes, se han hundido infinitos buques y se han ganado infinitas batallas en la guerra actual.
- Magnífico! - dijo Sancho...".
Leonardo Castellani, S.J. - El Nuevo Gobierno de Sancho - 1944
Publicada por JSarto em Segunda-feira, Junho 14, 2004 |
Sábado, Junho 12, 2004
As eleições de Domingo
No Domingo, na hora de exercermos a nossa escolha eleitoral, devemos votar unicamente em conformidade com os ditames da consciência e da defesa dos valores que a ela estão adstritos, sem atendermos a quaisquer outras considerações mesquinhamente utilitaristas, para que, perante o implacável tribunal que tal consciência constitui, possamos proclamar: dever cumprido!
Publicada por JSarto em Sábado, Junho 12, 2004 |
Quinta-feira, Junho 10, 2004
10 de Junho - Dia de Portugal
Por influência nefasta do modernismo, mesmo entre certas correntes nacionalistas, difundiu-se erradamente o pressuposto de que o Catolicismo e a da defesa da ideia nacional são realidades incompatíveis. Nada mais falso: o universalismo espiritual cristão não é confundível com um rasteiro internacionalismo materialista, de raiz jacobina e marxista!
Na interpretação do quarto mandamento do Decálogo, a Igreja Católica tradicionalmente defende que a pátria é um dos legítimos superiores do cristão, e que este se encontra obrigado a honrá-la. No seguimento de tal doutrina, São Tomás de Aquino ensina que a pátria é uma extensão da família, e que os compatriotas do cristão são consequentemente também seus familiares, recaindo por isso sobre este último o dever de zelar pela salvaguarda e integridade daquela primeira.
Ora, todo o ensinamento sobre a matéria em apreço é magistralmente resumido no trecho da Encíclica "Summi Pontificatus", de 1939, da autoria do Papa Pio XII, que passo a citar:
"Não se deve recear que a consciência da fraternidade universal, fomentada pela doutrina cristã, e o sentimento que ela inspira estejam em contraste com o amor às tradições e glórias da própria pátria, ou impeçam que se promovam a prosperidade e os interesses legítimos, porquanto essa mesma doutrina ensina que existe uma ordem estabelecida por Deus no exercício da caridade, segundo a qual se deve amar mais intensamente e auxiliar de preferência os que estão a nós unidos com vínculos especiais. E o Divino Mestre deu também exemplo dessa preferência pela sua pátria, chorando sobre as ruínas da Cidade Santa. Mas o legítimo e justo amor à própria pátria não deve excluir a universalidade da caridade que faz considerar também aos outros a sua prosperidade, na luz pacificadora do amor".
Publicada por JSarto em Quinta-feira, Junho 10, 2004 |
O Anjo Custódio de Portugal
O calendário litúrgico católico tradicional reserva a data de 10 de Junho, exclusivamente para o território português, como sendo a do dia da festa do Anjo Custódio de Portugal: respondendo a uma solicitação que o Manuel Azinhal me fez há uns tempos atrás, deixo aqui a ligação para um sítio brasileiro (é sintomático ter de ser o outro lado do Atlântico a falar destas coisas…) com interessante artigo sobre o Anjo Custódio de Portugal - que alguns intérpretes sustentam ser o próprio Anjo São Gabriel -, as suas aparições em Fátima no ano de 1917, e o seu culto histórico no nosso País, bem como a doutrina católica acerca da existência dos anjos da guarda das nações.
Publicada por JSarto em Quinta-feira, Junho 10, 2004 |
Quarta-feira, Junho 09, 2004
Sousa Franco
Conheci Sousa Franco há quase vinte anos, quando fui seu aluno na cadeira de Finanças Públicas, do curso de Direito. Apesar da sua social-democracia e do seu catolicismo liberal pouco me dizerem, foi um professor que me deixou gratas recordações, nomeadamente pela permanente disponibilidade que demonstrava em relação aos seus alunos. Que descanse na paz de Deus.
Publicada por JSarto em Quarta-feira, Junho 09, 2004 |
A direita sociológica e as eleições
Em face das últimas e cada vez mais desastradas posições do cabeça-de-lista da coligação "Força Portugal", de que nos são dados ecos aqui e aqui, conviria que a direita sociológica que habitualmente vota nos partidos que compõem aquela coligação reflectisse na utilidade de continuar a manter tal orientação de voto, muito especialmente em relação ao PSD.
Que sentido tem tal direita apoiar eleitoralmente um partido que a despreza nos seus valores essenciais ao assumir uma postura política que cada vez mais descarrila para o centro-esquerda, e que nalguns pontos em nada se distingue já da do… Bloco de Esquerda?!...
Sem entrar em assuntos do foro interno, e cingindo-me ao campo meramente europeu, todos aqueles que recusam o federalismo, a integração da Turquia na União Europeia (com o acréscimo de imigração islâmica que a mesma acarreta) ou a consagração do ateísmo como religião oficial da Europa não podem patrocinar eleitoralmente a lista chefiada por João de Deus Pinheiro.
De uma vez por todas, há que fazer sentir que a direita sociológica não é refém de nenhum partido; que não admite que suponham o seu voto como antecipadamente conquistado; e que não tolera que os seus valores possam ser sistematicamente espezinhados no processo de decisão política.
Se uma força partidária quer assumir posturas de centro-esquerda que as assuma, mas que conte apenas com os votos do eleitorado de centro-esquerda, sem quaisquer veleidades em relação a outras áreas do eleitorado.
A direita sociológica deve assim procurar quem efectivamente a represente, defenda e não se envergonhe dos seus valores, mesmo que isso signifique votar não-útil.
Publicada por JSarto em Quarta-feira, Junho 09, 2004 |
Terça-feira, Junho 08, 2004
O Deus comum aos judeus e muçulmanos?
Encontrando-me fora de Lisboa, assisti no passado Domingo à celebração da Missa segundo o rito de Paulo VI, na igreja matriz de um concelho da costa vicentina. Frequentando com alguma periodicidade tal igreja, não posso dizer que me desgoste o que nela tenho presenciado, ou seja, a Missa celebrada em conformidade com as prescrições devidamente aprovadas pelas autoridades eclesiásticas, sem excessos ou extravagâncias de maior. É certo que sempre me poderia interrogar por que razão a comunhão foi também distribuída por um leigo, e se não eram bastantes para o efeito o sacerdote que celebrava a Missa ou o diácono que o auxiliava, ou qual o motivo da presença de uma acólita no altar, estando nele também mais quatro rapazes com iguais funções; por outro lado, o rito de Paulo VI, considerando a influência que o protestantismo exerceu na sua génese, jamais poderá expressar as verdades da fé católica em toda a sua plenitude, transmitindo-as, na melhor das hipóteses, de forma dúbia e ambígua, sem a reverência e a sacralidade do rito latino-gregoriano.
Mas a razão de ser deste meu artigo nem sequer é nenhum dos factos de que acima dou conta: durante a leitura das intenções dos fiéis, feita pelo diácono, entre outros pedidos, rogou-se a intercessão divina pelos judeus e muçulmanos que, com os cristãos, adoram um Deus comum. Ora, isto não é admissível, e é sintomático de um erro grosseiro bastante espalhado na Igreja pós-conciliar.
Na medida em que os judeus e os muçulmanos recusam a natureza divina de Jesus Cristo, é impossível afirmar-se que o Deus cristão é o mesmo dos judeus e muçulmanos: estes últimos, é certo, aceitam e veneram Cristo como um importante profeta do Islão - o profeta Issa -, mas sem aceitarem que Ele tenha natureza divina; os judeus nem sequer isso, e certas correntes do judaísmo, nos seus escritos doutrinários, não hesitam mesmo em caluniar violentamente Jesus.
Por fim, parece-me que numa perspectiva católica tradicional seria muito mais importante solicitar a intercessão divina pela conversão dos judeus e muçulmanos ao Catolicismo, bem como pelo reconhecimento por parte deles de que a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo, do rezar pelos mesmos sem qualquer outra finalidade específica.
Publicada por JSarto em Terça-feira, Junho 08, 2004 |
Segunda-feira, Junho 07, 2004
Divórcios religiosos?
O Expresso do passado fim-de-semana, na sua última página, numa manifestação do inefável jornalismo que usualmente costuma praticar, que mais do que revelar ignorância, denota a notória má fé dos escrevinhadores que relatam tais factos, noticiava em manchete que os bispos portugueses querem acelerar os divórcios religiosos, resultando depois da leitura da mesma notícia que o que estava em causa, afinal, era a mais célere tramitação dos processos de nulidade matrimonial nos tribunais canónicos.
Esclareça-se que no Catolicismo não existe nenhum divórcio religioso: de acordo com doutrina tradicional cristã, reflectida no cânone 1141 do Código de Direito Canónico, a única causa de dissolução de um matrimónio católico validamente celebrado é a morte de um dos cônjuges.
Diferente é a situação de declaração de nulidade de matrimónio católico invalidamente celebrado: neste último caso não ocorre qualquer dissolução matrimonial, porque aquele matrimónio, desde o início, sofre de vício que lhe retira a susceptibilidade de produzir quaisquer efeitos. Assim, em consequência dessa circunstância, também à luz do direito canónico, os respectivos contraentes não são sequer considerados como casados.
Saliente-se que a competência para declarar um matrimónio nulo incumbe exclusivamente aos tribunais eclesiásticos ou canónicos (cânones 1671 a 1691) e que os impedimentos dirimentes que acarretam a invalidade matrimonial estão taxativamente enunciados nos cânones 1073 a 1107.
Por outro lado, bem diversos são os casos de autêntica fraude à lei canónica que, no período pós-conciliar, têm vindo a suceder nos tribunais eclesiásticos de alguns países, de que os casos norte-americano e espanhol serão os mais notórios: sob a aparência de se declarar a nulidade de um matrimónio, mais não se faz do que contornar a proibição religiosa do divórcio, permitindo-se que os beneficiários dessa estratégia possam casar-se religiosamente em segundas núpcias.
Publicada por JSarto em Segunda-feira, Junho 07, 2004 |